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terça-feira, 8 de abril de 2014

Poluição deixa patos verdes no interior de São Paulo

Eduardo Schiavoni
Do UOL, em Americana (SP)

8.abr.2014 - A plumagem de patos, geralmente branca, foram tomadas
pelo verde, cor conferida devido à poluição no rio Atibaia, causada
por despejo de esgoto sem tratamento, gerou a reprodução descontrolada
de cianobactérias e algas na represa de Salto Grande, em Americana
(127 km de São Paulo). As algas e cianobactérias, de coloração verde,
liberam toxinas e, em casos extremos, a morte dos animais.Em alta
quantidade, a presença das cianobactérias é prejudicial à saúde
humana. Na semana passada e nesta semana, houve o registro de
mortandade de patos sem causa aparente Leia mais Divulgação/Barco
Escola

A poluição no rio Atibaia, causada por despejo de esgoto sem
tratamento, gerou a reprodução descontrolada de cianobactérias e algas
na represa de Salto Grande, em Americana (127 km de São Paulo). Lá, a
plumagem de patos, geralmente branca, foram tomadas pelo verde, cor
conferida à água pelos microoganismos. Em alta quantidade, a presença
das cianobactérias é prejudicial à saúde humana.

As algas e cianobactérias, de coloração verde, liberam toxinas e, em
casos extremos, a morte dos animais. Na semana passada e nesta semana,
houve o registro de mortandade de patos sem causa aparente.

Ao homem, entre as consequências da ingestão da água da represa estão
a diminuição dos movimentos, prostração, cefaleia, febre, dor
abdominal, náuseas, vômitos, diarreia e hemorragia intra-hepática.

Já para quem tiver contato com a água contaminada, pode haver
irritação ou erupções na pele, inchaços dos lábios, irritação dos
olhos e ouvidos, dor de garganta e inflamações nos seios da face, além
de asma.

Segundo o biólogo Carlos Zappia, presidente da Associação Barco
Escola, que desenvolve trabalhos de preservação ambiental na represa e
que registrou a coloração verde na área e nos animais, há, hoje, o
total de cianobactérias e algas na represa aumentou pelo menos 500% em
quatro anos.

"Esses organismos representam significativos níveis de toxicidade que
acabam sendo incorporados à cadeia alimentar, incluíndo peixes,
podendo levar a um desequilíbrio do ecossistema local, além de causar
danos à saúde humana", disse.

Tratamento

A represa de Salta Grande, utilizada para a produção de energia, é
formada a partir do represamento do rio Atibaia. Segundo Zappia, o
risco da multiplicação sem controle de microrganismos no reservatório
começou a ser debatido há quatro anos.

Em 2010, o alerta foi lançado no Comdema (Conselho Municipal de Defesa
do Meio Ambiente) de Americana, mas poucas ações foram tomadas desde
então.

Para que o problema seja resolvido, é necessário que todas as cidades
que despejam efluentes no Atibaia passem a tratar o esgoto de forma
completa.

"Alguns esforços se mostram necessários para a solução desse problema,
mas nenhum destes será eficaz enquanto não houver um tratamento pleno
e eficaz dos efluentes lançados no Rio Atibaia e seus afluentes",
afirma o biólogo e gestor ambiental Denis Marto.

UOL

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Sistema Tributário Brasileiro explicado com cerveja

Suponha que todo dia, dez homens saiam para tomar cerveja e que a
conta para os dez fique em R$ 100. Se eles pagassem sua conta da forma
como nós pagamos nossos impostos, ficaria mais ou menos assim:

Os primeiros quatro homens (os mais pobres) não pagariam nada.
O quinto pagaria R$ 1.
O sexto pagaria R$ 3.
O sétimo pagaria R$ 7.
O oitavo pagaria R$ 12.
O nono pagaria R$ 18.
O décimo (o mais rico) pagaria R$ 59.
Assim, foi o que eles decidiram fazer.

Os dez homens bebiam no bar todos os dias e pareciam muito felizes com
o arranjo, até que um dia, o proprietário lhes fez uma oferta:

"Uma vez que vocês são todos tão bons clientes", ele disse, "eu vou
reduzir o custo da cerveja diária de vocês em R$ 20. As bebidas para
os dez, agora custarão somente R$ 80."


