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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Conto: Rotas (12 - O Enforcado)

O Enforcado

No frêmito da corrida, quase sem fôlego, trôpego, o Louco resolveu
diminuir a cadência de seus passos, pois já era tarde e deveria ele
achar algum lugar de pouso.

Qual foi seu espanto quando, de súbito, ouve uma voz da beira da
estrada poeirenta em que caminhava, clamando por atenção.

Ao fixar melhor a vista por entre as ramagens da vegetação da
estrada, vislumbrou um homem dependurado em uma árvore, por apenas um
pé.

Resolveu acercar-se da tão triste figura e descobrir o porque da sua
infame situação.

Ao se aproximar, o jovem dependurado bradando por socorro começou a
se agitar, e ao sacudir-se podia-se notar as moedas caindo de seus
bolsos em direção à terra.

Mas apesar de tão esdrúxula posição, o mancebo parecia tranqüilo.

O Louco argüindo-o sobre a origem de sua situação apenas conseguiu
uns lamúrios ininteligíveis (será que a sua vida se resumiria a
palavras ininteligíveis ?), mas por entre as frases desconexas, pôde
entrever novamente a palavra NEKAN.

Seria ele o vingado da mulher ? Seria ele dependurado ali apenas pelo
capricho daquela forte criatura ?

Como não conseguisse entender nada, e pensando que pudesse se tratar
de algum prisioneiro que realmente merecesse aquele sofrimento,
continuou a andar.

E o dependurado agitou-se frenéticamente no galho e finalmente sucumbiu.

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