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História da Maçonaria

 

Esta Pílula é dedicada aos Aprendizes, para que saibam a verdadeira história de nossa ordem, retirada de livros idôneos.

A Maçonaria como toda Instituição de grande envergadura, passou por diversas fases em sua evolução histórica. A princípio constituiu-se emCorporação Profissional durante a Idade Média Alta Renascença. Posteriormente, agregou-se a ela uma Associação de Mútuos Socorros, até princípios do século XVIII e Sistema de Moralidade, conservando as características da associação de mútuos socorros.

 

Corporação Profissional ou Fase Operativa.

Durante sua fase de Corporação Profissional, por ser a arte de construir tão antiga como o mundo, inventaram-se várias lendas, para incrementar sua própria história.

Muitos escritores, em época de menor cultura, por não saberem distinguir entre o lendário e o histórico, consideraram a Instituição Maçônica muito antiga, perdendo-se na noite dos tempos ou nas narrativas bíblicas. Inclusive, imaginando-a uma continuidade, em linha reta, das sociedades iniciáticas da antiguidade, em vista  de seu aspecto iniciático. Entretanto, parecem esquecer, ou não querem se aperceber, que a Instituição Maçônica assumiu esse aspecto iniciático somente a partir do Século XVIII.

Assim, sendo a Idade Média a idade da fé, os primeiros edifícios a serem  construidos foram as igrejas, catedrais e abadias. Os primeiros operários da construção formaram-se, por isso, sob a direção do clero, único a possuir cultura da referida arte, naquela época.

Os eclesiásticos foram lentamente adquirindo conhecimentos sobre o arco, abóbada e, em princípios do Século XII, sobre a arte gótica (trazida talvez dos Árabes, pelos Templários), cujas principais características foram a preponderância dos vazios sobre os cheios, e as abóbadas em ogivas.

 

Confraria ou Associação de Mútuos Socorros.

Ao lado da Corporação Profissional, existia a Confraria, colocada sob a invocação de um Santo. Como a religião dominava por inteiro a vida social da Idade Média, essa vida social consistia, geralmente, de procissões solenes, missas, preces, banquetes e beneficências.

Com a Reforma Religiosa pressionando por um lado, e a Renascença por outro, houve um ponto final na construção das majestosas Catedrais Góticas, das monumentais Abadias e dos imponentes Palácios. O estilo simples e menos dispendioso da Renascença substituiu o difícil e complexo gótico. Dessa forma, a partir de aproximadamente 1550, a Corporação de Talhadores de Pedras foi declinando aos poucos e entrou, em 1670, em franca decadência.

Assim, num esforço para resistir a inevitável ruína que consumia as Corporações Construtivas, o lado social destas, ou seja, as Confrarias, começaram a partir  do Século XVI abrir suas portas aos Maçons Aceitos, que ingressaram na Fraternidade como protetores, honorários ou especulativos. Esses novos membros fortaleciam os quadros e ao mesmo tempo sustentavam a caixa de socorros da Confraria (Castellani).

 

 

 

 

Sociedade Iniciática.

Finalmente em 1717, quatro Lojas compostas, em sua maioria, por Maçons Aceitos, realizaram uma reunião preparatória na "Taverna da Macieira" e resolveram criar a Grande Loja de Londres e Westminster. Em 24 de junho de 1717, em reunião na "Cervejaria o Ganso e a Grelha" é fundada então, a Grande Loja de Londres e Westminster. Posteriormente, com adesão de novas Lojas, muda o nome para Grande Loja da Inglaterra.

 

Maçonaria Especulativa

Até 1717 d.C., quando houve a fusão de quatro Lojas inglesas, semente da Grande Loja Unida Inglaterra (vide Pílula nº56), a Maçonaria é chamada de "Maçonaria Operativa", pois o "saber" era empírico, adquirido de maneira prática. As ferramentas e o manuseio estavam sempre presentes. O Maçom Operativo era um profissional da arte de construir.

A partir dessa data, a Maçonaria começou a ser denominada de "Maçonaria Especulativa". Anderson celebrizou-se na Maçonaria por ter copilado as duas primeiras publicações oficiais da Grande Loja de Londres: as Constituições de 1723 e 1738, básicas, ainda hoje, na formulação das Constituições de todas as potências Maçônicas..

