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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

BMW GS650

Como é a BMW G 650GS montada pela Dafra

Por: Geraldo TITE Simões

A BMW G 650 GS é pioneira. Primeiro por recolocar a BMW na categoria
monocilindro lá atrás, em 1993, com um modelo F 650 fabricado pela
italiana Aprilia, com motor austríaco Rotax e a marca alemã BMW. Ou
seja, era um produto totalmente globalizado.

A partir de 2000 a BMW assumiu a produção total do modelo, que teve
mais um capítulo de pioneirismo porque o motor passou a ser montado na
China. Agora a mais importante de todas: é a primeira moto da marca
alemã a ser 100% montada fora da Europa.

Aparentemente é exatamente o mesmo modelo que foi importado para o
Brasil até 2007. Mecanicamente também é a mesma, com motor
monocilíndrico, 652 cc, que desenvolve 50 cv a 6.500 rpm. Só a injeção
eletrônica teve uma alteração com pequeno aumento do diâmetro da
borboleta.

Este motor tem como principal característica o bom torque em baixa
rotação, grande economia de gasolina, chegando a impressionantes 24
km/litro, mas tem um funcionamento bastante ruidoso com vibração
excessiva, denunciando a antiguidade do seu projeto.

Na Alemanha esse modelo é considerado como de entrada da marca, ou
seja, o mais barato e acessível, especialmente indicado para
iniciantes e mulheres. Por isso a posição de pilotagem é estranha, com
o piloto afundado no banco de dois níveis e a apenas 79 cm do solo. Os
baixinhos agradecem!

Já o guidão é exageradamente largo, com avantajados pesos nas
extremidades. Pode ser bom para o fora-de-estrada, mas na cidade
atrapalha bastante na hora de zanzar entre os carros.

Antiquado também é o painel de instrumentos que fica devendo um
marcador de gasolina, adotando a luz de advertência de reserva. Com um
tanque de 17,3 litros (4 de reserva) a autonomia média é de 360
quilômetros. Um painel mais moderno e com marcador digital de marcha
seria bem vindo.

Não há qualquer motivo para subestimar a qualidade desse produto
apenas pelo fato de ser montado no Brasil pela Dafra. Porque o
controle de qualidade é todo exercido por técnicos treinados na matriz
em Munique. Mesmo assim nota-se algum descuido no acabamento do
chicote elétrico, por exemplo.

Outro detalhe irritante são os comandos dos punhos elétricos,
totalmente anti-ergonômicos e fora do padrão, com a buzina no lugar do
pisca e vice-versa. Parece que os alemães da BMW se especializaram em
criar confusão aos motociclistas.

Na rua

A primeira impressão ao acionar a partida da G 650 GS é de um motor
áspero. Com a marcha lenta a 1.500 rpm essa sensação é ainda
amplificada. Como já foi explicado, o projeto está completando 11 anos
e isso aparece nestes detalhes. A principal concorrente, a Yamaha XT
660 tem um motor notadamente mais silencioso e suave.

Por enquanto aqui será fornecida apenas a versão GS estandard (já
existiu a versão Dakar, com roda dianteira de 21 polegadas), com rodas
de liga leve, sendo a dianteira de 19 polegadas. A vantagem da roda de
19" é deixar a moto mais estável e maneável nas curvas, sobretudo no
asfalto. No entanto a roda raiada pode até ser mais confortável e
absorver melhor as irregularidades do piso, porém impede o uso do pneu
sem câmera, mais seguro e eficiente.

Até que essa BMW aceita bem o uso no fora-de-estrada e esta é a
proposta: ser uma moto de uso on-off road. Só que na hora de sair do
asfalto é importante desligar o freio ABS por meio de um feioso botão
no painel.

Se no asfalto o ABS já funciona com alguma dificuldade quando passa
por irregularidades, na terra é preciso desligar. Ao contrário do
sistema adotado pela Honda XRE, a BMW ainda não conseguiu desenvolver
um sistema que consiga interpretar as irregularidades do piso.

Neste modelo avaliado este botão do ABS estava defeituoso e ligava
sozinho, quase me matando de susto quando esperava a roda traseira
travar e o freio simplesmente não funcionou e por pouco não saí reto
na curva!

Na estrada

Rodei quase 500 km e dois dias em um percurso com trecho de terra,
asfalto, curvas, tanto de dia quanto à noite. Se a distância
entre-eixos pode sugerir problema em curvas de raio curto, essa
impressão logo desaparece nas primeiras curvas. Os pneus Metzeler
Tourance são projetados para 70% de uso em asfalto e 30% de terra e
essa mistura é muito bem balanceada, pois eles seguram bem nas duas
condições.

Para ter uma idéia, cheguei mesmo a raspar o cavalete no asfalto em
uma curva mais abusada. E no trecho de terra foi bem tranqüilo. Dessa
vez peguei só seco, mas já rodei com essa moto na lama. Não foi fácil,
mas dá pra encarar.

O grande destaque está no conforto. Tanto piloto quanto garupa viajam
em amplo espaço, com um bagageiro também avantajado e até equipado com
um pequeno porta-objeto. A grande contribuição é do conjunto de
suspensões bem balanceadas, inclusive com uma regulagem da suspensão
traseira bem acessível para se adaptar às condições da estrada e do
peso.

O farol de lente única ilumina muito bem e os protetores de mãos
ajudam a afastar um pouco do frio. Se a BMW fizesse um pacote de
opcionais para este modelo poderia incluir um aquecedor de manoplas e
um pára-brisa maior, porque falta um pouco de proteção aerodinâmica.

A briga no mercado ficou bem aquecida e interessante, porque na faixa
de preço da BMW G 650 GS (R$ 29.900 em São Paulo) podem-se encontrar
boas opções como a já citada Yamaha XT 660 de um cilindro (R$ 27.000),
a Kawasaki ER-6 de dois cilindros (R$ 25.500) ou a nova Yamaha XJ6 de
quatro cilindros (R$ 27.500). Honestamente, nesta faixa de preço a BMW
seria minha última opção. Para uma moto com motor monocilíndrico, de
tecnologia meio defasada, pagar 30 mil reais é um pouco exagerado. A
explicação mais usada está no freio ABS, que representa um benefício
na mesma proporção do preço. Outro argumento a favor é o seguro menor,
que compensa a diferença de preço em pouco tempo.

Ficha Técnica

* PREÇO: R$ 29.900
* ORIGEM: Brasil
* MOTOR: monocilindro, 4T, duplo comando, 652cc, alimentado por
injeção eletrônica, arrefecido a líquido. Potência máxima de 50 cv (a
6.500 rpm) e torque de 6,1 kgfm (a 4.800rpm)
* TRANSMISSÃO: Câmbio de cinco marchas. Secundária por corrente
* SUSPENSÃO: Dianteira com garfos telescópicos e traseira monoamortecida
* FREIOS: Dianteiro a disco e traseiro a disco, com ABS
* PNEUS: Dianteiro 110/90-19 e traseiro 130/80-17
* DIMENSÕES: 2.185 mm de comprimento, 905 mm de largura, 1.160 mm de
altura e 1.520 mm de entre-eixos
* PESO: 175 kg
* TANQUE: 17,4 litros

Foto 1:
http://www.motonauta.com.br/wp-content/uploads/2010/07/100705_tite_g650gs_4.jpg

Foto 2:
http://www.motonauta.com.br/wp-content/uploads/2010/07/100705_tite_g650gs_2-300x225.jpg

Foto 3:
http://www.motonauta.com.br/wp-content/uploads/2010/07/100705_tite_g650gs_5.jpg

Fonte: motonauta.com.br

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