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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Decálogo da Maçonaria

 

Para este ano de 2013 que começa hoje, após a não ocorrência do "fim do mundo" em 21/12/2012, nada melhor do que algumas lições (mandamentos) de moral, ética e boa conduta, servindo para Maçons ou profanos.


Este Decálogo foi extraído de livros de origem inglesa, que, por sua vez, aparentemente, devem ter se baseado nos "Dez Mandamentos" da Bíblia, quanto ao número e forma, porém, na verdade, são bem mais do que "10 lições".


Coincidentemente, no dia 29/12/2012 o Ir.V.A Anibal da ARLS Cavaleiros Templários, lançou um texto na Internet com este assunto, bem mais longo que esta Pílula, extraído do livro "Moral e Dogma" de Albert Pike, americano. Não sei dizer se os autores ingleses se basearam em Albert Pike, ou vice versa. Obviamente, devido traduções por pessoas diferentes, em épocas diferentes, as palavras são diferentes mas o sentido é o mesmo.


I – Deus é a sabedoria eterna, onipotente e imutável, suprema inteligência e inextinguível amor. Deves adorá-Lo, reverenciá-Lo e amá-Lo. Praticando as virtudes, muito O honrarás.


II – Tua religião consistirá em fazer o bem, por ser um prazer para ti e não unicamente um dever. Constitui-te em amigo do homem sábio e obedece aos seus preceitos. Tua alma é imortal, nada farás que a desagrade.


III – Combaterás, incessantemente, todos os vícios. Não farás a outrem o que não queres que te façam. Deverás ser prudente com a Fortuna e conservar sempre vivo o fogo da Prudência e da Sabedoria.


IV – Honrarás a teus pais, respeitarás e tributarás homenagens aos anciãos de vida passada ilibada. Instruirás e orientarás os jovens.


V – Honrarás tua mulher e filhos. Amarás tua pátria e obedecerás suas leis.


VI – Teu amigo será, para ti, tua própria imagem. O infortúnio não te afastará de seu lado. E farás, por sua memória, o que farias por ele em vida.


VII – Evitarás e fugirás de amigos falsos, assim como, quanto possível, dos excessos da vida. Temerás ser a causa de uma mancha em tua memória.


VIII – Não permitirás que as paixões te dominem. Obterás, das paixões dos demais, lições de proveito para ti mesmo. Serás indulgente com o erro, mas não permissivo em excesso..


IX – Ouvirás muito, falarás pouco e trabalharás bastante. Olvidarás as injúrias, darás o bem em troca do mal, não abusarás de tua força ou superioridade.


X – Estudarás o conhecimento dos homens. Buscarás sempre as virtudes. Serás justo. Evitarás a ociosidade.


 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Justiça Brasília de Minas - Que isso hem?


Rituais De Molay

Jovens discretos que se reúnem em templos maçônicos, se vestem com capas e ternos negros, reconhecem-se por sinais e praticam rituais secretos. Afinal, quem são eles?


A Ordem DeMolay é uma organização ritualística, secreta e juvenil, patrocinada pela Maçonaria e voltada a jovens do sexo masculino de 12 a 21 anos de idade. O aperfeiçoamento moral e intelectual vem por meio de estudos, palestras e da realização de cerimônias ritualísticas, dando a oportunidade do jovem ouvir e ser ouvido.
Toda reunião da Ordem é iniciada com a lembrança de sete virtudes cardeais e indispensáveis para a formação do "verdadeiro DeMolay". São elas: amor filial, reverência pelas coisas sagradas, cortesia, companheirismo, fidelidade, pureza e patriotismo.


A Ordem é dividida em graus. O primeiro deles, denominado de grau iniciático, possui um cunho de aprendizado e é conferido ao candidato que ingressa na sociedade. O estágio seguinte é chamado de Grau DeMolay, somente dado aos jovens que absorveram os ensinamentos do grau um. É um grau que atribui maior responsabilidade do jovem para com a organização.


Essa sociedade foi criada pelo maçom Frank S. Land nos Estados Unidos, no ano de 1919, e trazida para o Brasil pelo maçom Alberto Mansur no ano de 1980, com a fundação do primeiro Capítulo na cidade do Rio de Janeiro. A organização vem crescendo de forma avassaladora no Brasil desde a década de 80. Atualmente todos os estados do Brasil possuem um ou mais capítulos DeMolay.