Desmembramento Universal da Maçonaria

Alguns escritores maçônicos afirmam, e eu sou partidário dessa idéia, que a Maçonaria, sem dúvida alguma, começou na Idade Média e no continente (Europa). Posteriormente deslocou-se para a ilha (Inglaterra) e voltando, após mudanças radicais, para o continente. Nessas idas e vindas, obviamente, dependendo dos costumes dos povos, a Maçonaria tomou tendências diferentes, resultando em comportamentos diferentes, apesar de que a essência da Sublime Ordem é sempre a mesma. Podemos, de modo macro, separá-la e três ramos principais.

Após 1690, a Inglaterra já havia suplantado todas as agitações políticas e religiosas, depois de 200 anos de guerrilhas e batalhas. O povo e os dirigentes estavam esgotados, cansados de brigas políticas e religiosas que não levavam a nada. Nesse ambiente, propício para o desenvolvimento de uma Maçonaria onde as reconciliações religiosas e políticas era uma meta, apareceu o primeiro ramo, chamado de Histórico ou Tradicional.

Na França, nessa mesma época, a Maçonaria possuía um desenvolvimento semelhante à inglesa, porém, o ambiente era extremamente agitado. Problemas de exploração do povo pela nobreza, abuso da boa fé pelo alto clero, a miséria, etc, formatou um segundo ramo na Maçonaria Universal, que poderemos chamar de Agnóstica.

Como na Europa, o número de pensadores liberais era maior do que na Inglaterra, devido a forte influencia do Renascimento, Iluminismo, etc, chegou ao extremo de não mais ser obrigado à crença em Deus, eliminando a invocação "À Glória do Grande Arquiteto do Universo" de seus Rituais. Teve manifestações políticas e espírito fortemente anticlerical, tendo como seu representante o Grande Oriente da França, existindo também na Itália e noutros países.

Dos dois ramos acima expostos, saiu o terceiro ramo, chamado de Místico, no qual a influencia dos "aceitos" (rosacruzes, judeus, alquimistas, filósofos, etc) aplicou, com toda a intensidade, a interpretação mística aos símbolos, história e filosofia da Nobre Instituição. O esoterismo e o misticismo são largamente praticados. Encontra-se principalmente entre os povos latinos da Europa e Américas, além de outras regiões.

Como nos diz, ainda, Ir\Eleutério: a partir da nova versão da Maçonaria, em 1717, que foi chamada de Especulativa, atraiu também atenções diversas. Houve a desconfiança dos governos e principalmente das igrejas, principalmente a Católica Romana. Pelas suas características, atraiu também intelectuais de diferentes tendências, e escolas, trazendo consigo idéias filosóficas e práticas ritualísticas, dando aos símbolos antigos e novos, novas interpretações com as quais os Maçons Operativos jamais tinham praticado, ou sonhado. Da mesma forma como os antigos construtores procuravam enobrecer suas origens fazendo-as remontar à construção do Templo de Salomão, por exemplo, esses novos Maçons queriam, e tiveram relativo êxito, vincular a instituição às antigas filosofias religiosas e mistérios do Egito, Grécia, Índia e Oriente em geral. Assim, encontramos em nossos símbolos referências herméticas, cabalísticas, rosa-cruzes, templárias, etc. Essas interpretações de origem mística, foram penetrando, sendo aceitas e incorporadas em diferentes graus nos países para onde a Maçonaria se expandiu.

O que deve ficar claro é que existe de comum entre a Ordem Maçônica e aquelas antigas manifestações religiosas é, em certa proporção, o método iniciático e alguns elementos simbólicos, mas a Maçonaria não constitui, de maneira alguma, uma versão atualizada daquelas organizações. Em muitos pontos da Europa Oriental, existem cultos que preservam muito do pensamento e da prática daquelas antigas religiões, e que são hoje suas verdadeiras herdeiras. São cultos ou seitas religiosas, nada tendo em comum com a Maçonaria, além de um ou outro elemento simbólico. A Maçonaria tem realmente, em seus símbolos e rituais muitos elementos hebraicos, como mostram as referências ao Templo de Salomão, à lenda de Hiram, às palavras de passe, etc. Contudo, na certeza, a Maçonaria não constitui por isso uma versão ocidentalizada do judaísmo. Do mesmo modo, foram incorporados elementos do pitagorismo, da cabalá, etc, e nem por isso a Maçonaria se torna um culto pitagórico ou uma escola da cabalá.

