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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Análise do primeiro artigo das Old Charges

 

O primeiro artigo das Obrigações de um Maçom Livre, concernente a Deus e a Religião é mostrado, de modo condensado, na Pílula anterior, com o número "PM nº259 – Old Charges II" e  nos relata o Primeiro Artigo.  Para melhor entendimento vamos mostrá-lo de modo completo:

            "Um Maçom é obrigado, em virtude de sua posição, a obedecer a lei moral; e se compreende bem a Arte, nunca será um  ateu estúpido nem um irreligioso libertino. Se bem que nos tempos antigos os Maçons estavam obrigados, em cada país, a pertencer à religião do dito país ou da dita nação, qualquer que fosse. Atualmente se tem considerado mais conveniente não obrigá-lo senão a esta Religião em que todos os homens estão de acordo, deixando de lado sua opinião particular; que sejam homens bons e verdadeiros, homens de honra e probidade, por qualquer denominação ou crenças que possa distingui-los, donde resulta que a Maçonaria se converte no Centro de União e o meio para conciliar uma verdadeira amizade entre as pessoas que sem ela teriam permanecido em constante distância"..

Este documento tem sido reverenciado e seguido pela Maçonaria Universal.

Porém, se analisarmos com critério, nos surpreende o fato de Anderson ter isolado unicamente o ateu e usado termos pesadíssimos chamando-o de "ateu estúpido" e "irreligioso libertino".. Alguns historiadores alegam que Anderson estava distinguindo os ateus estúpidos dos ateus razoáveis.

Entretanto, essa alegação não faz sentido, pois aparentemente Anderson tinha em mente algo mais profundo e defensivo.

Veremos ao longo deste trabalho, que a Grande Loja de Londres, recém fundada em 1717, havia passado por enormes dissabores provocados pelo Grão Mestre da Ordem, eleito em 1722, chamado Philip, Duque de Wharton..

Por que nessa Sociedade aberta a todas as convicções religiosas, Anderson fazia exceção somente aos ateus? Aparentemente desmentia seus próprios princípios, mesmo porque os ateus até aquela época eram raros e inexpressivos.

Portanto, quando Anderson escreveu o primeiro artigo das Obrigações, estava pensando num ateu de grande importância, blasfemo e libertino, e quando assinalou "ateu estúpido" e "irreligioso libertino" estava se referindo à uma mesma pessoa.

O desprezo de Anderson por um homem que não acreditava em Deus, era mais moral do que filosófico. Era uma precaução contra determinados tipos de homens, evitando que interferissem no bom desenvolvimento da Grande Loja de Londres, recém fundada.

Sem dúvida, a exclusão de "ateu estúpido" e "libertino irreligioso" estava ligada a um recente escândalo, provocado pelo Duque de Wharton.

 

Retroagindo no tempo, sabemos que naquela época começaram a aparecer em Londres certos clubes, fechados, destinados à prática da libertinagem e eram denominados Hell Fire Clubs (clubs das chamas do inferno).

Alguns desses clubes tinham estatutos e rituais. Sabia-se que o ateísmo estava associado à libertinagem. Alí, blasfemar era quase que obrigatório. Normalmente, eram frequentados tanto por homens como por mulheres e seus membros ostentavam nomes de profetas, santos e mártires. As mulheres tinham apelidos tais como lady Sodoma, lady Gomorra, lady Poligamia, etc.

A moda dos Hell Fire Clubs se estendeu com rapidez espantosa e haviam tomado a forma de sociedades secretas de "ateus"..

O presidente de um desses clubes era o jovem aristocrata, Philip de Wharton, elevado a Duque em 1718, denominando-se Duque de Wharton.

Talvez por sua influência na nobreza, talvez por influência política, ou por qualquer outro motivo que desconheço, foi eleito Grão Mestre da Grande Loja de Londres e Westminster. Era um mau caráter, alcoólatra, ateu e tremendamente libertino.

Sua gestão foi escandalosa e ele,  o Duque de Wharton, acabou sendo expulso da Maçonaria, tendo sido o seu Malhete solenemente queimado. Depois de anos de vida crapulosa, foi para a Espanha, fundando uma Grande Loja, e morrendo lá com a idade de trinta e três anos.

