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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

DEUS MEUMQUE JUS



É muito comum, principalmente em Revistas Maçônicas, encontrar um emblema, bonito, com uma Águia Bicéfala (ver Pílula Maçônica nº115), segurando em suas patas uma espada e, abaixo, numa faixa presa na dita espada,  uma frase, em latim: "Deus Meumque Jus",  significando Deus e o meu Direito, usado pelo 33º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, em seus documentos, e também adotado pelo Supremo Conselho do Rito fundado em 1801, em Charleston, Carolina do Sul, na latitude 33, EUA.

O significado, como dito, é "Deus e o meu Direito" (God and my right). Na verdade, foi anteriormente traduzido para o inglês, do francês "Dieu et mon droit".

Vou tentar explicar o que ocorreu, baseado na Enciclopédia de Mackey (Alec Mellor e Nicola Aslan, também tomaram Mackey como referencia).

 

Em 1198, Ricardo, Coração de Leão, estava cercando e atacando a cidade de Gisors, na Normandia, pois o Rei da França, Felipe Augusto, havia se apoderado dessa cidade, sem ter direito a isso.

Essa cidade, entretanto, naquela época pertencia à Inglaterra, e Ricardo achava-se no direito de reavê-la. Logicamente, achava-se apoiado por Deus, e usou nessa missão guerreira a divisa, moralmente justificada,  "Dieu et mon Droit".

Motivando seus soldados com essa frase, ganhou a batalha, reconquistou a cidade de Gisors, e ficou tão satisfeito com essa divisa que a colocou, agora traduzido para o latim, Deus Meuquem Jus, no Brasão (heráldico) da Inglaterra.

 

Por qual motivo essa divisa foi colocada no Emblema do Supremo Conselho do R.:E.:A.:A.: eu não sei dizer, na certeza. Provavelmente, os fundadores do Supremo, achavam-se no "direito" de fundar o Primeiro Supremo Conselho do Rito, para organizar e colocar ordem (Ordo ab Chao) em algo extremamente bagunçado.

Pois, como escreveu  Mestre Castellani: "diante do caos existente, um grupo de maçons, reunidos  a 31 de maio de 1801, na cidade de Charleston, Carolina do Sul, resolveu acrescentar alguns graus aos 25 existentes e criar o "Supremo Conselho do grau 33" que, por ser o primeiro do mundo, denominou-se "Mother Council of de World", marcando o inicio de uma fase de organização e método de concessão dos Altos Graus" (ver Pílula Maçônica nº 115).

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

História da Maçonaria


Esta Pílula é dedicada aos Aprendizes, para que saibam a verdadeira história de nossa ordem, retirada de livros idôneos.

A Maçonaria como toda Instituição de grande envergadura, passou por diversas fases em sua evolução histórica. A princípio constituiu-se em Corporação Profissional durante a Idade Média Alta e Renascença. Posteriormente, agregou-se a ela uma Associação de Mútuos Socorros, até princípios do século XVIII e Sistema de Moralidade, conservando as características da associação de mútuos socorros.


Corporação Profissional ou Fase Operativa.

Durante sua fase de Corporação Profissional, por ser a arte de construir tão antiga como o mundo, inventaram-se várias lendas, para incrementar sua própria história.

Muitos escritores, em época de menor cultura, por não saberem distinguir entre o lendário e o histórico, consideraram a Instituição Maçônica muito antiga, perdendo-se na noite dos tempos ou nas narrativas bíblicas. Inclusive, imaginando-a uma continuidade, em linha reta, das sociedades iniciáticas da antiguidade, em vista  de seu aspecto iniciático. Entretanto, parecem esquecer, ou não querem se aperceber, que a Instituição Maçônica assumiu esse aspecto iniciático somente a partir do Século XVIII.

Assim, sendo a Idade Média a idade da fé, os primeiros edifícios a serem  construidos foram as igrejas, catedrais e abadias. Os primeiros operários da construção formaram-se, por isso, sob a direção do clero, único a possuir cultura da referida arte, naquela época.

Os eclesiásticos foram lentamente adquirindo conhecimentos sobre o arco, abóbada e, em princípios do Século XII, sobre a arte gótica (trazida talvez dos Árabes, pelos Templários), cujas principais características foram a preponderância dos vazios sobre os cheios, e as abóbadas em ogivas.


Confraria ou Associação de Mútuos Socorros.

