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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Conto: Rotas (8 - A Justiça)

A Justiça

O Louco pensou, será que existe realmente a justiça ?

Considero-me agora até mais afortunado do que o infeliz mancebo, que
mesmo vivendo na opulência, não conseguia domar os óbices, sempre
pendendo a balança para um lado ou outro.

Já ouvira falar que a justiça era cega, mas sinceramente não
conseguia visualizar alguém cego que pudesse ser um juiz - já ouvira
falar de uma tal de Maat - deusa que pesava os corações contra uma
pena para verificar se eles conservavam-se limpos e puros até mesmo na
hora da morte do sujeito - mas nunca ouvira que ela era cega.

Continuava sua sempiterna caminhada, que sempre o levava a seu
destino: a lugar algum, e sempre o impelia a continuar procurando-o,
apesar de considerar a sua busca como a busca do Santo Graal - nunca
encontraria seu destino, nem a justiça!

Mas teve um lampejo, uma visão da Justiça, imponentemente sentada num
trono, segurando uma balança na mão esquerda, a passiva, mas
empunhando veementemente uma espada na mão direita - a mão ativa -
mostrando que a justiça agiria rudemente se preciso, mas não sem antes
pesar os atos dos envolvidos.

Mas a justiça que ele vislumbrou não era cega, pelo contrário,
fitava-lhe os olhos de uma maneira tão ostensiva que o deixava
desconcertado - sim, ela observava a todos!

Foi anoitecendo, mas o Louco, cada vez mais absorto em seus
pensamentos, já não sentia que andava - era um truque que aprendera de
alguns índios – "deixe o corpo te levar, pense em nada - esvazie sua
mente, concentre-se nas passadas, até que sua mente se desligue do
corpo" - aí se podia parar o mundo, deixando sua mente agora livre
para divagar, livre para entrar em sintonia com o Infinito.

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