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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Sob Malhete

 

No R.E.A.A , quando o Saco de Propostas e Informações faz o seu giro, compete ao Venerável Mestre ler todas as peças recolhidas pelo mesmo, dando-lhes o destino devido. Entretanto, ler, não significa que, naquele momento, passe todas as informações para a Loja. Não há a necessidade de dar a devida publicidade de todo o conteúdo recolhido do Saco de Propostas.


O Venerável Mestre, obedecendo ao seu exclusivo critério pessoal, poderá deixar ler aos demais Obreiros, apesar de tê-lo feito para si, alguma Prancha, ou Proposta, caso ela exija um exame mais demorado, para depois ser apresentada à Loja.


Neste caso, a proposta, ou Prancha, é deixada SOB MALHETE.


Há, todavia, um prazo regulamentar, para que o Venerável Mestre dê conhecimento da Prancha que não foi lida - geralmente, DUAS SESSÕES. (Castellani). 


[Nota do Blog: E alguns veneráveis acabam por resolver o problema às escuras, como se "sob malhete" fosse um recurso para ocultar algo que não deveria vir à tona.]


Sob Malhete – e não "sobre" Malhete – é exatamente isso: adiar a leitura de uma Proposta, ou Prancha.


É dito que ela ficou "sob Malhete", porque é como se ficasse presa, provisoriamente, sob o Malhete do Venerável Mestre.

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Agnosticismo

 

Segundo dicionário "Aurélio" o agnosticismo é a "posição metodológica pela qual só se aceita como objetivamente verdadeira uma proposição que tenha evidência lógica satisfatória".


O "agnóstico" é, portanto, a pessoa que aceita ou representa qualquer forma de Agnosticismo, descrito acima.


Especificando, na Teologia, o agnosticismo designa a dúvida sobre a possibilidade de obter conhecimento, através de dogmas, a respeito de Deus. Não contesta a Sua existência, pois a evidência é lógica, mas não considera, principalmente, as Revelações, Dogmas, etc.


E de onde surgiu esse nome "agnóstico"?


Vamos citar um trecho do Trabalho do Mestre Frederico Guilherme Costa – do livro Questões Controvertidas da Arte Real" – Trolha.


Em uma das reuniões da Sociedade da Metafísica, em 1869, Thomas Henry Huxley, jovem biólogo e grande defensor da teoria da evolução das espécies de Darwin, instado a esclarecer sua sede filosófica, declarou:


"quando cheguei à maturidade intelectual, e comecei a perguntar-me se era ateu, teísta ou panteísta, materialista ou idealista, cristão ou livre-pensador, percebi que quanto mais aprendia e refletia menos fácil era a resposta, até que por fim cheguei à conclusão de que nada tinha a ver com nenhuma dessas definições, com exceção da última. A única coisa em que todas essas excelentes pessoas estavam de acordo era a única coisa em que eu discordava delas. Estavam bastante seguras de que tinham atingido uma certa"gnose" – haviam, com maior ou menor sucesso, resolvido o problema da existência, enquanto eu estava bastante seguro do contrário, e possuía uma convicção razoavelmente forte de que o problema era insolúvel. E, com Hume e Kant ao meu lado, não podia considerar-me presunçoso por aferrar-me a essa opinião.


Portanto, meditei e inventei o que parece ser um rótulo adequado: "AGNÓSTICO". Pensei nele como uma antítese sugestiva dos "GNÓSTICOS" da história da Igreja, que professavam conhecer coisas em que eu era ignorante, e utilizei a primeira oportunidade de apresentá-la à nossa sociedade (...). para minha grande satisfação, o termo pegou".


Seis anos mais tarde será a vez de Darwin, em sua Biografia, declarar-se agnóstico. "O mistério de todas as coisas é insolúvel para mim, contento-me em permanecer agnóstico". (F.G.Costa)


Essa expressão é contemporânea da reforma de 1877, promovida pelo Grande Oriente da França, onde não pretendeu afirmar de que não há um Deus, mas que não sabe se Ele existe ou não. (F.G.Costa)

 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Gnosticismo

 

Segundo dicionário "Aurélio" a palavra "gnose" vem do grego "gnosis" e é traduzida como "conhecimento, sabedoria".