Ao lado da Corporação Profissional, existia a Confraria, colocada sob a invocação de um Santo. Como a religião dominava por inteiro a vida social da Idade Média, essa vida social consistia, geralmente, de procissões solenes, missas, preces, banquetes e beneficências.

Com a Reforma Religiosa pressionando por um lado, e a Renascença por outro, houve um ponto final na construção das majestosas Catedrais Góticas, das monumentais Abadias e dos imponentes Palácios. O estilo simples e menos dispendioso da Renascença substituiu o difícil e complexo gótico. Dessa forma, a partir de aproximadamente 1550, a Corporação de Talhadores de Pedras foi declinando aos poucos e entrou, em 1670, em franca decadência.

Assim, num esforço para resistir a inevitável ruína que consumia as Corporações Construtivas, o lado social destas, ou seja, as Confrarias, começaram a partir  do Século XVI abrir suas portas aos Maçons Aceitos, que ingressaram na Fraternidade como protetores, honorários ou especulativos. Esses novos membros fortaleciam os quadros e ao mesmo tempo sustentavam a caixa de socorros da Confraria (Castellani).

 

 

 

 

Sociedade Iniciática.

Finalmente em 1717, quatro Lojas compostas, em sua maioria, por Maçons Aceitos, realizaram uma reunião preparatória na "Taverna da Macieira" e resolveram criar a Grande Loja de Londres e Westminster. Em 24 de junho de 1717, em reunião na "Cervejaria o Ganso e a Grelha" é fundada então, a Grande Loja de Londres e Westminster. Posteriormente, com adesão de novas Lojas, muda o nome para Grande Loja da Inglaterra.

 

Maçonaria Especulativa

Até 1717 d.C., quando houve a fusão de quatro Lojas inglesas, semente da Grande Loja Unida Inglaterra (vide Pílula nº56), a Maçonaria é chamada de "Maçonaria Operativa", pois o "saber" era empírico, adquirido de maneira prática. As ferramentas e o manuseio estavam sempre presentes. O Maçom Operativo era um profissional da arte de construir.

A partir dessa data, a Maçonaria começou a ser denominada de "Maçonaria Especulativa". Anderson celebrizou-se na Maçonaria por ter copilado as duas primeiras publicações oficiais da Grande Loja de Londres: as Constituições de 1723 e 1738, básicas, ainda hoje, na formulação das Constituições de todas as potências Maçônicas..

Desmembramento Universal da Maçonaria

Alguns escritores maçônicos afirmam, e eu sou partidário dessa idéia, que a Maçonaria, sem dúvida alguma, começou na Idade Média e no continente (Europa). Posteriormente deslocou-se para a ilha (Inglaterra) e voltando, após mudanças radicais, para o continente. Nessas idas e vindas, obviamente, dependendo dos costumes dos povos, a Maçonaria tomou tendências diferentes, resultando em comportamentos diferentes, apesar de que a essência da Sublime Ordem é sempre a mesma. Podemos, de modo macro, separá-la e três ramos principais.

Após 1690, a Inglaterra já havia suplantado todas as agitações políticas e religiosas, depois de 200 anos de guerrilhas e batalhas. O povo e os dirigentes estavam esgotados, cansados de brigas políticas e religiosas que não levavam a nada. Nesse ambiente, propício para o desenvolvimento de uma Maçonaria onde as reconciliações religiosas e políticas era uma meta, apareceu o primeiro ramo, chamado de Histórico ou Tradicional.

Na França, nessa mesma época, a Maçonaria possuía um desenvolvimento semelhante à inglesa, porém, o ambiente era extremamente agitado. Problemas de exploração do povo pela nobreza, abuso da boa fé pelo alto clero, a miséria, etc, formatou um segundo ramo na Maçonaria Universal, que poderemos chamar de Agnóstica.

Como na Europa, o número de pensadores liberais era maior do que na Inglaterra, devido a forte influencia do Renascimento, Iluminismo, etc, chegou ao extremo de não mais ser obrigado à crença em Deus, eliminando a invocação "À Glória do Grande Arquiteto do Universo" de seus Rituais. Teve manifestações políticas e espírito fortemente anticlerical, tendo como seu representante o Grande Oriente da França, existindo também na Itália e noutros países.

Dos dois ramos acima expostos, saiu o terceiro ramo, chamado de Místico, no qual a influencia dos "aceitos" (rosacruzes, judeus, alquimistas, filósofos, etc) aplicou, com toda a intensidade, a interpretação mística aos símbolos, história e filosofia da Nobre Instituição. O esoterismo e o misticismo são largamente praticados. Encontra-se principalmente entre os povos latinos da Europa e Américas, além de outras regiões.