Para Renato Vicente, acadêmico de Direito e que entrou para a Ordem aos 15 anos de idade, "a filantropia e o ajudar o próximo sem precisar se identificar" foi um dos pontos que lhe chamaram a atenção. "Para fazer parte precisamos ser indicados por alguém", explica ele, "após essa indicação recebemos uma visita em casa, para apresentar a Ordem e conversar com os pais. Em seguida, meu comportamento foi avaliado e comecei a fazer parte das reuniões". Aos 24 anos, Vicente é hoje DeMolay sênior, Maçom e Grande Secretário Estadual Adjunto do Grande Conselho Estadual nº 01. Conforme ele, em Rio Grande já foram iniciados cerca de 150 jovens e que em cada reunião participam cerca de 20 membros. Vicente já foi Mestre Conselheiro, Mestre Conselheiro Regional, Membro do Conselho do Capítulo de Rio Grande e Lorde, além dos cargos que hoje ocupa.


Ao atingir a idade de 17 anos, o DeMolay pode ser sagrado cavaleiro. A Ordem da Cavalaria é uma organização que atua paralelamente ao Capítulo e seus membros reúnem-se em conventos de nobres cavaleiros. A Ordem da Cavalaria também possui dois graus: o Grau de Cavaleiro e o Grau do Ébano. Ao completar 21 anos, o DeMolay torna-se Sênior DeMolay, e passa a atuar nos Colégios Alumni, onde apenas seniores DeMolays participam.

Hierarquia organizacional

Cada capítulo possui um Conselho Consultivo, formado por maçons e seniores DeMolays. A função desse conselho é a de fiscalizar e aconselhar os rapazes em suas tarefas. Para que cada capítulo possa funcionar é necessário o patrocínio de um corpo maçônico.


A Ordem DeMolay possui uma hierarquia organizacional, tendo como órgão máximo o Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay, com sede em Kansas, Missouri, nos EUA. Este órgão possui função judiciária e legislativa de nível internacional. Cabe a ele a autorização para fundação da Ordem em outros países. No Brasil, existe o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil, com sede em Brasília, o qual possui as mesmas competências do internacional, em nível nacional. Em cada estado da federação existe um Grande Conselho que possui autonomia relativa sobre os Capítulos de sua jurisdição. O Grande Conselho não possui sede fixa; a cada troca de gestão é firmada a sede na cidade de residência do Grande Mestre Estadual.


A Ordem DeMolay é uma organização dedicada a preparar os jovens a levar uma vida mais próspera, feliz e produtiva, sob o aconselhamento de maçons. Liderança, cidadania consciente, responsabilidade e desenvolvimento do caráter são aprendidos através de uma variedade de caminhos, um mundo real de aplicações e atividades. Ser DeMolay é sinônimo da construção de confiança, ensinamentos de responsabilidade, cooperação e serviço comunitário, além de fortalecer o respeito, o companheirismo, o patriotismo, a reverência e a compaixão.

Orientação aos inexperientes

Após atingir os 21 anos, o jovem não ocupa mais cargo no Capítulo, mas pode continuar participando das reuniões, bem como orientar os jovens. O administrador e coordenador de estágios Jardson Pires, 26, é natural da cidade de Cáceres (MT) e tem nove anos de Ordem. Conta que foi iniciado no capítulo Alexandre Carlos Pierre nº 308 de sua cidade natal, porém vindo para Rio Grande a estudo, procurou saber se aqui existia a Ordem para, assim, continuar a fazer parte das reuniões.
"Assim que cheguei em Rio Grande liguei para o Conselho de Brasília, que encaminhou-me para a Ordem daqui. Fui superbem recebido, e isso me encanta. Toda minha vida dentro da Ordem foi praticamente construída aqui na cidade, onde por sinal já fui também Mestre Conselheiro", completa ele, que hoje ostenta o Grau do Ébano.

Uma década de boas ações

Em Rio Grande, as atividades da Ordem começaram em meados de 1996, quando alguns jovens rio-grandinos foram iniciados no Capítulo Pelotas nº 03 graças ao esforço de alguns maçons que sempre foram entusiastas dessa sociedade. Dois anos depois, mais de 25 jovens rio-grandinos já haviam sido iniciados na Ordem DeMolay. E então oPelotas nº 03 pôde, nas dependências da Loja Simbólica União Constante, proferir a Cerimônia Magna de Instalação do Capítulo Rio Grande Nº 354 da Ordem DeMolay para o Brasil.