Em tradução livre do "Dicionário da Francomaçonaria" de Robert Macoy, temos: O nome "Gnosticismo", derivada dessa palavra acima, foi assumido por uma seita filosófica a qual procurou unir as noções místicas do Leste europeu com as idéias dos filósofos gregos, juntamente com ensinamentos do Cristianismo. O sistema tem características que mostram conclusivamente que era um desenvolvimento da antiga doutrina dos Persas e dos Caldeus.


De acordo com os gnósticos, Deus, a mais alta inteligência, habita a plenitude da Luz, e é a fonte de todo o bem. A matéria crua, massa caótica da qual todas as coisas foram feitas, é igual a Deus, eterna, e é a fonte de todo o mal. Percebe-se, nessa definição um "Dualismo", declarado.


Nicola Aslan, no seu "Grande Dicionário Enciclopédico" nos relata:


É um sistema de filosofia, cujos partidários pretendiam ter um conhecimento sublime da natureza e atributos de Deus. Os "gnósticos" eram platônicos degenerados, mas eruditos, que a Igreja combateu tenazmente, o que contribuiu para torná-los conhecidos, e de certa maneira, pára incentivá-los.


Os "gnósticos" fizeram sua aparição desde o século II d.C. A "Gnose" ou "Gnosticismo" era o conjunto de conhecimentos por tradição, e que escapa aos processos ordinários de instrução, por isso os "gnósticos" formavam uma sociedade secreta e não ensinavam senão aos seus membros o esoterismo, inteiramente desconhecido dos profanos (N. Aslan).  Desse modo, os gnósticos, segundo eles, detinham uma "ciência" secreta. O clero da Igreja Católica, devido o charlatanismo da maioria de seus membros, esclarecia seus fiéis e destruía, sempre que possível, suas obras.


Como muitos dos Símbolos, muito antigos, usados pela Maçonaria, eram os mesmos usados na simbologia gnóstica, tais como o triangulo, o triangulo com um círculo, o Selo de Salomão, etc, a antimaçonaria, sempre presente, acusava ser a Maçonaria um prolongamento do Gnosticismo, o que não é verdade. Não há nenhuma ligação entre o Gnosticismo e a Maçonaria.


Pesquisando ainda Mestre Aslan, podemos dizer que, na Maçonaria, sempre existiu maçons sonhadores e inovadores, principalmente os franceses, que estudaram o gnosticismo, formando Lojas espúrias, que nada tem a ver com a verdadeira Maçonaria.

 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O Dossel

 

A pesquisa sobre o "Dossel" é um assunto difícil de encontrar nos livros nacionais e, também, nos livros importados. Esta pesquisa feita por mim é um presente ao meu grande amigo e Irmão Finardi, da ARLS L'Áquila Romana nº 3365.


No Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, do Mestre Nicola Aslan, a gente encontra a seguinte definição: "armação saliente, forrada de seda e franjada, que se coloca, como ornamento, sobre os tronos presidenciais das oficinas e que, conforme a cor simboliza o caráter do sentimento que determina o Rito, cobrindo o representante máximo da Oficina, e fazendo pairar no ambiente a unidade de intenções."


Quero ressaltar aqui que nem todos os Templos preparados para determinados Ritos possuem o "Dossel". No caso do REAA que é o mais praticado no Brasil, seus Templos possuem o referido, na cor vermelha.


Nota-se, também, que Mestre Aslan definiu o "Dossel" de modo geométrico, sem definir a origem e significado maçônico.


Mais uma vez, vamos recorrer ao Mestre Castellani, cujas obras, pouco a pouco, vão demonstrando ter sido ele um dos maiores escritores brasileiros.

O resumo, abaixo, é fruto de pesquisas de diversas obras do referido autor:


"O Tabernáculo, ou Tenda (em hebraico; Suda) era o santuário portátil armado pelos hebreus, para o serviço religioso, durante o Êxodo, que os levou do Egito à Palestina. Era uma área delimitada e cercada por cortina sustentada por 60 postes e só interrompida no lado oriental, por onde se entrava. 


