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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Conto: Rotas (13 - A Morte)


A Morte

Parou para dormitar em um campo recentemente arado e encostando-se em
uma moita, finalmente dormiu.

Seus sonhos a princípio não foram diferentes daqueles que sonhara até
então, mas eis que de repente, entremeado de gritos e vociferações,
seu sonho assume um caráter nunca antes visto, um caráter desesperador
e sombrio.

Em meio aos gritos de socorro das vítimas, via ele um esqueleto
arando aquele mesmo campo onde estava dormindo, mas olhando
atentamente, viu que aquela figura sombria não arava, e sim, podava.

Usava um alfange enorme, e podando as cabeças e membros das vítimas,
ia espalhando-os pelo solo amarronzado e estéril.

Membros e cabeças jaziam dispersos pelo chão, enquanto podia-se notar
o ricto de sorriso estampado na face do esqueleto - sim, ele gostava
daquilo.

Mas num descuido, o esqueleto podou um próprio pé, mas nada o tirou
de ceifar mais e mais vidas naquela cena dantesca.

Estertorando, o Louco acordou desesperado, o suor empapando suas
rotas roupas e voltando a si, com o sol já despontando no horizonte,
pegou seu bornal e novamente partiu.

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