Como nos diz, ainda, Ir\Eleutério: a partir da nova versão da Maçonaria, em 1717, que foi chamada de Especulativa, atraiu também atenções diversas. Houve a desconfiança dos governos e principalmente das igrejas, principalmente a Católica Romana. Pelas suas características, atraiu também intelectuais de diferentes tendências, e escolas, trazendo consigo idéias filosóficas e práticas ritualísticas, dando aos símbolos antigos e novos, novas interpretações com as quais os Maçons Operativos jamais tinham praticado, ou sonhado. Da mesma forma como os antigos construtores procuravam enobrecer suas origens fazendo-as remontar à construção do Templo de Salomão, por exemplo, esses novos Maçons queriam, e tiveram relativo êxito, vincular a instituição às antigas filosofias religiosas e mistérios do Egito, Grécia, Índia e Oriente em geral. Assim, encontramos em nossos símbolos referências herméticas, cabalísticas, rosa-cruzes, templárias, etc. Essas interpretações de origem mística, foram penetrando, sendo aceitas e incorporadas em diferentes graus nos países para onde a Maçonaria se expandiu.

O que deve ficar claro é que existe de comum entre a Ordem Maçônica e aquelas antigas manifestações religiosas é, em certa proporção, o método iniciático e alguns elementos simbólicos, mas a Maçonaria não constitui, de maneira alguma, uma versão atualizada daquelas organizações. Em muitos pontos da Europa Oriental, existem cultos que preservam muito do pensamento e da prática daquelas antigas religiões, e que são hoje suas verdadeiras herdeiras. São cultos ou seitas religiosas, nada tendo em comum com a Maçonaria, além de um ou outro elemento simbólico. A Maçonaria tem realmente, em seus símbolos e rituais muitos elementos hebraicos, como mostram as referências ao Templo de Salomão, à lenda de Hiram, às palavras de passe, etc. Contudo, na certeza, a Maçonaria não constitui por isso uma versão ocidentalizada do judaísmo. Do mesmo modo, foram incorporados elementos do pitagorismo, da cabalá, etc, e nem por isso a Maçonaria se torna um culto pitagórico ou uma escola da cabalá.

A Maçonaria não detém nenhuma verdade mística transcendental a ser comunicada a seus adeptos, nem se propõe servir de ponte entre o neófito e qualquer suposta consciência superior. A Instituição Maçônica enfatiza a necessidade do uso da decisão racional e do empenho da vontade para eliminação dos defeitos de personalidade para que o homem se torne melhor, mas ajustado e capaz de auxiliar seus irmãos humanos.

  

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Boneco Maçom


Muitos Maçons que aprendem a recitar o Ritual de maneira automática, não sabem que através de suas místicas palavras, há ocultos pensamentos e significados que bem merecem serem descobertos.

Semelhantes Maçons, aparentemente, estão aptos para viverem mecanicamente, balbuciando frases ritualísticas, igualmente à devotos ignorantes que cantam as rezas em Latim, cujo real significado pouco, ou nada, conhecem.

Esses Obreiros constituem o que chamamos de "bonecos maçons", porém, não são verdadeiros Maçons.

Uma coisa é estar apto para desempenhar e recitar um Ritual e, outra, é saber que o Ritual tem um significado e conhecer esse significado, aplicando-o à Sabedoria, Força e Beleza, em nossa vida diária.

A Maçonaria não serve para cega e estúpida devoção. Muitas vezes, consagrada  por "bonecos maçons" que nem sabem por que a servem.  O que a Maçonaria merece e gosta, é a lealdade inteligente de homens que pensam e que tem uma razão para a sua fé e devoção.

A Maçonaria oculta as suas lições em frases místicas, não com o propósito de aprendermos um grande número de palavras de estranhos sons, Esses sons devem fazer que pensemos em seus significados, e não como sons vazios e desprovidos de significados.

Muitos recitam o Ritual, como se tivessem algum encanto mágico e, para eles, o simples fato de não poderem entender o que revelam, parecem dar à suas frases misteriosas, um poder milagroso.

O Maçom que não consagra tempo ao estudo, não pensa, não examina, reflete e não penetra no significado da palavra para buscar o pensamento real, que se acha oculto nas palavras, serão Maçons somente na palavra, e não verdadeiros Obreiros da nossa Ordem.


