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sexta-feira, 19 de setembro de 2025

ADEUS À PÁTRIA

por Camilo Jurza

Meu pai, Rudolf Jurza, era filho do Cônsul da Tunísia, que nasceu em Marselha, na época de Napoleão e minha mãe, Paula Horvath, era uma iugoslava eslovena.

Eu fui educado falando alemão com minha mãe e pai e falando croata nas ruas e nas escolas de Zagreb, onde cresci. As escolas eram diferentes do que eram hoje, então eu de dia dava aula e de noite estudava em minha própria casa, indo na escola somente para marcar exames de disciplinas e para ir lá realizá-los.

Certo dia, um professor me abordou na escola, perguntando se eu era Camillo Jurza, e eu disse que sim. Então ele se virou para mim e disse que nunca havia me visto na sala de aula dele e queria saber o motivo. 

Eu expliquei-lhe que eu tinha de trabalhar pois já tinha mulher e uma filha, e que eu estudava em casa. 
Ele me disse que tentaria arrumar uma bolsa de estudo para mim, para me facilitar os estudos, e eu  aceitei-a de bom grado. Mas tive de continuar trabalhando.

Era o final da guerra e foi anunciado ao meu pai, Rudolf Jurza, que iria ser confiscada a sua oficina mecânica, em Zagreb, capital da Croácia, na antiga Iugoslávia em prol do governo de Tito. Aquele aviso foi recebido com espanto: tínhamos duas horas para mudar uma vida de trabalho!

Como já vinha alimentando a ideia de fugir do comunismo, eu, Camillo Vladimir Jurza, então com trinta e um anos, providenciei rapidamente a remoção do meu barco (ainda incompleto) para a garagem de um conhecido meu. Eu tinha a ideia de atravessar o mar Adriático até a costa da Itália, onde tentaríamos nos estabelecer. 

Podíamos atravessar a fronteira com a Itália pelas montanhas da Eslovênia, mas tínhamos que esquiar muito na neve e minha mulher não tinha prática de esquiar tanto quanto eu e tínhamos de carregar nossa filha de sete anos nas costas.

Dentro do barco, tinha eu guardado ripas de madeira (que foi difícil de conseguir em tempos de guerra), para o arremate final do barco e a confecção do estrado para o fundo do barco. Aproveitei também para pintar o barco com uma tinta especial que meu pai havia importado da Inglaterra, já que o velho também tinha vontade de possuir seu barco.

Fiquei algum tempo sem ir na garagem, e quando lá cheguei, quase morri de susto: as ripas que estavam soltas dentro do barco, foram utilizadas para tampar as janelas cujos vidros tinham se quebrado! Meu Deus, tive de arrumá-las de novo, desta vez com qualidade inferior.

Após ter eu pintado o barco, o levei de trem para a cidade de Rijeka (em italiano, Fiúme), na costa da Croácia. Com a barco amarrado já dentro da água, um dia mergulhei e olhei para o fundo do barco: dele corriam longos "cabelos" de tinta especial!

Tive de tirar o barco da água, esperá-lo secar e depois tive de pintá-lo novamente, desta vez com uma tinta vagabunda (que me deu melhores resultados do que a especial), sendo atrasada a minha partida.

Para não me complicar com a polícia secreta de Tito, fiz a viagem parecer o mais natural possível: supostamente iríamos passar uns dias numa ilha na costa da Croácia (Pogo), distante uns oitenta quilômetros de Rijeka. Não era fácil se abastecer de gasolina em qualquer lugar, por isso tínhamos a desculpa de estarmos saindo de Rijeka e não de algum porto mais ao sul, mais próximo de Pogo com uns oitenta litros de gasolina em galões.

Nossa filha, Jasna, com sete anos, não sabia que estávamos fugindo, para ela simplesmente era um passeio.

O visto de saída pedi para ser entregue na casa de um amigo, visto não estar eu em casa no dia marcado para a entrega. Mas eu não fui pegar o visto. 

Embarcamos com nossos diplomas e provisões de comida, muito chocolate e água para podermos passar pelo Adriático, mas eu precisava ainda esperar uns dias para receber o meu diploma de engenheiro, que viria já acompanhado do local onde deveria eu trabalhar, fato este que me levou a não pegá-lo, pois não queria ficar atrelado à terra, num emprego onde teria eu uma cama e um prego para pendurar meu paletó, sabe-se Deus onde. E se eu tivesse sido empregado, seria ainda mais fácil para os comunistas notarem minha falta.

