-> Patuscadas, nonsenses, lugares comuns (e incomuns) e outras bazófias... Antes de morrer, lembre-se de levar uma moeda para pagar Caronte e cruzar para o outro lado do Estige...
terça-feira, 20 de março de 2018
Enchente das Goiabas
Maçonaria e os Antigos Mistérios Egípcios
Muitas vezes nós lemos ou ouvimos afirmativas que a Maçonaria atual teve origem nos antigos Mistérios Egípcios.
A Maçonaria Especulativa derivou das Lojas dos Maçons Operativos da Idade Média. Não será possível aqui rever toda a História, mas a opinião Maçônica reputável é que não há fundamento para a alegação que nós tivemos nossa origem nos antigos Mistérios Egípcios. É sabido que não muitos anos atrás esta versão de nossa origem era largamente mantida entre experimentados e zelosas Maçons.
Entretanto, na certeza pode ser declarado que, para autênticos historiadores, não há nenhuma evidencia direta conhecida que possa ser aceita, fazendo a conexão.
Vejam o que nos diz Mestre Euletério Nicolau da Conceição: "Da mesma forma como os antigos construtores procuravam suas origens fazendo-as remontar primeiro ao construtor da Torre de Babel e depois a Salomão e seu templo, alguns dos novos maçons queriam vincular sua instituição às antigas filosofias religiosas dos Orientes próximo e distante.
Nicola Aslan, abordando o mesmo tema, acrescenta: "Dentro da vasta bibliografia...constam as obras de escritores que foram buscar o berço da Maçonaria nas mais variadas e inesperadas sociedades da antiguidade, do Egito, da Grécia e de Roma. Nela encontramos obras vinculadas as hipóteses mais espetaculares, tornando a Ordem Maçônica a herdeira e sucessora dos pitagóricos, essênios,iniciados nos mistérios, albigenses, maniqueus e até mesmo templários. Contudo, são meras hipóteses que não conseguem resistir a um exame mais sério".
Brethren, depois do exposto, que cada um tire suas conclusões.
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Collegia Fabrorum e as Guildas
O Collegia Fabrorum era uma Associação romana na época (iniciada em 500a.C.) das grandes conquistas de cidades pelos romanos, até o ano aproximadamente 400 d.C. Os guerreiros destruíam as construções de todos os tipos, na subjugação dos povos e devido a selvageria das batalhas, e esse grupo de construtores, talhadores de pedras, artistas, carpinteiros, etc, iam atrás reconstruindo o que era de interesse para as tropas e aos comandantes de Roma. Tinha um caráter religioso, politeísta, adorando e oferecendo seus trabalhos, aos seus deuses protetores e benfeitores. É possível que, com a aceitação do Cristianismo pelos romanos, essa associação tenha se tornado monoteísta.
As Guildas eram Associações corporativistas, auto protetivas, que apareceram, na Idade Média, depois de 800 d.C. Eram grupos de operários, negociantes e outras classes. Existiram, com o passar do tempo, diversos tipos de "Guildas": religiosas, de ofício, etc, entre outras. No caso das de oficio, se auto protegiam, e protegiam seus membros e, muito importante, protegiam seus conhecimentos técnicos, adquiridos pelos membros mais velhos e experientes, e os transmitiam, oralmente, em segredo, em locais afastados e adequados, longe de pessoas estranhas ao grupo formado. Como eram grandes, precisavam de sinais de reconhecimento, palavras de passe, etc. E, obviamente, de pessoas que coordenassem, que vigiassem tudo isso. Também é obvio, que para que a Guilda tivesse continuidade, precisavam de jovens, que seriam por um determinado tempo, aprendizes desses conhecimentos. Na festa de confraternização, comiam juntos, dividiam o mesmo pão entre eles ( do latim "cum panis", gerando, talvez, a palavra "Companheiro"). Etc, etc, etc. O leitor Maçom , já entendeu aonde eu quero chegar.
