Other stuff ->

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Cavaleiros Hospitalários



 

Os Hospitalários ou Cavaleiros Hospitalários, de São João de Jerusalém, foram originariamente uma Ordem militar-religiosa formada, também, durante as Cruzadas. Seu remanescente existencial atualmente é a

Suprema Ordem Militar de Malta.

O grupo foi formado no 11º século em Jerusalém; seus membros foram irmãos vinculados a um hospital dedicado à São João que cuidava de peregrinos doentes ou necessitados. Em 1113 este grupo recebeu a aprovação papal como ordem regular. Seu primeiro superior (Grão Mestre) foi Gerard de Martignes. Seu sucessor foi Raymond du Puy que reconstituiu a Ordem e começou engajar seus membros em operações militares para o Reino Latino de Jerusalém (ver comentários abaixo).

Após 1187, a Ordem moveu seu quartel general para a cidade de Acre.

Os membros continuavam a cuidar de doentes, guardavam as estradas e lutavam. Eles se tornaram rivais dos Templários na arte de guerra cruzada.

Em 1310 mudaram primeiro para Chipre e depois para a ilha de Rhodes, na qual a Ordem governou como um estado independente até a chegada do turco Otto. Em 1530, o Sagrado Imperador Romano, Carlos V,

concedeu Malta para os Hospitalários. Eles defenderam a ilha contra os turcos até que Napoleão I expulsou todos eles em 1798. A Ordem estava declinando e, finalmente seu quartel general foi finalmente estabelecida em Roma. E, de 1805 a 1879 não tiveram Grão Mestre.

Reconstituída em 1879, os Hospitalários continuam hoje como uma Ordem onde clericais e membros fiéis, ambos engajados em trabalhos de caridade e assistência médica. Ela é internacional na qualidade de seus membros e de suas atividades. A vestimenta da Ordem é um manto negro com a cruz de malta de oito pontas, na cor branca.

O Reino Latino de Jerusalém O Reino Latino de Jerusalém foi criado em 1099 pelos líderes da primeira Cruzada; foi conquistado pelos Muslims em 1291. Sua grande extensão incluía a Palestina e outros estados ao norte, principalmente da Antióquia. A história desse reino pode ser contada em duas etapas: de 1099 até 1187 quando Jerusalém foi reconquistada pelo líder dos Mulims, Saladino e de 1189 até 1291, quando foi finalmente conquistado.

Durante a primeira fase o Reino tinha como capital a cidade de Jerusalém. Os Cruzados escolheram inicialmente Godfrey de Bouillon como administrador (1099 a 1100). Apesar dele ter tomado somente o título de Defensor do Sepulcro Sagrado, seus sucessores, começando por seu irmão Baldwin I (1100 até 1118) usaram o título real. Eles tinham a esperança de expandir e consolidar sua posição na Palestina e, em particular, capturar cidades costeiras, as quais a Primeira Cruzada não havia conquistado. Com o apoio naval de Gênova, Veneza e Pisa, eles tiveram sucesso nessa empreitada.

A oposição árabe dos muslims estava inicialmente fragmentada entre pequenos e insignificantes estados. Após 1128, entretanto, os estados árabes foram gradualmente se unificando, graças ação de novos líderes, entre eles o maior sendo Saladino, que se tornou administrador (governador) do Egito em 1169. Declarando uma guerra santa em 1187, ele derrotou os Cruzados em Hattin, resgatando Jerusalém para os Mulims e sitiando os remanescentes Cruzados em Tiro, Trípoli e Antióquia.

Em 1189 os Cristãos promoveram a Terceira Cruzada intencionada de reconquistar Jerusalém.. E assim foi feito. Esta Cruzada e as outras que a sucederam, somente reconquistaram as cidades costeiras e faixa adjacente do território.

De 1191 para frente, a capital do reino era a cidade de Acre.

Infelizmente, o futuro desse Reino foi amargurado pelos conflitos entre os Barões e os Governadores; entre os colonizadores de Veneza, Piza e Gênova;

e, principalmente entre as Ordens Militares dos Hospitalários e Templários.

A queda de Acre para os egípcios (Mamelucos) em 1291 marcou o fim do Reino Latino de Jerusalém.

