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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Impressão de um motociclista depois de rodar mais de 50.000km na V-Strom 650cc em 10 meses

A moto foi utilizada em 17 países e por todos tipos de climas e vários
pavimentos..

Texto por Policarpo Jr

Muitos leitores motociclistas acompanharam a viagem pelos extremos das
Américas entre Ushuaia/Alaska, através do diário de viagem da Jornada
3 Américas. A viagem ainda não acabou, escrevo esse texto aqui de
Niagara-on-the-Lake, Canadá.

Ainda não sei quando ou como voltarei ao Brasil! Venho estudando
algumas possibilidades.
Resolvi fazer esse texto para expor a experiência que tive em rodar
mais de 50.000km desde que comprei a Suzuki V-Strom DL 650 em
janeiro/2011.

Friso o seguinte: eu ou o RockRiders.com.br não temos nenhum tipo de
relacionamento comercial com a Suzuki/J.Toledo.

Não sou mecânico e meu conhecimento técnico sobre motocicletas é como
usuário. Até para ajustar a corrente, consertar um pneu furado ou
trocar o óleo tinha dificuldades, hoje só sei fazer isso porque
precisei durante a Jornada 3 Américas e mesmo assim faço do meu jeito
e levando mais tempo que um profissional!

Antes da V-Strom só tinha pilotado motos custom, que foram: Virago
250, Shadow 600, Drag Star 650 e a Boulevard M800. A Suzuki DL é minha
primeira moto chamada de Big Trail. Tenho apego ao visual clássico e
design das motos custom, mas aprendi na prática que o conforto
proporcionado pelas Trails é um grande diferencial para longas
viagens.

Manutenções e questões mecânicas durante a grande viagem

Durante a viagem pelas Américas só fiz manutenção geral na V-Strom uma
única vez, em Santiago, quando a moto estava com 18.000km, onde foram
trocadas as velas, limpado o filtro de ar e feito um aperto geral nos
parafusos. No Brasil, antes de sair para a viagem, havia feito a
manutenção dos 1000km.

A troca de óleo fiz a cada 3000/4000km, trocando o filtro uma vez sim
e outra não, em cada troca de óleo. Sem novidades. Usei óleo sempre
mineral e vale dizer que em todos os países que cruzei, os
proprietários de V-Strom e vários outros modelos usam óleos sintéticos
e os trocam a cada 8000/10000km. Mas, sou brasileiro e ouvi dizer
(ainda não procurei saber se é verdadeiro) que uma vez que usamos óleo
mineral, não é bom ir para o sintético e depois voltar para o mineral.

A cada 300km (raramente mais que isso) coloco óleo na corrente, sempre
utilizo Spray, porque não tenho paciência em usar óleo 90 com pincel.

Não tive absolutamente nenhum problema mecânico com a V-Strom. O único
problema que tive foi elétrico. A bateria da moto descarregou duas
vezes, a primeira no parque Torres Del Paine no Chile, quando tinha
uns 35 dias de viagem e a segunda vez quando cheguei em Toronto no
Canadá. Em ambas as vezes o problema foi resolvido com uma "chupeta na
bateria" e não sei porque isso ocorre e nem parei a moto numa mecânica
para saber, isso porque no Canadá a mão de obra é caríssima, e lá no
Chile, era início de viagem então fui tocando...

Vi alguns modelos de motos quebradas durante a viagem de várias
marcas, mas, graças ao Criador (vai saber), nenhuma V-Strom. O que me
animou e manter a confiança na "Guerreira". Via RockRiders.com.br
também sempre ouvi falar bem da V-Strom. Tenho um amigo, o Zé Carlos
do Motoa2.com.br que já teve 3 V-Strom 1000, uma na sequência da
outra. Hoje ele tem uma BMW GSA 1200.

Outras manutenções básicas que fiz na V-Strom durante a viagem foram:
quando ela já estava com aproximadamente 40.000km resolvi trocar o
jogo completo da relação. Uns 8000km antes disso, troquei a pastilha
de freio dianteira. Sai com os Pneus do Brasil já com mais de 5000km e
durante a viagem os troquei duas vezes. O original da marca
Bridgstone, os quais troquei com pouco mais de 15 mil KM. Depois usei
Michelin Anakee (adorei!) que usei por mais de 20 mil km e Metzeler
(bom também) que ainda estou usando.

Concessionárias da Suzuki vi em vários países da América do Sul. Nos
EUA e Canadá também tem. Na América Central não sei, porque a passagem
por lá foi tão rápida que nem precisei, mas junto com o motociclista
Adriano de Ilhabela, localizamos em EL Salvador uma concessionária da
KTM, então deve ter da Suzuki também! Levei desde o Brasil quatro
filtros de óleo, só usei três, fiz 5 trocas de filtro e 11 de óleo.


