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terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Que é o Arco Real?

por E. Comp. Roy A. Wells, GDCA,
Escriba E. Domatic Chapter of Instruction Nº177

= A.Q.C. vol. LXXVIII, 1965. (Condensação)


Este trabalho é dirigido ao Irmão para quem o Arco Real é
desconhecido, ou para quem este Grau Supremo lhe foi apresentado como
um grau supérfluo ou de escasso interesse.

Ainda que muito se tenha escrito sobre o Arco Real, para muitos
Irmãos essas informações tem sido um tema relegado. Os Mestres Maçons
estão continuamente chegando a um ponto em suas carreiras Maçônicas
onde se perguntam: "Por que o Real Arco"? ou "Que é o Grau do Real
Arco"?, ou ainda: "Que tem que a ver com o Maçonaria Simbólica?".

Seu desenvolvimento Maçônico é estimulado ou interrompido de acordo
com as respostas que recebe.

Se o tema surge através de Irmãos que no sentido Maçônico estão
esclarecidos a respeito, os que perguntaram naturalmente se
beneficiarão da orientação e instrução. Porém, com freqüência essas
perguntas poderiam estar sendo dirigidas àqueles que não estão bem
preparados para responder adequadamente e suas limitações podem
produzir uma influência adversa aos que poderiam ter achado no Arco
Real uma inspiração maçônica completa ou talvez um caminho para ela.

Uma curta resposta para estas perguntas seria: O Grau do Arco Real é
a consumação do Terceiro Grau, ou seja, uma resposta apenas parcial.

O Real Arco é na verdade a progressão natural da Franco - Maçonaria
que prevê a obtenção dos "autênticos segredos", depois da adoção de
certos segredos substitutivos, e como tal, realmente é uma parte
integral da Maçonaria Simbólica.

A Maçonaria Simbólica está relacionada com as circunstâncias da
construção do Templo do Rei Salomão, o primeiro lugar fixo de adoração
para o Deus de Israel, e o lugar onde a Arca da Aliança foi depositada
depois da peregrinação pelo deserto. Disseram naquela ocasião: "Ele
construirá uma Casa em Meu nome e Eu estabelecerei o trono de seu
Reino para sempre". Para o Maçom o significado deste enunciado é que
ele mesmo deverá erguer um Templo, "perfeito em suas partes e digno
para o construtor".

A História Bíblica nos ensina que depois da morte do Rei Salomão
aconteceu uma rebelião, e as Doze Tribos foram divididas em dois
Reinos. Dez das tribos constituíram Israel no Norte, enquanto que as
outras duas formaram Judá no Sul. As dez tribos do Norte desapareceram
quando foram levados em cativeiro por Sargon, Rei de Assíria. Judá,
porém reteve sua identidade como Reino tributário, no princípio sob o
domínio do Egito, e depois sob o jugo da Babilônia.

Como conseqüência de uma falta no pagamento dos tributos para a
Babilônia, a cidade de Jerusalém e o Templo foram destruídos por
Nabucodonosor, Rei da Babilônia. Então o Rei de Judá, Joachim, junto
com pessoas proeminentes de seu Reino foram conduzidos em cativeiro
para a Babilônia. Só as classes baixas permaneceram lavrando as
terras. Judá como nação sobreviveu durante este período de cativeiro,
e quando a Babilônia caiu ante os conquistadores Persas, os cativos
foram motivados para voltar a sua pátria.

A Maçonaria do Arco Real trata do retorno a Jerusalém dos cativos
sobreviventes e de seus descendentes. O tema principal está centrado
na remoção dos escombros no lugar do Templo para preparar o terreno
para as fundações do Segundo Templo. Nesta fase, nos é narrado como,
em que circunstâncias especiais se recuperaram os "autênticos
segredos".

Lemos nas escrituras do profeta Ageu que o Segundo Templo não era tão
importante, mas o foi, segundo o comentário que diz: "A Glória deste
Templo será maior que o anterior". Desta declaração se deduz que em
lugar do esplendor material do Templo de Salomão, surgiria um
desenvolvimento espiritual que inspiraria idéias mais elevadas do Deus
de Israel.