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Grande Capitulo do Rito de York


 

Em torno do ano de 1910, Maçons de origem inglesa não estavam satisfeitos com a Maçonaria praticada aqui no Brasil, pois pretendiam, se possível, ter Lojas do Rito inglês, que trabalhassem segundo a orientação litúrgica da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI). Alguns Obreiros desta última, foram enviados ao Brasil para negociarem com o Grande Oriente do Brasil, com o intuito de obter do GOB, a autorização para estabelecer uma Grande Loja Distrital, sob a Constituição Inglesa, em nosso território.

Isso não foi concretizado nessa época, porém, foi assinado um Tratado, em 21/12/1912, pelo Grão Mestre Lauro Sodré, do GOB, e pelos representantes da GLUI, que relatava, resumidamente e com outras palavras, o que segue abaixo:

- o GOB em consideração à inabalável e fraternal amizade que sempre uniu a GLUI e o GOB, e pretendendo atender aos anseios dos maçons ingleses residentes no Brasil, resolveu permitir que fosse criado um Grande Capítulo do Rito de York, com patente e sob a obediência do Grande Oriente do Brasil (NOTA: sobre o termo "Rito de York" faremos uma explicação na próxima Pílula).

- desde logo ficarão subordinadas a esse Capítulo as seguintes sete Lojas do GOB:

"Eduardo VII", ao Oriente do Pará;

"Saint George", ao Oriente de Recife;

"Duke of Clarence". Ao Oriente da Bahia;

"Eureka Nº 3", ao Oriente do Poder Central;

"Wanderers", ao Oriente de São Paulo;

"Unity", ao Oriente de São Paulo;

"Morro Velho", ao Oriente de Minas Gerais

- esse Grande Capítulo será autoridade suprema, em matéria litúrgica e autorização de funcionamento, para todas as Lojas do Rito de York, atualmente e para aquelas que no futuro forem criadas no Brasil.

Como fruto desse Acordo, foi feito o Decreto Nº 478, de 01/12/1913, resumidamente mencionado abaixo (caso alguém se interessar tenho o Decreto na íntegra):

- Fica criado, no Oriente do Poder Central, o Grande Capítulo do Rito de York, ao qual se subordinarão, liturgicamente, todas as lojas desse rito atualmente existente no Brasil.

- O Grande Capítulo mencionado terá as mesmas atribuições da Constituição das Grandes Oficinas chefes de Rito, além das do acordo entre GOB e a GLUI.

- esse Grande Capítulo será composto por 33 membros efetivos, etc.

Esse Decreto durou até 1935, quando em 06 de maio desse ano, é assinado um outro Tratado, denominado "Tratado Convênio de Aliança Fraternal" entre o Grande Oriente do Brasil e a Grande Loja Unida da Inglaterra, reconhecendo, naquela época, o GOB como única Potência Maçônica regularmente estabelecida no Brasil e o GOB, por sua vez, autorizava o estabelecimento, no Brasil, de uma Grande Loja Distrital, sob Carta Patente da Grande Loja Unida da Inglaterra.

Por esse Tratado, convencionou-se, também, que "em virtude de não mais ser necessária a existência do Grande Capítulo do Rito de York no Brasil, este, uma vez formada e estabelecida a Grande Loja Distrital, cessará suas atividades" (Castellani).

Com isso, todas as Lojas do Rito de York, então existentes, passaram, sob a direção da Grande Loja Distrital, para a Jurisdição da Grande Loja Unida da Inglaterra.

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Escada de Jacó e Escada em Caracol



 

Apesar das duas serem Símbolos Maçônicos, e se tratar de escadas, na verdade, são bem distintos um do outro.

A Escada de Jacó é um Símbolo Iniciático, com forte caráter religioso, é usado em outras Ordens inclusive religiosas. A Maçonaria, apesar de não ser uma religião, a utiliza na Simbologia, para transmitir seus ensinamentos.

Ela se se origina na Bíblia, referindo-se ao sonho que Jacó, filho de Isaac e de Rebeca e irmão de Esaú, teve um dia, no campo. Lá diz que, Jacó temendo a cólera de seu pai, pois havia comprado os direitos de primogênito de Esaú, seu irmão, fugiu para a Mesopotâmia. No caminho, em Betel, enquanto dormia com a cabeça apoiada numa pedra, sonhou com uma escada fixa na terra e a outra extremidade tocando o céu. Por ela os anjos subiam e desciam e ele ouvia Deus dizendo que sua descendência seria extremamente numerosa. Obviamente, pode-se dar inúmeras interpretações a esse sonho. Vai depender somente da nossa imaginação.