Perfomance

A performance da V-Strom 650 superou todas as minhas expectativas, em
dias favoráveis, rodei com ela tranquilo a 140/150km/h, nessas
velocidades cruzeiro a moto se comporta perfeitamente. Só senti o
guidon da V-Strom tremer, a moto ficar "diferente" em velocidades
superiores a 160km/h. Mas penso que é bobagem querer rodar nessa
velocidade numa moto trail de 650cc encarando uma viagem como a que
estou fazendo. Sem contar que na maioria do trajeto essa velocidade
não é possível.

Durante a viagem rodei uns 1200km em pavimento de rípio (acho que foi
menos, mas sou motociclista então tenho ego grande! rsrs), e a moto
usando pneus normais e não aqueles com "caroços" apropriados para
terrenos desse tipo, e mesmo assim, a moto rodou bem, nos trechos mais
complicados era só rodar em pé e tudo certo.

Para me "gabar" um pouco e mostrar que a moto foi valente, rodei com
muita neve no Sul da América do Sul, chuva, sol de rachar na América
Central, tempo seco no Atacama, "molhadaço" no México, frio de novo no
Alasca e tal, e a moto nem ligou para nada disso. Usei gasolina de um
montão de países e a moto nem tchum!

A V-Strom tem injeção eletrônica, não sei se isso foi o motivo
suficiente que fez com que não sentisse absolutamente nenhuma
diferença em qualquer altitude que rodei, que foi de zero até quase
5000 metros de altura do nível do mar. Quando usei a Boulevard M800
(que também tem injeção) no Paso Jama rumo a San Pedro de Atacama em
2009, senti que a moto rendeu menos e não acelerou forte nos 4700
metros de altitude.


Problemas ocorridos durante a viagem

Tive dois pequenos problemas na V-Strom, um foi um ruído que tinha na
roda dianteira, ai no norte do Canadá foi trocado um rolamento da roda
e beleza, voltou ao normal. Agora que estou aqui parado no Canadá, na
frente da moto, no painel, faz uns barulhos, como se fossem fios, não
sei. Mexendo com a mão na fiação e tal, aparentemente tudo normal.

O chato é que o tal barulho as vezes ocorre, outras não (como se algo
estivesse fora do lugar, mas não encontro o que possa ser). Fiz um
passeio de quase 2500km desse jeito e tudo bem, a moto está normal,
mas o tal barulho em baixas velocidades incomoda.

A moto caiu em 4 oportunidades, sendo duas pilotando (quedas em baixa
velocidade) e outras duas, uma no transporte aéreo entre Bogotá e a
Cidade do Panamá e outra com a moto estacionada devido ao vento
patagônico. Ocorreram arranhões, mas nada original da moto quebrou.

Considerações finais

Penso que a moto não é a coisa mais importante numa grande viagem.
Qualquer moto faz qualquer viagem. Também nunca tive problema em
nenhuma das outras minhas motos anteriores, está certo que essa foi a
maior viagem que já fiz. Com a Boulevard M800 fiz uma viagem ao
Atacama, com garupa, rodamos mais de 7000km e não tivemos nenhum
problema também.

A V-Strom 650 é sim uma moto bacana, mas tem muitas outras que também
são! Esse papo de vangloriar marcas e modelos não é comigo. Sou
apaixonado por motociclismo de viagem e não pela marca A ou B!

Antes de partir para a Jornada 3 Américas, já tinha definido que iria
de moto Trail, estudei três possibilidades: Kawasaki Versys, BMW G 650
GS (modelo antigo e não esse novo que foi lançado recentemente) e a
Yamaha XT 660. Em março/2011 ainda não tinha sido lançada a Honda
Transalp 700 no Brasil. Devido aos preços, minha altura (tenho 1,85m),
capacidade de tanque, torque e gosto pessoal, optei pela V-Strom. Mas
poderia ter sido, como já dito, qualquer outra motocicleta.

Nas estradas das Américas vi e fiquei sabendo de motociclistas que
estavam rodando de Falcon 400, Titan 150 (que chegou até o Alaska!),
BMW GS 1200, BMW G 650 GS, Tiger 900, KTM 990, XT 660, Harley Davidson
Electra Glide e por ai vai... enfim, tudo quanto é tipo de motocicleta
fazendo longas viagens.

O importante não é a motocicleta, tudo vai da escolha, possibilidades
e gosto do motociclista e sua atitude em realizar sua longa viagem.

Fonte: Texto por Policarpo Jr - RockRiders.com.br - outubro/2011

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