A que mais se destacou e evolui grandemente, foi a Guilda dos Construtores em alvenaria, principalmente de igrejas e palácios. Como a Igreja Católica Apostólica Romana, na época, dominava tudo, e os padres, por dever de ofício, eram os únicos letrados, nada mais natural que os mestres (de maneira bem ampla) fossem eles. Como sacerdotes, eram venerados, e porque ensinavam, eram mestres. Há uma teoria, e é a minha também, que "Venerável Mestre" derivou disso aí explicado: Venerável por ser sacerdote e Mestre porque ensinava!
Posteriormente, essas confrarias perderam essa predominância da Igreja, apesar de não deixarem de serem altamente religiosas, e geraram os Ofícios Francos (ou Francomaçonaria) formados por artesões com privilégios ofertados pelo Feudo e pelo Clero.
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.
Maçonaria Especulativa
Até 1717 d.C., quando houve a fusão de quatro Lojas inglesas, semente da Grande Loja Unida Inglaterra, a Maçonaria é chamada de "Maçonaria Operativa", pois o "saber" era empírico, adquirido de maneira prática. As ferramentas e o manuseio estavam sempre presentes. O Maçom Operativo era um profissional da arte de construir.
A partir dessa data, a Maçonaria começou a ser denominada de "Maçonaria Especulativa".
A palavra "especulação" vem do latim – specullum – cuja tradução é espelho. Como nos esclarece, Ir.'. N.Aslan: "é a ação de especular, que significar indagar, pesquisar, observar, espelhar, as coisas físicas e mentais, para estuda-las atentamente, para observa-las cuidadosamente, minuciosamente, do ponto de vista teórico. Disso extraímos ideias e formulamos hipóteses".
Bernard Jones nos esclarece: "os Maçons aceitos" elaborando ou adquirindo o conhecimento da Ordem, caíram sobre o termo favorito, embora fosse inadequado, pois não havia outro que melhor qualificasse suas intenções. Distinguiram-se dos talhadores de pedras, denominando-se "Maçons Especulativos".
Os "aceitos" começaram a fazer parte da Ordem, em torno de 1600 d.C., e nada mais justo do que chamá-los de especulativos, pois na maioria das vezes faziam parte da ala social da Maçonaria, como mecenas ou colaboradores, e, literalmente "não metiam a mão na massa".
O "especulativo" era o planejador, o calculista, o pesquisador, e não o homem de ação ou o profissional braçal. Na profissão de construtores, seja de qualquer época, sempre foi exigido um "trabalho especulativo", ou seja, a teoria adquirida pelo Mestre-de-Obra, desmembrada na geometria, nas teorias dos planos, na resistência dos materiais, nas forças resultantes nas vigas e arcos de sustentação, etc. Desse modo, o trabalho que usasse de ferramentas e manuseio, era o "prático", ou "operativo".
Devemos esclarecer que o termo "especular" pode significar a atividade pela qual, pessoas se propõem obter lucros ou vantagens, em negociações ou afins.
Obviamente, não tem nenhuma ligação com o termo, semelhante, usado na Maçonaria.
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
Maçonaria: Como é sua loja?
Recebi e transcrevo na íntegra. Muito válidos os comentários!
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Um irmão me escreveu um e-mail recentemente preocupado com a falta de interesse dos maçons em estudar.
Essencialmente os maçons, dizem, são a 'nata' da sociedade. Ler livros, estudar, pesquisar, questionar, defender princípios éticos e morais e agir seriam alguns dos preceitos estritamente elementares e básicos de uma comunidade formada pela 'nata' da sociedade.
Salvo melhor juízo, o que vemos, contudo, é um conjunto de pessoas, bem intencionadas, boas de coração, mas completamente alienadas. Seguem o que mandam. Alguns, entretanto, abandonam o barco por se sentirem enganados pela ideia que a Instituição lhe vendeu. Outros, que insistem, são taxados de encrenqueiros ou que "não deixaram a maçonaria entrar em seu coração".
Avaliando tudo isso, podemos vislumbrar algumas questões.
São verdadeiras estas afirmativas?
Analisemos.
