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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Arte abstrata do Fuzi


DEUS MEUMQUE JUS


É muito comum, principalmente em Revistas Maçônicas, encontrar um emblema, bonito, com uma Águia Bicéfala, segurando em suas patas uma espada e, abaixo, numa faixa presa na dita espada,  uma frase, em latim: "Deus Meumque Jus",  significando Deus e o meu Direito, usado pelo 33º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, em seus documentos, e também adotado pelo Supremo Conselho do Rito fundado em 1801, em Charleston, Carolina do Sul, na latitude 33, EUA.

O significado, como dito, é "Deus e o meu Direito" (God and my right). Na verdade, foi anteriormente traduzido para o inglês, do francês "Dieu et mon droit".

Vou tentar explicar o que ocorreu, baseado na Enciclopédia de Mackey (Alec Mellor e Nicola Aslan, também tomaram Mackey como referencia).

Em 1198, Ricardo, Coração de Leão, estava cercando e atacando a cidade de Gisors, na Normandia, pois o Rei da França, Felipe Augusto, havia se apoderado dessa cidade, sem ter direito a isso.

Essa cidade, entretanto, naquela época pertencia à Inglaterra, e Ricardo achava-se no direito de reavê-la. Logicamente, achava-se apoiado por Deus, e usou nessa missão guerreira a divisa, moralmente justificada,  "Dieu et mon Droit".

Motivando seus soldados com essa frase, ganhou a batalha, reconquistou a cidade de Gisors, e ficou tão satisfeito com essa divisa que a colocou, agora traduzido para o latim, Deus Meuquem Jus, no Brasão (heráldico) da Inglaterra.

Por qual motivo essa divisa foi colocada no Emblema do Supremo Conselho do R..:E.:A.:A.: eu não sei dizer, na certeza. Provavelmente, os fundadores do Supremo, achavam-se no "direito" de fundar o Primeiro Supremo Conselho do Rito, para organizar e colocar ordem (Ordo ab Chao) em algo extremamente bagunçado.

Pois, como escreveu  Mestre Castellani: "diante do caos existente, um grupo de maçons, reunidos  a 31 de maio de 1801, na cidade de Charleston, Carolina do Sul, resolveu acrescentar alguns graus aos 25 existentes e criar o "Supremo Conselho do grau 33" que, por ser o primeiro do mundo, denominou-se "Mother Council of de World", marcando o inicio de uma fase de organização e método de concessão dos Altos Graus".
 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Egrégora


A palavra "Egrégora" não existe em nosso idioma, a língua portuguesa. Até onde se sabe, na Maçonaria até meados dos anos 80, nenhum obreiro havia ouvido sequer falar de seu significado.

Primeiramente, de acordo com Mestre Castellani, essa palavra tem origem no "ocultismo" e foi se introduzindo aos poucos em nosso ambiente maçônico.

Com exceção do livro "Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons" do escritor francês Alec Mellor, respeitadíssimo na comunidade maçônica mundial, nenhum outro cita essa palavra e seu significado.

Na página 107 desse livro, da Coleção Arcanum, editora Martins Fontes, temos:

"Egrégora, do grego antigo "Egrégore", é um termo inspirado no Ocultismo, onde significa a consciência coletiva de um grupo, mas dotada de personalidade. É uma entidade viva, não uma abstração.

Essa concepção, totalmente extra maçônica e ausente em todos os Rituais, foi admitida, sem grande espírito crítico, por vários maçons ocultistas que falaram da "egrégora da Loja" ou "egrégora da Ordem", etc.

Em 1893 foi lançado um texto inédito de Eliphas Levy, que no meu conceito, foi um perfeito imbecil, onde se lê: "As Egrégoras são deuses....nascem da respiração de Deus....Dormindo, ele inspira e expira. Sua respiração cria as Egrégoras....". Além dessas elucubrações mitológicas, escreveu outros absurdos sobre a etimologia dessa palavra, que me nego a escrever.

