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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Levedura tipo exportação

Pesquisa que selecionou linhagem de leveduras Saccharomyces cerevisiae capazes de agilizar o processo de fermentação da cachaça foi objeto de transferência de tecnologia entre a UFMG e a empresa suíça Danstar AG. Desenvolvida pelo professor Carlos Augusto Rosa, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), a tecnologia foi licenciada para que a empresa, produtora de leveduras para fabricação de bebidas alcoólicas, replique e comercialize a linhagem descoberta pelo período de 15 anos, com a destinação de parte do valor das vendas à Universidade em forma de royalties. Esse é o primeiro licenciamento para empresa internacional feito pela UFMG. O processo foi conduzido pela Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT).
 
Segundo o professor Carlos Rosa, a linhagem de leveduras selecionada pela pesquisa apresenta uma série de vantagens para a indústria da cachaça. Sua utilização possibilita fermentação mais rápida que a do fermento caipira, resultando em maior produtividade. Técnica tradicional na fabricação da cachaça, o fermento caipira geralmente é utilizado por alambiques artesanais. Trata-se de uma mistura de garapa (sumo de cana-de-açúcar) com fubá de milho. A obtenção de um estado ótimo dessa receita pode levar de quatro a dez dias, tempo necessário para conseguir a quantidade de leveduras suficiente. Já no caso da linhagem isolada essa obtenção é imediata. Outra vantagem apontada pelo professor Carlos Rosa é a homogeneidade na qualidade do produto.
 
"A pesquisa selecionou uma única linhagem da levedura Saccharomyces cerevisiae, enquanto com o fermento caipira ocorre o desenvolvimento de várias linhas diferentes", aponta. Cada linhagem de Saccharomyces cerevisiae gera um tipo de cachaça com sabor e aroma característicos, por isso, explica Rosa, o produto obtido com a linhagem selecionada no estudo será mais constante ao longo do tempo e entre safras diferentes do que a bebida feita com o fermento caipira, que é mais instável.
 
Contaminação
Outra diferença significativa diz respeito à facilidade de solucionar casos de contaminação das dornas. A proliferação de bactérias nesses recipientes gera acidez da cachaça, a ponto de torná-la inadequada para consumo. O processo de descontaminação é complexo e varia de uma situação para outra. "Quando isso acontece, o produtor deve descartar o conteúdo e preparar um novo fermento. No caso de utilização de fermento caipira, esse processo dura alguns dias. Já com o uso da linhagem específica permite a utilização da dorna após 24 horas", diz Carlos Rosa.
 
De forma ampla, afirma o professor, há ganho de produtividade. "O período de produção da cachaça – em torno de cinco a seis meses – pode ter redução de quatro meses com a utilização da linhagem selecionada e as boas práticas de fabricação", destaca.
 
Três mil linhagens
O estudo começou em 1996. No primeiro momento, o trabalho consistiu na coleta de diversas linhagens de leveduras em mais de 100 destilarias visitadas pelo grupo de pesquisadores. "Ao todo, coletamos cerca de três mil linhagens de Saccharomyces cerevisiae, a levedura responsável pela produção da cachaça", diz.
 
O início da seleção foi em 2000, no laboratório de leveduras do Departamento de Microbiologia do ICB, com o teste de várias linhagens, por meio de avaliações laboratoriais, além de análises feitas em destilarias, com intuito de verificar seu desempenho na fermentação da cana-de-açúcar. Os trabalhos foram predominantemente realizados pela Universidade, que contou também com a colaboração da indústria da cachaça de Minas Gerais.
 
Em 2008, foi formalizada parceria entre a UFMG e a Danstar AG, que passou a financiar a pesquisa, recebendo em troca a prioridade no licenciamento. A transação é denominada transferência de tecnologia ou de know how. Não se trata, pois, de uma patente, pois, segundo o professor Carlos Rosa, envolve organismo vivo, sem qualquer tipo de modificação genética.
 
 
Fonte: Boletim UFMG 1722

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Carta do Zé agricultor

Por Luciano Pizzato

Prezado Luis, quanto tempo.


    Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado,
porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé
do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu
tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso
o sapato sujava.


    Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe,
era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e
meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já
era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra
tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo
você lembra né Luis?


    Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem
vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho,
ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de
teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da
agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.


Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e
tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade.
Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter
porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que
criaram aqui na vizinhança.


    Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma
maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que
fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai
se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?


    Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei
Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada,
salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava
aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem
da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia
do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às
5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia
trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias
da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se
guiar pelo calendário?


    Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o
beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como
encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles
disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz
elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do
Juca.


Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que
fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra
voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos
sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito
certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque
botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra
delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do
trabalho para acudi-lo.


Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o
leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da
estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover.
Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu
jogo fora.


Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a
distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse
que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30
metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra
proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse
que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra
fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que
vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com
as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai
mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato
da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa
grande né?


Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com
a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital,
todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não
podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar
limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não
podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na
capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e
lixo boiando pra todo lado.


Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no
mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore
então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que
murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a
madeira antes dela cair por cima da casa.


Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui
no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o
fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar.
Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que
o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou
o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do
Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e
agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.


Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de
500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for
multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir
morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem
luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só
falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.


Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o
dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira.
Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente
planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom
que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem
planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a
geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de
nós, os criminosos aqui da roça.


Até mais Luis.


Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois
não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.

(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em
dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas
alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário
entre o meio rural e o meio urbano.)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cervejaria Imperial é destruída mais uma vez!

Na foto, o gerente rafael mostra até onde a água chegou nos tanques de
fermentação!

Propriedade dos descendentes da família imperial, os Orleans e
Bragança, a Cervejaria Cidade Imperial, instalada em Itaipava, em
Petrópolis, desde 1997, foi destruída pela segunda vez por causa de
temporais na Região Serrana. Agora, os proprietários já estudam mudar
de endereço.

A indústria, que está fechada para limpeza e reconstrução, depois de
ser invadida pela enchente do Rio Preto, já registrou, segundo o
gerente, prejuízo acima de R$ 1,5 milhão desde a madrugada de
quarta-feira (12). A cervejaria, de produção artesanal, fabrica cerca
de 200 mil litros por mês.

De acordo com o gerente industrial e mestre cervejeiro da unidade,
Rafael Farinha Neto, a água, desta vez, alcançou mais de dois metros
de altura – quase o dobro da enchente que atingiu a mesma cervejaria
há dois anos e onze meses - e destruiu todas as instalações da
indústria.

Enxurrada derrubou tanques de fermentação "Sabemos que não é hora de
lamentar perdas materiais, estamos solidários com as famílias das
vítimas e ajudando no que for possível. Mas é hora de pensar em sair
daqui, até para garantir a segurança de nosso pessoal. Essa tragédia
foi muito pior do que a de 2008. Já recebemos proposta para mudar até
para fora do município", disse.

A indústria, às margens da BR-495 (Rodovia Philúvio Cerqueira
Rodrigues), foi invadida pela água e muita lama. A força da enxurrada
derrubou tanques de fermentação e destruiu todo o estoque de malte e
de garrafas vazias.

Fonte: G1.com, por Aluízio Freire (Foto: Aluízio Freire)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Yeast Pee - Xixi de Levedura


Adoro essa frase - O álcool que eu bebo é xixi de levedura!!! Santo xixi!

Filme: Mad Monster Party - 1967

Eu via esse filme quando era criança e depois de muuuuuiiitos anos, acabei achando ele na Infernet, e também consegui no EnTube...


Aí está o trailer, com a apresentação dos personagens que participarão da festa...

Imagina em 1967, fazer um filme de STOP MOTION, daqueles que mexe um pouco, tira uma foto, mexe mais um pouco, tira outra foto...

Cerveja Artesanal - Engarrafei a Breja do Jurza #cervejadeverdade


Engarrafei a Breja do Jurza dia 11, só 6 dias após ter colocado para
fermentar...

É clarinha assim, porque ela é uma PALE ALE...