Onde começa a Maçonaria? Na Loja. Na Loja existe o ingrediente mais importante e basilar da Instituição: o maçom, o ser humano, o pensante, o agente.
Nas Lojas realmente estamos encontrando pessoas que questionam, que pensam, que estudam, que agem? Ou são apenas mecanicistas e "agapistas"?
A inteligência está em repetir, repetir e repetir o que outros dizem ser cláusulas pétreas, ou está na capacidade de investigar, duvidar, questionar, propor, agir?
Qual a diferença entre uma pedra e um ser pensante? A pedra está ali, não se mexe, não pensa, não toma iniciativa alguma, segue o que propuserem a ela. O ser pensante incomoda o status quo, interage proativamente, propõe o novo, age, duvida, argumenta, reinventa e se reinventa.
A Loja, embrião da estrutura maçônica é de onde vem as definições, as ordens. Não espera vir de cima, mas está acima. Como é a sua Loja?
Onde, em que patamar se encontra? Está à altura do que se espera no ideário Maçônico? Ela tem opinião, faz ouvir e valer sua opinião, ou a sua opinião religiosamente coincide com o que vem "de cima"?
Se a Loja não têm posição "em cima", é porque se acocora e espera. Espera a iniciativa de quem julga estar acima, espera ordens, espera decisões, espera a definição do que é certo e do que é errado. Quanto muito espera apenas para ratificar. Se apequena. Não tem iniciativa, criatividade, força própria, argumentação. Não quer se incomodar. A rotina lhe é o sustentáculo da existência e finalidade.
E assim anda a Maçonaria, ou não?
Se quisermos saber sobre a Maçonaria, olhemos às nossas Lojas. Quais suas preocupações, quais seus planejamentos de curto, médio e longo prazo (ou sequer tem planejamento?). Tem feito diferença em sua área de ação e atuação junto a comunidade?
Qual a qualidade dos trabalhos que são apresentados? Estes trabalhos trazem novidades ou são repetições das repetições? O mesmo do mesmo? E assim está bom ...
Os obreiros sabem da legislação da Loja e de sua Potência? Se sentem capacitados a avaliá-las e a propor mudanças, ou não estão nem um pouco interessados?
Na Loja o que é mais importante? O rito? A ritualística? Os graus? Entrar com o pé esquerdo? Chamar a atenção de um irmão que não fez a ritualística 'perfeita'? Ou são as ações efetivas nas comunidades? Constitui a diferença ou não são nada, ou são os vaidosos e amigos dos amigos, que se favorecem? São os corruptos que só querem levar vantagens? Quem somos? Qual valor temos para a sociedade? Qual nossa utilidade para o progresso da humanidade? Vivemos da e na teoria ou agimos de fato? Qual é o histórico da Loja? Qual o currículo da Loja?
A porta do Templo é apenas mais uma porta?
O que é mais importante para o irmão da Loja? Ser grau 33 ou ser maçom? Se vestir de fantasias ou se despir de vaidades?
O Maçom morre para a Maçonaria quando acredita que o rito ou ritual é o fim e não o meio.
A Maçonaria morre para o irmão que torna a Maçonaria fim e não meio.
A Loja abate colunas quando abdica de ser a Potência.
Não raras vezes irmãos não dispõem de recursos para manter um plano básico de saúde para sua família, mas tem de sobra para participar e frequentar toda a espécie de atividade extra simbolismo. O fanatismo - não reconhecido pelo obreiro, entranha-se em sua existência como se oxigênio fosse. A cegueira é de tal ordem, que perde o bom senso, o equilíbrio, o contato com a realidade.
Quem é mais espiritualizado? O mendigo que reparte um pedaço de seu pão a um vira-lata a seu lado ou o Grande, "grau não sei quanto", vestido de Grande que é tão Grande, que não consegue enxergar o pequeno, pois seu peito estufado e cheio de troca-troca de condecorações impede de visualizar os mais humildes e necessitados? A Maçonaria é o espelho dos maçons. Se estes são acomodados, vaidosos, medíocres, meras engrenagens mortas, isto será a Maçonaria, vivendo de um passado que um bom número de maçons, inclusive, desconhece e, em grande parte, fantasia para sonhar com a ideia de que são importantes e insubstituíveis...