Na hora do embarque fomos interpelados pelos milicianos, que queriam nos fazer algumas "perguntinhas".

Pedi a minha filha que ficasse esperando no barco (graças a Deus os milicianos não tiveram a malícia de levá-la também, nem de revistar nossas coisas).

Na delegacia, houve uma complicação envolvendo uma nota de um dólar que eu tinha na minha carteira, num bolso falso (é difícil encontrar alguém que nunca tenha guardado algo diferente na carteira), e naquela época era proibido comprar dólar. Foi difícil mas consegui explicar-lhes que aquilo não valia nada, não dava para comprar nada (mal sabiam eles que eu sabendo desta proibição de se ter dólar, tinha no barco peles de marta, para fazer casaco, ainda não curtidas, para serem vendidas na Itália).

Depois de muitas horas, olhei pela janela e vi minha filha chorando na rua e fiz-lhe gestos para nos esperar no barco e de lá não sair. 

Um miliciano me perguntou onde estava o visto de viagem, que deveria estar comigo, e eu desesperado disse que deveria estar na casa deste meu amigo, mas subitamente eu o vi na mesa e o miliciano ficando sem graça me entregou-o e nos liberou. Graças a Deus!

Uma tempestade se armava em alto-mar, mas eu não tinha conhecimento dela. Rapidamente, entramos no barco e lá fomos embora, em direção a Itália, na altura de Pesaro, onde saindo da península onde fica Rijeka, e paramos numa ilha para comermos algo e para verificar se a costa estava limpa. Era uma noite de lua cheia, uma lua enorme que me apavorava, pois iluminava o mar como milhões de lâmpadas acesas, denunciando-nos.

Mas os comunistas deviam achar que ninguém era tão louco de fugir numa noite de luar dessas, e isto nos ajudou.

Tentamos comer, mas escutávamos o ruído do mar e do vento e aquele murmúrio das águas se transformava em terríveis fantasmas comunistas a nossa espreita fazendo com que a comida não descesse. Ali era o último lugar onde poderiam nos interpelar (ainda era rota possível para Pogo), dali em diante, se o helicóptero visse aquela cauda e água de um barco em movimento, metralhava para
depois perguntar.

Embarcamos novamente e a tempestade começou a se fazer anunciar,  relâmpagos ao longe, trovões e vento. O pequeno barco valentemente se encaminhava para seu destino.

Quando a chuva começou, meu desespero aumentou: ondas de mais de três metros lambiam o casco do meu pequeno barco, como se ele fosse uma pequena noz, jogando água para dentro do barco e nos jogando para o alto. Uma sorte que eu dei foi de o barco era do tipo sem quilha do tipo feito para lagos e águas calmas, o que me possibilitava fazer manobras mais rápidas.

Mais uma coisa me desesperou: no meio daquelas ondas enormes o motor parou, suas velas que ficavam do lado de fora do motor, se molharam, e eu não podia parar para reparar o motor, apesar de ter todas as ferramentas necessárias, mais dois hélices, velas, e tudo mais, porque se eu não controlasse o barco, ele
poderia virar.

Eu via os raios caindo próximo e gritava a Deus que nenhum raio me atingisse, visto estar eu sentado em cima dos oitenta litros de gasolina, e controlava o barco como podia com os remos, evitando que o barco batesse quando descia a onda, porque logo isto racharia o barco, virando o barco cada vez que vinha a onda de onde caiu o raio.

Nessa confusão entrou água salgada na nossa água potável, e tivemos que coletar água da chuva para não ficarmos sem água, com uma lona estendida.

Pensava eu: Meu Deus, o que fui fazer para minha mulher e filha? Vou acabar matando todos nós. O sentimento de arrependimento tomava conta de mim...

No meio dessa agonia eu via a costa da Itália, não sei de que lugarejo, e gritamos a todos pulmões, nós três por Ayuto, mas nossa voz não os atingia. Outras vezes vi a costa do lado errado, quando o barco estava virado para o outro lado, e pensava meu Deus, será que voltamos para a Iugoslávia? Me  preocupava estarmos chegando perto daquela ponta que parece uma espora da Itália (perto da província
de Molise) , de onde sai uma corrente que vai até as costas da Iugoslávia, e me ver empurrado de volta.

