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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

DEUS MEUMQUE JUS



É muito comum, principalmente em Revistas Maçônicas, encontrar um emblema, bonito, com uma Águia Bicéfala (ver Pílula Maçônica nº115), segurando em suas patas uma espada e, abaixo, numa faixa presa na dita espada,  uma frase, em latim: "Deus Meumque Jus",  significando Deus e o meu Direito, usado pelo 33º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, em seus documentos, e também adotado pelo Supremo Conselho do Rito fundado em 1801, em Charleston, Carolina do Sul, na latitude 33, EUA.

O significado, como dito, é "Deus e o meu Direito" (God and my right). Na verdade, foi anteriormente traduzido para o inglês, do francês "Dieu et mon droit".

Vou tentar explicar o que ocorreu, baseado na Enciclopédia de Mackey (Alec Mellor e Nicola Aslan, também tomaram Mackey como referencia).

 

Em 1198, Ricardo, Coração de Leão, estava cercando e atacando a cidade de Gisors, na Normandia, pois o Rei da França, Felipe Augusto, havia se apoderado dessa cidade, sem ter direito a isso.

Essa cidade, entretanto, naquela época pertencia à Inglaterra, e Ricardo achava-se no direito de reavê-la. Logicamente, achava-se apoiado por Deus, e usou nessa missão guerreira a divisa, moralmente justificada,  "Dieu et mon Droit".

Motivando seus soldados com essa frase, ganhou a batalha, reconquistou a cidade de Gisors, e ficou tão satisfeito com essa divisa que a colocou, agora traduzido para o latim, Deus Meuquem Jus, no Brasão (heráldico) da Inglaterra.

 

Por qual motivo essa divisa foi colocada no Emblema do Supremo Conselho do R.:E.:A.:A.: eu não sei dizer, na certeza. Provavelmente, os fundadores do Supremo, achavam-se no "direito" de fundar o Primeiro Supremo Conselho do Rito, para organizar e colocar ordem (Ordo ab Chao) em algo extremamente bagunçado.

Pois, como escreveu  Mestre Castellani: "diante do caos existente, um grupo de maçons, reunidos  a 31 de maio de 1801, na cidade de Charleston, Carolina do Sul, resolveu acrescentar alguns graus aos 25 existentes e criar o "Supremo Conselho do grau 33" que, por ser o primeiro do mundo, denominou-se "Mother Council of de World", marcando o inicio de uma fase de organização e método de concessão dos Altos Graus" (ver Pílula Maçônica nº 115).

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

História da Maçonaria


Esta Pílula é dedicada aos Aprendizes, para que saibam a verdadeira história de nossa ordem, retirada de livros idôneos.

A Maçonaria como toda Instituição de grande envergadura, passou por diversas fases em sua evolução histórica. A princípio constituiu-se em Corporação Profissional durante a Idade Média Alta e Renascença. Posteriormente, agregou-se a ela uma Associação de Mútuos Socorros, até princípios do século XVIII e Sistema de Moralidade, conservando as características da associação de mútuos socorros.


Corporação Profissional ou Fase Operativa.

Durante sua fase de Corporação Profissional, por ser a arte de construir tão antiga como o mundo, inventaram-se várias lendas, para incrementar sua própria história.

Muitos escritores, em época de menor cultura, por não saberem distinguir entre o lendário e o histórico, consideraram a Instituição Maçônica muito antiga, perdendo-se na noite dos tempos ou nas narrativas bíblicas. Inclusive, imaginando-a uma continuidade, em linha reta, das sociedades iniciáticas da antiguidade, em vista  de seu aspecto iniciático. Entretanto, parecem esquecer, ou não querem se aperceber, que a Instituição Maçônica assumiu esse aspecto iniciático somente a partir do Século XVIII.

Assim, sendo a Idade Média a idade da fé, os primeiros edifícios a serem  construidos foram as igrejas, catedrais e abadias. Os primeiros operários da construção formaram-se, por isso, sob a direção do clero, único a possuir cultura da referida arte, naquela época.

Os eclesiásticos foram lentamente adquirindo conhecimentos sobre o arco, abóbada e, em princípios do Século XII, sobre a arte gótica (trazida talvez dos Árabes, pelos Templários), cujas principais características foram a preponderância dos vazios sobre os cheios, e as abóbadas em ogivas.


Confraria ou Associação de Mútuos Socorros.

Ao lado da Corporação Profissional, existia a Confraria, colocada sob a invocação de um Santo. Como a religião dominava por inteiro a vida social da Idade Média, essa vida social consistia, geralmente, de procissões solenes, missas, preces, banquetes e beneficências.