ANTIGUIDADE DO ARCO REAL

A primeira referência impressa da Maçonaria do Arco Real aparece em
Dublin (Irlanda) em 1743, em um jornal que continha o seguinte
relato... "o Real Arco levado em procissão por dois Excelentes Maçons
".

Não há nenhuma certeza si se estivesse referindo ao grau do Real Arco,
mas em minha opinião provavelmente foi assim. Em 1744, foi publicado
por Dassigny um artigo com o titulo "Um Estudo Sério e Imparcial na
Causa da Decadência Atual da Franco - maçonaria, no Reino da Irlanda
". O mesmo continha referências ao grau do Real Arco, mas Dassigny não
aceitou isto e pensou que era uma fraude. Porém, pouco tempo depois
estava prosperando. Laurence Dermott, o segundo Grande Secretário dos
Antigos, foi sempre um entusiasta do Real Arco a que descreveu como "a
raiz, coração e medula da Maçonaria".

O mais antigo registro escrito do Arco Real data de 1741, mas de
nenhuma maneira isto implica que se originou naquele ano; é impossível
assinalar uma data, e dizer que foi naquele ano que o Real Arco
nasceu. É, porém, óbvio que um grau semelhante ao nosso Real Arco se
pressupõe derivado do ritual do Mestre Maçom, e uma hipótese aceitável
é que os segredos essenciais do Real Arco corresponderam a Venerança e
foram conferidos ao V.M., não em sua Instalação, mas sim quando
concluído o ano de seu mandato, e que era um certo tipo de recompensa
que se dava pelos serviços prestado a Ordem, por desempenhar os
onerosos deveres de Venerável Mestre de uma Loja.


AQUILO QUE SE PERDEU

O Mestre Maçom que está ansioso para realizar um progresso permanente
em seus conhecimentos maçônicos, ou ao maçom inquisitivo, se pergunta
sem dúvida alguma por que uma lenda que ilustra uma perda omite
incluir a seqüência complementada de uma recuperação; por que a perda
dos "verdadeiros segredos" é resolvida aparentemente pela adoção de
certos segredos substitutivos, e que a relação destes segredos
substitutivos seriam como aqueles que se perderam.

O tema do nascimento, a vida, a maturidade, a morte e a ressurreição -
ou esperança de sobrevivência em mausoléus imortais - está sem dúvida
claro, mas certas frases no ritual da Ordem indicam que o tema não
terminou dentro da Maçonaria Simbólica. É razoável assumir que o
Mestre Maçom especulou com o fato de que a intenção na Cerimônia de
Abertura é "procurar aquilo que foi perdido", porém, na Cerimônia de
Encerramento desse grau há sempre uma referência que admite um
fracasso nesta busca.

Então, o V.M. declara que os segredos substitutivos que lhe foram
regularmente comunicados são sancionados e são confirmados com a sua
aprovação "até que o tempo ou as circunstâncias restabeleçam os
verdadeiros".

Talvez se tenha refletido sobre a resposta que foi dada a certos
cúmplices quando eles exigiram a informação específica do Grande
Mestre, que lhes falou: "sem o consentimento e a cooperação de mais
dois mestres, não poderia nem haveria de divulgar os segredos que eles
requeriam". "A paciência e o trabalho assíduo darão direito, em seu
devido tempo, ao Maçom digno, de ser merecedor de conhecer esses
segredos Quanto é o tempo devido?, e como se converte em um "Maçom
digno" de respeito e de participar?

O intento de obter os verdadeiros segredos, sem o devido direito, ou
como diríamos hoje, o intento de conseguir algo em troca de nada, é
uma tragédia que pareceria suscitar várias situações antigas para o
questionamento. Os antigos recopiladores do ritual decidiram
possivelmente que aqui havia um ponto de fratura, que poderia prover
um elemento de satisfação para alguns Maçons. De qualquer modo isso é
exatamente o que aconteceu e por certo demonstrou ser de alta
conveniência para muitos membros.