A interpretação que a Maçonaria dá para essa lenda é de que o conhecimento de todas as coisas é adquirido de forma gradual, como se estivéssemos subindo uma escada, degrau por degrau. Aparentemente isso parece ser fácil, mas não é. Exige sacrifícios, constância e persistência. Aliás, pensar que tudo é muito fácil, é uma característica do ser humano.

Conforme Nicola Aslan (Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria), esse símbolo está contido no painel do Grau de Aprendiz, com sete degraus, representando as sete virtudes cardeais: Temperança, Fortaleza da alma, Prudência, Justiça, Fé, Esperança e Caridade. Ë comum, pois, depois da Iniciação, dizer-se que o Aprendiz subiu o primeiro degrau da Escada de Jacó, ou seja, deu o primeiro passo no caminho de seu aperfeiçoamento moral.

A Escada em Caracol, como o próprio nome diz, é uma escada em espiral, e é o Símbolo do Companheiro. No Grau de Companheiro é onde o Obreiro adquire o máximo de conhecimentos, e isso é típico desse grau, preparando-se para entrar no Grau de Mestre.

Simbolicamente, nesse grau, ele deve girar em torno de si, absorvendo tudo a sua volta e atingindo, além disso, níveis superiores, cada vez mais aperfeiçoados. Assim, ao atingir o Grau de Mestre que é o esplendor da sua carreira maçônica, o Obreiro poderá começar a transmitir seus conhecimentos adquiridos, ou iluminar, clarear, a mente dos novos Aprendizes e de todos com os quais convive. Ser Mestre Maçom não é ser o dono da Verdade! Mas é ser dono da própria vontade e buscá-la, sem esmorecer e mostra-la ao mundo.

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Deuses do Olimpo


Sabemos que não é permitida a presença de imagens de santos ou símbolos religiosos, no Templo, para não interferir com a crença pessoal dos Obreiros.

São permitidos, apenas nos Ritos teístas, os símbolos alusivos ao G:. A:. D:. U:. , como o Delta Radiante. Errado é, portanto, colocar no Templo, como fazem algumas Oficinas, imagens de S.. João Batista, S. João Evangelista, S. Jorge, etc.

Todavia, é permitida a presença de representações de deuses da Mitologia Grega-Romana e suas relações com diversos oficiais da Loja, pois, além da assimilação aos atributos desses cargos, esses são deuses da mitologia greco-romana, que hoje não representam mais qualquer grupo religioso (Ir. Fuad Haddad).

Lembrar que a Mitologia Romana é, praticamente, cópia da Mitologia Grega, com mudanças nos nomes.

De acordo com essa relação temos:

Venerável Mestre: relacionado e representado por ZEUS(grega)/JUPITER(romana). É tido como o rei dos deuses, por sua condição de dirigente da Loja.

Pode estar relacionado e representado, também, por ATENÁ(grega)/MINERVA(romana) que é a deusa da razão, da paz, da inteligência e da sabedoria, pois o Venerável Mestre deve ter a sabedoria, a prudência e o discernimento, necessários para dirigir a Loja.

Primeiro Vigilante: relacionado e representado por ARES(grega)/MARTE(romana). É tido como deus da agricultura e da guerra, ou da força, já que essa é a característica desse cargo, que pode ser, também, relacionado com HÉRACLES(grega)/HÉRCULES(romana), o mais forte e vigoroso de todos os homens, segundo a mitologia grega.

Segundo Vigilante: relacionado e representado por AFRODITE(grega)/ VENUS(romana). É tido como a deusa do amor e da beleza, apanágio do cargo.

Orador: relacionado e representado por APOLO(grega)/ FEBO(romana). É tido como deus do Sol, criador da poesia e da música, do canto e da lira, responsável pela guarda da lei e pelas peças de oratória, representa a Luz.

Secretário: relacionado e representado por ÁRTEMIS(grega)/ DIANA(romana).

É tida como a deusa da Lua, da caça e das flores, já que esse oficial, refletindo, nas Atas, a Luz que vem do Orador (Sol), simbolizando a Lua.

Mestre de Cerimônias: relacionado e representado por HERMES(grega)/MERCÚRIO(romana). É tido como o mensageiro dos deuses do Olimpo, já que esse Oficial, em sua circulação, é o mensageiro dos dirigentes da Loja.