Se as Lojas são um 'monte' de gente bem intencionada, amigões, trocadores de figurinhas, mas não vibra, não perturba, não incomoda, não se posiciona de forma enfática, então não passa de um clubinho particular, cubículo de míopes, sonhando com hierarquia de reizinhos e súditos. Um teatro repetitivo, medonho, que vive da farta distribuição de bengalas e medalhas sem brilho.
Neste ambiente amorfo, ser Venerável Mestre é algo sem sentido maior. A história da Loja é um livro sem letras, ou um conjunto de auto-elogios sem significado e significância, característica de pompa entre espíritos pobres e sonhadores. A capacidade de vivenciar uma existência profícua se adstringe a uma fantasia mental e pequenez espiritual.
Como é sua Maçonaria? Como é sua Loja?
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." - Chico Xavier
Autor: Nelson A. H. de Carvalho
BARLS Cidade de Viamão, 99 – GLMRS
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Baden Poweel: escotismo e Maçonaria
Dezenas de lojas maçônicas no mundo levam o nome "Baden-Powell'.
Robert Stephenson Smyth Baden-Powell nasceu em Londres, Inglaterra, a 22 de fevereiro de 1857. Seu pai era o reverendo H. G. Baden-Powell, professor em Oxford. Sua mãe era filha do almirante inglês W. T. Smyth. Seu bisavô, Joseph Brewer Smyth, tinha ido como colonizador para Nova Jersey (EUA) mas voltou para a Inglaterra e naufragou na viagem de regresso.
Seu pai morreu quando Robert tinha aproximadamente 3 anos, deixando a sua mãe com sete filhos, dos quais o mais velho não tinha ainda 14 anos. Havia com frequência momentos difíceis para uma família tão grande, mas o amor mútuo entre mãe e filhos ajudava-os a continuar em frente.
Robert viveu uma bela vida ao ar livre com seus quatro irmãos, excursionando e acampando com eles em muitos lugares da Inglaterra.
Em 1870 B-P ingressou na Escola Charterhouse em Londres com uma bolsa de estudos. Não era um estudante que se destacasse especialmente dos outros, mas era um dos mais vivos. Estava sempre metido em tudo que acontecia no pátio do colégio, e cedo se tornou popular pela sua perícia como goleiro da equipe de futebol de Charterhouse.
Seus camaradas da escola muito apreciavam suas habilidades como ator. Sempre que pediam ele improvisava uma representação que fazia a escola toda morrer de rir. Tinha também vocação para a música, e seu dom para o desenho permitiu-lhe mais tarde ilustrar todas as suas obras.
Aos 19 anos B-P colou grau na Escola Charterhouse e aceitou imediatamente uma oportunidade de ir à Índia como subtenente do regimento que formara a ala direita da cavalaria na célebre "Carga da Cavalaria Ligeira" da Guerra da Criméia.
Além de uma carreira excelente no serviço militar (chegou a capitão aos vinte e seis anos), ganhou o troféu esportivo mais desejado de toda a Índia, o troféu de "sangrar o porco", caça ao javali selvagem, a cavalo, tendo como única arma uma lança curta. Vocês compreenderão como este esporte é perigoso ao saber que o javali selvagem é habitualmente citado como "o único animal que se atreve a beber água no mesmo bebedouro com um tigre.
Em 1887 B-P participou da campanha contra os Zulus na África, e mais tarde contra as ferozes tribos dos Ashantís e os selvagens guerreiros Matabeles. Os nativos o temiam tanto que lhe davam o nome de "Impisa", o "lôbo-que-nunca-dorme", devido a sua coragem, sua perícia como explorador e sua impressionante habilidade em seguir pistas.
As promoções de B-P na carreira militar eram quase automáticas tal a regularidade com que ocorriam até que, subitamente se tornou famoso.