Enquanto isso minha mulher e minha filha jogavam água para fora do barco com latas de biscoito que tínhamos levado, mas estavam perdendo terreno rapidamente e eu escutei a única reclamação de minha filha: porque estávamos indo para aquela ilha naquele barco tão pequeno e não naquele grande que tínhamos costume de ir?

No final de três noites de agonia, onde o barco passou quase cheio de água o tempo todo, as águas se acalmaram e pedi a minha mulher que segurasse um pouco os remos, para que eu pudesse dormitar nem que fosse por dez minutos, pois eu já estava tendo alucinações: no meio da chuva eu tentava me agarrar a um mastro no meio do mar com medo da "corrente da espora" estar me empurrando de volta para o comunismo (eu realmente via a estaca em alto-mar).

Caindo desmaiado, só voltei a mim quando fomos vistos por um navio de pesca norueguês (graças a Deus), nas costas da cidade de Ancona, na Itália, que nos içaram, e ao barco e nos deram comida e roupas secas para podermos dormir. 

Só acordamos quando estávamos em Fano, uma cidadezinha próxima a Pesaro, onde era o nosso destino original, por ser mais perto da costa Iugoslava (tínhamos sido encontrados quase a cem quilômetros de Pesaro). Os pescadores queriam ficar com o motor do barco e eu ali, naquela situação aceitei sem pensar.

Logo no cais estavam os carabinieri, aguardando para nos interrogar, e logo eles sabendo que éramos fugitivos perguntaram pelo motor que teve de ser devolvido pelos pescadores.

Estávamos lá, como animais molhados, as peles para casaco fediam a quilômetros, pois tinham molhado, as mochilas era toda a nossa vida, quando alguns banhistas fizeram entra si uma coleta, e entregaram para minha mulher dizendo que era para ajudar, para comprar chocolate para a menina (aquilo me encheu os olhos de lágrimas e enche até hoje, visto que não tínhamos nenhum tostão no bolso, e estávamos num país estranho).

Nos mostraram uma notícia do jornal local, onde os dizeres apontavam uma fuga num bote, há alguns dias. Não haviam nomes, mas podíamos nos ver ali, estampados por entre aquelas letras miúdas em papel pardo, como que gritassem pela nossa angústia.

O procedimento normal seria de nos colocar todos na cadeia até esclarecer a situação, mas os italianos são antes humanos do que qualquer outra coisa, e como eu tinha dito que minha filha não iria para a cadeia, nos levaram para Pesaro, num hotel pago pela prefeitura (o mais engraçado e que era pago pelos comunistas da região que tinham ganho nas eleições). 

Eu tinha um terno nas minhas coisas (eu o levei pensando em procurar emprego com ele) e quis vesti-lo para estar mais apresentável no interrogatório, mas quando o vi, tive de rir, ele tinha um sapato impresso nas costas pela água do mar.

Eu fiquei sob interrogatório por oito dias, tendo descanso apenas a noite, sendo interrogado quanto a questões sobre o porquê da minha fuga, sendo rastreada toda a minha história e meus antecedentes, enquanto minha mulher e minha filha tinham livre trânsito (devidamente escoltadas pelos carabinieri).

Ao cabo desses oito dias, após se certificarem que éramos refugiados políticos, me liberaram com a seguinte condição: como a Itália vinha enfrentando um grave problema de desemprego por causa da guerra, eu não podia trabalhar lá, mas se eu tivesse dinheiro, poderia ficar o quanto quisesse. Logo fiz o oficial saber que eu não tinha nada e que não sabia o que fazer. 

Tudo menos voltar para o comunismo. Eles deviam estar me odiando lá, pois eu tinha aquela dívida  com relação àquela bolsa de estudos para com o Estado Comunista.

O oficial então me sugeriu que eu fosse para um campo de refugiados, e ele frisou bem que não era campo de concentração, e lá fomos. O campo ficava numa cidade perto de Roma, uns cinquenta quilômetros mais ou menos, que se chamava Farfa Sabina.