A Maçonaria não detém nenhuma verdade mística transcendental a ser comunicada a seus adeptos, nem se propõe servir de ponte entre o neófito e qualquer suposta consciência superior. A Instituição Maçônica enfatiza a necessidade do uso da decisão racional e do empenho da vontade para eliminação dos defeitos de personalidade para que o homem se torne melhor, mas ajustado e capaz de auxiliar seus irmãos humanos.

 

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

Intuição

  

Tendo em vista tratar-se de assunto cuja definição é extremamente polêmica, e, muitas vezes, dependendo de quem a define, é subjetiva. Esta Pílula tem em foco, simplesmente, definir e comentar a Intuição de modo simples e objetivo, baseado em diversos autores.

A origem etimológica da palavra intuição provém do verbo latino "intuire" que significa perceber; ver; olhar atentamente, discernir; ato ou capacidade de pressentir. Gerando, daí, a palavra "intuizione". É uma forma de captar informações sem recorrer aos métodos do raciocínio e da lógica. Sem dúvida, desempenha importante papel na criatividade e nas descobertas humanas.

Nosso cérebro está dividido em dois hemisférios: o do lado direito que armazena e elabora as nossas emoções, a imaginação e a criatividade. É a metade intuitiva, sem domínio verbal. O hemisfério esquerdo é o lado organizado, racional, lógico, analítico, usa a Linguagem e domina a Palavra. Assim, a metade esquerda do cérebro, que é racional e armazena dados concretos, números e regras; e o lado direito, responsável pela linguagem não-verbal, símbolos e sensações.

Deste modo, uma definição primeira e simples é: "Relacionar o que vem de um e do outro é intuir". A questão é como interpretar o que está lá dentro. O processo não é lógico. Sensações não seguem regras cartesianas, não são concatenadas, não obedecem ordens temporais: aqui, quem dita as regras é o inconsciente.

Limpar a mente, e deixá-la de portas abertas, e mesmo se distanciando do problema, ajuda a focalizar o que parece escondido. Albert Einstein, físico, costumava fazer palavras cruzadas para se distrair e permitir que a intuição se manifestasse.

A intuição é velha companheira de artistas e cientistas. Gênios da música clássica como Beethoven e Mozart obtiveram grandes realizações com o uso da intuição. Albert Einstein, já citado, considerava a imaginação mais importante do que o conhecimento. Disse certa vez: "As vezes confio estar certo, sem saber a razão".

Em filosofia, intuição é uma forma de conhecimento ou saber independenteporém relacionada, da experiência ou da razão. A capacidade de intuição e o saber intuitivo, são consideradas qualidades inerentes à mente. O filósofo judeu Baruch Spinoza considerava a intuição como forma mais elevada de conhecimento, acima do saber empírico. A intuição e a razão se complementam.

Nenhum ser humano pode tomar decisões acertadas somente com o uso da razão. A intuição é, como dizia Freud, uma rebeldia do intelecto. A lógica formal não pode, por si só, servir de base para decidir com quem vamos nos casar, em quem confiar, que emprego vamos aceitar, que negócios devemos iniciar e que coisas devemos comprar. Todas as decisões exigem o uso da razão, da intuição e uma relação saudável com o nosso repertorio emocional.

Deste modo, podemos concluir que quando estamos com nosso sistema emocional abalado por problemas, de ordem genérica, devemos ser extremamente cautelosos quando analisamos e seguimos orientação intuitiva.

A intuição pode fazer com que adivinhemos quem está para chegar ou prever o resultado de um sorteio. São percepções comuns a qualquer pessoa e, apesar de comprovadamente eficiente, o processo pelo qual a intuição age e a forma como nós a percebemos ainda não foi esclarecido. O certo é que as mulheres, crianças e pessoas menos ligadas às coisas materiais a experimentam mais intensamente.

As mulheres estão galgando novas posições de destaque não só como empresárias, mas como líderes nas mais diversas atividades, graças aos seus dotes privilegiados em relação à intuição. A intuição não é um dom mágico, mas uma capacidade do cérebro que pode ser desenvolvida e aplicada na hora de tomar decisões.

O mundo de negócios está valorizando enormemente o uso da intuição pelos líderes das grandes companhias como a Compaq e Sony. Em recente pesquisa, sabe-se que os executivos americanos, japoneses e ingleses, despontam no grupo como os mais intuitivos. Infelizmente, os empresários e executivos brasileiros ainda dão um peso muito grande às analises estatísticas, para a quantificação de dados, usando demais o lado esquerdo do cérebro, em detrimento do lado direito. Enxergam as arvores e deixam de enxergar a floresta.