Corria o ano de 1899 e Baden-Powell tinha sido promovido a Coronel. Na África do Sul estava se fermentando uma agitação e as relações entre a Inglaterra e o governo da República de Transval tinha chegado ao ponto do rompimento. B-P recebeu ordens de organizar dois batalhões de carabineiros montados e marchar para Mafeking, uma cidade no coração da África do Sul. "Quem tem Mafeking tem as rédeas da África do Sul", era um dito corrente entre os nativos, que se verificou ser verdadeiro.
Veio a guerra, e durante 217 dias (a partir de 13 de outubro de 1899) B-P defendeu Mafeking cercada por forças esmagadoramente superiores do inimigo, até que tropas de socorro conseguiram finalmente abrir caminho lutando para auxiliá-lo, no dia 18 de maio de 1900.
Procure "Mafeking" em seu dicionário de inglês e junto a esta palavra você encontrará duas outras criadas neste dia tumultuoso derivadas do nome da cidade africana: "maffick" e "maffication" significando "celebração tumultuosa".
B-P promovido agora ao posto de major-general tornou-se um herói aos olhos de seus compatriotas. Foi como um herói dos adultos e das crianças que em 1901 ele regressou da África do Sul para a Inglaterra e descobrir, surpreso, que a sua popularidade pessoal dera popularidade ao livro que escrevera para militares: Aids to Scouting (Ajudas à Exploração Militar). O livro estava sendo usado como um compêndio nas escolas masculinas. B-P viu nisto um desafio. Compreendeu que estava aí a oportunidade de ajudar a juventude. Se um livro para adultos sobre as atividades dos exploradores podia exercer tal atração sobre os rapazes e servir-lhes de fonte de inspiração, outro livro, escrito especialmente para rapazes poderia despertar muito maior interesse.
Pôs-se então a trabalhar, aproveitando e adaptando sua experiência na Índia e na África entre os Zulus e outras tribos selvagens. Reuniu uma biblioteca especial e estudou nestes livros os métodos usados em todas as épocas para a educação e o adestramento dos rapazes, desde jovens espartanos, os antigos bretões, os peles-vermelhas, até os nossos dias. Lenta e cuidadosamente, B-P foi desenvolvendo a ideia do escotismo. Queria estar certo de que a ideia podia ser posta em prática, e por isso, no verão de 1907 foi com um grupo de 20 rapazes para a ilha de Brownsea, no Canal da Mancha, para realizar o primeiro acampamento escoteiro que o mundo presenciou. O acampamento teve um completo êxito.
Nos primeiros meses de 1908, lançou em seis fascículos quinzenais o seu manual de adestramento, o "Escotismo para Rapazes" sem sequer sonhar que este livro iria por em ação um movimento que afetaria a juventude do mundo inteiro.
Mal tinha começado a aparecer nas livrarias e nas bancas de jornais e já surgiram patrulhas e tropas escoteiras não apenas na Inglaterra, mas em muitos outros países. O movimento cresceu tanto que em 1910, B-P compreendeu que o Escotismo seria a obra a que dedicaria a sua vida. Teve a visão e a fé de reconhecer que podia fazer mais pelo seu país adestrando a nova geração para a boa cidadania do que preparando um punhado de homens para uma possível futura guerra.
Pediu então demissão do Exército onde havia chegado a tenente-general e ingressou na sua "segunda vida", como costumava chamá-la, sua vida de serviço ao mundo por meio do Escotismo.
Em 1912 fez uma viagem ao redor do mundo para contatar os escoteiros de muitos outros países. Foi este o primeiro passo para fazer do Escotismo uma fraternidade mundial.
A Primeira Guerra Mundial momentaneamente interrompeu este trabalho, mas com o fim das hostilidades foi recomeçado, e em 1920 os escoteiros de todas as partes do mundo se reuniram em Londres para a primeira concentração internacional de escoteiros: o Primeiro Jamboree Mundial. Na última noite deste Jamboree, a 6 de agosto, B-P foi proclamado "Escoteiro-Chefe-Mundial" sob os aplausos da multidão de rapazes.