Enquanto isso, meu barco permanecia sob a guarda do governo italiano, preso no cais de Pesaro. Foi aí que um dentista que fiquei conhecendo por lá me disse que queria comprar o barco e eu disse que o barco estava sob a guarda do governo. 

Ele ofereceu cinquenta mil liras e me deu dez mil liras dizendo que era amigo do sujeito do governo e que usaria o barco enquanto este não fosse liberado e que me daria o resto quando o barco fosse liberado. 

Quando finalmente o barco foi liberado, recebi do dentista todas as cinquenta mil liras: para ele as dez mil liras iniciais não tinham tanta importância, mas sabia ele que eram vitais para mim.

Mais uma vez no campo de refugiados, fiquei conhecendo o senso humanitário dos italianos: minha filha ficou doente, com uma febre de quarenta graus, mas brincava normalmente, até que foi descoberta a causa: tifo intestinal. Se não fosse tratada, na certa morreria. O médico do campo disse não ter recursos para tratá-la, e ela foi enviada a um hospital próximo.

Eu não podia estar lá com ela todo o dia, tinha de estar no campo, que era de uma organização de ajuda de refugiados, como a cruz vermelha faz hoje, e então consegui visitá-la dia sim, dia não, porque nosso dinheiro era curto para ir lá todos dias de ônibus. E uma vez coincidiu com o domingo a minha visita e eu fui perguntar ao diretor do campo o que deveria eu fazer e ele me disse para ir lá na segunda e eu disse que não, que tinha prometido, e ele acabou me arrumando uma carona para o hospital de motocicleta.

A ida transcorreu sem problemas, mas e a volta? Não havia carona, e eu tive que voltar andando para o campo, não sei quantos quilômetros, tive sorte de ser lua cheia e eu pude ver a estrada. Só me lembro de ter andado mais ou menos umas sete horas.

Já era 1952 e estávamos com os dias dos campos de refugiados contados, a organização fecharia, e os refugiados tinham de se arrumar. Eu tinha diversas opções para me estabelecer, já que na Itália não podia ficar: a Austrália, onde deveria eu trabalhar dois anos para o governo (de graça), sem a família até poder me fixar, o Canadá onde deveria trabalhar seis meses nas mesmas condições, Estados Unidos, onde estava díficil começar a se estabelecer no pós-guerra e Brasil, onde bastava me estabelecer, e onde eu tinha conhecidos de meu pai que poderiam me ajudar. Na Argentina estava o meu cunhado, mas para lá eu não podia ir, porque a Argentina não estava em condições de absorver refugiados.

Então lá fomos para o Brasil, com a esperança de recomeçar e ficamos num campo de refugiados no Rio de Janeiro, até eu arrumar emprego. Quando fui dar minhas qualificações me informaram para falar que eu era desenhista mecânico pois estavam precisando destes, porque engenheiros tinham sobrando.

Com isso tive de começar desde o início, porque fui informado que o Brasil não aceitava minhas qualificações de engenheiro, e que eu teria que estudar desde o primário no Brasil para ter isto reconhecido. 

Foi assim que eu comecei a vida no Brasil: como desenhista.

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N.A. Original digitado por Paulo Jurza, neto de Camilo Vladimir Jurza, em 18 de julho de
1992 - Alguns detalhes podem não estar corretamente ajustados cronologicamente,
mas foi feito o possível para se manter dentro dos relatos de Camilo V. Jurza em seu
sítio em Morretes, Paraná.

Madero Ya no Late...

Un día amanecí en Puerto Madero
Caminando me sentía Borges
Borracho, más allá que acá
Respiraba más Aires y menos Buenos

Ya no estoy contento
Y lo sé por qué
Tus besos tan lejos
Y estoy sin aliento

Tus labios ya me han besado
Y hoy ya no más
Tu cuerpo ya me ha apretado
Y hoy, ya no más

Y por eso sigo llorando
Por una sonrisa perdida
Mi corazón ya no late
Por esta vida jodida

O BOI...

Diz a lenda que um fazendeiro branco português tinha um touro preferido em sua fazenda. No local, havia ainda um vaqueiro negro cuja mulher, Catilina, estava grávida.

 A mulher manifesta ao marido o desejo de comer a língua do touro preferido do fazendeiro. Ela convence o marido a matar o boi e tirar sua língua. 

