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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Conto: Rotas (11 - A Força)

A Força

Retomado o seu caminho, ia o Louco mais uma vez viajando pela estrada
poeirenta que o levaria a lugar nenhum, quando, de repente, avistou
ele algo aterrador - um leão que estava com a cabeça de uma pessoa
entre seus afiados dentes fitava-lhe de dentro da escuridão de uma
caverna.

Podia ele até sentir-lhe o anélito que exalavam suas narinas, e o
resfolegar de sua respiração - até mesmo o palpitar de seu coração
ribombava-lhe nos tímpanos.

Súbito um pensamento veio a sua mente - se ele sentia tão
precisamente o Leão, ele também perscrutava suas reações intimamente.

Isto fez com que os cabelos de sua nuca se eriçassem - com acontecia
nos antepassados primitivos do homem, uma reação que carregara
instintivamente encroada nos núcleos de suas células, desde a aurora
da humanidade - sim, se aquela fera largasse aquela dilacerada cabeça
e resolvesse se saciar com a sua ?

Sentia a adrenalina inundar seus vasos, mas era incontrolável !

Quando a fera sentiu o cheiro da adrenalina, um impulso formidável
começou a se acumular em suas patas até que o salto foi desferido em
direção ao Louco, que teve tempo apenas de escutar um grito gélido -
NEKAM !!!

Não sentindo o aperto mortal, nem sentindo a morte agarrar-lhe, abriu
os olhos e não acreditou no que via - uma mulher abria a boca do Leão
tão graciosamente que parecia não haver problema ali - nem suas roupas
estavam amassadas !

Tratou ele de correr, mas ouviu da mulher que a vingança chegaria de
uma forma ou de outra, porque ela tinha a força para tal !!

Qual seria esta força e de que vingança tratava ela ?

Correu, correu, correu, até sentir que não poderia mais continuar - e
sob a luz da lua adormeceu sob uma árvore, tendo uma noite turbulenta
e entrecortada por visões horrendas e desagradáveis...

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