As pressões para tomada de decisão estão sendo feitas em prazos cada vez menores, aumentando, progressivamente, nas pessoas bem sucedidas, os apelos para os dotes intuitivos.

Conhecida como sexto sentido, Carl Gustav Jung a comparou com uma bússola, uma psique que desvenda possibilidades. Por que você acorda no meio da noite com aquela idéia brilhante na cabeça? É um assunto espinhoso e alguns confundem com misticismo. Sua existência é aceita e comprovada por diversos testes, mas ainda não se conhece todo o seu mecanismo.

É preciso diferenciar intuição do desejo "que algo aconteça" e também com a paranóia. Paranóia é um medo que se repete, e intuição é uma sensação que acontece e parece ser uma recombinação inconsciente de fatos, observações e sensações.

Pelo exposto, conclui-se que intuição pode ser compreendida de diferentes maneiras: pode ser o discernimento rápido, a percepção clara e imediata. Para outros é a capacidade de pressentimentos, acontecimentos ou caminhos que levam a soluções de difíceis problemas.

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

Paramentos do Grão Mestre Geral e Adjunto

 

As "alfaias" ou "paramentos litúrgicos", são as vestes litúrgicas, com ornatos ou não, usadas pelos membros da Igreja e, no nosso caso, pelos membros da Maçonaria nos eventos maçônicos.

Para a Obediência "Grande Oriente do Brasil" e outras, diversos Ritos são aceitos e praticados. No caso do GOB, 07 deles são considerados: York (Ritual Emulation), R.E.A.ASchroerderFrancês ou Moderno, AdonhiramitaRito Escocês Retificado e Brasileiro.

Referente aos Paramentos usados pelo Grão Mestre Geral do GOB e seu Adjunto, em solenidades Maçônicas e em visitas às Lojas pertencentes aos 07 Ritos mencionados acima, os mesmos são comuns à todos os Ritos.

Deixando claro: o Paramento usado pelo Grão Mestre Geral e o Paramento usado pelo seu Adjunto, são únicos, geralmente comuns à todas as Obediências e, como foi dito, independente dos Ritos.

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

Egrégora

 

A palavra "Egrégora" não existe em nosso idioma, a língua portuguesa. Até onde se sabe, na Maçonaria até meados dos anos 80, nenhum obreiro havia ouvido sequer falar de seu significado.

Primeiramente, de acordo com Mestre Castellani, essa palavra tem origem no "ocultismo" e foi se introduzindo aos poucos em nosso ambiente maçônico.

Com exceção do livro "Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons" do escritor francês Alec Mellor, respeitadíssimo na comunidade maçônica mundial, nenhum outro cita essa palavra e seu significado.

Na página 107 desse livro, da Coleção Arcanum, editora Martins Fontes, temos:

"Egrégora, do grego antigo "Egrégore", é um termo inspirado no Ocultismo, onde significa a consciência coletiva de um grupo, mas dotada de personalidade. É uma entidade viva, não uma abstração.

Essa concepção, totalmente extra maçônica e ausente em todos os Rituais, foi admitida, sem grande espírito crítico, por vários maçons ocultistas que falaram da "egrégora da Loja" ou "egrégora da Ordem", etc.

Em 1893 foi lançado um texto inédito de Eliphas Levy, que no meu conceito, foi um perfeito imbecil, onde se lê: "As Egrégoras são deuses....nascem da respiração de Deus....Dormindo, ele inspira e expira. Sua respiração cria as Egrégoras....". Além dessas elucubrações mitológicas, escreveu outros absurdos sobre a etimologia dessa palavra, que me nego a escrever.

É difícil escrever tanta besteira junta mas ele conseguiu!

Mellor ainda nos diz: "divagações desse tipo são suficientes para mostrar até que ponto o ocultismo se disseminou como um flagelo na Maçonaria".

Voltando ao Mestre Castellani, finalizo com seu depoimento: "Fantasia total do texto de Eliphas levy. Fantasia não tem compromisso com a verdade, não precisa de documentação, de provas. Pode-se dizer qualquer bobagem, porque a fantasia não tem limites e os basbaques encantam-se com ela. Mas não tem o mesmo encanto pela História séria e documentada. É por isso que, em nosso meio, ainda campeia a grande ignorância do que é, realmente, a Maçonaria".

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.