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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sólio

 

Como já tivemos, anteriormente, oportunidade de falar, SÓLIO é sinônimo de TRONO, que é o assento solene, pomposo, onde se senta a pessoa a quem se confere extrema autoridade. No caso da Maçonaria é onde se senta a autoridade maior da Loja, que é o Venerável Mestre ou seu substituto numa determinada Sessão.


Desse modo, os Vigilantes quando substituem o Venerável, sentam no Sólio, apesar de muitos pensarem que o mesmo só pode ser ocupado pelo referido, o que não é verdade. Os Vigilantes são substituídos pelos Expertos.


À direita do Sólio, fica a cadeira, ou assento do Grão Mestre ou seu Adjunto (na Constituição de Anderson, é chamado de Deputado). No caso do REAA, são chamados de Soberano e Sapientíssimo, (ver Pílula Maçônica nº46) e tem a autoridade e direito de estarem presentes à sessão de qualquer Loja, como também de presidi-la, tendo o Venerável da Loja á sua esquerda.


Ao fazerem isso, não há a necessidade de sentarem no Sólio..


Deve ficar claro, também que, um dos Vigilantes, ao assumir, eventualmente, o Veneralato, é tratado durante a Sessão, como "Venerável Mestre", recebendo o título inerente ao cargo do Primeiro Malhete da Loja.


Além disso, quando se diz: "o Primeiro Diácono tem assento abaixo do Sólio..."


refere-se que o assento do referido, está num nível abaixo do nível onde está o Sólio. 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Hospitalários e o Reino Latino de Jerusalém

Cavaleiros Hospitalários

 

Os Hospitalários ou Cavaleiros Hospitalários, de São João de Jerusalém, foram originariamente uma Ordem militar-religiosa formada, também, durante as Cruzadas. Seu remanescente existencial atualmente é a Suprema Ordem Militar de Malta.

O grupo foi formado no 11º século em Jerusalém; seus membros foram irmãos vinculados a um hospital dedicado à São João que cuidava de peregrinos doentes ou necessitados. Em 1113 este grupo recebeu a aprovação papal como ordem regular. Seu primeiro superior (Grão Mestre) foi Gerard de Martignes. Seu sucessor foi Raymond du Puy que reconstituiu a Ordem e começou engajar seus membros em operações militares para o Reino Latino de Jerusalém (ver comentários abaixo).


Após 1187, a Ordem moveu seu quartel general para a cidade de Acre.


Os membros continuavam a cuidar de doentes, guardavam as estradas e lutavam. Eles se tornaram rivais dos Templários na arte de guerra cruzada.


Em 1310 mudaram primeiro para Chipre e depois para a ilha de Rhodes, na qual a Ordem governou como um estado independente até a chegada do turco Otto. Em 1530, o Sagrado Imperador Romano, Carlos V, concedeu Malta para os Hospitalários. Eles defenderam a ilha contra os turcos até que Napoleão I expulsou todos eles em 1798. A Ordem estava declinando e, finalmente seu quartel general foi finalmente estabelecida em Roma. E, de 1805 a 1879 não tiveram Grão Mestre.


Reconstituída em 1879, os Hospitalários continuam hoje como uma Ordem onde clericais e membros fiéis, ambos engajados em trabalhos de caridade e assistência médica. Ela é internacional na qualidade de seus membros e de suas atividades. A vestimenta da Ordem é um manto negro com a cruz de malta de oito pontas, na cor branca.


O Reino Latino de Jerusalém

O Reino Latino de Jerusalém foi criado em 1099 pelos líderes da primeira Cruzada; foi conquistado pelos Muslims em 1291. Sua grande extensão incluía a Palestina e outros estados ao norte, principalmente da Antióquia. A história desse reino pode ser contada em duas etapas: de 1099 até 1187 quando Jerusalém foi reconquistada pelo líder dos Mulims, Saladino e de 1189 até 1291, quando foi finalmente conquistado.


Durante a primeira fase o Reino tinha como capital a cidade de Jerusalém. Os Cruzados escolheram inicialmente Godfrey de Bouillon como administrador (1099 a 1100). Apesar dele ter tomado somente o título de Defensor do Sepulcro Sagrado, seus sucessores, começando por seu irmão Baldwin I (1100 até 1118) usaram o título real. Eles tinham a esperança de expandir e consolidar sua posição na Palestina e, em particular, capturar cidades costeiras, as quais a Primeira Cruzada não havia conquistado. Com o apoio naval de Gênova, Veneza e Pisa, eles tiveram sucesso nessa empreitada.


A oposição árabe dos muslims estava inicialmente fragmentada entre pequenos e insignificantes estados. Após 1128, entretanto, os estados árabes foram gradualmente se unificando, graças ação de novos líderes, entre eles o maior sendo Saladino, que se tornou administrador (governador) do Egito em 1169. Declarando uma guerra santa em 1187, ele derrotou os Cruzados em Hattin, resgatando Jerusalém para os Mulims e sitiando os remanescentes Cruzados em Tiro, Trípoli e Antióquia.