A partir desta data, a unidade rio-grandina não parou mais de se desenvolver - hoje ela é reconhecida na comunidade atuando nos meios sociais e ajudando a um número cada vez maior de jovens a levar uma vida de moral e limpidez.


No dia 1º de agosto, o Capítulo Rio Grande comemora seus dez anos de fundação. Durante essa década, quase 200 jovens rio-grandinos e de outras cidades formaram o quadro do Capítulo, sempre buscando na caridade e humildade o seu aperfeiçoamento como adultos. Atualmente a administração estadual da Ordem encontra-se concentrada nos membros do Capítulo Rio Grande Nº 354, tendo o Grande Mestre Estadual, e parte de sua administração, composta por DeMolays da cidade, bem como o Mestre Conselheiro Estadual e o Presidente da Associação Alumni do RS.


"Quando um jovem entra na Ordem DeMolay por curiosidade, já começa errado", declara o bageense Vitor Mendes Magalhães, 22. O analista de sistemas conta que foi indicado em sua cidade natal, porém iniciou em Rio Grande, onde veio estudar. Há quatro anos na Ordem, ele explica que os maçons são considerados "tios" do jovem DeMolay, pois são eles os responsáveis por emprestar a casa maçônica para o encontro dos jovens, como também toda a ajuda financeira. "O que mais me chama atenção em ser DeMolay são a fraternidade e a filantropia que vivemos e presenciamos. Somos irmãos e nos tratamos como tal, e isso é extremamente importante, pois gera respeito e admiração pelo próximo", conta ele, que também é maçom.

As reuniões acontecem na Loja Maçônica Acácia Rio-grandense, uma das patrocinadoras da Ordem e localizada na rua Conde de Porto Alegre.

Membros ilustres

A Ordem DeMolay destaca-se por ser a segunda maior organização juvenil do mundo, ficando atrás apenas dos escoteiros. O nome DeMolay provém do último Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários, chamado Jacques DeMolay, que nasceu em Vitrey, Condado de Haute-Saône, França no ano de 1244. Aos 21 anos, DeMolay juntou-se à Ordem dos Cavaleiros Templários e no ano de 1298 tornou-se Grão Mestre da Ordem do Templo, posto que o colocava acima do rei francês.

A Associação de Seniores DeMolay, chamada de Alumni, inclui membros como Walt Disney, Bill Clinton e muitos outros. No Brasil, a sociedade também já produziu diversos líderes se destacando, como líderes políticos, comunitários, empresários e atletas - todos eles falam eloqüentemente do benefício do seu envolvimento com a organização.

Daiane Roldão

fonte: http://edicoesanteriores.jornalagora.com.br/site/index.php?caderno=51&noticia=51227

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Coluna Partida

Coluna Partida

 

Está sendo comum encontrar, nas casas especializadas em Símbolos e Paramentos Maçônicos, uma pequena coluna partida, com as partes envolvidas adjacentes, com altura aproximada de 20 cm.


E qual é o significado simbólico dessa Coluna Partida?


Essa pergunta me foi feita, anos atrás, por um colega e Irmão de São Caetano do Sul, da GLESP. Eu não sabia, e quando não se sabe, fazemos pesquisa. O resultado disso mostrou que quando um Irmão vai para o Oriente Eterno, ele que era considerado, simbolicamente, uma das "colunas" de sua Loja, não mais tem essa função, e esse fato é representado pela "Coluna Partida".


Pesquisei Mestres e livros da Nova Zelândia e Austrália, que seguem as diretrizes da GLUI, e isso me foi revelado. Tanto é verdade que, nesses países, quando um Maçom morre, a viúva recebe um pequeno broche de ouro, no formato de uma Coluna Partida ofertado pelos Irmãos da Loja na qual ele era Obreiro.


Na maçonaria brasileira é um pouco diferente. Aqui, aparentemente, vale a lei: "cada cabeça uma sentença".


Nos EUA segue o que é feito nos países acima citados. Para confirmar, vejam o trecho extraído da Enciclopédia do grande escritor americano, Mackey, que não necessita a mínima apresentação, que mostra a analogia de uma passagem do Livro Sagrado com a Maçonaria:


Entre os Hebreus, as colunas ou pilares, eram usados metaforicamente para significar príncipes ou nobres, como se eles fossem os pilares do Estado. Então, na passagem traduzida, temos: "Se as fundações forem destruídas o que pode o homem honrado fazer quando as colunas estão destruídas?" que é, quando os firmes suportes do que é direito e bom tenham se rompido.