A Tenda estava no lado oposto ao da entrada, armada sobre um estrado de madeira e formada por duas partes: a maior era o SANTO (em hebraico: Kodesh) e continha, entre outras coisas, uma mesa para queima de resinas aromáticas e o candelabro de sete braços (Menorá). A tenda menor era o SANTO DOS SANTOS (em hebraico: Kodesh ha Kodashim) e era considerado o lugar mais sagrado, pois representava a habitação terrena de Deus. 


Nele se encontrava, entre outras coisas, a Arca da Aliança, o Decálogo e a Vara de Aarão, e a esse lugar só tinha acesso o Sumo Sacerdote."


O Templo de Jerusalém seguia a mesma disposição do Tabernáculo.


Como as Igrejas seguiam orientações baseadas no Templo de Jerusalém, e os Templos Maçônicos são baseados nos dois anteriores, juntamente com o parlamento inglês (o primeiro templo maçônico construído: 1776 na Inglaterra), temos que: o espaço sob o "Dossel" corresponde ao SANTO DOS SANTOS, e é onde fica o Trono do Venerável Mestre e o Altar. Na parte descoberta, corresponde ao SANTO.


Continuando: "sob o Dossel de um Templo Maçônico, que corresponde ao SANTO DOS SANTOS do Templo de Jerusalém (o local mais íntimo e transcendental, portanto) está o Trono e o Altar, e é onde devem ser tomados os compromissos." 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Entrar com o pé direito ou esquerdo?

 

No "cortejo de entrada" ao iniciar a entrada dos Obreiros no Templo, não há nenhuma obrigatoriedade de penetrar no Templo com o pé esquerdo ou com o direito.


Isso, porque a Sessão nem foi aberta, ainda.


A obrigatoriedade de iniciar a caminhada com um determinado pé existe, e é diferente de acordo com o Rito, apenas para a "marcha do Grau", para entrada no Templo, após o início dos trabalhos.


Lembro também que o Rito Escocês Antigo e Aceito (R.:E.:A.:A.:) , apesar do nome, não tem a origem na Escócia, e sim, na França. O que ocorreu foi o seguinte:


No início do século XVIII, a Dinastia dos 'Stuarts", que reinava na Inglaterra até essa época, estava refugiada em Paris, França. Os adeptos dessa Dinastia também lá estavam, pois foram juntos. Eram alcunhados de "escoceses" devido sua origem escocesa.


Nesse período de refugio na França, esses adeptos, aproveitando os 25 Graus do Rito de Héredom, instalado em Paris, a partir de 1738, pelo Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, no Colégio de Clermon, sob orientação da Ordem dos Jesuítas desenvolveram o R.:E.:A.:A.:.


Esse Rito (R.:E.:A.:A.:) ficou completamente estabelecido, com a criação do primeiro Supremo Conselho do mundo, a 31 de maio de 1801, em Charleston, na Carolina do Sul (EUA), por onde passa o Paralelo 33 da Terra (ver Pílula Maçônica nº 115 – Águia Bicéfala).

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

BMW faz recall de 3.470 motos G 650 GS e G 650 GS Sertão


A BMW anunciou nesta quinta-feira (17) o recall de 3.470 unidades das motos G 650 GS e G 650 GS Sertão, produzidas entre março de 2013 e agosto de 2015. De acordo com a empresa, um defeito pode fazer o motor das motos pararem quando em marcha lenta de maneira inesperada e trazer riscos de danos ao motociclista e terceiros.

A empresa convoca os proprietários a entrarem em contato com um concessionário autorizado para agendarem gratuitamente a atualização do módulo de gerenciamento do motor e o aparafusamento da abraçadeira para tubo flexível no corpo da borboleta.

O tempo para realização do serviço é de aproximadamente 1 (uma) hora.

Segundo a marca, as motocicletas podem apresentar falha de funcionamento no software da unidade de comando do motor (BMS-E) e, em alguns casos, uma possível entrada falsa de ar no sistema de admissão.