É difícil escrever tanta besteira junta mas ele conseguiu!

Mellor ainda nos diz: "divagações desse tipo são suficientes para mostrar até que ponto o ocultismo se disseminou como um flagelo na Maçonaria".

Voltando ao Mestre Castellani, finalizo com seu depoimento: "Fantasia total do texto de Eliphas Levy. Fantasia não tem compromisso com a verdade, não precisa de documentação, de provas. Pode-se dizer qualquer bobagem, porque a fantasia não tem limites e os basbaques encantam-se com ela. Mas não tem o mesmo encanto pela História séria e documentada. É por isso que, em nosso meio, ainda campeia a grande ignorância do que é, realmente, a Maçonaria".

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Padre Barruel



 

Augustin Barruel, também conhecido como Abbé Barruel, nasceu em 1741 em Villeneuve de Berg, França, e que morreu em 1820, foi um implacável inimigo da Maçonaria.

Ele era um escritor prolífico, mas sua reputação se deve, principalmente, ao trabalho denominado "Memórias para servir à História do Jacobinismo" (provas de uma conspiração contra todas as religiões e todos os governos da Europa, que existe nas reuniões dos Maçons, Iluminados e de outras Sociedades Secretas), em 04 volumes, publicado na Inglaterra em 1797. Nesse trabalho ele acusa os Maçons de possuírem princípios políticos revolucionários e serem infiéis à religião.

Ele procura achar a origem da Instituição (Maçonaria), primeiro com os antigos heréticos maniqueístas e, através deles, chegar aos Templários, contra os quais ele revive as antigas acusações de Filipe, o Belo, rei da França, e do Papa Clement V, em 1738 (Bula In Eminent – ver Pílula nº204).

Sua teoria relata que as Escolas e Lojas dos Maçons eram derivadas dos Templários. Após a extinção dessa Ordem, certo número de Cavaleiros guerreiros, tendo escapado da prescrição, uniram-se para a preservação de seus horríveis mistérios. Eles juravam batalhar contra os reis e contra os religiosos (padres) e contra qualquer religião a qual anatematizava seus dogmas.

Eles fizeram adeptos, os quais transmitiram, de geração em geração, os mesmos mistérios da iniqüidade, o mesmo ódio, a mesma aversão contra Deus dos Cristãos, contra os reis e padres.

Alec Mellor, escritor maçom, francês, nos diz:

"Barruel pode ser considerado como o pai da Antimaçonaria moderna. Aquela que existia antes dele não teve futuro. A sua, ao contrário, foi uma duradora semente de ódio, sendo de todos aqueles que escreveram contra a Maçonaria quem mais a prejudicou".

É isso que muitos chamam de História. A Maçonaria foi vítima de muitos adversários de má fé, escritores ou não, laicos e eclesiásticos. Mas os tempos  mudam e, enquanto um católico e alguns padres acusam o jesuíta Barruel, o Papa inocenta Galileo Galilei, também condenado com evidente má fé (N. Aslan).

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

BULA



Ao contrário do que muitos pensam, a palavra "Bula" não refere-se somente a um documento Papal.

Ao contrário, na verdade, segundo Dicionário Aurélio, "Bula" é um antigo selo de ouro, prata ou chumbo, pendente de documentos emitidos por papas e outros soberanos, e que resultava da compressão do metal entre dois cunhos.

Refere-se, também, ao impresso que acompanha um medicamento e contém informações sobre composição e posologia do mesmo.

No caso da Igreja Católica, as "Bulas" são designadas muitas vezes com as palavras pelas quais começam, distinguindo-se de acordo com sua destinação.. Desse modo, temos bulas de excomunhão, bulas doutrinais, etc (Aslan)..

