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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Conto: Rotas (0 - O Louco)




O Louco

Lá estava ele, adormecido naquele catre imundo, pensando mais uma vez como fora parar ali.

Andarilho, sem suspeitar do movimento dos mundos, cada vez mais se sentia alheio às coisas deste orbe e cada vez mais não suspeitava de como aquilo iria transformá-lo num louco, um doido que nunca mais olharia para os outros sem sentir um desprezo, uma pontada de ironia, pois no seu mundo, todos eram felizes e não tinham angústias...

Pendente do teto balançava uma lâmpada que quase já não iluminava o fétido aposento - tantas e tantas moscas ali já defecaram, escurecendo o vidro de maneira tal que a luz já não passava.

Deus, como havia chegado ali ?

Olhou em volta e viu sua trouxa que carregava consigo em cima de restos de uma cadeira.

Mexeu-se. Sentiu uma queimação na perna - passou a mão - sim, era aquele maldito cachorro que me mordeu - pensou ele - quando foi isso ?

Levantou-se e ajeitando suas calças rasgadas, tentou sair do quarto - a escuridão proveniente da lâmpada já o irritava - tinha de ir embora - Tentou, tentou até que a porta se abriu.

Mas onde estava o mundo ? Só o que se descortinava em frente aos seus olhos era um branco desesperador, como se fosse um grande lençol branco.Sua alienação começou a preocupá-lo - será que nunca mais retornaria ao mundo normal ?

Teria ele entrado num mundo que não mais o libertaria ?

Decidiu entrar de novo no quarto e concentrar-se - o mundo voltaria e ele se safaria desta situação desesperadora.

Seu desespero cada vez mais toldava sua visão como se fosse um véu - mas cada vez mais ele tomava consciência de uma risada irritante que vinha aumentando o ritmo concomitantemente ao crepitar do mesmo.

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