A falha do software pode acarretar danos no pistão do motor, gerando perda de desempenho da motocicleta e vazamento de óleo para a caixa do filtro de ar; e se houver entrada falsa de ar no seu sistema de admissão do motor, ele poderá desligar-se de forma inesperada, quando a motocicleta estiver em funcionamento no regime de marcha lenta.VEJA OS CHASSIS NÃO SEQUENCIAIS ENVOLVIDOS:

G 650 GS            : Z085633 a Z598798
G 650 GS Sertão: Z386198 a Z386228

Para mais informações, a empresa disponibiliza o Serviço de Atendimento ao Cliente BMW (0800 707 3578), de 2ª a 6ª feira, das 8 às 19 horas, ou o website http://www.bmw-motorrad.com.br/br/pt/recallg650gs.

Fonte: AutoEsporte/G1

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Tempo de Estudos

Uma das metas da Maçonaria é o aperfeiçoamento do ser humano, buscando sempre a Verdade. É obvio que para isso é necessário dedicação, estudos, debates, etc, para que a mente do Obreiro fique cada vez mais aberta, mais receptiva e mais preparada.


Pensando nisso, com o intuito de dedicar um espaço de tempo aos estudos e debates, as Lojas, dependendo do Rito praticado e da Obediência, estabeleceram o "Tempo de Estudos" ou "Quarto de Hora de Estudos".


Não era prática ritualística até, aproximadamente, 40 anos atrás. Foi enxertado com a finalidade de atender o que foi descrito acima. Na verdade, tempos atrás, isso era feito na "Palavra a Bem da Ordem e do Quadro em Geral". Na minha opinião, foi um aperfeiçoamento.


Como foi inserido na Ritualística, após a apresentação feita por um Obreiro (palestrante), a palavra corre nas Colunas conforme estabelecido pela mesma, e não são dispensados os sinais e cumprimentos aos demais Obreiros que queiram fazer perguntas.. Ou seja, numa Sessão Ritualística, esse "Tempo de Estudos" não pode fugir à tramitação ritualística da palavra e a obrigatoriedade de falar em pé e a Ordem, com exceção do VM e dos Vigilantes (Castellani).


Porém, dependendo da necessidade de aproveitar o tempo disponível, ou apresentação com projeção de slides (muito comum hoje em dia), ou permitir um debate mais frutífero, a sessão Ritualística é suspensa. Abre-se a "Loja em Família" pelo Venerável Mestre, com golpe do Malhete.


Todo controle da apresentação, tempo de debate, uso da palavra, etc, são sempre controlados pelo Venerável Mestre.


Finalizados a tal apresentação e o debate, a Loja entrará na Ritualística, com golpe de Malhete proferido pelo Venerável, seguido das palavras "Em Loja meus Irmãos".


Resumindo:

• o "Tempo de Estudos" visa aperfeiçoar os conhecimentos dos Obreiros e não deve ser confundido com "Instruções do Grau"

• pode, ou não, ocorrer numa Sessão Ordinária.

• Não deve ser longo demais para não atrapalhar a Sessão.

• Quando ocorre o debate, o assunto não deve mais ser discutido na "Palavra a Bem da Ordem...".

 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Lojas de Promulgação e Reconciliação

 

Os nomes de três importantes Lojas e seus significados históricos devem sempre estar na mente dos estudiosos maçônicos.


São elas:

Loja de Promulgação (tornar público, conhecido)

Loja de Reconciliação

Loja de Emulação


Sabemos que quatro Lojas formaram a Grande Loja de Londres e Westminster em 1717. Estamos cientes, também, que uma outra Grande Loja foi formada anos mais tarde (1751) e que era asperamente hostil a primeira citada.


Essa segunda Grande Loja se auto intitulou de "Antigos" e apelidou a primeira Grande Loja de "Modernos", de maneira depreciativa, pois achavam que eles não estavam seguindo fielmente os "Antigos Deveres" (Old Charges).


Essa animosidade persistiu por longo tempo (aproximadamente 50 anos) até que, no início do século XIX (1800), devido a diversos fatores, inclusive um sentimento de maior tolerância de ambas as partes, produziram um desejo de união que, posteriormente, se concretizou.


