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sexta-feira, 21 de março de 2014

Copa do Mundo: Brasil x Croácia

Ehhhh!

Mais uma vez o Brasil joga com a Croácia! Na Copa de 2006, meu filho
ainda na barriga da mãe, fui entrevistado pelo Jornal O TEMPO, daqui
de Belo Horizonte, sobre o jogo da Croácia com o Brasil.

Agora a expectativa ainda é maior, já que o jogo de abertura será no
Itaquerão, e os dois se encontram novamente.

Será que eu vou lá? Sei que no dia do jogo estarei com a "šahovnica",
a camisa xadrez, tão típica do futebol croata.

E com orgulho estarei torcendo pelas duas seleções, ou seja, pelo
empate, já que meu coração estará dividido.

Aliás, o negócio é pela farra mesmo, já que, pelo menos, o mundo fica
sabendo que a Croácia existe...

Lembro quando eu era pequeno e falava que minha mãe nasceu na Croácia,
a primeira coisa que eu escutava era "onde é isso!?!?!"...

Bão, então resta esperar o dia do jogo, gritar bastante, tomar cerveja
e curtir!!!

VIVAT HRVATSKA!!!!!

700 anos da morte de De Molay

<Fonte: desconhecida>

O sol está se pondo e uma multidão se forma no pátio diante da
Catedral. Apesar do fim do inverno, essa segunda-feira de primavera
parece fria como nunca. As flores já brotaram, mas o vento corta como
navalha.

- É uma pena que a fogueira fique tão distante de nós. Seria bom para
me aquecer. – diz um mendigo de idade já avançada, ou talvez apenas
castigado pela vida.
- Acredite, você não agüentaria ficar perto do calor infernal e o
cheiro de carne herege queimando. – responde um senhor com roupas um
pouco melhores, um pouco mais limpo, mas com um destino não muito
diferente da mendicância. Afinal, a França está falida e quase ninguém
tem emprego.
Com o crepúsculo, os postes começam a ser acesos e o cheiro de óleo
queimando é sentido no pátio. Sangue, óleo, fogo, suor, lixo, seus
cheiros estão sempre misturados na não tão bela Paris do século XIV.

Soldados montados vão se aproximando e se posicionando, o que indica
que o momento de mais uma execução está chegando. – Quem será dessa
vez? – alguns se perguntam. As execuções sempre apresentam bom número
de espectadores, mas essa tem superado as anteriores: nem sinal das
autoridades e dos condenados e a Ilha da Cidade já está lotada. Isso
porque todos esperam assistir a execução daquele que o povo
considerava acima dos reis e abaixo apenas do Papa. O Grão-Mestre dos
Templários, Jacques de Molay.

Já fazia 07 anos que ninguém o via, desde aquela escura sexta-feira 13
que o povo tratou de guardar como maldita. Uns diziam que ele havia
morrido nas torturas da Santa Inquisição. Outros que ele conseguira
fugir para a Escócia com tantos outros Cavaleiros. A única coisa que
todos concordavam é que era impossível um homem com seus 70 anos de
idade sobreviver por tanto tempo a tanto tormento. Esse era o motivo
para tanta gente estar ali: ver a queda de um homem que liderava reis
e que sobreviveu ao insuportável.

As carruagens começaram a chegar. Um dos primeiros foi de Vossa
Santidade, o Papa Clemente V. Os parisienses o aclamaram quando ele
desceu de sua carruagem, afinal de contas, é o primeiro Papa francês,
que transferiu o Papado da Itália para a França, tornando-a o centro
do que é mais sagrado no mundo cristão. Infelizmente, isso não tem
ajudado a França a sair de um caminho de degradação. Logo em seguida,
a carruagem do Rei Felipe IV se aproxima da Catedral, acompanhada de
forte escolta. Era necessário, pois a vontade de cada cidadão ali
presente era de linchá-lo e, quem sabe, queimá-lo em sua própria
fogueira preparada para Jacques de Molay e seus Preceptores.