Devido esse relacionamento é que o Sol e a Lua, que se encontram sob o Dossel, ladeando o Delta Sagrado, devem se achar, respectivamente, do lado do Orador e do Secretário. (baseado "Cadernos Estudos Maçônicos" - José Castellani - Ed. Trolha).

 
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto..

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O Avental


Muitos Obreiros nos perguntam qual é a origem e o simbolismo da pratica maçônica de presentear o Iniciado com um avental. Parece certo que o uso de avental ou vestimenta semelhante, como Símbolo Místico, era comum entre os antigos.

Antigamente em Israel, uma cinta formava parte da vestimenta do sacerdócio, e para o sacerdote comum ela era lisa e branca. As vestimentas das Ordens Superiores do Sacerdócio eram embelezadas com cintas altamente coloridas e ornamentadas.

Nos antigos Mistérios de Mithra, na Pérsia, o candidato era investido com um avental branco. Os Essênios vestiam os noviços com um manto branco.

Tudo nos leva a crer que na Ritualística Maçônica, no fechamento da Iniciação, a oferenda ao Neófito de um avental branco de pele de cordeiro se assemelha aos antigos costumes, em geral. Na religião Hebraica e na Cristã, e mesmo em muitas outras seitas, a cor branca sempre foi tida como emblema da Pureza. O cordeiro sempre foi considerado como emblema da Inocência.

Consequentemente, no Ritual para o Primeiro Grau o Neófito é presenteado com um avental branco de pele de cordeiro para que se lembre que "a pureza da vida e a retidão na conduta, os quais são  essencialmente necessários para ganhar a admissão na Loja Celestial do Oriente Eterno, onde o Supremo Arquiteto do Universo preside para sempre".

Este Avental se torna propriedade permanente do Aprendiz como a "insígnia, o distintivo de um Maçom". No seu crescimento na Maçonaria, esse Aprendiz receberá outros aventais, de variados tipos, mas nenhum outro será igual a este primeiro, no significado emblemático e valor maçônico (extraído da Holy Bible – Kansas – EUA).

Portanto, segundo Mestre Assis Carvalho – Xico Trolha - nos graus simbólicos, a Indumentária Maçônica entende-se: o Avental, o Colar (faixa, fitão), os Punhos, as Luvas, o Balandrau (aqui no Brasil), Chapéu.e o Terno preto ou azul escuro (camisa branca, gravata preta). O Avental é o principal Símbolo que compõe essa Indumentária. Ele já teve diversas formas e cores, mas no caso do Aprendiz, sempre foi branco.

Como exemplo, vamos citar a Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI – que uniformizou o uso de paramentos nas Lojas de sua Jurisdição, através de rígida regulamentação. Em outras Potências (outros Ritos) tem diferenças.

APRENDIZ – retangular, em pele de cordeiro, branca, 14 a 16 polegadas de comprimento, 12 a 14 polegadas de largura, com uma "abeta" e sem ornamentos.
COMPANHEIRO – igual ao do Aprendiz, com duas "rosetas' na cor azul celeste (no Brasil, REAA, simplesmente abaixa- se a "abeta", sem rosetas).
MESTRE – igual ao Companheiro, só que forrado e orlado de azul celeste, com três rosetas da mesma cor.
VENERÁVEIS E EX-VENERÁVEIS – igual ao Mestre, mas tendo as rosetas substituídas por uma tala de prata, sobre um "tau" invertido.

Como foi dito, aqui no Brasil e em outras Potências, existem pequenas diferenças.

Está claro que o Aprendiz não pode usar o Avental do Companheiro, nem este usar o avental do Mestre. Este, por sua vez, não pode usar indumentária do Mestre Instalado.

Aparentemente, isto nunca ocorreu, nem ocorrerá, pois a sensatez, que é a grande característica do Obreiro, não permite que isso ocorra. É só uma nota de esclarecimento de minha parte.

 
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Sociedades Secretas



Todos nós, Maçons, somos questionados, vez ou outra, se a Maçonaria é uma sociedade secreta. Para podermos responder, com base, vamos ver o que temos sobre isso na "Holy Bible" – Kansas.

É de senso comum e corrente que uma sociedade secreta é uma associação de homens, ou de homens e mulheres, na qual certos métodos de Iniciação, ideologias, doutrinas, práticas, meios de reconhecimento entre uns e outros e propósitos que são disponíveis somente para os que se submeteram a isso e fizeram solenes compromissos de não revelar absolutamente nada para outros que não pertençam a essa sociedade.