Em 1809 os "Modernos" criaram uma loja, de comum acordo, chamada "Loja de Promulgação" para acertar e tornar conhecido, entre eles, os Antigos Landmarks da Ordem.


Essa Loja teve muitas reuniões, nas quais ensaiaram, discutiram e definiram o Cerimonial dos Trabalhos em Loja. Principalmente, o Cerimonial de Instalação, o qual era um importante ponto da rivalidade existente entre as duas Grandes Lojas.


Estando tudo definido, essa "Loja de Promulgação", após árduo trabalho, encerrou suas atividades em 1811. E, sem dúvidas, ela ajudou enormemente a união que ocorreu em 1813 A Loja de Reconciliação: baseado nos "Artigos da União" de 1813, uma comissão foi constituída, formando uma Loja que deveria ser consistituida de "nove maçons dignos e experientes", de cada lado, com a finalidade de instruir e obrigar, os Veneráveis Mestres, ex-Veneráveis, Vigilantes e demais oficiais da Loja, a se prepararem para a Grande Assembleia, comemorando União com uniformidade nas formas, regras, disciplina e trabalhos. A Loja reuniu-se em muitas ocasiões e as Cerimônias que foram acordadas, foram ensaiadas e, com algumas alterações, tudo foi aprovado em 1816. Os registros não revelam o Ritual ensaiado pois tudo era decorado.


A Loja Emulação de Aperfeiçoamento: este é o lugar apropriado para o ensaio correto do Sistema de Ritual conhecido como "Emulação". Foi fundada em 1823 e o principal expoente dessa loja foi Peter Gilkes que morreu em 1833. As maiores precauções são tomadas, nessa loja, para preservar a pureza do Trabalhos, que foi formulada pela Loja de Reconciliação e aprovada pela Grande Loja em 1816. Não é uma Loja para instruções, mas para a melhoria do Ritual, estando os membros, de antemão, totalmente familiarizados com o mesmo.

 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O Descobrimento do Brasil e os Templários – parte II

 

Tinham passado cem anos sobre a condenação dos Templários nos processos de Paris, e o Vaticano estava preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que aumentara muito no século XIV. Com isso, em 1418, o Infante consegue o aval do papa ao projeto expansionista. Num século, os papas emitiram onze bulas privilegiando a Ordem com monopólios da navegação para a África, posses de terras, isenção de impostos eclesiásticos e autonomia para organizar a ação da Igreja nos locais a descobrir.


Dom Henrique sabia que os lusos não seriam capazes de cruzar o "mar de areia" do deserto do Saara, que só podia ser vencido com o auxílio do camelo. Mas havia indícios de que os marroquinos faziam um tipo de comércio com os habitantes locais, nas proximidades da foz de um grande rio, cujo delta desaguava no Atlântico, ao sul do arquipélago das Canárias. De posse de tais informações, Dom Henrique começou a pensar na hipótese de flanquear os mouros pela retaguarda e dominar a foz do "rio de ouro" – que, como se saberia depois, era o Senegal, tido como um dos braços do Nilo.

Para fazer isso, teria que mergulhar no desconhecido.


No momento em que o Infante, à frente da Ordem de Cristo, resolveu dar a volta ao continente Africano, a idéia parecia uma loucura. Havia pouca tecnologia para navegar em oceano aberto e nenhum conhecimento sobre como se orientar no Hemisfério Sul, porque só o céu do Norte estava cartografado. Mais ainda: acreditava-se que, ao Sul, os mares estavam cheios de monstros terríveis. De onde teria vindo, então, a informação de que era possível encontrar um novo caminho para o Oriente? 


Possivelmente dos Templários, que durante as Cruzadas, além de se especializarem no transporte marítimo de peregrinos para a Terra Santa, mantiveram imensos contatos com viajantes oriundos de toda a Ásia. Quando o navegador da Ordem de Cristo, Gil Eanes passou o Cabo Bojador, um pouco ao sul das Ilhas Canárias, em 1434, mais do que realizar um avanço náutico, estava a desmontar uma mitologia secular. Acreditava-se que, depois do Cabo, localizado no que é hoje o Saara Ocidental, começava o Mar Tenebroso, onde tudo de mal aconteceria aos navegadores. Quando finalmente reuniu coragem e viu que do outro lado não haveria nada de especial, Eanes abriu caminho para o Sul.