Com a Reforma Religiosa pressionando por um lado, e a Renascença por outro, houve um ponto final na construção das majestosas Catedrais Góticas, das monumentais Abadias e dos imponentes Palácios. O estilo simples e menos dispendioso da Renascença substituiu o difícil e complexo gótico. Dessa forma, a partir de aproximadamente 1550, a Corporação de Talhadores de Pedras foi declinando aos poucos e entrou, em 1670, em franca decadência.

Assim, num esforço para resistir a inevitável ruína que consumia as Corporações Construtivas, o lado social destas, ou seja, as Confrarias, começaram a partir  do Século XVI abrir suas portas aos Maçons Aceitos, que ingressaram na Fraternidade como protetores, honorários ou especulativos. Esses novos membros fortaleciam os quadros e ao mesmo tempo sustentavam a caixa de socorros da Confraria (Castellani).

 

 

 

 

Sociedade Iniciática.

Finalmente em 1717, quatro Lojas compostas, em sua maioria, por Maçons Aceitos, realizaram uma reunião preparatória na "Taverna da Macieira" e resolveram criar a Grande Loja de Londres e Westminster. Em 24 de junho de 1717, em reunião na "Cervejaria o Ganso e a Grelha" é fundada então, a Grande Loja de Londres e Westminster. Posteriormente, com adesão de novas Lojas, muda o nome para Grande Loja da Inglaterra.

 

Maçonaria Especulativa

Até 1717 d.C., quando houve a fusão de quatro Lojas inglesas, semente da Grande Loja Unida Inglaterra (vide Pílula nº56), a Maçonaria é chamada de "Maçonaria Operativa", pois o "saber" era empírico, adquirido de maneira prática. As ferramentas e o manuseio estavam sempre presentes. O Maçom Operativo era um profissional da arte de construir.

A partir dessa data, a Maçonaria começou a ser denominada de "Maçonaria Especulativa". Anderson celebrizou-se na Maçonaria por ter copilado as duas primeiras publicações oficiais da Grande Loja de Londres: as Constituições de 1723 e 1738, básicas, ainda hoje, na formulação das Constituições de todas as potências Maçônicas..

Desmembramento Universal da Maçonaria

Alguns escritores maçônicos afirmam, e eu sou partidário dessa idéia, que a Maçonaria, sem dúvida alguma, começou na Idade Média e no continente (Europa). Posteriormente deslocou-se para a ilha (Inglaterra) e voltando, após mudanças radicais, para o continente. Nessas idas e vindas, obviamente, dependendo dos costumes dos povos, a Maçonaria tomou tendências diferentes, resultando em comportamentos diferentes, apesar de que a essência da Sublime Ordem é sempre a mesma. Podemos, de modo macro, separá-la e três ramos principais.

Após 1690, a Inglaterra já havia suplantado todas as agitações políticas e religiosas, depois de 200 anos de guerrilhas e batalhas. O povo e os dirigentes estavam esgotados, cansados de brigas políticas e religiosas que não levavam a nada. Nesse ambiente, propício para o desenvolvimento de uma Maçonaria onde as reconciliações religiosas e políticas era uma meta, apareceu o primeiro ramo, chamado de Histórico ou Tradicional.

Na França, nessa mesma época, a Maçonaria possuía um desenvolvimento semelhante à inglesa, porém, o ambiente era extremamente agitado. Problemas de exploração do povo pela nobreza, abuso da boa fé pelo alto clero, a miséria, etc, formatou um segundo ramo na Maçonaria Universal, que poderemos chamar de Agnóstica.

Como na Europa, o número de pensadores liberais era maior do que na Inglaterra, devido a forte influencia do Renascimento, Iluminismo, etc, chegou ao extremo de não mais ser obrigado à crença em Deus, eliminando a invocação "À Glória do Grande Arquiteto do Universo" de seus Rituais. Teve manifestações políticas e espírito fortemente anticlerical, tendo como seu representante o Grande Oriente da França, existindo também na Itália e noutros países.

Dos dois ramos acima expostos, saiu o terceiro ramo, chamado de Místico, no qual a influencia dos "aceitos" (rosacruzes, judeus, alquimistas, filósofos, etc) aplicou, com toda a intensidade, a interpretação mística aos símbolos, história e filosofia da Nobre Instituição. O esoterismo e o misticismo são largamente praticados. Encontra-se principalmente entre os povos latinos da Europa e Américas, além de outras regiões.