O Movimento Escoteiro continuou a crescer. No dia em que atingiu a "maioridade" completando 21 anos contava com mais de 2 milhões de membros em praticamente todos os países do mundo. Nesta ocasião, B-P recebeu do rei Jorge V a honra de ser elevado a barão, sob o nome de Lord Baden-Powell of Gilwell. Mas apesar deste título, para todos os escoteiros ele continuou e continuará sempre sendo B-P, o Escoteiro-Chefe-Mundial.
Quando suas forças afinal começaram a declinar, depois de completar 80 anos de idade, regressou à sua amada África com a sua esposa, Lady Baden-Powell, que fôra uma entusiástica colaboradora em todos os seus esforços, e que era a Chefe-Mundial das "Girl Guides" (bandeirantes), movimento também iniciado por Baden-Powell.
Fixaram residência no Quênia em um lugar tranquilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve. Foi lá que morreu Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, em 8 de janeiro de 1941 faltando um pouco mais de um mês para completar 84 anos de idade.
Pedra no Canto Nordeste do Templo
"Por que?" da "Pedra de Fundação" (Foundation Stone) de uma construção ter a posição no Nordeste e qual a ligação com a Iniciação Maçônica. Vejam:
Está registrado nos Rituais ingleses o que segue: "é costume na ereção de todos os edifícios majestosos e excepcionais, colocarmos a primeira pedra ou "Pedra de Fundação" no canto nordeste da construção. VOCE, que foi recentemente admitido na Ordem Maçônica, estará sentado na parte nordeste do Templo , para simbolicamente, representar aquele pedra"
A primeira frase mencionada acima, provavelmente faz parte de nossas tradições, pois não se tem evidencias históricas que a suportem. Mas, é interessante para nossos propósitos maçônicos, se a usarmos como ensinamento moral.
O motivo do canto nordeste ser, tradicionalmente, declarado o local de colocação da primeira pedra da construção, é dada pelo M.W. Bro C.C,Hunt, por muitos anos Grande Secretário da Loja de Yowa. Em seu livro "Simbolismo Maçônico" ele relata: "A declaração freqüentemente ouvida por um Maçom é que na Maçonaria Operativa a primeira pedra de uma construção era colocada no canto Nordeste, e desse fato uma lição pode ser ensinada. Mas, a razão para colocar a primeira pedra da construção naquele local, não é dada."
Talvez, nem sempre essa pedra tenha sido colocada naquele canto, mas, por que, simbolicamente, foi adotado ser o Canto Nordeste o local para a colocação da referida pedra?
Operações de uma construção requerem muita claridade para o adequado posicionamento das pedras, pilares, etc. Com a claridade oferecida pela luz elétrica, as mesmas podem ser em feitas mesmo à noite, pois a claridade obtida é a mesma. Mas, os Maçons Operativos não tinham essa vantagem. Eles deviam fazer o melhor com a luz do Sol enquanto essa estivesse presente. As pedras naquele canto tinham que ser colocadas com grande exatidão, e então, como a claridade dada pelo Sol crescia no nordeste, nada mais natural do que ser aquele canto o escolhido para começar a construção. Aparentemente, era o melhor lugar para a acurada colocação das pedras..
Obviamente, estamos falando do Hemisfério Norte da Terra.
Ele continua: "Deverá ser notado que em todas as tradições e lendas sobre esse canto, ele representa a fonte do amanhecer, o local de inicio onde os raios do Sol batem, e por isso simboliza o "Aprendiz" começando sua vida Maçônica.....
"considerando que, simbolicamente, na Maçonaria, o Norte é considerado o lugar das Trevas e o Leste a fonte de Luz, o Canto Nordeste, apropriadamente, simboliza o Candidato emergindo das Trevas para a Luz. Ele está surgindo do canto Norte das Trevas, para o amanhecer do Canto Leste........ele recebeu alguma Luz e está na direção para receber mais e mais Luz.
O Norte como o lugar das Trevas, Maçonicamente, representa o mundo profano, enquanto o Leste como fonte de Luz representa a Loja, e em ultima instância, a Ordem Maçônica.