Também em Isaias (XIX,10), pode ser lido: "suas colunas (do Egito) estão quebradas," que são, os nobres de seu Estado.


Na Maçonaria, a coluna quebrada é, como todo Mestre bem sabe, o emblema da falta de um dos suportes principais da Ordem. O uso de colunas ou pilares como um monumento ereto sobre a sepultura era um antigo costume, muito comum, e era um símbolo muito significativo do caráter e espírito da pessoa enterrada. Isto foi creditado, mas não se tem certeza, a Jeremias L. Cross que foi o primeiro a introduzir a Coluna Quebrada nas cerimônias. (Mackey's revised Encyclopédia of Freemasonry – Vol I, pg 155).

 

 

M. '. I. '.  Alfério Di Giaimo Neto

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Dia do Maçom (Brasil) - 20 de Agosto

 

Como é do conhecimento de todos, nessa data nós comemoramos o Dia do Maçom, aqui no Brasil. Tal evento já está consagrado, devendo ser obedecido e festejado com todo entusiasmo.


O esclarecimento que segue a seguir, foi baseado nos livros e pesquisas do insubstituível Mestre José Castellani (que na época era Grande Secretário de Educ. e Cultura do GOB): o que poucos sabem é que essa data foi erradamente escolhida por pseudo-historiadores maçônicos, que talvez, na pressa de lançar um comunicado, ou pelo hábito de não se certificarem da veracidade da informação, ou mais propriamente, na ânsia de mostrar que a Maçonaria faz e fez tudo, cometeram uma gafe histórica. O que aconteceu foi que na 14ª reunião (Loja) do Grande Oriente do Brasil, naquele tempo, chamado Grande Oriente Brasílico, tendo como Venerável o Ir.:Joaquim Gonçalves Ledo teve, na abertura da Ata, o seguinte: "dia 20 (vigésimo dia) do sexto mês de 5822".

O ano nós sabemos ser de 1822, pois basta no caso, tirar 4000 para passarmos da era da V.: L.: para a E.:V.: 


Quanto ao mês, também, não há problema, pois sabemos que o calendário maçônico começa em março.


Do que não se aperceberam, foi que, naquela época o Rito praticado era o Adonhiramita, que segue, muito próximo, o calendário religioso hebraico, sendo que o primeiro dia do mês é o dia 21.


Isso é que não foi levado em conta, pois se fizermos as contas (vamos fazer: do dia 21 de agosto até o dia 31 são 11 dias. Com mais 9 dias, para completar o vigésimo dia, cai no dia 09 de setembro) veremos que a data em que teve essa Loja foi em 09 de setembro de 1822. 


Tanto é verdade, que no Boletim Oficial do GOB, em 1874, reproduz essa Ata com a data de 09 de setembro de 1822.


Inclusive, nessa Ata, Ir.: Ledo, ressaltava a importância do evento acontecido em 07 de setembro, quando D.Pedro, proclamou nossa independência (lembrem-se que eles estavam no Rio de Janeiro, e a Independência ocorreu em São Paulo, e o meio de transporte era o cavalo ou mula).


Como ele não menciona datas na Ata, somente a do dia da mesma, e como abriu debates sobre o ocorrido, com a intenção de deixar bem claro, a quem quer que fosse, que a separação de Portugal, era no momento a melhor alternativa, esses historiadores mais afoitos, concluíram que se a data era 20 de agosto (erradamente, repito), a Independência do Brasil tinha sido definida em Loja sendo que o "Grito do Ipiranga" foi somente uma confirmação do já estava pré determinado. 


Pessoas influentes da Maçonaria, acreditando nesse erro, achando que essa data era especial, proclamaram-na como sendo a do Dia do Maçom. Escrever que D.Pedro recebeu uma carta, antes da proclamação da Independência na qual citava que a Maçonaria estava dando respaldo ao ato, é chutar o balde de leite...com os dois pés.


Hoje é do conhecimento de todos (é só ir procurar nos arquivos da Biblioteca do GOB) que na data de 20 de agosto de 1822 o Grande Oriente Brasílico, não tinha se reunido para abertura de Loja, muito menos para "Sessão Extraordinária".