O vaqueiro satisfaz o desejo da mulher, mas quando o patrão começa a procurar seu boi de estimação, o vaqueiro se desespera, vai para a floresta e conta o que aconteceu ao pajé. 

O indígena vai para a fazenda, faz uma pajelança e o boi ressuscita. Com isso, uma grande festa é realizada na fazenda.

No Piauí tem a lenda do "Cabeça de Cuia", trata-se da história de Crispim, um jovem garoto que morava nas margens do rio Parnaíba e de família muito pobre. 

Conta a lenda que certo dia, chegando para almoço, sua mãe lhe serviu, como de costume, uma sopa rala, com ossos, já que faltava carne na sua casa frequentemente. Nesse dia ele se revoltou, e no meio da discussão com sua mãe, atirou o osso contra ela, atingindo sua cabeça e a matando. 

Antes de morrer sua mãe lhe amaldiçoou a ficar vagando no rio e com a cabeça enorme no formato de uma cuia, que vagaria dia e noite e só se libertaria da maldição após devorar sete virgens, de nome Maria. 

Com a maldição, Crispim enlouquecera, numa mistura de medo e ódio, e correu ao rio Parnaíba, onde se afogou. Seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa ou se banharem nas épocas de cheia do rio. 

Alguns moradores da região afirmam que o Cabeça de Cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do rio e tenta virar embarcações que passam pelo rio. 

Outros também asseguram que Crispim ou, o Cabeça de Cuia, procura as mulheres por achar que elas, na verdade, são sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar. Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e acaba por matar as mulheres. 

O Cabeça de Cuia, até hoje, não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Quando a cozinha se apaga

Recebi esse artigo belíssimo sem a fonte. Se souber qual é, me diga para citar corretamente.

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Você já pensou que cozinhar não é apenas uma tarefa doméstica, mas um elo que mantém o sistema familiar unido?

Na década de 1980, quando o hábito de cozinhar em casa diminuiu nos Estados Unidos e a tendência de pedir comida de fora aumentou, alguns economistas alertaram:

"Se o governo assumir o cuidado das crianças e dos idosos, e as empresas privadas também passarem a cuidar da preparação das refeições, a estrutura familiar vai enfraquecer."

Naquele tempo, poucas pessoas deram atenção a essas palavras.

Mas então, o que aconteceu?

Em 1971, 71% dos lares americanos tinham marido, esposa e filhos vivendo juntos.
Hoje, restam apenas 20% desse tipo de família.

E o restante?
Foram para casas de repouso, apartamentos solitários ou vidas desconectadas…
   •   15% das mulheres vivem sozinhas
   •   12% dos homens estão sozinhos dentro de famílias
   •   41% das crianças nascem fora do casamento
   •   Taxa de divórcio: 50% no primeiro casamento, 67% no segundo, 74% no terceiro

Isso não é acaso — é o custo social de fechar a cozinha.

A comida caseira não é apenas nutrição — é amor, conexão e conforto.

Quando as famílias se sentam juntas para comer:
   •   Os corações se aproximam
   •   As crianças aprendem com os mais velhos
   •   Os relacionamentos se suavizam e se tornam calorosos

Mas quando cada um come sozinho, com seu próprio aparelho… as casas viram pousadas, e as famílias se tornam tão formais quanto amigos de redes sociais.

Outro problema da comida de fora:
   •   Óleos de baixa qualidade
   •   Sabores artificiais
   •   Vício em fast food
   •   Pouca comida, de má qualidade, a preço alto

O resultado? Obesidade, diabetes, doenças cardíacas e pressão alta ainda na juventude!

Hoje, empresas nos dizem o que comer, e as farmacêuticas fazem negócios com a promessa de "nos manter saudáveis."

Nossos avós levavam comida feita em casa até quando viajavam.
Hoje, achamos "mais fácil" pedir de fora mesmo estando em casa.

Ainda há tempo —
Acenda a cozinha, não apenas o fogão… reavive os relacionamentos, o amor, a segurança, a cultura e a saúde.

*"Uma cozinha une a família."*

sábado, 9 de agosto de 2025

O nome Inefável




Sejamos sinceros: tem muito Mestre por aí que não tem a mínima noção do que é o Nome Inefável, sua origem e simbologia. 

Já outros fazem o favor de inventar lendas e teorias místicas que vão além da imaginação dos simples mortais. 