Morto em 1460, o Infante Dom Henrique não assistiu o triunfo de sua empreitada, mas sentiu que Portugal estava para se tornar uma das maiores potências marítima. Nas primeiras décadas da existência da Ordem de Cristo, os ex-Templários estabeleceram estaleiros em Lisboa, fizeram contratos de manutenção de navios e dedicaram-se à tecnologia náutica, aproveitando o conhecimento adquirido no transporte de peregrinos entre a Europa e o Médio Oriente durante as Cruzadas. O rei Dom João II, que governou entre 1481 e 1495, estimulou a atividade mercantil e a colonização dos territórios africanos.

A Ordem de Cristo controlou o conhecimento das rotas e o acesso às tecnologias de navegação enquanto pode. Mas com o ouro descoberto na Guiné, em 1461, o monopólio da pilotagem passou a ser cada vez mais desafiado. 


A partir de então, multiplicaram-se os contratos com comerciantes e as cessões de domínio ao rei para exploração das regiões descobertas. Aos poucos, a sabedoria secreta guardada em Tomar foi sendo passada para mercadores de Lisboa, da Flandres e da Espanha. Naquela época, Portugal fervilhava de espiões, especialmente espanhóis e italianos, que procuravam os preciosos mapas ocultos pelos Templários. Enquanto o tesouro, de dados marítimos, esteve sob a sua guarda, a estrutura secreta da Ordem garantiu a exclusividade aos portugueses. Em Tomar e em Lagos, os navegadores só progrediam na hierarquia depois de sua lealdade ter sido comprovada, se possível em batalha. Só então podia ler os relatórios reservados de pilotos que já tinham percorrido regiões desconhecidas e ver preciosidades como as tábuas de declinação magnética, que permitiam calcular a diferença entre o Pólo Norte verdadeiro e o magnético. 


E, à medida que as conquistas avançavam no Atlântico, eram feitos novos mapas de navegação astronômica, que forneciam orientação pelas estrelas do Hemisfério Sul, a que também só os iniciados tinham acesso.


Mas o sucesso atraía a competição. A Espanha, tradicional adversária, também fazia política no Vaticano para minar os monopólios da Ordem, numa ação combinada com seu crescente poderio militar. Em 1480, depois de vencer Portugal numa guerra de fronteiras que durou dois anos, os reis Fernando, de Leão, e Isabel, de Castela, começaram a interessar-se pelas terras de além-mar. Com a viagem de Colombo à América, em 1492, o Papa Alexandre VI, um espanhol de Valência, reconheceu em duas bulas, as Inter Caetera, o direito de posse dos espanhóis sobre o que o navegante genovês tinha descoberto, e rejeitou as reclamações de Dom João II de que as novas terras pertenciam a Portugal. O rei não se conformou e ameaçou com outra guerra. A controvérsia induziu os dois países a negociarem, frente a frente, na Espanha, no ano de 1494, um Tratado para dividir o vasto Novo Mundo que todos pressentiam: o Tratado de Tordesilhas.


Portugal acabou por ser obrigado a enviar os melhores cartógrafos e navegadores da Ordem de Cristo, liderado pelo experiente Duarte Pacheco Pereira, à Tordesilhas, na Espanha, para tentar um tratado definitivo, mediado pelo Vaticano, com os espanhóis.


Apesar de toda contestação, a Santa Sé era o único poder transnacional na Europa do século XV. Só ela podia mediar e legitimar negociações entre países. Portugal saiu-se bem no acordo. Era a vantagem dada pela estrutura secreta da Ordem de Cristo, que devido a sua política de sigilo, os portugueses sabiam da existência das terras onde hoje está o Brasil sete anos antes da viagem de Pedro Álvares Cabral.


Lisboa, 08 de março de 1500, um domingo. Terminada a missa campal, o rei Dom Manuel I sobe ao altar, montado no cais da Torre de Belém, toma a bandeira da Ordem de Cristo e a entrega a Pedro Álvares Cabral. O capitão vai içá-la na principal nave da frota que partirá daí a pouco para a Índia.