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

ABS Brake - How it works



Here is a simple explanation of how an ABS Brake works!

Uma explicação simples de como funciona o freio ABS, que não deixa travar as rodas!

Reto Escocês Retificado

Considerado por uns como uma maçonaria elitista – uma super-maçonaria ou uma maçonaria dentro da maçonaria – e visto por outros como um desvio – uma para-maçonaria, uma maçonaria marginal ou até mesmo uma "falsa maçonaria" – o Regime Escocês Retificado, criado por Jean Baptiste Willermoz na segunda metade do século XVIII, coloca aos membros da ordem, assim como aos "maçonólogos" que o observam de fora, um enigma, tanto em razão das suas origens quanto dos seus usos e, dos seus ensinamentos.

Sabemos que, como a Vida, única em suas fontes essenciais, e múltipla em suas manifestações substanciais, a Ordem dos Franco-maçons, UNA em seu projeto fundamental de erigir a Cidade Ideal onde reinariam o Espírito e o Amor Universal, se fragmenta exteriormente num elenco de ritos cuja diversidade, fonte de indiscutível enriquecimento, inscreve-se grosseiramente nas heranças históricas e culturais dos membros que os praticam. Sem esta diversidade de formas e usos pode-se apostar que a franco-maçonaria não teria atravessado vitoriosamente três séculos de história no curso dos quais não lhe foram poupados golpes e provações tanto internos – conventos tempestuosos, cismas… – quanto externos – anátemas pontificais, hostilidade latente dos meios ditos racionalistas. Irmãos mantenham-se à direita, irmãos, mantenham-se à esquerda…

Cada rito maçônico apóia-se numa corrente inicática, que ele exprime com maior ou menor sucesso e maior ou menor coerência no tortuoso dédalo dos graus sucessivos, cujos número é variável, e que se repartem em classes (Lojas, capítulos, etc.) distinguidos por cores extraídas da simbólica alquímica: azul, verde, vermelho, branco. Os três primeiros graus, os graus azuis, constituem a passagem inicial comum a todos os ritos.

Quando de sua elevação ao terceiro grau, o novo Mestre Maçom aprende que a "PALAVRA" foi perdida. É, tradicionalmente, a consequência infeliz do assassinato do Arquiteto Hiram Abif por três maus companheiros. Se, como defendem alguns, como Ragon, o curso maçônico deveria limitar-se aos três graus azuis – aprendiz, companheiro e mestre – constataríamos que os maçons experimentariam um sentimento de frustração em sua fome, sendo a vocação dos graus superiores justamente a de reaver a verdadeira PALAVRA que (de que serviria saturar-se de perífrases evasivas?) foi trazida de volta e revelada pelo Cristo àqueles que têm ouvidos para ouvir.

Em nome de um humanismo mal compreendido e mal digerido, a quase unanimidade dos maçons se empenha em complicar – ocorreu um processo de valorização neste sentido – o que é no entanto muito simples: Hiram morreu levando consigo a PALAVRA para o fundo de sua sepultura; Cristo ressuscitou para nos devolver a PALAVRA (os gnósticos em seu tempo não se equivocaram ao associar o Cristo ao Logos) e nos restabelecer em nossa dignidade prístina, a de antes da prevaricação do Anjo. Neste ponto, o Regime Escocês Retificado, fundamentado na corrente iluminista do século XVIII, é o mais esclarecedor. O quarto grau, o de Mestre Escocês de Santo André, fundamenta-se no pensamento filosófico de Martinez de Pasqually e de Louis-Claude de Saint-Martin. Ele dá ao HOMEM DE DESEJO as chaves da REINTEGRAÇÂO, e depois do parêntese capitular de Escudeiro Noviço e de Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa, este ensinamento fundamental, este núcleo da Tradição será continuado e aprofundado nas classes da Profissão e da Grande Profissão.

Assim, o Regime Escocês Retificado representa o Centro de União de todos aqueles que reivindicam o Cristianismo em pureza filosófica, de todos aqueles que compreenderam que o Cristianismo é o ponto culminante da tradição ocidental, que ele é o "verdadeiro humanismo espiritual" que a Franco-maçonaria "filosofal", assim como o martinismo, avatares modernos da espiritualidade eterna, veicularam até os nossos dias.
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Esta matéria foi publicada originalmente em L'Initiation no Nº 4 de 1985.
Fonte: Revista L'Initiation no Nº 1 – Abril-Junho de 2001

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Livro da Lei

A Grande Loja Unida da Inglaterra, em 04 de setembro de 1929, lançou, e foi aprovado pela Franco Maçonaria universal, os "Princípios de Base" para o reconhecimento de regularidade de uma Grande Loja ou um Grande Oriente:


Art. 06: - As três grandes Luzes da Franco Maçonaria, o Livro da Lei Santa, o Esquadro e o Compasso, ficarão sempre expostos quando dos trabalhos da Loja.