Existem muitas Bulas Papais contra a Maçonaria, sendo  as mais importantes a "In Eminenti" – 1738 (foi a primeira para a Maçonaria Especulativa).  "Apostolicae Provida" – 1751.  "Quo Graviora" – 1825.  "Qui Pluribus" – 1846.  "Humanum Genus" – 1884, etc, etc.

Segundo o Mestre Nicola Aslan, todas elas atribuíram à Maçonaria intenções que ela nunca teve, e tornaram-na responsável, graças às calúnias de Pe. Barruel, de todos os empreendimentos das sociedades secretas políticas. Acusaram-na de conspiração contra à Igreja, poder temporal, maliciosamente confundida com a Igreja, poder espiritual, e contra os legítimos poderes civis, representados pelos reis absolutistas.

Continuando com o Mestre Aslan que nos relata em sua Enciclopédia:  "não cabe aqui discutir a justiça de todos esses documentos. Fica, porém, a impressão de que a Santa Igreja, por seus dirigentes, quase todos pertencentes à nobreza, sempre esteve mal informada, e seus membros, imbuídos da prepotência da aristocracia de então, julgavam-se acima de qualquer crítica e utilizavam os mesmos métodos dos reis absolutistas". Estes, ao darem uma ordem, costumavam acrescentar: "Porque tal é o meu bel prazer".

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Gnosticismo


Segundo dicionário "Aurélio" a palavra "gnose" vem do grego "gnosis" e é traduzida como "conhecimento, sabedoria".

Em tradução livre do "Dicionário da Francomaçonaria" de Robert Macoy, temos: O nome "Gnosticismo", derivada dessa palavra acima, foi assumido por uma seita filosófica a qual procurou unir as noções místicas do Leste europeu com as idéias dos filósofos gregos, juntamente com ensinamentos do Cristianismo. O sistema tem características que mostram conclusivamente que era um desenvolvimento da antiga doutrina dos Persas e dos Caldeus.

De acordo com os gnósticos, Deus, a mais alta inteligência, habita a plenitude da Luz, e é a fonte de todo o bem. A matéria crua, massa caótica da qual todas as coisas foram feitas, é igual a Deus, eterna, e é a fonte de todo o mal. Percebe-se, nessa definição um "Dualismo", declarado.

Nicola Aslan, no seu "Grande Dicionário Enciclopédico" nos relata:

É um sistema de filosofia, cujos partidários pretendiam ter um conhecimento sublime da natureza e atributos de Deus. Os "gnósticos" eram platônicos degenerados, mas eruditos, que a Igreja combateu tenazmente, o que contribuiu para torná-los conhecidos, e de certa maneira, pára incentivá-los.

Os "gnósticos" fizeram sua aparição desde o século II d.C. A "Gnose" ou "Gnosticismo" era o conjunto de conhecimentos por tradição, e que escapa aos processos ordinários de instrução, por isso os "gnósticos" formavam uma sociedade secreta e não ensinavam senão aos seus membros o esoterismo, inteiramente desconhecido dos profanos (N. Aslan).  Desse modo, os gnósticos, segundo eles, detinham uma "ciência" secreta. O clero da Igreja Católica, devido o charlatanismo da maioria de seus membros, esclarecia seus fiéis e destruía, sempre que possível, suas obras.

Como muitos dos Símbolos, muito antigos, usados pela Maçonaria, eram os mesmos usados na simbologia gnóstica, tais como o triangulo, o triangulo com um círculo, o Selo de Salomão, etc, a antimaçonaria, sempre presente, acusava ser a Maçonaria um prolongamento do Gnosticismo, o que não é verdade. Não há nenhuma ligação entre o Gnosticismo e a Maçonaria.

Pesquisando ainda Mestre Aslan, podemos dizer que, na Maçonaria, sempre existiu maçons sonhadores e inovadores, principalmente os franceses, que estudaram o gnosticismo, formando Lojas espúrias, que nada tem a ver com a verdadeira Maçonaria.
 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Alquimia



 

Existem centenas de livros onde poderíamos pesquisar o significado de "Alquimia". Obviamente, são semelhantes. Uns mais abrangentes, outros mais concisos.