Nesse tipo de sociedade os objetivos da associação, os nomes de seus associados, os locais e datas das reuniões são mantidos em segredo. Tais sociedades são usualmente traiçoeiras, maldosas e com caráter e objetivos criminosos.

A Maçonaria não é uma sociedade secreta nesse sentido. Ela não procura esconder sua existência e seus objetivos. Os nomes de seus membros são conhecidos por todos os que se interessam nisso. Na verdade, principalmente no Brasil, os Maçons colocam joias de identificação maçônica nas suas vestimentas e automóveis, e se orgulham de serem reconhecidos como Maçons.

Maçonaria pode ser somente considerada como sociedade secreta referente aos seus Rituais, algumas de suas lendas e símbolos, seus métodos de transferir sua filosofia, sua alta moral, sua ética, suas verdades espirituais, e seus sinais de reconhecimento.

Seus projetos, objetivos, doutrinas, sua busca pela verdade que são ensinados, estão abertos, bem como os locais e datas de suas reuniões.

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O Rito Escocês Retificado


Lembro que um "Rito" pode ser definido como uma apresentação particular da maçonaria, cujo caráter se distingue do caráter de outros Ritos, pela forma. Como sabemos existem muitos Ritos. Vamos pesquisar alguma coisa sobre o Rito Escocês Retificado.

É essencialmente um Rito cristão, e foi derivado do Rito "Estrita Observância" do século XVIII.

Vou abrir parênteses para falar um pouco sobre esse último Rito mencionado: "foi uma modificação da Maçonaria, baseada na Ordem dos Cavaleiros Templários e introduzido na Alemanha em 1754, pelo seu fundador o Barão Von Hund. Foi dividido em sete Graus: 1 – Aprendiz; 2 – Companheiro; 3 – Mestre; 4 – Mestre Escocês; 5 – Noviço; 6 – Templário; 7 – Cavaleiro Declarado. Relata a fuga, após a morte de Jacques de Molay, de alguns Cavaleiros Templários para a Escócia onde conseguiram passar por Maçons Operativos, conseguindo dar continuidade à Ordem Templária. Esses eventos constituem a base principal dos graus desse Rito. Outros eventos foram adicionados, conectados com Alquimia, Mágica e outras práticas superticiosas. ( Enciclopédia da Maçonaria – Mackey) Voltando ao Rito Escocês Retificado, sabemos que os Estatutos de Anderson exigiam a crença em Deus, mas sem requerer outra religião senão "aquela com a qual todos os homens concordam".

Entretanto, existe um documento "o mais antigo documento francês, de 1735, chamado Deveres Prescritos aos Maçons Livres, afirmando o que segue, baseado nas Constituições de Anderson – "...há algum tempo, julgou-se mais sensato só exigir deles a religião com a qual todo CRISTÃO concorda, deixando a cada um...."

Nas Constituições de Anderson, como vimos acima, lemos "....a religião com a qual todos os HOMENS concordam....

Assim, com a frase "com a qual todo cristão concorda" o documento Francês difere fundamentalmente do documento inglês. Para compreendê-la, é preciso lembrar que as primeiras Lojas Francesas tinham sido fundadas por jacobitas ardentes, fiéis aos Stuart exilados, e em sua maioria, católicos. Pode-se ver nesse documento a origem remota do Rito Escocês Retificado que, por intermédio da Estrita Observância, herdou a exigência cristã (Alec Mellor).

A história desse Rito foi um pouco tumultuosa, pois durante tempos atrás, se discutia muito sobre a questão de se saber "de qual cristianismo se trata" formando-se duas tendências, uma tradicionalista, que rejeita qualquer descristianização oculta nas palavras e outra, avançada, que não admite mais a exclusão dos não-cristãos. (Alec Mellor)

Em sua forma, o Rito permanece muito fiel às cerimônias em vigor do século XVIII, conservando o uso do chapéu e das espadas.

Os seis e únicos graus do Rito Escocês Retificado são:

Lojas Simbólicas, também chamadas Lojas de São João: (administradas por uma Potência Simbólica)

1) Aprendiz;
2) Companheiro;
3) Mestre

Lojas Verdes: (administradas pela potência filosófica, ou seja O Grande Priorado Retificado)

4) Mestre Escocês de Santo André.