(traduzido e adaptado das palavras de PGM Louis Block, de Yowa, EUA,, obtido no Boletim do G.:O.: do Uruguai, edição de 1913.)


Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Gnosticismo

Gnosticismo

 

Segundo dicionário "Aurélio" a palavra "gnose" vem do grego "gnosis" e é traduzida como "conhecimento, sabedoria".

Em tradução livre do "Dicionário da Francomaçonaria" de Robert Macoy, temos: O nome "Gnosticismo", derivada dessa palavra acima, foi assumido por uma seita filosófica a qual procurou unir as noções místicas do Leste europeu com as idéias dos filósofos gregos, juntamente com ensinamentos do Cristianismo. O sistema tem características que mostram conclusivamente que era um desenvolvimento da antiga doutrina dos Persas e dos Caldeus.

De acordo com os gnósticos, Deus, a mais alta inteligência, habita a plenitude da Luz, e é a fonte de todo o bem. A matéria crua, massa caótica da qual todas as coisas foram feitas, é igual a Deus, eterna, e é a fonte de todo o mal. Percebe-se, nessa definição um "Dualismo", declarado.

Nicola Aslan, no seu "Grande Dicionário Enciclopédico" nos relata:

É um sistema de filosofia, cujos partidários pretendiam ter um conhecimento sublime da natureza e atributos de Deus. Os "gnósticos" eram platônicos degenerados, mas eruditos, que a Igreja combateu tenazmente, o que contribuiu para torná-los conhecidos, e de certa maneira, pára incentivá-los.

Os "gnósticos" fizeram sua aparição desde o século II d.C. A "Gnose" ou "Gnosticismo" era o conjunto de conhecimentos por tradição, e que escapa aos processos ordinários de instrução, por isso os "gnósticos" formavam uma sociedade secreta e não ensinavam senão aos seus membros o esoterismo, inteiramente desconhecido dos profanos (N. Aslan).  Desse modo, os gnósticos, segundo eles, detinham uma "ciência" secreta. O clero da Igreja Católica, devido o charlatanismo da maioria de seus membros, esclarecia seus fiéis e destruía, sempre que possível, suas obras.

Como muitos dos Símbolos, muito antigos, usados pela Maçonaria, eram os mesmos usados na simbologia gnóstica, tais como o triangulo, o triangulo com um círculo, o Selo de Salomão, etc, a antimaçonaria, sempre presente, acusava ser a Maçonaria um prolongamento do Gnosticismo, o que não é verdade. Não há nenhuma ligação entre o Gnosticismo e a Maçonaria.

Pesquisando ainda Mestre Aslan, podemos dizer que, na Maçonaria, sempre existiu maçons sonhadores e inovadores, principalmente os franceses, que estudaram o gnosticismo, formando Lojas espúrias, que nada tem a ver com a verdadeira Maçonaria.

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Luzes na Maçonaria


 

Esta Pílula foi condensada de um artigo do livro "Holy Bible" – Heirloom Bible Publishers – Kansas EUA, que se inicia com a seguinte pergunta: "quais são os simbolismos da Luz na Maçonaria?

Em resposta, nos é dito que Luz é, de longe, o mais importante e misterioso termo na Maçonaria o qual é entendido pela maioria dos membros da Ordem. É o primeiro dos Símbolos apresentado para o Aprendiz na sua Iniciação, e continua estando presente para ele, de várias formas, durante todo seu futuro progresso em sua carreira Maçônica.

A Luz representa, como é geralmente entendida na Ordem, o "Conhecimento", "Verdade" ou "Sabedoria", mas ela contém, dentro de si mesmo, a parte mais difícil de entender e longínqua alusão da verdadeira essência da Maçonaria Especulativa, e aceita, dentro de si ampla significação, todos os outros Símbolos da Ordem.

Maçons são enfaticamente chamados de "Filhos da Luz" porque eles estão, ou deveriam estar, de posse do verdadeiro significado do Símbolo: enquanto o profano ou o não-iniciado, por uma analogia de expressão, estão na "escuridão".

Em todos os antigos sistemas de religião e em todos os mistérios antigos, a reverência pela Luz, como uma representação emblemática do principio Eterno de Deus, é predominante. Isso sempre foi verdade no Judaísmo e é, também, verdade no Cristianismo.

E é verdade, do começo ao fim, nos Rituais da Maçonaria, no mais predominante sentido. A maior Luz da Maçonaria é a Palavra de Deus;

Maçons estão empenhados de procurar nesta fonte de verdadeira luz e dos princípios da Ordem, um sempre crescente avanço na direção da Luz.