O grupo ainda queria pagar sua conta da forma como nós pagamos os
impostos, de modo que os quatro primeiros homens não seriam afetados e
continuariam a beber de graça.

Mas e os outros seis homens - os clientes pagantes?

Como eles dividiriam os R$ 20 de desconto, de modo que todos eles
obtivessem sua "quota justa" ?

Eles calcularam que R$ 20 divididos por seis são R$ 3,33. Mas se eles
subtraíssem isto da quota de cada um, então o quinto e o sexto homens
teriam que ser pagos para beber sua cerveja. Assim, o proprietário do
bar sugeriu que seria justo reduzir a conta de cada homem
proporcionalmente ao valor pago por cada um, e calculou as quantias
que cada um deveria pagar.

E assim:
O quinto homem, como os primeiros quatro, agora não pagaria nada (100%
de economia).
O sexto agora pagaria R$ 2 ao invés de R$ 3 (33% de economia).
O sétimo agora pagaria R$ 5 ao invés de R$ 7 (28% de economia).
O oitavo agora pagaria R$ 9 ao invés de R$ 12 (25% de economia).
O nono agora pagaria R$ 14 ao invés de R$ 18 (22% de economia).
O décimo agora pagaria R$ 49 ao invés de R$ 59 (16% de economia).

Cada um dos seis que pagavam ficou numa situação melhor do que antes.
E os quatro primeiros continuavam a beber de graça. Mas, quando saíram
do restaurante, os homens começaram a comparar as suas economias.

"Eu só ganhei um real dos R$ 20", declarou o sexto homem. Ele apontou
para o décimo homem, "mas ele ganhou R$ 10!".

"Sim, está certo", exclamou o quinto homem. "Eu também economizei
somente um real . É injusto ele ganhar dez vezes mais do que eu!".

"É verdade!!" gritou o sétimo homem. "Porque ele deve receber de volta
R$ 10 e eu só recebi dois? Os ricos levam todas as vantagens!".

"Espere aí ", gritaram juntos os quatro primeiros homens. "Nós não
ganhamos nada. O sistema explora os pobres!"

Os nove homens rodearam o décimo e deram-lhe uma surra!


Na noite seguinte, o décimo homem não apareceu para beber, de modo que
os nove sentaram e tomaram suas cervejas sem ele. Mas quando chegou a
hora de pagar a conta, eles descobriram algo importante. Eles não
tinham, entre eles, dinheiro bastante para pagar nem a metade da
conta!

E assim, senhoras e senhores, é como funciona nosso sistema
tributário. As pessoas que pagam os maiores impostos são as mais
beneficiadas pelas reduções de taxas. Taxem eles demais, ataquem-nos
por serem ricos, e eles simplesmente podem não aparecer mais. Na
realidade, eles podem começar a beber no exterior, onde a atmosfera
seja mais amigável.

Fonte: desconhecida

Somos todos colaboradores...

quarta-feira, 26 de março de 2014

Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.

fonte: Jornal O GLOBO


O BRASIL INTEIRO DEVERIA LER ESTA ENTREVISTA

Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o
Marcola, ao jornal O Globo.

Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema

O GLOBO: Você é do PCC?

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e
invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era
mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração
rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução
é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez
alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no
morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao
amanhecer", essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do
pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa
consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

O GLOBO: – Mas… a solução seria…

- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de "solução" já
é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de
helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria
com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um
governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento
econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de
ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse
por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do
Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir?
Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede
punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do
país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias
municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls
entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e
implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do
país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês
não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora….
Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no
centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a
fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já
somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um
drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o
presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em
luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos,
somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né?
Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus
soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse
país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma
terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no
absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro
Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova
linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da
Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de
pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina,
ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas
modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma
mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O GLOBO: – O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o
Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um
escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá
ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é
despedido e jogado no "microondas"… ha, ha… Vocês são o Estado
quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de
gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno
próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês
morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós
estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós
somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do
crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela
população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês
são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos
globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos
esquecem assim que passa o surto de violência.

O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem
deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai
nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército?
Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país
está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o
Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O
Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz,
"Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas
devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete
anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a
gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba
arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou?
Ipanema radioativa?