Ordem Interior: ( adm.Grande Priorado Retificado)

5) Escudeiro Noviço;
6) CBCS - Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa. (Ordem dos CBCS)


 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Terceiro Grau nas Lojas Simbólicas


Depois de alguns anos na Maçonaria, começa a formar no pensamento do Maçom interessado, a dúvida se na época dos Maçons Operativos, existiam, ou não, os três Graus existentes hoje na Especulativa.

Vou tecer alguns comentários sobre esse assunto, fruto de pesquisa realizada em livros editados na Inglaterra e Nova Zelândia.

É aceito, de modo geral, entre todos os historiadores maçônicos, idôneos, que em 1717, na Inglaterra havia somente dois Graus:

- Aprendizes (Entered Apprentice)

- Companheiros (Fellow Craft)

Não havia o Grau de Mestre. O que era assim chamado, na Operativa, era o chefe, o mais experiente, dos demais e que era o responsável pela obra.

Entre 1717 e 1730, na Especulativa, houve uma divisão, um arranjo, entre os dois graus existentes, dando origem a três graus. No livro "Short History of Freemasonry – 1730" de Knoop e Jones, é dito que, de modo muito provável, o conteúdo do Primeiro Grau se dividiu, formando um novo Primeiro Grau e um novo Segundo Grau.

O Segundo Grau antigo se transformou no Terceiro Grau – o Grau de Mestre Maçom, que antes não existia. Esses dois renomados pesquisadores acham que isso deve ter ocorrido após 1723, pois não foi citado nas Constituições de Anderson, e antes de 1730, pois no livro "Masonry Dissected" de Samuel Prichard foi mencionado a existência desses três Graus.

A formação da Grande Loja da Inglaterra em 1717 teve, em seguida, muitas mudanças na ritualística sendo, aparentemente, finalizadas em1813 com a formação da Grande Loja Unida da Inglaterra (ver Pílula nº 56)

Pesquisas indicam que no começo somente a Grande Loja formada em 1717 podia conferir esse Terceiro Grau – de Mestre Maçom – para as Lojas. Entretanto, muitas Lojas foram adicionadas às quatro primeiras e isso se tornou impraticável. Depois de alguns anos, todas as Lojas conferiam o Grau de Mestre aos obreiros merecedores.

  

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Lojas Simbólicas e as Lojas do Supremo Conselho do REAA



 

Este post é dirigido principalmente aos Aprendizes e Companheiros.

Pelo fato de estarem a pouco tempo na Maçonaria, é possível que este assunto não esteja perfeitamente esclarecido. Vamos começar definindo o que são Lojas Simbólicas e o que são Lojas do Supremo.

A Loja Simbólica é um corpo maçônico subordinado a uma Obediência Simbólica, como por exemplo, um Grande Oriente ou uma Grande Loja. No caso do Grande Oriente de São Paulo (GOSP), ele é jurisdicionado a uma Obediência central, que é o Grande Oriente do Brasil (GOB).

A Loja Simbólica só tem três Graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre, todos eles com seus paramentos próprios.

As Lojas Filosóficas ou Lojas dos Altos Graus (não confundir com "filosofismo" que tem outro significado) são corpos Maçônicos da jurisdição de uma Oficina Chefe de um Rito. No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito, as Lojas de Perfeição, Capítulos, Conselhos Kadosh e Consistórios são subordinadas ao "Supremo Conselho do R.E.A.A", que é a Oficina Chefe do desse Rito (Castellani).

São Obediências diferentes, apenas unidas por Tratados de Amizade e mútuo reconhecimento. Dito isso, vamos esclarecer mais alguns pontos:

- não é permitido, em hipótese alguma, colocar, nos Livros de Presença de Lojas Simbólicas, o Grau de Oficinas do Supremo Conselho.

- não é permitido usar paramentos dos Altos Graus nas Oficinas Simbólicas e vice versa.

- Maçons dos Altos Graus, inclusive, Grau 33, não são considerados Autoridades Maçônicas nas Lojas Simbólicas.

- Mestres Instalados nas Lojas Simbólicas, igualmente para ex- Venerável Mestre, Grandes Secretários, Garantes de Amizade, etc, das Lojas Simbólicas, não significam nada nos Altos Graus.

Percebemos, pois, que são coisas distintas, mas que se complementam.

As Lojas Simbólicas necessitam do aperfeiçoamento filosófico dado pelos Altos Graus. Os Altos Graus necessitam das Lojas Simbólicas, pois sem elas, não se tem motivos para se ter um Supremo Conselho.

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.  

Translate it!