A Pedra de Fundação colocada no canto Nordeste, tem um lado virado para o Norte e o outro virado para o Leste. O Candidato no Nordeste da Loja, representa alguém que emergiu das Trevas do Norte, mas não está totalmente fora da mesma, e caminha na direção da Luz."
Obervações: seria muito interessante que os VVMM atentassem para a importância desse Simbolismo. As Lojas que freqüento, do R.E.A.A, na maioria das vezes os Aprendizes, ao final da Iniciação, são colocados no meio da "Coluna B", no topo. O correto é que sejam colocados no Nordeste do Templo.
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
A Espada Flamejante
A espada, é um aparato de ataque e defesa, podemos chamá-la assim, formado por uma haste longa e empunhadura, com ou sem guardas para proteção da mão. É feita normalmente de aço. É mais longa do que a "adaga", que por sua vez é mais longa do que o punhal e pode ser classificada, de um modo simples, em dois tipos: com lâmina comprida, pontiaguda e com dois gumes cortantes; ou somente uma haste redonda comprida e pontiaguda.
Normalmente, para ser guardada e protegida, é colocada dentro de uma bainha simples, que é um estojo versátil e leve, preso à cintura. É uma arma branca, usada desde os primórdios das civilizações guerreiras, como os Vikings, por exemplo; ou nas invasões turcas do século XVI, ou na forma de "cimitarra"; ou pelos Romanos nas suas conquistas e, até bem pouco tempo, nas últimas guerras na luta "corpo a corpo". Atualmente, constituem distintivos dos oficiais das Forças Armadas e Policiais Militares. São usadas em solenidades e formatura como símbolo de honra e dignidade.
A Espada Flamejante ou Flamígera ( ver pílula nº 141) é diferente de tudo que está acima mencionado. Ela não está descrita em nenhum livro, exceto a Bíblia, que não seja aquele que relate as coisas pertencentes à Ordem Maçônica . Sua lâmina não é retilínea, mas ondulada, assemelhando-se à labaredas de fogo.
Conforme pode ser lido no Livro Sagrado, a Bíblia, ela foi empunhado pelos Anjos do Senhor, Guardiões da Porta do Paraíso Terrestre, como verdadeira Espada de Fogo: "E expulsou-os; e colocou, no oriente do Jardim do Éden, querubins armados de espadas flamejantes, para guardar o caminho da Árvore da Vida " (Gen.3:24).
Até onde se sabe, os historiadores não têm, além dessa informação obtida na Bíblia, descrita acima, outras informações que esclareçam a origem dessa arma, de formato tão peculiar. A Maçonaria Simbólica adotou-a, pois representa, sem dúvida, a emancipação da força, de proteção, de defesa e de ação. Tem significados tremendamente profundos na Simbologia Maçônica, sendo talvez, o principal deles, a arma a ser usada na luta eterna da dualidade entre o "Bem" e o "Mal".
Semelhante aos "Anjos do Senhor" na Porta do Paraíso, é usada simbolicamente pelos Irmãos Cobridores, Externo e Interno, na Porta do Templo para "telhar" os IIr.: retardatários ao início da Sessão Maçônica e, "cobrir" o Templo aos profanos, simbolizando a autoridade da Ordem Maçônica em seus domínios.
Simboliza também o poder possuído pelo Venerável Mestre de Iniciar novos Aprendizes, Elevar novos Companheiros e Exaltar novos Mestres. O Venerável Mestre é a autoridade máxima da Loja, e deve ser o mais correto de todos os Irmãos. Esta retidão exemplar é simbolizada pelo "Esquadro" e a autoridade máxima é simbolizada pela Espada Flamejante.
Ampliando os limites de nossa mente, podemos afirmar que a Espada Flamejante, quando empunhada pelo Venerável Mestre, sem dúvida alguma, é a representação da força, do poder, da magia e do encanto da Maçonaria Universal, espalhada por todo canto da Terra. Essa mesma Maçonaria que tem aperfeiçoado os homens pelo Amor, pelo Caráter e pela Tolerância.