Era uma esquadra respeitável, a maior já montada em Portugal, com treze navios e 1500 homens. Além do tamanho, tinha outro detalhe incomum. O comandante não possuía a menor experiência como navegador. Cabral só estava no comando da esquadra porque era Cavaleiro da Ordem de Cristo e, como tal, tinha duas missões: criar uma feitoria na Índia e, no caminho, tomar posse de uma terra já conhecida, o Brasil.


Em 22 de abril de 1500, naus com a cruz da Ordem de Cristo, chegaram onde hoje é a Bahia. Foi o espírito dos cruzados que guiou a aventura das grandes navegações portuguesas.


A presença de Cabral à frente do empreendimento era indispensável, porque só a Ordem de Cristo, uma companhia religiosa-militar autónoma do Estado e herdeira da misteriosa Ordem dos Templários, tinha autorização papal para ocupar – tal como nas Cruzadas – os territórios tomados aos infiéis. No dia 26 de abril de 1500, quatro dias depois de avistar a costa brasileira, o Cavaleiro Pedro Álvares Cabral cumpriu a primeira parte da sua tarefa. Levantou, onde é hoje Porto Seguro, a bandeira da Ordem e mandou rezar a primeira missa no novo território.


O Escrivão Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei sobre a solenidade; "Alí estava com o capitão a bandeira da Ordem de Cristo, com a qual saíra de Belém, e que sempre esteve alta".

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Os Templários e o Descobrimento do Brasil

 

O rei da França, Filipe IV, o Belo, na época do século XIV, estava falido e, entre outros, devia muito dinheiro a Ordem dos Templários, que era uma das Organizações mais ricas e mais poderosas da Europa. Seus membros eram guerreiros, banqueiros e construtores e tinham sede em Paris. Pelo fato de serem guerreiros, e bem organizados, se apoderaram de imensas quantidades de terras e bens materiais dos perdedores aos quais punham o seu jugo. Controlavam feudos e construções em Paris e no interior da França.


Participaram de modo intenso nas Cruzadas. As mesmas eram "patrocinadas" pela Igreja Católica a qual permitia, devido sua portentosa influência juntos aos reis e governantes, que os Templários tivessem muitas regalias e direitos. Entretanto, exigiam que as Cruzadas saíssem vitoriosas em suas contendas. As derrotas das Cruzadas no Médio Oriente, alimentaram uma onda de calúnias, produzida provavelmente por pessoas ou entidades invejosas e sedentas do fracasso dos Cavaleiros da Ordem dos Templários, dizendo que os mesmos teriam se "vendido" aos muçulmanos. Aproveitando o clima favorável, talvez produzido por ele mesmo, em 13 de outubro de 1307, Filipe invadiu, de surpresa, as sedes dos Templários em toda a França, prendendo todos os membros.


Dois processos foram abertos contra a Ordem dos Templários: um dirigido pelo rei contra os presos, o outro conduzido pelo papa Clemente V, que como sabemos, foi forçado pelo rei Felipe, a colocar a sede do Papado em Avignon, França.


Muitos Cavaleiros foram mortos. A maioria degolada. A Ordem era Iniciática e bastante discreta. A própria discrição da Ordem foi usada contra ela, fazendo-se afirmações absurdas. Devido a ramificada rede de informações da Ordem, os sobreviventes trataram de salvar a maior quantidade possível de bens e tesouros.


Todos os seus bens "disponíveis" foram confiscados. Esperava-se uma fortuna, mas, como pouco foi efetivamente recolhido, criou-se a suposição de que os tesouros foram transferidos em segurança para outros países. Para muitos investigadores, um desses países teria sido Portugal. O rei Dom Dinis (1261-1325) decidiu garantir a permanência da Ordem dos Templários em terras portuguesas. Sugeriu uma doação formal dos bens da Ordem à Coroa, mas, talvez, por imposição dos Templários, foi nomeado um administrador, de confiança da Ordem, para cuidar deles.