A mais importante das três é o Livro da Lei Santa (The Volume of Sacred Law).


Nos países da Europa, da América, da Oceania, o L.L.S. usado é a Santa Bíblia, pois ela é o Livro Sagrado da grande maioria.


Vou tecer mais algumas considerações, extraídas de livros neo-zelandeses, devido ligação íntima que eles tem com a Grande Loja Unida da Inglaterra.


A Maçonaria é uma disciplina não um credo.


 Ela assume, entretanto a existência de um Criador mas não faz nenhum esforço para explicar essa Divindade e nem enumera, nem define Seus atributos divinos. Ela permite a liberdade a seus obreiros que tenham seus próprios pontos de vista sobre a essa questão.


Similarmente, a Maçonaria aceita a Bíblia, ou outro Livro da Lei Sagrado, como um aceitável guia da Fé. Além do mais, a Maçonaria não faz nenhum esforço para interpretar as escrituras ou questionar ou responder seu conteúdo, suas origens, história e seus textos.


A Maçonaria toma a posição de que a Bíblia, por exemplo, contém, por si só, evidências de crenças para dirigir e guiar todos aqueles que regulam suas vidas pela Luz de seus ensinamentos. Para nós, Maçons, esse propósito e prática de moral, nada mais é necessário.


Se um Irmão quer aconselhamentos mais profundos, tais como as interpretações dos textos e de seus ensinamentos, deverá consultar um padre, ou pastor ou semelhante, da sua própria Igreja ou Culto Religioso.


A Maçonaria não é um substituto da igreja, seja ela qual for.

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Trono de Salomão

Denomina-se de Cadeira de Salomão a cadeira onde toma assento o Venerável Mestre da Loja quando a dirige em sessão ritual.

Em si, não tem nada de especial. É uma peça de mobiliário como outra qualquer. É como qualquer outra cadeira. Porventura (mas não necessariamente) um pouco mais elaborada, com apoio de braços, com maior riqueza na decoração, com mais cuidado nos acabamentos. Ou não...

Como quase tudo em maçonaria, a Cadeira de Salomão tem um valor essencialmente simbólico. Integra, conjuntamente, com o malhete de Venerável e a Espada Flamejante (esta apenas nos ritos que a usam), o conjunto de artefatos que simbolizam o Poder numa Loja maçónica. Ninguém, senão o Venerável Mestre, usa o malhete respetivo. Ninguém, senão ele, utiliza a Espada Flamejante. Só ele se senta na Cadeira de Salomão.

A Cadeira de Salomão destina-se, pois, tal como os outros dois artefatos referidos, a ser exclusivamente utilizada pelo detentor do Poder na Loja. Assim sendo, importante e significativo é o nome que lhe é atribuído. Não se lhe chama a Cadeira de César ou o Trono de Alexandre. Sendo um atributo do Poder, não se distingue pelo Poder. Antes se lhe atribui o nome do personagem que personifica a Sabedoria, a Prudência, a Justa Sageza. Ao fazê-lo, está-se a indiciar que, em Maçonaria, o Poder, sempre transitório, afinal ilusório, sobretudo mais responsabilidade que imperiosidade, só faz sentido, só é aceite, e portanto só é efetivo e eficaz se exercido com a Sabedoria e a Prudência que se atribui ao rei bíblico.

Quem se senta naquela cadeira dispõe, no momento, do poder de dirigir, de decidir, de escolher o que e como se fará na Loja. Mas, em maçonaria, se é regra de ouro que não se contraria a decisão do Venerável Mestre, porque tal compromisso se assumiu repetidamente, também é regra de platina que, sendo-se livre, não se é nunca obrigado a fazer aquilo com que se não concorda. O Poder do Venerável Mestre é indisputado. Mas, para ser seguido, tem de merecer a concordância daqueles a quem é dirigido. E esta só se obtém se as decisões tomadas forem justas, forem ponderadas, forem prudentes. O Poder em maçonaria vale o valor intrínseco de cada decisão. Nem mais, nem menos.