 

Entretanto, como nos diz Alec Mellor –"O alerta havia sido perigoso. Se um homem tão considerado e influente como Desaguliers não tivesse sido seu Deputado Grão Mestre, podemos perguntar em que teria se convertido a jovem Grande Loja sob a direção de um Wharton que unia seu grau de Grão Mestre com os dos Hell Fire Clubs. Mas não bastava somente haver expulsado a ovelha negra. Era preciso pensar no futuro e deixar bem claro que a qualidade de ateu e libertino era incompatível com a Francomaçonaria. A redação das Constituições chegou oportunamente a esse efeito. Assim se explica a redação do primeiro artigo como também o indignado termo empregado por Anderson. Em outras condições não haveria sido necessário nenhum adjetivo pejorativo. O lº artigo não era uma petição de princípios, senão uma reação de defesa".

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Pedra no Canto Nordeste do Templo


Brethren, vejam que magnífico relato contido nesta Pílula. È uma condensação de alguns artigos de livros da Nova Zelandia, traduzidos e adaptados.

                Ele esclarece o "por que?" da "Pedra de Fundação" (Foundation Stone) de uma construção ter a posição no Nordeste e qual a ligação com a Iniciação Maçônica. Vejam:

Está registrado nos Rituais ingleses o que segue: "é costume na ereção de todos os edifícios majestosos e excepcionais, colocarmos a primeira pedra ou "Pedra de Fundação" no canto nordeste da construção. VOCE, que foi recentemente admitido na Ordem Maçônica, estará sentado na parte nordeste do Templo , para simbolicamente, representar aquele pedra"

A primeira frase mencionada acima, provavelmente faz parte de nossas tradições,  pois não se tem evidencias históricas que a suportem. Mas, é interessante para nossos propósitos maçônicos, se a usarmos como ensinamento moral..

O motivo do canto nordeste ser, tradicionalmente, declarado o local de colocação da primeira pedra da construção, é dada pelo M.W. Bro C.C,Hunt, por muitos anos Grande Secretário da Loja de Yowa. Em seu livro "Simbolismo Maçônico" ele relata: "A declaração freqüentemente ouvida por um Maçom é que na Maçonaria Operativa a primeira pedra de uma construção era colocada no canto Nordeste, e desse fato uma lição pode ser ensinada. Mas, a razão para colocar a primeira pedra da construção naquele local, não é dada."

Talvez, nem sempre essa pedra tenha sido colocada naquele canto, mas, por que, simbolicamente, foi adotado ser o Canto Nordeste o local para a colocação da referida pedra?

Operações de uma construção requerem muita claridade para o adequado posicionamento das pedras, pilares, etc. Com a claridade oferecida pela luz elétrica, as mesmas podem ser em feitas mesmo à noite, pois a claridade obtida é a mesma. Mas, os Maçons Operativos não tinham essa vantagem. Eles deviam fazer o melhor com a luz do Sol enquanto essa estivesse presente. As pedras naquele canto tinham que ser colocadas com grande exatidão, e então, como a claridade dada pelo Sol crescia no nordeste, nada mais natural do que ser aquele canto o escolhido para começar a construção. Aparentemente, era o melhor lugar para a acurada colocação das pedras.

Obviamente, estamos falando do Hemisfério Norte da Terra.

Ele continua: "Deverá ser notado que em todas as tradições e lendas sobre esse canto, ele representa a fonte do amanhecer, o local de inicio onde os raios do Sol batem, e por isso simboliza o "Aprendiz" começando sua vida Maçônica.....

"considerando que, simbolicamente, na Maçonaria, o Norte é considerado o lugar das Trevas e o Leste a fonte de Luz, o Canto Nordeste, apropriadamente, simboliza o Candidato emergindo das Trevas para a Luz. Ele está surgindo do canto Norte das Trevas,  para o amanhecer  do Canto  Leste........ele recebeu alguma Luz e está na direção para receber mais e mais Luz.

O Norte como o lugar das Trevas, Maçonicamente, representa o mundo profano, enquanto o Leste como fonte de Luz representa a Loja, e em ultima instância, a Ordem Maçônica.

A Pedra de Fundação colocada no canto Nordeste, tem um lado virado para o Norte e o outro virado para o Leste. O Candidato no Nordeste da Loja, representa alguém que emergiu das Trevas do Norte, mas não está totalmente fora da mesma, e caminha na direção da Luz."

 

Obervações: seria muito interessante que os VVMM atentassem para a importância desse Simbolismo. As Lojas que freqüento, do R.E..A.A, na maioria das vezes os Aprendizes, ao final da Iniciação, são colocados no meio da "Coluna B", no topo.  O correto é que sejam colocados no Nordeste do Templo.