Segundo o "Dicionário da Francomaçonaria" de Robert Macoy, temos:

É a arte de mudar metais comuns em ouro. Entre as coisas que o homem mais ardentemente desejou, são os meios de obter conforto físico ou de luxo - ou seja, a riqueza, e livre de doenças, e longa vida.

A esperança de descobrir como obter isso, entre os segredos da natureza, ou seja, a arte de fazer ouro pela transmutação, e a obtenção de um licor mágico que assegurasse a eterna juventude, chamado o Elixir da Vida, deu nascimento à ciência chamada Alquimia. Uma classe de filósofos herméticos nasceu, os quais realizavam suas pesquisas e desenvolvimentos com ardor e seriedade.

Para isso, talvez alguns fossem impostores, eles eram entusiastas e ensinavam suas doutrinas através de imagens místicas e símbolos. Para a transmutação de metais eles pensavam ser necessário achar uma substancia, a qual, contendo o "principio original" de toda a matéria, possuiria o poder de dissolver todos os elementos. Este solvente geral, ou misturador universal, o qual, ao mesmo tempo, possuiria também o poder de remover todas as "sementes das doenças" para fora do corpo humano, renovando, desse modo, a vida. Era chamada de "Pedra Filosofal" e seus possuidores eram chamados de "Adeptos".

Pesquisando a "Enciclopédia" de Nicola Aslan, nós encontramos, de modo resumido, o que segue: "Os alquimistas deixaram dentro da Maçonaria um extenso cabedal de símbolos, vocábulos e conhecimentos, completamente incompreensíveis ao maçom que não procurar adquirir algumas noções sobre Alquimia.

Na Inglaterra, a Maçonaria Especulativa recebeu insignificante influencia da Alquimia. O mesmo não se pode falar da França. Na verdade, os Maçons Especulativos franceses foram buscar na Alquimia, no Hermetismo e na Cabala, que então se confundiam, os elementos necessários que formaram grande parte das doutrinas e do Simbolismo Maçônico, cuja influencia repercutiu nos Altos Graus e, muito particularmente, no R.E.A.A.

A partir desse momento, as duas maçonarias tiveram um desenvolvimento muito diferente.  Enquanto a inglesa permanecia vinculada ao simbolismo operativo e bíblico, a francesa se enriquecia ao adotar, também, o Simbolismo e as doutrinas filosóficas dos alquimistas, hermetistas e cabalistas, abrindo assim, caminho para o estudo da filosofia e das ciências sociais (Aslan)".

Segundo Wirth, a Alquimia era também um sistema filosófico: era também algo mais.. Era uma arte, a arte da cultura intelectual e moral do homem. O "ouro potável", que se procurava produzir, simbolicamente, era a perfeição humana.

 

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Retardatário



O Obreiro que chega atrasado ao horário estabelecido pela Loja Simbólica e encontra a porta do Templo fechada vai se condicionar à duas situações que estão ocorrendo no interior da Loja: o Livro da Lei foi aberto, ou não. No final falaremos sobre essas duas situações.

Como no Brasil, na maioria dos Ritos e na maioria das Lojas, não se tem o hábito de colocar Cobridor Externo, o Obreiro retardatário deverá dar a bateria com que se pede ingresso no Templo.

O Cobridor Interno responde para demonstrar ao retardatário que a Loja está ciente de sua presença. Comunica ao primeiro Vigilante e este comunica o Venerável Mestre.

Caso a Loja seja de Companheiro ou Mestre, o Cobridor Interno, após autorização do VM, deverá sair, verificar se o Irmão pertence ao Quadro e comunicar se ele pode entrar ou não. Se não for Irmão do Quadro, o Cobridor interno deverá "telhar" o retardatário para verificar se ele poderá entrar.