Ampliando nossos pensamentos mais ainda, podemos concluir que, devido à semelhança com os raios esplendorosos de uma tempestade, controlados pelo Grande Arquiteto, a Espada Flamejante, é o emblema da Justiça do Supremo, lembrando a Humanidade, em toda a sua gama de conhecimentos, que acima de qualquer um deles, por mais poderoso que se considere, está a Justiça Divina, separando o joio do trigo, os bons dos maus...
(este artigo foi escrito em 1998, um dos primeiros quando era ainda Aprendiz)
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
O tamanho das nossas bagagens de moto refletem nossos medos
Joaquim Gonçalves Lêdo
Brethren, tenho pesquisado sobre diversos Maçons brasileiros e, o maior deles ao meu ver, foi Joaquim Gonçalves Ledo. Por coincidência, nestes dias, achei um artigo do Mestre Castellani com a biografia maçônica dele, que transcrevo, condensada, abaixo.
Nascido no Rio de Janeiro (1781-1846) foi, talvez, peça principal no movimento de emancipação brasileira, juntamente com José Bonifácio de Andrada e Silva.
Tendo iniciado curso de Medicina em Coimbra, Lêdo não chegou a concluí-lo e, ao retornar ao Brasil, empregou-se como escriturário na contadoria dos Arsenais Reais do Exército. Colocar-se-ia depois, destemidamente, à frente do movimento emancipador brasileiro, lutando desabridamente pela Independência do Brasil e fazendo, da Maçonaria, o centro incrementador das idéias de liberdade. A 15 de setembro de 1821 fundava, com o Cônego Januário da Cunha Barbosa, também Maçom, o "Revérbero Constitucional Fluminense", jornal que teve extraordinária influência no movimento libertador, pois contribuiu para a formação de uma consciência brasileira, despertando a alma da nacionalidade.
Trabalhou pela reinstalação da Loja "Comércio e Artes", em 1821. A 13 de maio de 1822, por ordem do grupo de Lêdo, através da proposta de Domingos Alves Branco Muniz Barretto, o Príncipe D. Pedro recebia o título de Defensor Perpétuo do Brasil.
Já o "Fico", de 09 de janeiro de 1822, foi obra exclusiva da Maçonaria, através de Clemente Pereira, José Joaquim da Rocha, Lêdo e José Bonifácio.
Ledo foi um dos fundadores do Grande Oriente Brasílico, a 17 de junho de 1822, ocupando o cargo de Primeiro Vigilante e tendo, como Grão Mestre, José Bonifácio. Foi sob sua influência que o Grão Mestrado do Grande Oriente foi entregue a D.Pedro, ao final de setembro (empossado a 04 de outubro), num golpe de Estado maçônico, já que José Bonifácio não fora destituído.
Havia grande rivalidade, na época, entre os grupos de Lêdo, que queria a independência com rompimento total com Portugal, e o grupo de Bonifácio, que queria a independência dentro de uma comunidade brasílico-lusa. Devido a essa rivalidade dos dois grupos que aspiravam graças do Príncipe, um grupo procurava desestabilizar o outro. José Bonifácio, que era o todo poderoso ministro da regência, instalado no poder, conseguiu abrir um processo contra o grupo rival, a 30 de outubro de 1822, cinco dias depois do fechamento do Grande Oriente Brasílico, por ordem de D. Pedro, que assumira o Grão Mestrado a 04 de outubro. Nessa ocasião, Lêdo teve que fugir, para não ser preso e deportado, como Januário, Clemente e Domingos Alves Branco.
Com a queda dos Andradas, em julho de 1823, ele voltou ao Brasil, assumindo a cadeira de deputado, para o qual havia sido eleito em 1822. Viria ainda, a participar da reinstalação do Grande Oriente, em 1831 e permaneceu na Câmara até 1834, afastando-se, depois, de tudo e vindo a falecer a 19 de maio de 1847.
Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.