Enquanto o Mestre Maçom se detém a "pensar nestas coisas" - o
verdadeiro Maçom Especulativo -, o Arco Real, ou para dar-lhe o título
completo, a Ordem de Maçons do Arco Real, espera recompensá-lo até o
limite de sua própria capacidade ou aptidão.

DEVO INGRESSAR?

O Candidato para a Iniciação na Maçonaria afirma entre outras coisas
que, a confiança dele é depositada em Deus, que é induzido por um
desejo genuíno de conhecimento e por um desejo sincero de converter-se
em um ser mais útil no serviço de seus semelhantes.

Como Candidato para o Arco Real, deverá apresentar-se " com um desejo
de aperfeiçoar-se na Maçonaria e dedicar esse aperfeiçoamento à Gloria
de Deus e ao bem da humanidade".

Tal desejo de aperfeiçoamento só pode manifestar-se se durante o
período de sua carreira na Ordem até esse momento, foi estimulado e
foi alimentado em seu interesse na Maçonaria por seus proponentes, os
Oficiais da Loja e os Preceptores da Loja de Instrução, todos aqueles
cujo dever para com candidato é óbvio, sem esquecer jamais que em
algum momento podem perdê-lo de vista.

Se a Loja de Instrução é só uma "Loja de Ensaios" sem à parte da
Instrução, o Ritual da Franc - Maçonaria se converte no ponto
primordial e domina sob todos os outros aspectos; se o calendário da
Loja não contém outra coisa que sucessivas cerimônias, se transforma
em pouco tempo, em nada mais que um veículo para conseguir habilidade
no ritual e dicção perfeita.

Todos nós aceitamos que a Franco - Maçonaria é "um sistema de
moralidade velada na alegoria e ilustrada por símbolos". Isto requer
de algum esforço para entender isso não só o que é expressado nos
rituais , mas o que nos conduz a fazer.

Se concordarmos que a Franco-Maçonaria nos provê as ferramentas, mas
que a eleição das mesmas e o modo de usá-las reside totalmente em nós,
sendo assim, a construção do "Templo dentro de nós mesmos" já começou.

A procura de "Aquilo que se perdeu"- a Palavra Perdida - realmente
começou em um sentido Bíblico quando Adão caiu em desgraça e legou à
humanidade esta procura perpétua.

Quando os construtores do Primeiro Templo em Jerusalém se desviaram do
verdadeiro culto, o mito bíblico se tornou realidade. Porém, a Palavra
permaneceu naquele mesmo lugar e quando é contada a maneira de seu
redescobrimento e o reconhecimento ao privilégio para aqueles que o
tornaram possível, o Arco Real mostra exatamente qual é para todos nós
a verdadeira essência da Maçonaria.

Quando um se encontra nessa procura, o Companheirismo do Arco Real
deve ser recebido com beneplácito.

Em outros tempos a entrada para um Capítulo do Arco Real era limitada
àqueles que já tinham ocupado o cargo de Venerável de uma Loja. Na
atualidade todo Mestre Maçom com uma antigüidade de mais de quatro
semanas é elegível, mas os tronos dos Três Principais são restritos
aqueles que já foram Instalados como Veneráveis Mestres de uma Loja.
Porém, dentro do Capítulo existem outras posições ás quais o Mestre
Maçom pode ter acesso depois de haver sido Exaltado no Real Arco.

O Maçom entusiasta achará no Santo Real Arco muito do que estava
procurando no terceiro grau, e além da grande ensinança simbólica e da
imponente cerimônia, achará que entre os membros do Capítulo se
encontram os mais ativos Obreiros da Franco-Maçonaria.

A Maçonaria do Arco Real não é em absoluto excludente, competitiva, ou
incompatível com nenhum dos Graus do Escocísmo, e a prova disto é que
tantos Irmãos estão atuando simultaneamente em ambos os Corpos
Maçônicos.

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