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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Meu Sertão Pernambucano

Poesia feita por morador de Jaqueira, em Pernambuco, na zona da Mata, na grafia original, no ano de 2001.

O sertanejo de Jaqueira é uma pessoa muito carinhosa, carente e principalmente observadora. Nos poemas transcritos, mantive a forma escrita original que mostra não só a cadência, a simplicidade, mas também a espontaneidade dos habitantes, que muito nos agradeceram e presentearam com estas pequenas pérolas de amor e humildade.

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Meu sertão Pernambucano
Meu Setão do Pajeu
Minha vida fosse bela
Do oeste Norte Sul

Estrelas brilha nu çeu
Lua lumina o serrado
Didia e lar na rroça
A tade e nu cerrado
Plantando macachera
Pra colhe no meis de março

A tarde osol sepoe
Estar na hora de largar
Chegar encasa toma banho
Para comerssa o jantar

Na minha casa chega
Compradi comadre e amigo
Jogamos um domino
Pra fica mais de vertido

Quamdo estar ficamdo tarde
Nos tomamos um cofézinho
Fazemos um cigarro
Pra fica mais gostozinho

Chega a hora de er pra casa
Todo mundo-se dispidem
Até amanha comprade
Nós se encontra sedinho

La na rroça de papai
Quem chegar mais lijeirinho
Dimanham ssedo o galo canta
Minha cordo lijeirinho

Vou minboura trabalha
Pra ganha um trocadinho
Na sexta feira fasso a colheita
Nu sabado á rrumo o trocadinho

Quando acaba a feira
Vou pra casa rrapidinho
Passo na cidade
Vejo como tudo esta barato

Feijão, arros, galinha, banana, melão, farinha
Batata, carne de gado
Vije coiza boua
Tudo que eu queria

Vou quaze chegando em casa
Com amaior a legria
Poronde eu passo e isquisito
Não tem um pé de pessoua

Tem um bucado de cangaçeiro
Do Capitão Lisboua
Vou rrezano pelo meu padrin cicero
Quaze chegando pertinho de casa

Direpente vejo um menino
A senano de lá de casa
Meu cavalo com uma cede
Daquela de arrepia

Quando chegou em casa
Quaze não pode para
Um terra muito quente
E um sol de lasca

Quando eu olho la pra casa
Eu comesso a desmaia
Sertanejo muito fraco
De tanto de trabalha
Trabalha tanto na rroça
Pra pode se alimentar

Mino não tar na escola
Porque e muito destante
Ta cressendo dia e noite
Feito um home jegante

Tudo taficando difisio
Pa aquele coitado homem
O homem ficou doente
Quamdo o cavalo dele

Morreu omte e omte
Depois du passa du tempo
Foi ficando diferente
O homem ficou tão esperto

Que coloucou filho pra frente
O filho muito metido
Não queria trabalha
O pai deu um piza quele comesso a mija

Nu estante pegou a enchada
Comessou a trabalha
Familha foi creçendo
E comessando a trabalha

De tudo queria eles
Em comtrava lá
Meu filho foi ser doutor
Minha filha professoura

Eu e minha velha
Nós ficamos nua boa

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Crônica do Ocaso

Quando não há caminho a perseguir
Qualquer caminho leva a lugar nenhum
E o velho, sem destino, vai a nenhures
De encontro com sua morte
Que sabendo que não há mais esperança
Ceifa-o mais rapidamente
Pois ele nada mais procura, em nada mais crê

Sem nada a procurar
A letargia o leva à sepultura
Mesmo tendo produzido durante a vida
Ao deixar que o tempo oxidasse suas juntas
Selou o seu destino fatal

Enquanto esganava-se em busca de razões
Mantinha-se vivo
Hoje, poupa apenas sofridos suspiros
Pela hora que já vêm, para nada...

Criei Deus à minha imagem
Refleti nele os meus anseios
Culpei-o pelos meus fracassos
E hoje, sem nada para produzir
Sinto-me um pária
E Nele também deposito minhas mágoas

Temo a morte
Inexorável ela vem ao meu encontro
Na religião busco enganar-me
Apoio-me num porto seguro
Iludindo-me com um final que é apenas duro...