A fonte original da verdadeira Luz Maçônica é Deus. Somente os homens que caminham em sua direção, evitando a escuridão, são chamados de "Filhos da Luz".


Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Renascimento, Reforma Religiosa e Contra Reforma Religiosa


 

O processo de criação de uma nova cultura, relacionada com as mudanças em geral e as novas formas de pensar, de agir, e sentir, entre os europeus do século XV, foi chamado de Renascimento. Foi a criação de uma cultura leiga que se preocupava com as coisas deste mundo, tendo o homem como centro, em contraposição à cultura sacra voltada basicamente para o domínio do "sagrado". Nesse processo tivemos, entre outras coisas: a substituição do "Cavaleiro" pelo "Burguês", individualista e naturalista, e a nudez (antes proibida) nos quadros pintados, principalmente, por Leonardo da Vinci e Michelângelo.

A partir do século XVI começou a apresentar sinais de decadência devido a três fatores, principais:

1) Crise Econômica, devido a diminuição dos negócios de importação de iguarias, devido as grandes navegações que supriam o mercado com menores preços e as guerras. O mecenato foi diretamente afetado.

2) A Reforma Religiosa e a Contra Reforma Religiosa, que veremos a seguir.

3) O caráter de "elite" demonstrado pelos participantes desse processo. O povo não participou desse movimento, considerado um erro crasso do movimento.

Reforma Religiosa

No final do século XV ocorreu a decadência dos feudos, aumentando as forças das cidades, da burguesia e da nova cultura implantada pelo Renascimento. Movimentos exigiam reformas na Igreja Católica. A divisão entre os cristãos fez surgir novas igrejas, genericamente, chamadas de "protestantes", devido os seguintes motivos:

1) As novas idéias oriundas do Renascimento.

2) Abusos e corrupção do Alto Clero Católico em Roma.

Nesse clima, Martinho Lutero, monge agostiniano, formulou com clareza o que o povo sentia e precipitou a ruptura do mundo cristão.

As reformas ocorreram em diversos locais e tiveram vários protagonistas.

1) – Alemanha: (na Saxônia) Martinho Lutero dizia que a leitura refletida da Bíblia conduzia à salvação espiritual. Estopim das discussões foi a venda de "Indulgências" para a construção da Basílica de São Pedro. Lutero foi excomungado e queimou a bula papal. A doutrina espalhou-se rapidamente e gerou lutas sangrentas.

2) – Suíça: o francês João Calvino, em Genebra, baseado em Lutero porém

mais radical nas exigências e foi influenciado pela mentalidade comercial (obtenção de lucros).

3) – Inglaterra: o Rei Henrique VIII queria se divorciar de Catarina Aragão para casar com Ana Bolena. Papa recusou o pedido por motivos políticos. O Rei rompeu com o Papa e fez com que o Parlamento fizesse dele o chefe supremo da Igreja da Inglaterra. Era uma mistura de catolicismo, calvinismo, estruturando o Anglicalismo.

Contra Reforma Religiosa ou Reforma Católica

Em meados do século XVI iniciaram-se as mudanças para combater o protestantismo em ascensão. Católicos reformistas apoiados pela nobreza europeia, forçaram a eleição de diversos Papas reformistas. Sem resultados adequados.

Os Jesuítas tornaram-se, portanto, após outras tentativas, a principal Ordem da Igreja Católica, atuando principalmente nos campos de ensino e pregação.

Missionários ficaram famosos, com São Francisco Xavier (India e Japão), Manuel da Nóbrega e José de Anchieta (Brasil).

Nos anos de 1545 a 1563, a Igreja Católica convocou o Concílio de Trento, que repeliu a doutrina protestante, aprovando integralmente a doutrina católica, tendo como principal virtude a caridade cristã.

Nessa época, intensificou o TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO, condenando pessoas como Galileu, Copérnico e outros. Foi elaborado o INDEX que era uma lista de livros proibidos, considerados heréticos e imorais pela Igreja Católica.

Houve também, a publicação de Manuais de Catecismo, do Breviário, do Missal e da Vulgata, que é a tradução, convenientemente adequada, da Bíblia pela Igreja Católica.

 Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Tempo de Estudos

Às vezes, tem lojas que deixam o assunto na hora do Tempo de Estudos correr solto.. Trazem até os assuntos da Palavra a Bem da Ordem... Não é para isso que serve esse Tempo! ATENÇÃO!!