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

terça-feira, 19 de março de 2019

Grande Loja


Eu, particularmente, sempre pensei que a origem do termo "Grande Loja" derivasse do evento da união das quatro Lojas da Inglaterra, em 1717, formando a "Grande Loja de Londres e Westminster". Mas a verdade não é essa.. Por casualidade, em pesquisa no Grande Dicionário Enciclopédico, do Mestre Nicola Aslan, encontrei:

"O termo Grande Loja, teve origem que remonta à Idade Média e foi utilizado, pela primeira vez, pela Maçonaria Operativa alemã.

As Lojas de Talhadores de Pedra, ou Steinmetzen, foram-se formando na Alemanha, por toda parte, com suas próprias leis e regulamentos. Estas Lojas ou Confrarias tomaram o nome de Hütten (Lojas), do nome do local em que se reuniam, e  reconheciam a supremacia das Grandes Lojas, denominadas Haupthüten (Lojas Principais)

Estas Grandes Lojas foram em número de cinco e estavam situadas em Colônia, Estrasburgo, Viena, Zurique e Magdeburgo. O Mestre da obra da Catedral de Colônia era reconhecido como chefe de todos os Mestres e operários da Baixa Alemanha, como o de Estrasburgo o era daqueles da Alta Alemanha. Mais tarde foi estabelecido um Mestre central em Estrasburgo, onde a construção da catedral se prolongou mais.

A sua jurisdição estendia-se sobre as Lojas de uma parte da França, e de uma parte da Alemanha; à Grande Loja de Colônia estavam subordinadas as Oficinas da Bélgica e de outra parte da França e assim por diante. As cinco Grandes Lojas Operativas alemãs tinham jurisdição independente e soberana, julgando sem apelação todas as causas levadas perante elas. Conforme os estatutos da sociedade.

Em 1452, Jost Dotzinger, Mestre das obras da catedral de Estrasburgo, unificou a organização das Corporações dos Talhadores de Pedra, formulando uma Constituição que foi aceita por todos.

No Congresso de Ratisbona, Dotzinger foi eleito Mestre Supremo e a Oficina de Estrasburgo recebeu o título de Grande Loja, ficando encarregada de julgar, em primeira instância, todas as divergências surgidas entre os Talhadores de Pedra.

Esse mesmo título foi usado em 1717, na Inglaterra quando a Maçonaria se transformou em uma Fraternidade com objetivos morais e sociais.. Formaram-se então as Grandes Lojas que se espalharam, sob esse novo aspecto, por todos os continentes. Desde então a Grande Loja é um Corpo Superior, independente, soberano e diretor da Ordem Maçônica perante as Oficinas de sua jurisdição."

 
Vou me atrever a mencionar um pensamento conclusivo, muito conhecido:  "Neste mundo nada se perde, nada se cria, tudo se copia."

 
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Qualificações do Venerável Mestre

 

Quais as "qualificações" e "deveres" de um Mestre Instalado?

È necessário dizer que Venerável Mestre "perfeito" não existe e nem nunca existirá. Isso é uma verdade.

Vamos mencionar os itens qualificatorios:

1.        – O Venerável Mestre qualificado deverá conhecer bem a Ordem Maçônica e a História da Maçonaria.

2.        – Ele deverá conhecer, também, alguma coisa da Literatura Maçônica a ponto de  poder recomendar livros aos Irmãos da sua Loja, e poder indicar onde achá-los e onde achar as respostas às questões feitas a ele.

3.        – Ele manterá a "harmonia" na Loja e estará atento à formação de "panelinhas" ou ocorrência de "fissuras" no grupo.

4.        – Ele deixará a Loja ao seu sucessor, financeiramente, melhor do que estava quando foi Instalado.

5.        – Ele fará Sessões interessantes e trabalhará duro para arranjar bons Trabalhos e planejará eventos cultos e instrutivos aos Irmãos. Nenhum Irmão deixará a Sessão sem dizer ou fazer alguma coisa, o que marcará maçonicamente seu coração.

6.        – Os 03 Graus Simbólicos deverão ser tratados com a mesma atenção e os Obreiros deverão ter as Instruções de maneira clara e apropriada e as dúvidas deverão ser esclarecidas ali, naquele momento.

7.        – Ele não terá dificuldades para preservar a dignidade de seus Oficiais, porque é sabido que, os Irmãos de uma Loja respeitam Veneráveis Mestres que respeitam seus Oficiais.

8.        – Ele será um "servidor" da Loja e fará o bem estar da mesma, como uma de suas prioridades.

9.        – Ele começará as Sessões no horário programado e fará tudo para evitar passar do horário do término, previsto.

10.      – Ele respeitará as Tradições da Loja e da Ordem Maçônica.

