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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Conto: Rotas (15 - O Diabo)

O Diabo

 

            Encontrou um bando de pessoas na beira da estrada reunidas em um alegre acampamento, onde ardia uma fogueira crepitante ao centro, e em volta as pessoas acompanhavam os voleios das labaredas.

            O frio da noite já estava assentando-se em seus ossos - Seria bom parar aqui - pensou ele. E de fato, o Louco, com o seu bornal rasgado e cansado, dirigiu-se a um dos troncos para sentar-se.

            Logo que se sentou, notou algo estranho - todos estavam de cabeça baixa, sem conversar, apenas murmuravam algo sobre traição, os olhos perdidos no nada, como que pronunciando um mantra de revolta e insatisfação.

            Foi ficando incomodado com aquela situação, até que uma das pessoas salta para o centro da roda e em altos brados, blasfema e grita sobre traição, sobre um companheiro deles que há muito traiu a tribo, e invoca a altos brados o Senhor dos Malefícios, o Senhor da Traição, o Diabo em pessoa!!!

            Tomado pelo horror, viu uma nuvem amarelada sair pelas labaredas, enquanto um cheiro horrível assolava suas narinas, acompanhado de um ribombar ensurdecedor, até que, finalmente, ele o viu, em pé, altivo, em meio às chamas: o Senhor das Profundezas!

            Ele viera para julgar o traidor e levá-lo para as profundezas...

            Mas o traidor há muito fora pendurado pelos pés até a morte...

            O Louco achou aquilo muita loucura, e aterrorizado e entorpecido, assim que a imagem se desvaneceu, pôs-se a correr desabalamente pela estrada, tendo como companhia apenas as estrelas, sem olhar para trás nem uma única vez...

            Traição era uma coisa que queria ele bem longe...

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