Entre elas, podemos citar a lenda de que, se você pronunciar o Nome corretamente, terá poderes ilimitados (Superman?). 
Tratemos aqui apenas do que é real: 

O que é Inefável? 

A palavra inefável descreve algo que não pode ser pronunciado, ou seja, impronunciável, indizível. 
Seria algo tão sagrado que sua pronúncia seria indevida, restrita apenas aos escolhidos, e dita apenas nos momentos apropriados. 

Assim, o Nome Inefável seria o nome de um Deus eterno, único, onipresente e invisível. 
Afinal de contas, se só há Ele, então Ele não precisa ser nomeado, e se Ele está presente em todos os lugares, então Ele não precisa ser chamado. 

Com essa crença, os judeus posicionaram seu Deus acima dos deuses de outros povos, pois Ele não estava vinculado a animais ou aos astros e não possuía concorrentes. 

Mas para transmitir as histórias e ensinamentos de sua crença, os judeus precisavam se referir a Ele de alguma forma. 

Para isso, adotaram "títulos" como Elohim (a Autoridade), El Shaddai (Todo Poderoso), Adonai (Senhor), Elyon (Altíssimo), Ehyeh-AsherEhyeh (Eu sou o que sou), e outros. 

Esses títulos foram devidamente traduzidos nas bíblias tradicionais e são amplamente usados pelas igrejas e seus sacerdotes ao mencionarem o G∴A∴D∴U∴ .

Como em todos os povos das mais remotas eras tinham nos sacerdotes os guardiões de algum tipo de segredo ou mistério, com os judeus não poderia ser diferente. 

Assim, ficou o Sumo Sacerdote, líder religioso do povo judeu, responsável por guardar a pronúncia do verdadeiro nome do G∴A∴D∴U∴ e pronunciá-lo apenas quando em cerimônia específica no Templo de Jerusalém. 

O nome teria sido informado inicialmente a Moisés por Deus através da Sarça Ardente. 
Dessa forma, o nome servia como uma espécie de senha, um segredo que era transmitido pelo Sumo Sacerdote a seu sucessor e aos Reis coroados por ele, sempre de forma ritualística, dentro do Templo. 

Na verdade, todo bom judeu sabia como se escrevia o nome verdadeiro de Deus, mas apenas o Sumo Sacerdote e o Rei sabiam pronunciá-lo. 

Você deve estar se perguntando: Como isso é possível? 

Explicando de uma forma bem simplista: O hebraico é uma língua que só se escreve com consoantes. 
Assim, o leitor judeu precisa conhecer a pronúncia da palavra para pronunciar as vogais corretas. 

Para quem achar isso um pouco estranho, saiba que produzimos exemplos claros disso todos os dias: vc = você; tbm = também; blz = beleza. 

O nome de Deus seria escrito com 04 letras hebraicas correspondentes às letras JHVH de nosso alfabeto (tetragramaton), mas como as pessoas nunca haviam escutado a palavra, não sabiam como pronunciá-la. 

Poderia ser mais de 100 combinações, Isso sem considerar a hipótese das consoantes estarem misturadas, o que aumenta as possibilidades de combinação para mais de mil. 

De qualquer forma, seja pela morte daqueles que a sabiam ou pela destruição do Templo, único lugar onde o nome poderia ser pronunciado, a palavra se perdeu. 

Uma versão que surgiu com o tempo foi a utilização das vogais de Ehyeh-AsherEhyeh (Eu sou o que sou) com o Tetragramaton, o que gerou a versão Jihaveh (Javé, em português). 

Mas também convencionou-se adotar os sons de Adonai, título mais comum para denominar Deus, em combinação com o Tetragramaton, o que gera o nome Jihovah (Jeová, em português), que se consolidou como a "versão correta" do nome do G∴A∴D∴U∴, apesar de não existir quaisquer outros indícios para tanto. 

Por esse motivo, o nome continua sendo "inefável" para os judeus ortodoxos e muitas outras vertentes religiosas e esotéricas. 

Para nós, Mestres Maçons, independente de qual seja a pronúncia correta, o que realmente importa são os profundos ensinamentos que esse símbolo ilustra. 