Estando tudo correto e a entrada do retardatário é permitida, voltemos ao início:

- O Livro da lei não foi aberto: como a Loja não está aberta, o retardatário poderá entrar, após comunicação do Venerável Mestre, sem formalidades. O Mestre de Cerimônias conduzirá (quem conduz vai na frente) e determinará o local onde o retardatário deverá sentar.

- O Livro da lei já foi aberto: como a Loja é considerada aberta pelo Venerável Mestre, a ninguém é permitido entrar sem formalidades. Portanto, o retardatário entrará com formalidades e o Mestre de Cerimônias o conduzirá ao local apropriado.


Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

“O Caso William Morgan” antimaçonaria


Movimentos anti maçônicos sempre existiram desde os primórdios da Maçonaria, mesmo durante o período da Maçonaria Operativa.

Um dos maiores, ocorreu nos Estados Unidos, entre os anos de 1826 e 1840. O "Caso Morgan", a ser descrito ao longo deste trabalho, foi o estopim de um sentimento anti maçônico, muito amplo e que estava em estado latente por muitos anos, provocado em parte por livros anti maçônicos vindos da Europa, (ver Pílula Maçônica nº99 sobre Leo Taxil) denunciando a Sociedade Maçônica, e em grande parte pelos "dogmas"

praticados por certas Seitas Protestantes.

Em 1820, nos Estados Unidos, havia aproximadamente 400 Oficinas e em torno de 12.000 membros e estava crescendo. Como resultado desse movimento, iniciado pelo "Caso Morgan", a questão sacode a opinião pública e quase destruiu a Instituição. Em 1830 o número de membros caiu para aproximadamente 2.000.

William Morgan, indivíduo de mau caráter, aventureiro, endividado, jornalista de Batávia, New York, decidiu refazer-se economicamente lançando um pequeno livro anti maçônico, publicado em 1826 com o título "A Maçonaria Apresentada e Explicada" com a intenção de desmascarar a Instituição e ganhar muito dinheiro com a venda do livro.

Torna-se logo um best-seller.

Aparentemente, William Morgan deve ter frequentado Lojas maçônicas, onde adquiriu conhecimento para a redação de seu livro. Entretanto, não foi encontrado seu nome em nenhum registro de Loja. É possível que tenha sido auxiliado por outra pessoa.

O movimento anti maçônico cresceu exponencialmente quando Willian Morgan desapareceu da cidade. Inquéritos foram realizados sem sucesso. Jamais se soube o que aconteceu. Porém, começou a correr a notícia que William Morgan havia sido sequestrado pelos Maçons, levado até as Cataratas do Niágara e depois de ter sido assassinado na fronteira canadense, seu corpo teria sido jogado nelas.

Morgan desapareceu em setembro de 1826 e no mês seguinte, o Reverendo David C. Bernard, pastor da Igreja Batista em N.Y., acompanhado de um membro que havia renunciado da Loja Maçônica, começou uma carreira de 40 anos devotada largamente para a desmoralização da Ordem.

Diversos encontros e convenções foram liderados por ele e, ao mesmo tempo, publicou um livro chamado "Luz na Maçonaria" totalmente anti maçonaria. Todos os maçons foram excomungados e não podiam ser candidatos em cargos públicos.

Obviamente, assunto naturalmente atrativo para leitores e escritores românticos e sensacionalistas, produziu uma circulação avantajada de livros anti maçônicos.

Até um Partido Político anti maçônico foi fundado em New York e a excitação invadiu, gradualmente, os outros estados. A maçonaria é condenada pela Igreja Batista. Os Maçons são, sistematicamente, recusados quando da formação de Juri Criminal e os pastores lhes negam a comunhão. A dissidência na Maçonaria foi enorme. Intrometendo-se a inevitável política, viram-se candidatos se apresentarem às eleições alegando seu anti maçonismo.

