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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Manifesto da campanha "Motos: Solução Necessária"

By Equipe Sobremotos

O site e a Revista Sobremotos apresentam o manifesto da campanha
"Motos: Solução Necessária", a qual visa colocar um novo ponto de
vista sobre o problema da mobilidade viária e apontar as verdadeiras
causas do grande número de acidentes no nosso trânsito e ainda sugere
um plano de correção.

Motos: Solução Necessária

Diariamente vemos em quase todos os meios de comunicação a veiculação
de matérias e reportagens especiais retratando a "preocupação" com o
elevado número de acidentes envolvendo motociclistas e suas possíveis
"causas".

Ao mesmo tempo, também se veem várias notícias acerca de outra
preocupação que assola as mentes dos cidadãos, os constantes
congestionamentos nas grandes cidades.

A partir destas duas premissas volta e meia somos surpreendidos com
ideias "mirabolantes" que pretendem sanar ou minimizar tanto o número
de acidentes quanto o problema do tráfego, muitas vezes indo
diretamente contra o interesse dos motociclistas.

Quem não lembra das ideias mais estapafurdias já propostas por
parlamentares e tantos outros ditos "entendidos" neste assunto que,
entre outras "pérolas", sugeriam que as motos deveriam andar ocupando
o mesmo espaço de um carro nas vias públicas, que deveria ser proibida
a circulação de motos com garupas, que o capacete deveria conter o
tipo sanguíneo do motociclista e, até mesmo, que a proibição da
circulação de motos, coisa que já acontece em alguns locais, como nas
marginais de São Paulo. A ideia básica que está por trás destas
sugestões é que, uma vez que os motociclistas se envolvem em muitos
acidentes, então estes devem ser limitados no agir e, se possível, até
excluídos, "liberando" o trânsito de "transgressores".

Propostas assim visam tão somente procurar passar para a população que
a "corriqueira" má atitude dos motociclistas deve ser punida e que se
está "procurando", um vício nacional pelo "gerundismo", encontrar uma
saída satisfatória.

O equívoco sobre esta abordagem é que ela ataca a consequencia de um
contexto formado e não suas causas, porque sobre estas últimas se
evita falar ou atacar com a profundidade que seria necessária.

Embora quase óbvia, as duas principais causas dos congestionamentos e
do elevado número de acidentes são: o ineficiente e caro sistema de
transporte público e a falta de restrições para a circulação do
elevadíssimo número de automóveis particulares em circulação.

Em primeiro lugar, é bom ter em mente que o maior número de acidentes
de trânsito se dá em meio urbano e não em estradas. Principalmente nas
grandes cidades, palco de congestionamentos crônicos, pois a razão é
simples: não há espaço físico suficiente para acomodar tantos carros
em circulação, nem construir ruas ou avenidas na mesma velocidade que
novos carros saem vendidos das concessionárias.

A desproporção entre o crescimento da frota de automóveis e o aumento
da capacidade de tráfego das vias das cidades é de tal ordem que se
torna inevitável o colapso do sistema viário, é apenas uma questão de
tempo.

Em ruas e avenidas abarrotadas, em sua maior parte, por carros com um
único ocupante dentro, as motos se tornaram não uma "mal necessário"
como alguns mal intencionados querem fazer parecer, mas "a solução
necessária" para que algum escoamento de pessoas, documentos e
serviços possa ser feito. Alguém poderia imaginar a cidade de São
Paulo se nenhum motoboy existisse para levar e trazer documentos,
pizzas, encomendas, etc? Seria uma cidade imobilizada pela sua própria
"arteriosclerose" automobilística.

Em suma, se há um grande "vilão" para o número de acidentes que
acontecem e para o tráfego parado, este vilão é o uso indiscriminado
de automóveis.

Por conta disto, apresentamos um "tripé" sobre o qual alicerçamos
nossa campanha para diminuir acidentes e melhorar o nosso trânsito:

1o) Transporte coletivo de massa bom e barato
O principal meio para se deslocar em uma cidade deveria ser o
transporte coletivo de massa. Metrôs, trens, metrobus, corredores
expressos de ônibus e integrações entre ônibus e metrôs devem ser os
primeiros privilegiados com o pouco espaço disponível existente e com
os maiores investimentos possíveis. O que não se pode ter é um sistema
de transporte coletivo que é lotado, atrasa, quebra e ainda é mais
caro do que a soma da gasolina e da prestação de financiamento de uma
moto para um mesmo percurso mensal, tal como hoje acontece no Brasil;

2o) Transporte individual sobre duas rodas
O único meio de transporte realmente democrático e apropriado para a
realidade urbana é o sobre duas rodas: motos e bicicletas.
Ao invés de se pensar em "motovias" ou restringir o uso da motocicleta
é justamente o contrário o que deveria estar sendo feito, incentivando
o seu uso maciçamente para que mais pessoas pudessem se locomover com
boa fluidez. No mesmo diapasão, o uso das bicicletas ainda traz os
benefícios de ser mais saudável e poluir menos. Enfim, se a opção não
for fazer uso do transporte público de massa, então que seja sobre
motos ou bicicletas para que não se ocupe um espaço tão grande quanto
hoje, que faz apenas que ninguém consiga se locomover;

3o) Restringir a circulação de carros
Embora pareça indigesta, a solução é, inevitavelmente, diminuir
drásticamente o uso de automóveis. Os SUV (Sport Utility Vehicle),
jipões de imponência e status para quem os usa são o ápice da
incompatibilidade entre número de pessoas normalmente transportadas,
via de regra apenas o motorista, e espaço viário disponível, mas todo
o uso de automóvel particular deve ser limitado, não há outro jeito.
São Paulo já tem rodízio, e não pode ficar sem ele mesmo em período de
férias. Outras grandes capitais mundiais como Londres, Tóquio e Cidade
do México adotam sistemas de restrição da circulação de carros por
áreas, por horários e até chegam a impor pedágios urbanos. A mensagem
"implícita" é clara: "não há espaço para o seu carro, deixe-o em
casa". Circulação de carros, somente na forma de táxi.


Falar em melhor formação do futuro condutor e fazer campanhas de
conscientização, entre outras ações, é bom e importante, mas não ataca
o cerne da questão que é o número incompatível de carros em
circulação, estas são medidas complementares não essenciais.

Enfim, mais e melhor transporte coletivo de massa, transporte
individual preferencial para duas rodas e restrições pesadas para o
tráfego de automóveis particulares, esta é a solução, moto é uma
solução necessária.

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