Com a presença do Papa e do Rei, a multidão não teve mais dúvidas:
seria a tão comentada execução, talvez a mais polêmica realizada
naquele local.
O rei e o Papa se posicionaram confortavelmente no camarote
improvisado para aquilo que mais parecia um show no Coliseu. Em volta
deles, estava toda a espécie de Arcebispos, Bispos, Ministros, Condes,
Duques e bajuladores. O circo estava completo, mas… onde está o
gladiador? Nesse momento, vê-se a carruagem negra e fortificada se
aproximando com os condenados. Quando a carruagem pára, próximo à
pequena ponte, os soldados têm dificuldade de conter a multidão que
tenta se aproximar para vê-los mais de perto. Isso não estava
previsto. – Como será que eles estão? – era o que todos pensavam.

Da carruagem saiu DeMolay e seus Preceptores. Magros como Gandhi e com
barbas e cabelos longos e sujos, seus mantos templários, antes tendo
sua brancura como símbolo da pureza de pensamentos e atos, agora em
estado de podridão. Os soldados não estavam ali para impedi-los de uma
tentativa de fuga, senão para mantê-los em pé e ajudá-los a andar.

Os condenados foram postos no pequeno barco, acompanhados de três
carrascos, e conduzidos até o elevado preparado para servir como
fogueira. Ali foram silenciosamente amarrados. O carrasco-principal
fez a devida leitura do ato de execução, destacando os crimes de
heresia e traição. O silêncio não é apenas dos condenados, mas de toda
a multidão. Após a leitura, o principal aguarda o sinal do Rei, o
Belo, que responde positivamente. Então o carrasco-principal pegou a
tocha acesa da mão de um dos seus sequazes e jogou sobre entulho de
palha, troncos e óleo. O fogo rapidamente se alastrou.

Aqueles já acostumados em acompanhar as execuções se preparam para
escutar os costumeiros e agonizantes gritos. Para eles, aquele
sofrimento final dos condenados reduzia o sofrimento eterno que os
mesmos teriam no Inferno, e quanto maior o pecado, maior a dor sentida
na fogueira. Mas o que presenciaram foi algo ainda mais aterrorizante:
um total silêncio e serenidade no semblante de cada um daqueles
senhores tão humilhados e maltratados, e agora à beira da morte.

Via-se o fogo consumindo suas pernas e vestes e sentia-se o cheiro de
carne queimada no ar, mas eles não demonstravam nenhum sinal de
sofrimento.
Assim, o silêncio foi quebrado pela própria multidão, que murmurava
sem acreditar no que estava vendo. Foi então que todos viram que o
grande líder dos condenados, Jacques de Molay, estava falando algo.
Não se podia ouvir, pela distância em que a fogueira se encontrava, o
barulho das pessoas e o tom sereno com que DeMolay falava. Mas ele
falou algo, olhando para a multidão, para o camarote, e logo se calou,
fechando seus olhos para aquela vida terrena.

As pessoas começaram a sair rapidamente dali, incomodadas com o que
acabaram de presenciar. Algumas, supersticiosas, julgaram presenciar
uma maldição. Outras entenderam aquelas palavras inaudíveis, como uma
oração, uma despedida, ou mesmo um prelúdio do que estava por vir. O
que todos sabiam é que haviam presenciado a morte de um grande homem,
algo que ficaria para a história. Aquela segunda-feira, 18 de Março de
1314, jamais seria esquecida.
Jacques de Molay estava acima dos Reis e abaixo do Papa enquanto
Grão-Mestre. Mas enquanto prisioneiro, enquanto líder que protegeu
seus Companheiros e não traiu seus princípios, ele esteve acima de
qualquer homem. Um reinado se ganha com um sobrenome, um papado se
ganha com uma eleição. Um herói e mártir independe de posição,
prestígio e poder. É definido por escolhas e atitudes. As de Jacques
de Molay servem de exemplo até hoje para milhões de jovens e homens de
todo o mundo.

18 de Março de 2014: 700 anos desde aquela noite.

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