Como nos diz, ainda, Ir\Eleutério: a partir da nova versão da Maçonaria, em 1717, que foi chamada de Especulativa, atraiu também atenções diversas. Houve a desconfiança dos governos e principalmente das igrejas, principalmente a Católica Romana. Pelas suas características, atraiu também intelectuais de diferentes tendências, e escolas, trazendo consigo idéias filosóficas e práticas ritualísticas, dando aos símbolos antigos e novos, novas interpretações com as quais os Maçons Operativos jamais tinham praticado, ou sonhado. Da mesma forma como os antigos construtores procuravam enobrecer suas origens fazendo-as remontar à construção do Templo de Salomão, por exemplo, esses novos Maçons queriam, e tiveram relativo êxito, vincular a instituição às antigas filosofias religiosas e mistérios do Egito, Grécia, Índia e Oriente em geral. Assim, encontramos em nossos símbolos referências herméticas, cabalísticas, rosa-cruzes, templárias, etc. Essas interpretações de origem mística, foram penetrando, sendo aceitas e incorporadas em diferentes graus nos países para onde a Maçonaria se expandiu.

O que deve ficar claro é que existe de comum entre a Ordem Maçônica e aquelas antigas manifestações religiosas é, em certa proporção, o método iniciático e alguns elementos simbólicos, mas a Maçonaria não constitui, de maneira alguma, uma versão atualizada daquelas organizações. Em muitos pontos da Europa Oriental, existem cultos que preservam muito do pensamento e da prática daquelas antigas religiões, e que são hoje suas verdadeiras herdeiras. São cultos ou seitas religiosas, nada tendo em comum com a Maçonaria, além de um ou outro elemento simbólico. A Maçonaria tem realmente, em seus símbolos e rituais muitos elementos hebraicos, como mostram as referências ao Templo de Salomão, à lenda de Hiram, às palavras de passe, etc. Contudo, na certeza, a Maçonaria não constitui por isso uma versão ocidentalizada do judaísmo. Do mesmo modo, foram incorporados elementos do pitagorismo, da cabalá, etc, e nem por isso a Maçonaria se torna um culto pitagórico ou uma escola da cabalá.

A Maçonaria não detém nenhuma verdade mística transcendental a ser comunicada a seus adeptos, nem se propõe servir de ponte entre o neófito e qualquer suposta consciência superior. A Instituição Maçônica enfatiza a necessidade do uso da decisão racional e do empenho da vontade para eliminação dos defeitos de personalidade para que o homem se torne melhor, mas ajustado e capaz de auxiliar seus irmãos humanos.

  

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Boneco Maçom


Muitos Maçons que aprendem a recitar o Ritual de maneira automática, não sabem que através de suas místicas palavras, há ocultos pensamentos e significados que bem merecem serem descobertos.

Semelhantes Maçons, aparentemente, estão aptos para viverem mecanicamente, balbuciando frases ritualísticas, igualmente à devotos ignorantes que cantam as rezas em Latim, cujo real significado pouco, ou nada, conhecem.

Esses Obreiros constituem o que chamamos de "bonecos maçons", porém, não são verdadeiros Maçons.

Uma coisa é estar apto para desempenhar e recitar um Ritual e, outra, é saber que o Ritual tem um significado e conhecer esse significado, aplicando-o à Sabedoria, Força e Beleza, em nossa vida diária.

A Maçonaria não serve para cega e estúpida devoção. Muitas vezes, consagrada  por "bonecos maçons" que nem sabem por que a servem.  O que a Maçonaria merece e gosta, é a lealdade inteligente de homens que pensam e que tem uma razão para a sua fé e devoção.

A Maçonaria oculta as suas lições em frases místicas, não com o propósito de aprendermos um grande número de palavras de estranhos sons, Esses sons devem fazer que pensemos em seus significados, e não como sons vazios e desprovidos de significados.

Muitos recitam o Ritual, como se tivessem algum encanto mágico e, para eles, o simples fato de não poderem entender o que revelam, parecem dar à suas frases misteriosas, um poder milagroso.

O Maçom que não consagra tempo ao estudo, não pensa, não examina, reflete e não penetra no significado da palavra para buscar o pensamento real, que se acha oculto nas palavras, serão Maçons somente na palavra, e não verdadeiros Obreiros da nossa Ordem.


(traduzido e adaptado das palavras de PGM Louis Block, de Yowa, EUA,, obtido no Boletim do G.:O.: do Uruguai, edição de 1913.)


Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Gnosticismo

Gnosticismo

 

Segundo dicionário "Aurélio" a palavra "gnose" vem do grego "gnosis" e é traduzida como "conhecimento, sabedoria".

Em tradução livre do "Dicionário da Francomaçonaria" de Robert Macoy, temos: O nome "Gnosticismo", derivada dessa palavra acima, foi assumido por uma seita filosófica a qual procurou unir as noções místicas do Leste europeu com as idéias dos filósofos gregos, juntamente com ensinamentos do Cristianismo. O sistema tem características que mostram conclusivamente que era um desenvolvimento da antiga doutrina dos Persas e dos Caldeus.

De acordo com os gnósticos, Deus, a mais alta inteligência, habita a plenitude da Luz, e é a fonte de todo o bem. A matéria crua, massa caótica da qual todas as coisas foram feitas, é igual a Deus, eterna, e é a fonte de todo o mal. Percebe-se, nessa definição um "Dualismo", declarado.

Nicola Aslan, no seu "Grande Dicionário Enciclopédico" nos relata:

É um sistema de filosofia, cujos partidários pretendiam ter um conhecimento sublime da natureza e atributos de Deus. Os "gnósticos" eram platônicos degenerados, mas eruditos, que a Igreja combateu tenazmente, o que contribuiu para torná-los conhecidos, e de certa maneira, pára incentivá-los.

Os "gnósticos" fizeram sua aparição desde o século II d.C. A "Gnose" ou "Gnosticismo" era o conjunto de conhecimentos por tradição, e que escapa aos processos ordinários de instrução, por isso os "gnósticos" formavam uma sociedade secreta e não ensinavam senão aos seus membros o esoterismo, inteiramente desconhecido dos profanos (N. Aslan).  Desse modo, os gnósticos, segundo eles, detinham uma "ciência" secreta. O clero da Igreja Católica, devido o charlatanismo da maioria de seus membros, esclarecia seus fiéis e destruía, sempre que possível, suas obras.

Como muitos dos Símbolos, muito antigos, usados pela Maçonaria, eram os mesmos usados na simbologia gnóstica, tais como o triangulo, o triangulo com um círculo, o Selo de Salomão, etc, a antimaçonaria, sempre presente, acusava ser a Maçonaria um prolongamento do Gnosticismo, o que não é verdade. Não há nenhuma ligação entre o Gnosticismo e a Maçonaria.

Pesquisando ainda Mestre Aslan, podemos dizer que, na Maçonaria, sempre existiu maçons sonhadores e inovadores, principalmente os franceses, que estudaram o gnosticismo, formando Lojas espúrias, que nada tem a ver com a verdadeira Maçonaria.

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Luzes na Maçonaria


 

Esta Pílula foi condensada de um artigo do livro "Holy Bible" – Heirloom Bible Publishers – Kansas EUA, que se inicia com a seguinte pergunta: "quais são os simbolismos da Luz na Maçonaria?

Em resposta, nos é dito que Luz é, de longe, o mais importante e misterioso termo na Maçonaria o qual é entendido pela maioria dos membros da Ordem. É o primeiro dos Símbolos apresentado para o Aprendiz na sua Iniciação, e continua estando presente para ele, de várias formas, durante todo seu futuro progresso em sua carreira Maçônica.

A Luz representa, como é geralmente entendida na Ordem, o "Conhecimento", "Verdade" ou "Sabedoria", mas ela contém, dentro de si mesmo, a parte mais difícil de entender e longínqua alusão da verdadeira essência da Maçonaria Especulativa, e aceita, dentro de si ampla significação, todos os outros Símbolos da Ordem.

Maçons são enfaticamente chamados de "Filhos da Luz" porque eles estão, ou deveriam estar, de posse do verdadeiro significado do Símbolo: enquanto o profano ou o não-iniciado, por uma analogia de expressão, estão na "escuridão".

Em todos os antigos sistemas de religião e em todos os mistérios antigos, a reverência pela Luz, como uma representação emblemática do principio Eterno de Deus, é predominante. Isso sempre foi verdade no Judaísmo e é, também, verdade no Cristianismo.

E é verdade, do começo ao fim, nos Rituais da Maçonaria, no mais predominante sentido. A maior Luz da Maçonaria é a Palavra de Deus;

Maçons estão empenhados de procurar nesta fonte de verdadeira luz e dos princípios da Ordem, um sempre crescente avanço na direção da Luz.

A fonte original da verdadeira Luz Maçônica é Deus. Somente os homens que caminham em sua direção, evitando a escuridão, são chamados de "Filhos da Luz".


Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

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