E uma dessas lições é de que, apesar do G∴A∴D∴U∴ ser chamado de tantos diferentes nomes e visto de tantas diferentes formas, conforme a cultura, costumes e crenças de cada povo e cada ser, 

Ele é o mesmo, único, oculto aos nossos olhos, mas presente em nossas vidas.


Kennyo Ismail M∴M∴

Versinhos

Nesse site tem palmeiras
Que na minha terra não há

As aves que aqui gorjeiam
Já não cantam mais por lá...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Maçons são lampiões



Reproduzo abaixo um texto de muita sabedoria!

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Aqueles que viveram em algum lugar, sem luz elétrica como eu, que fui criado na campanha, devem lembrar-se do velho e saudoso lampião. Para quem não o conheceu, deve-se destacar que o lampião é um utensílio que serve para iluminar. Normalmente, tem um depósito de combustível (querosene, quase sempre), um pavio (normalmente de tecido, para pegar fogo), um regulador, para o tamanho do pavio, e consequente intensidade da chama e um vidro protetor, para evitar que o vento apague o fogo. Esse vidro suja muito e é necessário limpá-lo constantemente.

Assim, um lampião com combustível, pavio bem regulado e vidro limpo, quando aceso gera luz. Brilha no escuro.

Quando somos exaltados a Mestre, dizem-nos que, agora, temos luz própria, que devemos iluminar o caminho dos que nos seguem. Portanto, o Mestre Maçom, também, é um lampião, e assim como este, devemos ter um depósito de combustível (conhecimento, sabedoria) bem cheio. Da regulagem de nosso pavio dependerá a clareza e intensidade da chama, da luz que queremos transmitir aos Irmãos. Uma boa frequência, saber manifestar-se de maneira oportuna, equilibrada, são condições importantes para que nossa chama brilhe com força. Finalmente, nosso vidro deve estar bem limpo para a passagem da luz. Devemos saber falar de maneira a sermos entendidos, convencermos, ensinarmos aquele grupo de Irmãos ao qual nos dirigimos.

Portando, é necessário estarmos atentos mais e mais ao que o cargo que ocupamos nos exige. Estudando, participando de seminários, encontros, treinamentos, palestras, lendo muito, etc., para termos uma boa bagagem e ferramentas para atendermos às expectativas em nós depositadas. A leitura constante e a participação em eventos mantêm cheio nosso depósito de combustível, atualizando nossos conhecimentos. O entusiasmo, a participação em Loja, o interesse faz com que nosso pavio seja grande e forte, proporcionando uma chama brilhante, que a todos atinge. Nosso vidro limpo é nosso bom relacionamento e conhecimento dos Irmãos, fazendo com que haja uma harmonia entre todos e deixando a luz passar.

Este vidro, que no lampião funciona como uma proteção para o vento não apagar o fogo, em nossa vida maçônica, também, funciona como uma proteção contra o descaso, o ostracismo, a falta de interesse. O vidro não é inquebrável (não somos insubstituíveis), mas quanto maior a espessura desse vidro, maior será a proteção.

Pergunte-se para que serve um lampião estragado? Ou seja, sem tanque de combustível, ou sem pavio. Certamente a resposta será: não serve para nada. É inútil!

Pois se em nossa vida maçônica faltar bagagem de conhecimentos (depósito de combustível), falta de equilíbrio emocional ("pavio curto"), ou estivermos desatualizados (com o vidro opaco/sujo), talvez, para nada serviremos. Seremos inúteis, ao ponto de ficarmos na prateleira (sem nenhum cargo) e um dia sermos jogado fora.

Portanto, estude, participe de eventos, leia bastante, atualize-se, transmita sua sabedoria, seja um Mestre, e brilhe mais e mais.

Autor: Vilson Marion Flores da Silva

Fonte: blog o ponto dentro do círculo

quarta-feira, 27 de março de 2024

COMO FAZER SUA LOJA MAÇÔNICA CRESCER E SE FORTALECER



- Participe de tantas reuniões e funções quanto possível.

- Apareça cedo, fique até tarde.

- Suporte as atividades e participe.

- Leia. Estude. Aprenda. Ensaie. Discuta. Ensine. Cresça. Melhore.

- Esteja preparado! Tire os olhos do ritual. Conheça o ritual e os deveres das três cadeiras de coração: aprenda o ritual do cargo que está acima de você; conheça o cargo que você ocupa e a cargo subordinado a você. Ensine esta mesma prática a todos os oficiais.