A Cadeira de Salomão é pois o lugar destinado ao exercício do Poder em Loja, com Sabedoria e Prudência. Sempre com a noção de que não é dono de qualquer Poder, que só se detém (e transitoriamente) o Poder que os nossos Irmãos em nós delegaram, confiando em que bem o exerceríamos.

Não está escrito em nenhum lado, não há nenhuma razão aparente para que assim tenha de ser. Mas quase todos os que se sentaram na Cadeira de Salomão sentem que esta os transformou. Para melhor. Não porque esta Cadeira tenha algo de especial ou qualquer mágico poder. 

Porque a responsabilidade do ofício, o receber-se a confiança dos nossos Irmãos para os dirigirmos, para tomar as decisões que considerarmos melhores, pela melhor forma possível, por vezes após pronúncia dos Mestres da Loja em reunião formal, outras após ter ouvido conselho de uns quantos, outras ainda em solitária assunção do ónus, transforma quem assumiu essa responsabilidade. 

A confiança que no Venerável Mestre é depositada pelos demais é por este paga com o máximo de responsabilidade. Muito depressa se aprende que o Poder nada vale comparado com o Dever que o acompanha. Que aquele só tem sentido e só é útil e é meritório se for tributário deste.

A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na Cadeira de Salomão não lhe permite distinguir se é confortável ou não. Não é apta a que sinta que se encontra num plano superior ou central ou especial em relação aos demais. A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na Cadeira de Salomão vê todos os rostos virados para ele. Aguardando a sua palavra. Correspondendo a ela, se ela for adequada. Calmamente aguardando por correção, se e quando a palavra escolhida não for adequada. A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na Cadeira de Salomão fá-lo instantaneamente compreender que está ali sentado... sem rede!

E depois faz o seu trabalho. E normalmente faz o seu trabalho como deve ser feito, como viu outros antes dele fazê-lo e como muitos outros depois dele o farão. E então compreende que não precisa de rede para nada. Que o interesse é precisamente não ter rede...

Quem se senta na Cadeira de Salomão aprende a fazer a tarefa mais complicada que existe: dirigir iguais!

Fonte: A Partir Pedra

Terceiro Grau nas Lojas Simbólicas

 

Depois de alguns anos na Maçonaria, começa a formar no pensamento do Maçom interessado, a dúvida se na época dos Maçons Operativos, existiam, ou não, os três Graus existentes hoje na Especulativa.


Vou tecer alguns comentários sobre esse assunto, fruto de pesquisa realizada em livros editados na Inglaterra e Nova Zelândia.


É aceito, de modo geral, entre todos os historiadores maçônicos, idôneos, que em 1717, na Inglaterra havia somente dois Graus:


- Aprendizes (Entered Apprentice)

- Companheiros (Fellow Craft)


Não havia o Grau de Mestre. O que era assim chamado, na Operativa, era o chefe, o mais experiente, dos demais e que era o responsável pela obra.

Entre 1717 e 1730, na Especulativa, houve uma divisão, um arranjo, entre os dois graus existentes, dando origem a três graus. No livro "Short History of Freemasonry – 1730" de Knoop e Jones, é dito que, de modo muito provável, o conteúdo do Primeiro Grau se dividiu, formando um novo Primeiro Grau e um novo Segundo Grau.


O Segundo Grau antigo se transformou no Terceiro Grau – o Grau de Mestre Maçom, que antes não existia. Esses dois renomados pesquisadores acham que isso deve ter ocorrido após 1723, pois não foi citado nas Constituições de Anderson, e antes de 1730, pois no livro "Masonry Dissected" de Samuel Prichard foi mencionado a existência desses três Graus.


A formação da Grande Loja da Inglaterra em 1717 teve, em seguida, muitas mudanças na ritualística sendo, aparentemente, finalizadas em1813 com a formação da Grande Loja Unida da Inglaterra (ver Pílula nº 56) Pesquisas indicam que no começo somente a Grande Loja formada em 1717 podia conferir esse Terceiro Grau – de Mestre Maçom – para as Lojas. Entretanto, muitas Lojas foram adicionadas às quatro primeiras e isso se tornou impraticável. Depois de alguns anos, todas as Lojas conferiam o Grau de Mestre aos obreiros merecedores. 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

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