O GLOBO: – Mas… não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a
"normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer
uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa…
na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos
dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro
dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não
entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante:
"Lasciate ogna speranza voi che entrate!" Percam todas as esperanças.
Estamos todos no inferno.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Copa do Mundo: Brasil x Croácia

Ehhhh!

Mais uma vez o Brasil joga com a Croácia! Na Copa de 2006, meu filho
ainda na barriga da mãe, fui entrevistado pelo Jornal O TEMPO, daqui
de Belo Horizonte, sobre o jogo da Croácia com o Brasil.

Agora a expectativa ainda é maior, já que o jogo de abertura será no
Itaquerão, e os dois se encontram novamente.

Será que eu vou lá? Sei que no dia do jogo estarei com a "šahovnica",
a camisa xadrez, tão típica do futebol croata.

E com orgulho estarei torcendo pelas duas seleções, ou seja, pelo
empate, já que meu coração estará dividido.

Aliás, o negócio é pela farra mesmo, já que, pelo menos, o mundo fica
sabendo que a Croácia existe...

Lembro quando eu era pequeno e falava que minha mãe nasceu na Croácia,
a primeira coisa que eu escutava era "onde é isso!?!?!"...

Bão, então resta esperar o dia do jogo, gritar bastante, tomar cerveja
e curtir!!!

VIVAT HRVATSKA!!!!!

700 anos da morte de De Molay

<Fonte: desconhecida>

O sol está se pondo e uma multidão se forma no pátio diante da
Catedral. Apesar do fim do inverno, essa segunda-feira de primavera
parece fria como nunca. As flores já brotaram, mas o vento corta como
navalha.

- É uma pena que a fogueira fique tão distante de nós. Seria bom para
me aquecer. – diz um mendigo de idade já avançada, ou talvez apenas
castigado pela vida.
- Acredite, você não agüentaria ficar perto do calor infernal e o
cheiro de carne herege queimando. – responde um senhor com roupas um
pouco melhores, um pouco mais limpo, mas com um destino não muito
diferente da mendicância. Afinal, a França está falida e quase ninguém
tem emprego.
Com o crepúsculo, os postes começam a ser acesos e o cheiro de óleo
queimando é sentido no pátio. Sangue, óleo, fogo, suor, lixo, seus
cheiros estão sempre misturados na não tão bela Paris do século XIV.

Soldados montados vão se aproximando e se posicionando, o que indica
que o momento de mais uma execução está chegando. – Quem será dessa
vez? – alguns se perguntam. As execuções sempre apresentam bom número
de espectadores, mas essa tem superado as anteriores: nem sinal das
autoridades e dos condenados e a Ilha da Cidade já está lotada. Isso
porque todos esperam assistir a execução daquele que o povo
considerava acima dos reis e abaixo apenas do Papa. O Grão-Mestre dos
Templários, Jacques de Molay.

Já fazia 07 anos que ninguém o via, desde aquela escura sexta-feira 13
que o povo tratou de guardar como maldita. Uns diziam que ele havia
morrido nas torturas da Santa Inquisição. Outros que ele conseguira
fugir para a Escócia com tantos outros Cavaleiros. A única coisa que
todos concordavam é que era impossível um homem com seus 70 anos de
idade sobreviver por tanto tempo a tanto tormento. Esse era o motivo
para tanta gente estar ali: ver a queda de um homem que liderava reis
e que sobreviveu ao insuportável.

As carruagens começaram a chegar. Um dos primeiros foi de Vossa
Santidade, o Papa Clemente V. Os parisienses o aclamaram quando ele
desceu de sua carruagem, afinal de contas, é o primeiro Papa francês,
que transferiu o Papado da Itália para a França, tornando-a o centro
do que é mais sagrado no mundo cristão. Infelizmente, isso não tem
ajudado a França a sair de um caminho de degradação. Logo em seguida,
a carruagem do Rei Felipe IV se aproxima da Catedral, acompanhada de
forte escolta. Era necessário, pois a vontade de cada cidadão ali
presente era de linchá-lo e, quem sabe, queimá-lo em sua própria
fogueira preparada para Jacques de Molay e seus Preceptores.