A Maçonaria levou anos para se reerguer.. Quando da Guerra da Secessão, a Ordem se manteve, numa certa medida, fora do conflito, e exemplos não faltaram de atos de generosidade para com os feridos e os prisioneiros, entre Maçons. Estabelecida a paz, para muitos a reconciliação foi definitiva.

Em 1838, o Partido Anti maçom apresenta um candidato à presidência dos Estados Unidos. Os dois outros candidatos, pelos dois grandes partidos e antigos Grão Mestres, Andrew Jackson e Henry Clay.

Jackson foi eleito pela maioria esmagadora: era a Ordem que se reerguia, depois da debandada quase geral provocada pelo "escândalo Morgan". Retoma, então, enfim, sua caminhada progressiva.

Existem hoje, Potências Maçônicas nos EUA, em todos os Estados, Territórios e Distrito Federal com aproximadamente 1.500.000 membros.

 

Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Os Templários e o Descobrimento do Brasil



 

O rei da França, Filipe IV, o Belo, na época do século XIV, estava falido e, entre outros, devia muito dinheiro a Ordem dos Templários, que era uma das Organizações mais ricas e mais poderosas da Europa. Seus membros eram guerreiros, banqueiros e construtores e tinham sede em Paris. Pelo fato de serem guerreiros, e bem organizados, se apoderaram de imensas quantidades de terras e bens materiais dos perdedores aos quais punham o seu jugo. Controlavam feudos e construções em Paris e no interior da França.

Participaram de modo intenso nas Cruzadas. As mesmas eram "patrocinadas" pela Igreja Católica a qual permitia, devido sua portentosa influência juntos aos reis e governantes, que os Templários tivessem muitas regalias e direitos. Entretanto, exigiam que as Cruzadas saíssem vitoriosas em suas contendas. As derrotas das Cruzadas no Médio Oriente, alimentaram uma onda de calúnias, produzida provavelmente por pessoas ou entidades invejosas e sedentas do fracasso dos Cavaleiros da Ordem dos Templários, dizendo que os mesmos teriam se "vendido" aos muçulmanos. Aproveitando o clima favorável, talvez produzido por ele mesmo, em 13 de outubro de 1307, Filipe invadiu, de surpresa, as sedes dos Templários em toda a França, prendendo todos os membros.

Dois processos foram abertos contra a Ordem dos Templários: um dirigido pelo rei contra os presos, o outro conduzido pelo papa Clemente V, que como sabemos, foi forçado pelo rei Felipe, a colocar a sede do Papado em Avignon, França.

Muitos Cavaleiros foram mortos. A maioria degolada. A Ordem era Iniciática e bastante discreta. A própria discrição da Ordem foi usada contra ela, fazendo-se afirmações absurdas. Devido a ramificada rede de informações da Ordem, os sobreviventes trataram de salvar a maior quantidade possível de bens e tesouros.

Todos os seus bens "disponíveis" foram confiscados. Esperava-se uma fortuna, mas, como pouco foi efetivamente recolhido, criou-se a suposição de que os tesouros foram transferidos em segurança para outros países. Para muitos investigadores, um desses países teria sido Portugal. O rei Dom Dinis (1261-1325) decidiu garantir a permanência da Ordem dos Templários em terras portuguesas. Sugeriu uma doação formal dos bens da Ordem à Coroa, mas, talvez, por imposição dos Templários, foi nomeado um administrador, de confiança da Ordem, para cuidar deles.

Dom Dinis, numa atitude corajosa para a época, local e condições, abriu as portas para todos os refugiados da Europa. Nessa ocasião, por volta de 1317, o último Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, Jacques (ou Thiago) de Molay, já havia sido executado na fogueira (1314). Nem o Papa, com toda sua autoridade e com a "Santa Inquisição" a sua disposição, o intimidou: fundou a Ordem de Cristo com, segundo afirmam os historiadores, parte do patrimônio dos Templários.