11.      – Ele seguirá, religiosamente, a Ritualística do Rito adotado pela Loja, sem invencionice ou abuso de poder, sem fazer eventos porque "acha que tem que fazer", ou dando desculpas esfarrapadas, dizendo "farei porque outros fazem", passando por cima da Ritualística.

12.      – Ele é o Guia, o Filósofo e Amigo dos Irmãos da Loja.

13.      – Ele é entusiasmado sobre seu trabalho mas consciente de suas próprias limitações. Ele é rápido para aceitar considerações mas lento para agir até que sejam dadas as análises criteriosas sobre as mesmas.

14.      – Ele receberá com agrado as sugestões mas não necessariamente as seguirá se as considerar inadequadas.

15.      – O ideal do Venerável Mestre é um Ideal Maçônico e batalhará para viver uma Vida maçônica.

16.      – Finalmente, o Venerável Mestre Ideal terá uma mente modesta, sem o mínimo de arrogância. Ele deverá estar sempre ciente que ocupa o "Trono de Salomão" e é o representante e responsável da Loja, agindo sempre de modo compatível com essa função. Essa condição de Venerável Mestre é o maior e melhor presente que uma Loja pode dar a um de seus Obreiros!


Esta Pílula Maçônica foi pesquisada e adaptada do artigo do M.W. Bro Carl H. Claudy (EUA) do  " O livro do Mestre Instalado".



Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

sexta-feira, 1 de março de 2019

VENERÁVEIS DE SUCESSO


(esta  pílula foi baseada e adaptada de artigo de autoria do Sr.Luiz A. Marins Filho, Ph.D. sobre empresas de sucesso)

Veneráveis de sucesso não perguntam o que os Maçons de sua Loja querem – surpreendem os membros da Loja! Nem sempre os Maçons sabem o que querem. Os Veneráveis, pela experiência adquirida, é que têm a obrigação de desenvolver as atividades da Loja que irão surpreender os Maçons.

Veneráveis de sucesso entendem que ser prestativo é o novo nome do jogo. Esses Veneráveis entendem que de nada adianta você ser Grau 33, ou ter 40 anos de maçonaria. O importante é ser prestativo e estar ligado a tudo relacionado com a sua Loja.

Veneráveis de sucesso sabem que o maior capital de uma Loja é o "capital humano maçônico, de cada um de seus membros". Assim, as Lojas desses Veneráveis estudam, debatem, e fazem com que o nível intelectual do grupo seja cada vez mais alto. Elas não dispensam tempo de estudos. Relacionam–se com outras Lojas. Trocam conhecimentos. De nada adianta ter uma Loja bonita, lotada, muito bem apresentada, com instalações perfeitas, se os Maçons que a compõem não surpreendem pelos conhecimentos adquiridos.

Veneráveis de sucesso sabem que é preciso ter consistência e constância nos serviços, em Loja. Isto quer dizer que as Lojas com Veneráveis de sucesso tem normas, procedimentos e Ritualística que todos conhecem e utilizam. São Lojas que hoje, amanhã e depois, trabalham com qualidade, obedecendo a Ritualística. Veneráveis de sucesso não se julgam os donos da verdade. Desprezam o "achismo"  e "invencionices". A consistência é fundamental e, para isso, são necessários procedimentos constantes que todos conheçam e obedeçam.

Veneráveis de sucesso têm excelente relacionamento com os Maçons de sua Loja. Sabem da importância de um bom relacionamento. Veneráveis que não fazem isso não podem ter sucesso. Assim, ouvir, respeitar opiniões, respeitar pedidos é fundamental.

Veneráveis de sucesso relacionam-se bem com outras Lojas e com a comunidade, em geral. Veneráveis de sucesso compreendem a importância de ter uma boa imagem na comunidade. Assim, participam de programas sociais e culturais e estão sempre presentes na comunidade.

Quero aproveitar a mensagem deste artigo e dizer que nós, Maçons, somos fornecedores e temos nossos clientes, que são nossas esposas, nossos filhos, nossos amigos. Nossos parentes. Devemos surpreendê-los com nosso comportamento.

E, como Maçons que somos, devemos também ser "Maçons de sucesso" tendo como objetivo principal a Loja Maçônica com todas as suas atividades e seu corpo participativo.          Devemos, portanto, não perguntar o que nossa Loja quer e sim, surpreender e encantar em nossas atitudes e em nossas virtudes. Devemos oferecer nosso melhor serviço; ser consistente e constante em nossas atividades maçônicas. O nosso relacionamento, entre Irmãos, deve ser o mais exemplar possível.
 
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

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