Com a presença do Papa e do Rei, a multidão não teve mais dúvidas:
seria a tão comentada execução, talvez a mais polêmica realizada
naquele local.
O rei e o Papa se posicionaram confortavelmente no camarote
improvisado para aquilo que mais parecia um show no Coliseu. Em volta
deles, estava toda a espécie de Arcebispos, Bispos, Ministros, Condes,
Duques e bajuladores. O circo estava completo, mas… onde está o
gladiador? Nesse momento, vê-se a carruagem negra e fortificada se
aproximando com os condenados. Quando a carruagem pára, próximo à
pequena ponte, os soldados têm dificuldade de conter a multidão que
tenta se aproximar para vê-los mais de perto. Isso não estava
previsto. – Como será que eles estão? – era o que todos pensavam.

Da carruagem saiu DeMolay e seus Preceptores. Magros como Gandhi e com
barbas e cabelos longos e sujos, seus mantos templários, antes tendo
sua brancura como símbolo da pureza de pensamentos e atos, agora em
estado de podridão. Os soldados não estavam ali para impedi-los de uma
tentativa de fuga, senão para mantê-los em pé e ajudá-los a andar.

Os condenados foram postos no pequeno barco, acompanhados de três
carrascos, e conduzidos até o elevado preparado para servir como
fogueira. Ali foram silenciosamente amarrados. O carrasco-principal
fez a devida leitura do ato de execução, destacando os crimes de
heresia e traição. O silêncio não é apenas dos condenados, mas de toda
a multidão. Após a leitura, o principal aguarda o sinal do Rei, o
Belo, que responde positivamente. Então o carrasco-principal pegou a
tocha acesa da mão de um dos seus sequazes e jogou sobre entulho de
palha, troncos e óleo. O fogo rapidamente se alastrou.

Aqueles já acostumados em acompanhar as execuções se preparam para
escutar os costumeiros e agonizantes gritos. Para eles, aquele
sofrimento final dos condenados reduzia o sofrimento eterno que os
mesmos teriam no Inferno, e quanto maior o pecado, maior a dor sentida
na fogueira. Mas o que presenciaram foi algo ainda mais aterrorizante:
um total silêncio e serenidade no semblante de cada um daqueles
senhores tão humilhados e maltratados, e agora à beira da morte.

Via-se o fogo consumindo suas pernas e vestes e sentia-se o cheiro de
carne queimada no ar, mas eles não demonstravam nenhum sinal de
sofrimento.
Assim, o silêncio foi quebrado pela própria multidão, que murmurava
sem acreditar no que estava vendo. Foi então que todos viram que o
grande líder dos condenados, Jacques de Molay, estava falando algo.
Não se podia ouvir, pela distância em que a fogueira se encontrava, o
barulho das pessoas e o tom sereno com que DeMolay falava. Mas ele
falou algo, olhando para a multidão, para o camarote, e logo se calou,
fechando seus olhos para aquela vida terrena.

As pessoas começaram a sair rapidamente dali, incomodadas com o que
acabaram de presenciar. Algumas, supersticiosas, julgaram presenciar
uma maldição. Outras entenderam aquelas palavras inaudíveis, como uma
oração, uma despedida, ou mesmo um prelúdio do que estava por vir. O
que todos sabiam é que haviam presenciado a morte de um grande homem,
algo que ficaria para a história. Aquela segunda-feira, 18 de Março de
1314, jamais seria esquecida.
Jacques de Molay estava acima dos Reis e abaixo do Papa enquanto
Grão-Mestre. Mas enquanto prisioneiro, enquanto líder que protegeu
seus Companheiros e não traiu seus princípios, ele esteve acima de
qualquer homem. Um reinado se ganha com um sobrenome, um papado se
ganha com uma eleição. Um herói e mártir independe de posição,
prestígio e poder. É definido por escolhas e atitudes. As de Jacques
de Molay servem de exemplo até hoje para milhões de jovens e homens de
todo o mundo.

18 de Março de 2014: 700 anos desde aquela noite.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Baden Powell e o Escotismo

Baden Powell foi maçom? Qual a relação Escotismo e a Maçonaria?