Dom Dinis, numa atitude corajosa para a época, local e condições, abriu as portas para todos os refugiados da Europa. Nessa ocasião, por volta de 1317, o último Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, Jacques (ou Thiago) de Molay, já havia sido executado na fogueira (1314). Nem o Papa, com toda sua autoridade e com a "Santa Inquisição" a sua disposição, o intimidou: fundou a Ordem de Cristo com, segundo afirmam os historiadores, parte do patrimônio dos Templários.


Todos os perseguidos da Europa, se concentravam, trazendo seus segredos, seus conhecimentos, para o Convento de Tomar, sede da Ordem de Cristo. Uma nova etapa, uma nova era, estava acontecendo para os Cavaleiros Templários. Dois anos depois, em 1319, um novo papa, João XXII, reconheceu a Ordem de Cristo.


No início do século XV, Portugal era um reino pobre. A riqueza estava na Itália, na Alemanha e na Flandres (hoje parte da Bélgica e Holanda). Nesse caso, porque é que foram os portugueses a encabeçar a expansão européia? Sem dúvida, a rica Ordem de Cristo foi o seu trunfo decisivo, com seus tesouros, mas, principalmente, com os seus conhecimentos e experiência adquiridos ao longo dos anos. .


Quando o Infante Dom Henrique, terceiro filho de Dom João I, se tornou Grão-Mestre da Ordem, em 1416, a Organização encontrou apoio para colocar em prática um antigo e ousado projeto: contornar a África e chegar à Índia, ligando o Ocidente ao Oriente sem a intermediação dos muçulmanos, que então controlavam os caminhos por terra. Dom Henrique assumiu o cargo de governador do Algarve. Dividia seu tempo entre a Ordem de Cristo e o Porto (ou Vila) de Lagos.


Ao retornar à Portugal, na primavera de 1419, após combater os mouros na cidade de Ceuta, dom Henrique teria decidido abandonar as "futilidades da corte" e se instalar na ponta de Sagres. Dom Henrique era uma figura imponente, obcecado, teimoso, celibatário e asceta, permanentemente envolto em um manto negro.


O próprio local que o infante supostamente escolheu para viver já era pleno de simbolismo e magia. O antigo "promontório sacro" de gregos e romanos – chamado de Sagres pelos lusos - fora batizado pelo geógrafo grego Ptolomeu. Era a parte final da Europa: um lugar desértico, de beleza trágica, onde a terra se despede num cabo nu e pedregoso, para mergulhar no oceano temível e repleto de mistérios. Não por acaso, Sagres tinha sido ocupado por um templo de druidas, os sacerdotes celtas.


Ainda assim, não foi na ponta de Sagres, mas na Vila de Lagos, acerca de 30 km a leste dali, que Dom Henrique de fato se instalou, quando seu pai, o rei Dom João I, o fez governador daquela região, conhecida como Algarve, ou El-Ghard, a Terra do Poente, outrora o Ocidente árabe.


Foi aí, que em 1420, Dom João I, fez do Infante o administrador da Ordem dos Cavaleiros de Cristo, originária da antiga Ordem dos Templários .


Algarve era a base naval e uma corte aberta: vinham viajantes de todo o Mundo, com todo tipo de informações, tão importantes naquela época. Foram atraídos para lá, sábios, cartógrafos, astrônomos e astrólogos – especialmente Judeus que, desde meados do século XIV, fugiam das perseguições que se desencadeavam na Espanha. Afirma-se hoje que, o Porto (ou Vila) de Lagos, localizada em uma ampla baía, possível de se zarpar, liderada pelo infante, foi que comandou a expansão marítima do século XV. Ali foi fundada a Escola de Sagres – que, na verdade, existiu apenas no sentido filosófico da palavra, já que nunca houve um espaço físico, um centro de estudos, e muito menos um observatório, na Ponta de Sagres.


Tinham passado cem anos sobre a condenação dos Templários nos processos de Paris, e o Vaticano estava preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que aumentara muito no século XIV. Com isso, em 1418, o Infante consegue o aval do papa ao projeto expansionista. Num século, os papas emitiram onze bulas privilegiando a Ordem com monopólios da navegação para a África, posses de terras, isenção de impostos eclesiásticos e autonomia para organizar a ação da Igreja nos locais a descobrir.

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

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