Todos os perseguidos da Europa, se concentravam, trazendo seus segredos, seus conhecimentos, para o Convento de Tomar, sede da Ordem de Cristo. Uma nova etapa, uma nova era, estava acontecendo para os Cavaleiros Templários. Dois anos depois, em 1319, um novo papa, João XXII, reconheceu a Ordem de Cristo.

No início do século XV, Portugal era um reino pobre. A riqueza estava na Itália, na Alemanha e na Flandres (hoje parte da Bélgica e Holanda). Nesse caso, porque é que foram os portugueses a encabeçar a expansão européia? Sem dúvida, a rica Ordem de Cristo foi o seu trunfo decisivo, com seus tesouros, mas, principalmente, com os seus conhecimentos e experiência adquiridos ao longo dos anos. .

Quando o Infante Dom Henrique, terceiro filho de Dom João I, se tornou Grão-Mestre da Ordem, em 1416, a Organização encontrou apoio para colocar em prática um antigo e ousado projeto: contornar a África e chegar à Índia, ligando o Ocidente ao Oriente sem a intermediação dos muçulmanos, que então controlavam os caminhos por terra. Dom Henrique assumiu o cargo de governador do Algarve. Dividia seu tempo entre a Ordem de Cristo e o Porto (ou Vila) de Lagos.

Ao retornar à Portugal, na primavera de 1419, após combater os mouros na cidade de Ceuta, dom Henrique teria decidido abandonar as "futilidades da corte" e se instalar na ponta de Sagres. Dom Henrique era uma figura imponente, obcecado, teimoso, celibatário e asceta, permanentemente envolto em um manto negro.

O próprio local que o infante supostamente escolheu para viver já era pleno de simbolismo e magia. O antigo "promontório sacro" de gregos e romanos – chamado de Sagres pelos lusos - fora batizado pelo geógrafo grego Ptolomeu. Era a parte final da Europa: um lugar desértico, de beleza trágica, onde a terra se despede num cabo nu e pedregoso, para mergulhar no oceano temível e repleto de mistérios. Não por acaso, Sagres tinha sido ocupado por um templo de druidas, os sacerdotes celtas.

Ainda assim, não foi na ponta de Sagres, mas na Vila de Lagos, acerca de 30 km a leste dali, que Dom Henrique de fato se instalou, quando seu pai, o rei Dom João I, o fez governador daquela região, conhecida como Algarve, ou El-Ghard, a Terra do Poente, outrora o Ocidente árabe.

Foi aí, que em 1420, Dom João I, fez do Infante o administrador da Ordem dos Cavaleiros de Cristo, originária da antiga Ordem dos Templários .

Algarve era a base naval e uma corte aberta: vinham viajantes de todo o Mundo, com todo tipo de informações, tão importantes naquela época. Foram atraídos para lá, sábios, cartógrafos, astrônomos e astrólogos – especialmente Judeus que, desde meados do século XIV, fugiam das perseguições que se desencadeavam na Espanha. Afirma-se hoje que, o Porto (ou Vila) de Lagos, localizada em uma ampla baía, possível de se zarpar, liderada pelo infante, foi que comandou a expansão marítima do século XV. Ali foi fundada a Escola de Sagres – que, na verdade, existiu apenas no sentido filosófico da palavra, já que

nunca houve um espaço físico, um centro de estudos, e muito menos um observatório, na Ponta de Sagres.

Tinham passado cem anos sobre a condenação dos Templários nos processos de Paris, e o Vaticano estava preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que aumentara muito no século XIV. Com isso, em 1418, o Infante consegue o aval do papa ao projeto expansionista. Num século, os papas emitiram onze bulas privilegiando a Ordem com monopólios da navegação para a África, posses de terras, isenção de impostos eclesiásticos e autonomia para organizar a ação da Igreja nos locais a descobrir.

 

Vá. Alfério Di Giaimo Neto.

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