"Os escoteiros surgiram da maçonaria, porque Baden Powell eram maçon.
Sonhou, segundo ele, fazer com harmonia a convivência entre os filhos
de duques e filhos de empregados".Por certo, "a Igreja antes de
apoderar-se do escotismo se opôs a ele duramente"."No século XX, os
maçons apoiaram importantes organizações esportivas, pacifistas ou
direcionadas a internacionalizar os países e o mundo inteiro sob a
bandeira da paz. Não era uma globalização desagregadora e destrutiva
da pessoa humana destinada aos indivíduos e as sociedades por trás de
valores éticos e humanistas.O maçom suíço Henry Dunant, criou a Cruz
Vermelha Internacional (…), Robert Baden Powell fundou o Movimento
Escoteiro, visionário e pioneiro, tal como outro maçom, Pierre de
Coubertin refundo os Jogos Olímpicos.Se tantos investigadores citam a
Baden Powell, como franco-maçom, por que no Movimento Escoteiro
ocultam esse importante dado?
Dezenas de lojas maçônicas no mundo levam o nome "Baden-Powell'.

Robert Stephenson Smyth Baden-Powell nasceu em Londres, Inglaterra, a
22 de fevereiro de 1857. Seu pai era o reverendo H. G. Baden-Powell,
professor em Oxford. Sua mãe era filha do almirante inglês W. T.
Smyth. Seu bisavô, Joseph Brewer Smyth, tinha ido como colonizador
para Nova Jersey (EUA) mas voltou para a Inglaterra e naufragou na
viagem de regresso.
Seu pai morreu quando Robert tinha aproximadamente 3 anos, deixando a
sua mãe com sete filhos, dos quais o mais velho não tinha ainda 14
anos. Havia com freqüência momentos difíceis para uma família tão
grande, mas o amor mútuo entre mãe e filhos ajudava-os a continuar em
frente.

Robert viveu uma bela vida ao ar livre com seus quatro irmãos,
excursionando e acampando com eles em muitos lugares da Inglaterra.

Em 1870 B-P ingressou na Escola Charterhouse em Londres com uma bolsa
de estudos. Não era um estudante que se destacasse especialmente dos
outros, mas era um dos mais vivos. Estava sempre metido em tudo que
acontecia no pátio do colégio, e cedo se tornou popular pela sua
perícia como goleiro da equipe de futebol de Charterhouse.

Seus camaradas da escola muito apreciavam suas habilidades como ator.
Sempre que pediam ele improvisava uma representação que fazia a escola
toda morrer de rir. Tinha também vocação para a música, e seu dom para
o desenho permitiu-lhe mais tarde ilustrar todas as suas obras.
Aos 19 anos B-P colou grau na Escola Charterhouse e aceitou
imediatamente uma oportunidade de ir à Índia como subtenente do
regimento que formara a ala direita da cavalaria na célebre "Carga da
Cavalaria Ligeira" da Guerra da Criméia.

Além de uma carreira excelente no serviço militar (chegou a capitão
aos vinte e seis anos), ganhou o troféu esportivo mais desejado de
toda a Índia, o troféu de "sangrar o porco", caça ao javali selvagem,
a cavalo, tendo como única arma uma lança curta. Vocês compreenderão
como este esporte é perigoso ao saber que o javali selvagem é
habitualmente citado como "o único animal que se atreve a beber água
no mesmo bebedouro com um tigre.
Em 1887 B-P participou da campanha contra os Zulus na África, e mais
tarde contra as ferozes tribos dos Ashantís e os selvagens guerreiros
Matabeles. Os nativos o temiam tanto que lhe davam o nome de "Impisa",
o "lôbo-que-nunca-dorme", devido a sua coragem, sua perícia como
explorador e sua impressionante habilidade em seguir pistas.

As promoções de B-P na carreira militar eram quase automáticas tal a
regularidade com que ocorriam até que, subitamente se tornou famoso.