Na era bizantina a beleza era farta, opulenta
Às portas do século vinte e um,
As esguias são as belas
Mas a beleza se esvai com o tempo
Seja ela opulenta ou vazia

Mas procuramos apagar as marcas do tempo
Que calcam nosso corpo
Como Dorian Gray, transferimos para um retrato
Os açoites que a vida nos traz

Mas mudo no sótão
O retrato se decompõe
Até que, as marcas da alma
Nos tornam um com o retrato
E a máscara da estética e do belo caem
E com eles caímos juntos

Em toda sua vida o homem
Se pauta por uma moral de
Regras e regulamentos
Valores auto impostos
Divinos ou tácitos
Profanos ou legais

E quando os quebra
Produz um talho em sua moral
Indeléveis, estas marcas são disfarçadas
Mas o desespero de ocultá-las
Leva-o fatalmente à angústia
E no fim de sua vida ele remói
Tudo o que se auto proibira no passado...

Ver as velas * (Pochichá)

Quando viajava nestes trilhos
Do Araçuaí à Caravelas
Via praias tão belas
Que me convidavam a ficar

E vendo agitarem-se as areias
Lembrava-me das boas bateias
Das pedras que brotavam da terra
Urgia que tinha de voltar

Viajava no meio da mata
Botocudos me viam passar
Andava sempre carregada
De tesouros e amores sem par

Levava pedra, levava madeira
Levava amor e pesar
Mas hoje fiquei prisioneira
Nessa gaiola sem ar

Me deram o nome do barulho
Que fazia meu vapor cantar
Saía alegre na carreira
Tendo por destino o mar

Gente amiga e faceira
Peço com muita clemência
Usem a vossa inteligência
Não me deixem enferrujar

Comemorem meu aniversário
Com festa, balão e beleza
Façam-me funcionar, do contrário
Pochichá morrerá de tristeza!

* Poesia premiada com Menção Honrosa no V Prêmio Literário da Academia de Letras de Teófilo Otoni, ano 2020

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Seios *

Teus seios me encantam
Quantas vezes sonhei em tocá-los
Túrgidos, lindos

Que delícia é abraçar-te e sentir-lhes o volume
Queria eu sentir-lhes a pele
Macia e alva

Rodear os mamilos até que eles
Eretos apontassem para o céu
Demonstrando prazer

Beijaria-os carinhosamente,
Um calor gostoso desceria por teu corpo
Instalar-se-ia ele sabes tu onde

Mordiscaria-os, acariciaria-os
Arrepiando todos os teus pêlos
Deixar-te-ia maluca de prazer

E com as mãos em concha, por trás
Ocultaria do mundo estas belas obras
Abraçando-te e sentindo teu perfume

Sentiria as formas arredondadas
Os mamilos pressionando minhas palmas
Teu coração cada vez mais acelerado
Teus suspiros cada vez mais profundos

E finalmente, consumaria meu amor,
Lentamente, prazerosamente
Levar-te-ia à um mundo de fantasia e prazer
Da mais delicada forma possível

"I like her; I could watch her the rest of my life. She has breasts that smile. Philip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep? "

* Premiada em IV Concurso Livre de Poesia, 1998
 

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Madero Ya no Late...

Un día amanecí en Puerto Madero
Caminando me sentía Borges
Borracho, más allá que acá
Respiraba más Aires y menos Buenos

Ya no estoy contento
Y lo sé por qué
Tus besos tan lejos
Y estoy sin aliento

Tus labios ya me han besado
Y hoy ya no más
Tu cuerpo ya me ha apretado
Y hoy, ya no más

Y por eso sigo llorando
Por una sonrisa perdida
Mi corazón ya no late
Por esta vida jodida

sábado, 9 de agosto de 2025

Versinhos

Nesse site tem palmeiras
Que na minha terra não há

As aves que aqui gorjeiam
Já não cantam mais por lá...

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