É que estava fazendo muito calor e a fermentação já tinha parado, o
fermento já estava todo decantado.

Agora é esperar prá ver se ficou boa, daqui a 10 dias...

Mas acho que eu não vou aguentar isso tudo e vou acabar abrindo uma
cerveja para confirmar!


Breja do Jurza - esse trem ainda vai dar caldo!


Pão de Malte de Cerveja


Bom, quando acabamos de fazer a cerveja, sobra uma quantidade de malte
de cevada que acabamos jogando fora...

Mas para não jogar o malte fora, podemos fazer o pão de malte - eu fiz
essa receita abaixo e ficou muito bom, e ela é mais econômica do que
as outras que eu vi pela Infernet, já que eu usei bem menos ovos e
fermento...

A receita é a seguinte:

Para um pão de mais ou menos 600 gramas, a lista de ingredientes é a seguinte:

3 colheres de sopa de açúcar
1 tablete de fermento de pão de padaria de 15 gramas
1 copo de 150 ml de leite morno
1 colher de chá de sal

500 gramas de farinha de trigo
500 gramas de malte de cevada (aproveitado da receita de cerveja - ao
colocar na massa, dê uma espremida para sair a água em excesso)
1 ovo inteiro
3 colheres generosas de sopa de margarina

Modo de fazer:
Colocar em um copo o leite morno (em temperatura de xixi, não mais de
35 graus) as colheres de açúcar e o fermento, e em seguida a pitada de
sal. deixe por uns 5 minutos, ou até formar espuma. Isso deve ativar o
fermento.

Depois coloque a farinha de trigo, o malte de cevada, o ovo e as
colheres de margarina numa bacia e misture.

Depois acrescente o fermento e sove, sove muito... Quanto mais sovar,
mais vai ficar fofo o seu pão.

Deixe crescer por uma hora, dê mais uma sovada e coloque em uma forma
de pão untada e asse em forno médio por 1 hora mais ou menos - preste
atenção na casca.

Deixe esfriar, e desenforme...

Se quiser acrescentar passas como eu, acrescente-as na última sovada -
assim você não as destrói sovando-as demais...

Uma dica: eu fiz na máquina de fazer pão, coloquei tudo, ciclo normal,
pão de 600 gr, cor escura, após o bip coloquei as passas e ela assou
depois de umas 3 horas... Nem tive de sovar, nem tive de assar - essa
máquina é mão na roda!

Conto: Rotas (14 - A Temperança)

A Temperança

Seus pensamentos se resumiam a tentar resolver o mistério daquela
caminhada, mas começou a sentir que aquele mistério nunca
resolver-se-ia.

Um pensamento passou por sua mente: nunca tente levar a vida a sério,
nem tente racionalizá-la completamente.

Era isso que ele sempre fazia, antes de empreender esta jornada
sempiterna que aparentemente nunca levaria à nada.

Retomou o seu rumo por entre densas folhagens duma floresta e
caminhando resolutamente, começou a sentir ódio e rancor por todos
aqueles que encontrara em sua jornada.

Era um ódio profundo, doía-lhe o coração, as narinas dilatavam-se,
tornando o caminho cada vez mais enfadonho - até os pássaros e
pequenos animais da mata irritavam-no.

Um pequeno animal cruzou o seu caminho e tomado pelo ódio intestinal,
começou a perseguí-lo, como se descontasse todo o ódio que sentia
naquele coitado.

Corria por entre as ramagens e árvores, em meio a uma bruma fresca de
neblina da manhã, sua roupa estava úmida do orvalho da floresta, seu
bornal era um incômodo naquela corrida.

Pensou em usar o cajado do bornal para atacar aquele animalzinho
indefeso, e eis que surge detrás de uma árvore uma bela donzela, com
os olhos mais lânguidos que já vira, e olhando-o fixamente, pediu-lhe
calma e temperança, paciência com o mundo, seus habitantes e seus
atos.

Aquilo pareceu desarmá-lo completamente, seu coração voltou ao
compasso normal, suas narinas cessaram o movimento arfante, e ele se
acalmou.

Já bastava - foi embora, taciturno...

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