- Fortaleça a cadeia. Comprometa-se em melhorar a vida de todos os Oficiais e Irmãos que você conhece.

- Viva a Maçonaria fora e dentro da Loja - 24 horas, 7 dias por semana, 365 dias por ano.

- Aceite um cargo. Assuma uma responsabilidade. Seja voluntário. Faça o seu melhor!

- Arregace as mangas. Ajude! Continue humilde. Devolva o que recebe.

- Abandone todo ego e orgulho tolo.

- Convide e envolva candidatos e irmãos. Incentive-os a se apropriarem da Loja e de sua jornada.

- Evite o "boato". Evite fofocas.

- Construa com as forças dos outros. Incentive a paixão e novas ideias.

- Todas as mãos no convés! Muitas mãos fazem o trabalho mais leve.

- Nunca fale negativamente de um Oficial ou membro de Comitê ou Comissão.

- Forme Oficiais ou membros de Comitês para a Ordem.

- Pague suas mensalidades antecipadamente. Doe frequentemente.

- Trate aos outros como família; com a mais alta consideração, estima e respeito.

- Planeje, pratique, prepare, persevere.

- Honre o passado, preserve as tradições e a cultura da Loja.

- Lidere pelo exemplo. Seja a mudança que você deseja ver na Loja.

- Não pergunte o que a Maçonaria pode fazer por você; mas o que você pode fazer pela Maçonaria.

- Siga o Código: as Grandes Luzes, as Obrigações, Encargos, Old Charges, Antigos Landmarks, Código de Julgamento, Constituição e Regulamentos da Grande Loja, Estatutos, Monitores, Cerimônias, Orientações e os vários Rituais da Maçonaria devem ser o seu guia constante; seu modus operandi; e seus padrões de procedimentos operacionais. Se você não concordar, estude a Legislação e tome as devidas providências e processo apropriado para alterá-las.

- Seja positivo. Nunca veja uma situação como impossível. Aceite o desafio, supere todos os obstáculos e produza resultados positivos que beneficiam a todos.

- Incorpore ordem e decoro. Siga o protocolo e etiqueta adequados. Evite conversas privadas durante as reuniões e cerimônias de conferências de graus.

- Nunca abrigue ressentimentos ou brigas contra qualquer irmão. Vá até ele. Resolva o problema. Faça as pazes. Cure todas as feridas. Fortaleça o vínculo.
...
Autoria desconhecida.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Brasil vai mal no PISA: novidade?

O teste PISA - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes - avalia a qualidade do ensino, baseado na performance dos alunos em Matemática, Linguagem e Ciências. 

E "novidade" - o Brasil foi mal! Que esperar de um país que investe cerca de 3000 dólares por ano (em contrapartida a OCDE investe mais de 10.000) por estudante e que mantém os mesmos métodos arcaicos e ultrapassados de ensino dessas disciplinas, sem nenhuma conexão com a vida do estudante, às vezes apenas decoradas para "passar" de ano?

Desde 2000 o Brasil vem dirigindo o pelotão do meio da má performance dos alunos - muitos alunos saem do ensino médio sem saber calcular um volume, resolver uma equação simples, saber algo de ciências ou entender uma idéia geral de um texto.
 
Uma vergonha! Ficamos debatendo essas políticas de gênero e problemas sem importância, vereadores dando nome para ruas, mas uma reforma do ensino, do método de ensino, nada. Criaram um currículo esdrúxulo de linhas malucas para as crianças aprenderem outras disciplinas, mas de que vale, se nem as básicas estão aprendendo?

E esses meninos que não conseguem extrair uma idéia de um texto, serão os "ingenhêros" e "dotôres" que cuidarão de nossas obras e de nossa saúde.

Onde iremos parar? Falo isso há alguns anos - analfabetismo funcional, ignorância em matemática e ciências básicas - não saber calcular uma causa e efeito...

Daí saem os anti-vacinas e os terraplanistas - os que negam a ciência e preferem, na ignorância, retroceder para antes dos avanços conseguidos com tanto sacrifício!

Triste retrato da insuficiência do ensino e da incapacidade de ver a realidade. 

Urge mudar o método de ensino e aplicar a escola na vida dos estudantes!

Ass: Jurza Inconformado

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