Em 1189 os Cristãos promoveram a Terceira Cruzada intencionada de reconquistar Jerusalém. E assim foi feito. Esta Cruzada e as outras que a sucederam, somente reconquistaram as cidades costeiras e faixa adjacente do território.

De 1191 para frente, a capital do reino era a cidade de Acre.


Infelizmente, o futuro desse Reino foi amargurado pelos conflitos entre os Barões e os Governadores; entre os colonizadores de Veneza, Piza e Gênova; e, principalmente entre as Ordens Militares dos Hospitalários e Templários.


A queda de Acre para os egípcios (Mamelucos) em 1291 marcou o fim do Reino Latino de Jerusalém.

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Constituições de Anderson - Análise do primeiro artigo das “Obrigações”.

Vou fazer algumas considerações, que funcionarão como esclarecimentos finais, sobre o assunto tratado na Pílula Maçônica nº 164 – "Constituições de Anderson". O primeiro artigo das Obrigações de um Maçom Livre, concernente a Deus e a Religião nos relata:


"Um Maçom é obrigado, em virtude de sua posição, a obedecer a lei moral; e se compreende bem a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um irreligioso libertino. Se bem que nos tempos antigos os Maçons estavam obrigados, em cada país, a pertencer à religião do dito país ou da dita nação, qualquer que fosse, atualmente se tem considerado mais conveniente não obrigá-lo senão a esta Religião em que todos os homens estão de acordo, deixando de lado sua opinião particular; que sejam homens bons e verdadeiros, homens de honra e probidade, por qualquer denominação ou crenças que possa distingui-los, donde resulta que a Maçonaria se converte no Centro de União e o meio para conciliar uma verdadeira amizade entre as pessoas que sem ela teriam permanecido em constante distância".


É interessante considerar o fato de Anderson ter mencionado unicamente o ateu e usado termos pesadíssimos chamando-o de "ateu estúpido" e "irreligioso libertino".


Aparentemente, Anderson estava preocupado com algo mais importante, que poderia abalar a imagem da Grande Loja de Londres, recém fundada em 1717, e que havia passado por enormes dissabores provocados pelo Grão Mestre da Ordem, eleito em 1722, chamado Philip, Duque de Wharton.


Retroagindo no tempo, sabemos que naquela época começaram a aparecer em Londres certos clubes, fechados, destinados à prática da libertinagem e eram denominados "Hell Fire Clubs" (clubes das chamas do inferno).


Alguns tinham estatutos, rituais e dignatários. Sabia-se que o ateísmo estava associado à libertinagem. Ali, blasfemar era quase que obrigatório. Normalmente, eram frequentados tanto por homens como por mulheres e seus membros ostentavam nomes de profetas, santos e mártires. A moda dos Hell Fire Clubs se estendeu com rapidez espantosa e haviam tomado a forma de sociedades secretas de "ateus".


O presidente de um desses clubes era o jovem aristocrata, Philip de Wharton, elevado a Duque em 1718, denominando-se Duque de Wharton. Talvez por sua influência na nobreza, talvez por influência política, ou por qualquer outro motivo que desconhecemos, foi eleito Grão Mestre da Grande Loja de Londres. Era um mau caráter, alcoólatra, ateu e tremendamente libertino.

Sua gestão foi escandalosa e o Duque de Wharton acabou sendo expulso da Maçonaria, tendo sido o seu malhete solenemente queimado. Depois de anos de vida crapulosa, foi morrer na Espanha, com a idade de trinta e três anos.


Por que nessa sociedade aberta a todas as convicções religiosas, Anderson fazia exceção somente aos ateus, que na época, eram raros?


O que se pode concluir, é que quando Anderson escreveu o primeiro artigo das Obrigações, estava pensando num ateu de grande importância, blasfemo e libertino, e quando assinalou "ateu estúpido" e "irreligioso libertino" estava se referindo à uma mesma pessoa.


O desprezo de Anderson por um homem que não acreditava em Deus, era mais moral do que filosófico. Era uma precaução contra determinados tipos de homens, evitando que interferissem no bom desenvolvimento da Grande Loja de Londres, recém fundada. Sem dúvida, as exclusões de "ateu estúpido" e "libertino irreligioso" estavam ligadas ao recente escândalo, provocado pelo Duque de Wharton.


Entretanto, como nos diz Alec Mellor –"O alerta havia sido perigoso. Se um homem tão considerado e influente como Desaguliers não tivesse sido seu Deputado Grão Mestre, podemos perguntar em que teria se convertido a jovem Grande Loja sob a direção de um Wharton que unia seu grau de Grão Mestre com os dos Hell Fire Clubs. Mas não bastava somente haver expulsado a ovelha negra. Era preciso pensar no futuro e deixar bem claro que a qualidade de ateu e libertino era incompatível com a Francomaçonaria. A redação das Constituições chegou oportunamente a esse efeito. Assim se explica a redação do primeiro artigo como também o indignado termo empregado por Anderson. Em outras condições não haveria sido necessário nenhum adjetivo pejorativo. O lº artigo não era uma petição de princípios, senão uma reação de defesa".

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

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