Esse tempo é necessário e salutar! Sem ele, as lojas ficam só discutindo o que servir no próximo almoço/jantar/festa, e nada acrescentam ao ser humano!!!

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Uma das metas da Maçonaria é o aperfeiçoamento do ser humano, buscando sempre a Verdade. É obvio que para isso é necessário dedicação, estudos, debates, etc, para que a mente do Obreiro fique cada vez mais aberta, mais receptiva e mais preparada.

Pensando nisso, com o intuito de dedicar um espaço de tempo aos estudos e debates, as Lojas, dependendo do Rito praticado e da Obediência, estabeleceram o "Tempo de Estudos" ou "Quarto de Hora de Estudos".

Não era prática ritualística até, aproximadamente, 40 anos atrás. Foi enxertado com a finalidade de atender o que foi descrito acima. Na verdade, tempos atrás, isso era feito na "Palavra a Bem da Ordem e do Quadro em Geral". Na minha opinião, foi um aperfeiçoamento.

Como foi inserido na Ritualística, após a apresentação feita por um Obreiro (palestrante), a palavra corre nas Colunas conforme estabelecido pela mesma, e não são dispensados os sinais e cumprimentos aos demais Obreiros que queiram fazer perguntas.. Ou seja, numa Sessão Ritualística, esse "Tempo de Estudos" não pode fugir à tramitação ritualística da palavra e a obrigatoriedade de falar em pé e a Ordem, com exceção do VM e dos Vigilantes (Castellani).

Porém, dependendo da necessidade de aproveitar o tempo disponível, ou apresentação com projeção de slides (muito comum hoje em dia), ou permitir um debate mais frutífero, a sessão Ritualística é suspensa. Abre-se a "Loja em Família" pelo Venerável Mestre, com golpe do Malhete.

Todo controle da apresentação, tempo de debate, uso da palavra, etc, são sempre controlados pelo Venerável Mestre.

Finalizados a tal apresentação e o debate, a Loja entrará na Ritualística, com golpe de Malhete proferido pelo Venerável, seguido das palavras "Em Loja meus Irmãos".

Resumindo:

• o "Tempo de Estudos" visa aperfeiçoar os conhecimentos dos Obreiros e não deve ser confundido com "Instruções do Grau"

• pode, ou não, ocorrer numa Sessão Ordinária.

• Não deve ser longo demais para não atrapalhar a Sessão.

• Quando ocorre o debate, o assunto não deve mais ser discutido na "Palavra a Bem da Ordem...".

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Mudança Radical – Operativos para Especulativos



Aproximadamente entre 1550 e 1700, aos poucos, os Maçons mudaram seu comportamento. Deixaram de ser uma associação (Guilda) de pedreiros trabalhadores, com algumas ilegalidades, que aceitavam todas as doutrinas da Igreja Católica, e se transformaram em uma organização de Cavaleiros intelectuais, partidários de tolerância religiosa, entre homens de religiões diferentes, e convencidos de que as polêmicas doutrinas teológicas deveriam ser substituídas por uma simples crença em Deus.

Na época, eram chamados de "Maçons Operativos" e, com essa mudança, começaram a ser chamados de "Maçons Aceitos" ou "Cavaleiros Maçons", principalmente na Escócia.

Esses novos membros patrocinavam a Ordem, principalmente na Inglaterra onde a nobreza e a emergente classe mercantil, achavam isso como complemento ao sucesso pessoal. Na França foi mais ou menos semelhante, além do que, as Lojas serviam, aos livres pensadores, como local ideal para o crescente espírito de liberalismo.

Posteriormente, esses Maçons Aceitos começaram a ser chamados de "Maçons Especulativos", (ver Pílula Maçônica nº6 – Maçonaria Especulativa), porém, esse termo não foi utilizado antes de 1757.

O motivo da mudança parece estar bem claro: o enfraquecimento da Igreja Católica, devido a Reforma Religiosa, em torno de 1500 d.C. fez com que as grandes construções (catedrais) diminuíssem de ritmo, de modo acentuado. A Arquitetura Religiosa diminuiu acentuadamente, juntamente com o dinheiro destinado para isso. E na Inglaterra, tudo isso, atrelado as trocas de Reis e Rainhas, alguns tendendo para o Anglicalismo outros para o Catolicismo.

Ou muda, ou fecha! Foi o que aconteceu com outras Associações (Guildas), como os Chapeleiros, Seleiros, etc. Não mudaram o comportamento e a finalidade das mesmas, e acabaram fechando.

Na verdade não se sabe como se produziu essa mudança. Os grandes historiadores maçônicos se dividem, neste ponto.

A semente, provavelmente, deve ter sido o fato de que, de longa data, essas Associações aceitavam os filhos de membros que nem sempre continuavam na profissão do pai.

Esclarecendo: na idade média era comum uma pessoa seguir a profissão de seu pai, apesar de que nem sempre isso ocorria. Entretanto, isso não impedia que fosse membro da Associação.

Na Escócia, por exemplo, era habitual as Associações ligadas ao comercio, e mesmo na Maçonaria Operativa, convidarem Cavaleiros influentes a pertencerem a elas. Foi o caso do convite feito, por essa última,

aos Cavaleiros da família St Clair de Rosslyn. Que aceitaram tal convite e, posteriormente, praticamente ficaram "donos" da Maçonaria.

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Resolvendo o Karma Familiar

Achei esse texto muito interessante - acho que os Jurza têm um karma familiar que vem de lá, de muitas eras... 

E acho que a pioneira na quebra do padrão pode ser minha prima Ana, que realizando a volta para a Croácia, está iniciando a quebra do padrão e liberta-nos do karma familiar.

Sei que para ela não está fácil, que é um desafio - mas ela resolveu encarar e está lutando bravamente.

Resta saber se os Jurza se livrarão desse karma e começarão a se libertar das amarras que nos impedem de caminhar adiante. 

Muitos acontecimentos se repetem em nossa família - Seria um ciclo que roda e roda e não se resolve... Como a carta 10 do tarô, que inexorável gira, alternando o mal e o bem. Mas parece que a nossa roda tem um peso em um dos raios...

Peço de antemão a permissão para reproduzir o texto, já que cito a fonte, pois o assunto nos é concernente, e ademais, já penso nele há muito tempo, dessa mesma forma, admitindo esse tipo de KARMA FAMILIAR. O que carregam os Jurzas?


--------------------  Segue o texto de Maiana Lena --------------------------

A partir do seu nascimento você começa a absorver as energias de seus pais tão fortemente, como se fossem suas próprias. Este elo é tão forte que você não consegue distinguir onde ele começa ou termina. Você começa a absorver seus medos, suas culpas e suas cargas emocionais. Estas cargas são geralmente passadas por várias gerações tanto pelo lado materno quanto paterno. Pode "haver um aspecto kármico envolvido na questão, o padrão kármico vem se repetindo vida após vida até que seja quebrado."

Isso você pode chamar de karma famíliar. Pode haver questões relacionadas com um homem desequilibrado emocionalmente ou com uma mulher envolvida em uma escravidão auto imposta a um relacionamento escravizante, as questões relativas a determinadas doenças envolvendo o pai ou a mãe, etc.

Este tipo de carga kármica é resolvido quando a energia presa dentro de você é liberada, e, portanto, não é repassada para a próxima geração. O Karma familiar é resolvido quando, pelo menos um membro da família, quebra o vínculo, definindo-se livre do fardo emocional que ela absorveu desde a infância e acoplado em seus genes ligado a várias encarnações.
O membro da família que "quebra o padrão kármico" o fará em primeiro lugar, ajudando a si mesma. Trata-se de estar focado em seu próprio crescimento interior e expansão.

Este crescimento e expansão têm um efeito sobre a "energia da família." Isso abre a possibilidade de os membros dessa família para encontrar o caminho para sair também. Este processo não está vinculado apenas ao filho, mas também aos progenitores ou irmãos ligado a família. O ente familiar que se libertou do padrão kármico ligado a família fornece uma trilha energética para outros de sua família se libertarem também. Isso ele realiza naturalmente por seu trabalho interior e o que ele irradia consequentemente por causa disso, não pelas tentativas de empurrar os outros para mudar e avançar. O que ele oferece a sua família de nascimento energeticamente é a possibilidade de mudança. Sua energia espelha a possibilidade de mudança para eles e isso é tudo que ela precisa fazer.

Os membros da família poderão então seguir a trilha ou não. Ninguém é responsável pela mudança de alguém. Não é sua missão espiritual forçar alguém a trilhar o caminho espiritual e transformar-se. Este caminho é único e pertence a cada ser individualizado. Você pode se livrar do fardo kármico familiar que você pode ter gerado em muitas vidas aos seus entes familiares ou eles a você. Quando isso ocorrer você poderá apagar a carga emocional relativo ao fardo kármico impedindo assim serem repassados aos seus filhos e assim sucessivamente. Esta é a sua missão de alma.

Não lamentem a perda de sua família a este respeito caso eles não estejam prontos a seguir a trilha da libertação do fardo kármico. Você vai ter-lhes oferecido um ótimo serviço limpando o caminho e deixando uma trilha. Esse caminho vai ficar lá e ele será usado um dia por quem quiser sair daquele processo kármico em particular. A pista é o espaço de energia que você deixou disponíveis para eles.

Não é o seu objetivo levá-la em seus ombros. Isso é não a sua tarefa. Sempre que você tenta arrastar figurativamente seus pais ou familiares a seguir a trilha da libertação você está atrapalhando o seu próprio crescimento, e você sofrerá decepções e tristezas. Essas outras pessoas que você ama e deseja compartilhar a sua luz com você podem optar por viver nesta condição de "cegos na luz" por mais um século ou mais. Esta decisão cabe a eles.Mas um dia em seu próprio tempo, eles vão descobrir a trilha deixada por você em algum ponto e isso os fará fazer isso também. E assim eles vão começar o seu próprio caminho de crescimento interior, sua própria subida para a luz.

E não será maravilhoso eles encontrarem marcas ao longo do caminho, uma pista para eles para seguirem? Eles terão que passar por suas próprias lutas, mas eles terão um farol estabelecido para eles que iluminará seu caminho. Como pioneira deste caminho você abençoará a estrada tão difícil que escolheu trilhar com gratidão e honra!

Tratamento de Transmutação e cura Familiar- Maiana Lena

Lojas de Promulgação e Reconciliação

 

Os nomes de três importantes Lojas e seus significados históricos devem sempre estar na mente dos estudiosos maçônicos.

São elas:

* Loja de Promulgação (tornar público, conhecido)

* Loja de Reconciliação

* Loja de Emulação

Sabemos que quatro Lojas formaram a Grande Loja de Londres e Westminster em 1717. Estamos cientes, também, que uma outra Grande Loja foi formada anos mais tarde (1751) e que era asperamente hostil a primeira citada.

Essa segunda Grande Loja se auto intitulou de "Antigos" e apelidou a primeira Grande Loja de "Modernos", de maneira depreciativa, pois achavam que eles não estavam seguindo fielmente os "Antigos Deveres" (Old Charges).


Essa animosidade persistiu por longo tempo (aproximadamente 50 anos) até que, no início do século XIX (1800), devido a diversos fatores, inclusive um sentimento de maior tolerância de ambas as partes, produziram um desejo de união que, posteriormente, se concretizou.

Em 1809 os "Modernos" criaram uma loja, de comum acordo, chamada "Loja de Promulgação" para acertar e tornar conhecido, entre eles, os Antigos Landmarks da Ordem.

Essa Loja teve muitas reuniões, nas quais ensaiaram, discutiram e definiram o Cerimonial dos Trabalhos em Loja. Principalmente, o Cerimonial de Instalação, o qual era um importante ponto da rivalidade existente entre as duas Grandes Lojas.

Estando tudo definido, essa "Loja de Promulgação", após árduo trabalho, encerrou suas atividades em 1811. 

E, sem dúvidas, ela ajudou enormemente a união que ocorreu em 1813 A Loja de Reconciliação: baseado nos "Artigos da União" de 1813, uma comissão foi constituída, formando uma Loja que deveria ser constituída de "nove maçons dignos e experientes", de cada lado, com a finalidade de instruir e obrigar, os Veneráveis Mestres, ex-Veneráveis, Vigilantes e demais oficiais da Loja, a se prepararem para a Grande Assembleia, comemorando União com uniformidade nas formas, regras, disciplina e trabalhos. 

A Loja reuniu-se em muitas ocasiões e as Cerimônias que foram acordadas, foram ensaiadas e, com algumas alterações, tudo foi aprovado em 1816. Os registros não revelam o Ritual ensaiado pois tudo era decorado.

A Loja Emulação de Aperfeiçoamento: este é o lugar apropriado para o ensaio correto do Sistema de Ritual conhecido como "Emulação". Foi fundada em 1823 e o principal expoente dessa loja foi Peter Gilkes que morreu em 1833. As maiores precauções são tomadas, nessa loja, para preservar a pureza do Trabalhos, que foi formulada pela Loja de Reconciliação e aprovada pela Grande Loja em 1816. 

Não é uma Loja para instruções, mas para a melhoria do Ritual, estando os membros, de antemão, totalmente familiarizados com o mesmo.

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

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