Corria o ano de 1899 e Baden-Powell tinha sido promovido a Coronel. Na
África do Sul estava se fermentando uma agitação e as relações entre a
Inglaterra e o governo da República de Transval tinha chegado ao ponto
do rompimento. B-P recebeu ordens de organizar dois batalhões de
carabineiros montados e marchar para Mafeking, uma cidade no coração
da África do Sul. "Quem tem Mafeking tem as rédeas da África do Sul",
era um dito corrente entre os nativos, que se verificou ser
verdadeiro.
Veio a guerra, e durante 217 dias (a partir de 13 de outubro de 1899)
B-P defendeu Mafeking cercada por forças esmagadoramente superiores do
inimigo, até que tropas de socorro conseguiram finalmente abrir
caminho lutando para auxiliá-lo, no dia 18 de maio de 1900.
Procure "Mafeking" em seu dicionário de inglês e junto a esta palavra
você encontrará duas outras criadas neste dia tumultuoso derivadas do
nome da cidade africana: "maffick" e "maffication" significando
"celebração tumultuosa".

B-P promovido agora ao posto de major-general tornou-se um herói aos
olhos de seus compatriotas. Foi como um herói dos adultos e das
crianças que em 1901 ele regressou da África do Sul para a Inglaterra
e descobrir, surpreso, que a sua popularidade pessoal dera
popularidade ao livro que escrevera para militares: Aids to Scouting
(Ajudas à Exploração Militar). O livro estava sendo usado como um
compêndio nas escolas masculinas. B-P viu nisto um desafio.
Compreendeu que estava aí a oportunidade de ajudar a juventude. Se um
livro para adultos sobre as atividades dos exploradores podia exercer
tal atração sobre os rapazes e servir-lhes de fonte de inspiração,
outro livro, escrito especialmente para rapazes poderia despertar
muito maior interesse.

Pôs-se então a trabalhar, aproveitando e adaptando sua experiência na
Índia e na África entre os Zulus e outras tribos selvagens. Reuniu uma
biblioteca especial e estudou nestes livros os métodos usados em todas
as épocas para a educação e o adestramento dos rapazes, desde jovens
espartanos, os antigos bretões, os peles-vermelhas, até os nossos
dias. Lenta e cuidadosamente, B-P foi desenvolvendo a idéia do
escotismo. Queria estar certo de que a idéia podia ser posta em
prática, e por isso, no verão de 1907 foi com um grupo de 20 rapazes
para a ilha de Brownsea, no Canal da Mancha, para realizar o primeiro
acampamento escoteiro que o mundo presenciou. O acampamento teve um
completo êxito.

Nos primeiros meses de 1908, lançou em seis fascículos quinzenais o
seu manual de adestramento, o "Escotismo para Rapazes" sem sequer
sonhar que este livro iria por em ação um movimento que afetaria a
juventude do mundo inteiro.

Mal tinha começado a aparecer nas livrarias e nas bancas de jornais e
já surgiram patrulhas e tropas escoteiras não apenas na Inglaterra,
mas em muitos outros países. O movimento cresceu tanto que em 1910,
B-P compreendeu que o Escotismo seria a obra a que dedicaria a sua
vida. Teve a visão e a fé de reconhecer que podia fazer mais pelo seu
país adestrando a nova geração para a boa cidadania do que preparando
um punhado de homens para uma possível futura guerra.
Pediu então demissão do Exército onde havia chegado a tenente-general
e ingressou na sua "segunda vida", como costumava chamá-la, sua vida
de serviço ao mundo por meio do Escotismo.

Em 1912 fêz uma viagem ao redor do mundo para contactar os escoteiros
de muitos outros países. Foi este o primeiro passo para fazer do
Escotismo uma fraternidade mundial.
A Primeira Guerra Mundial momentaneamente interrompeu este trabalho,
mas com o fim das hostilidades foi recomeçado, e em 1920 os escoteiros
de todas as partes do mundo se reuniram em Londres para a primeira
concentração internacional de escoteiros: o Primeiro Jamboree Mundial.
Na última noite deste Jamboree, a 6 de agosto, B-P foi proclamado
"Escoteiro-Chefe-Mundial" sob os aplausos da multidão de rapazes.

O Movimento Escoteiro continuou a crescer. No dia em que atingiu a
"maioridade" completando 21 anos contava com mais de 2 milhões de
membros em praticamente todos os países do mundo. Nesta ocasião, B-P
recebeu do rei Jorge V a honra de ser elevado a barão, sob o nome de
Lord Baden-Powell of Gilwell. Mas apesar deste título, para todos os
escoteiros ele continuou e continuará sempre sendo B-P, o
Escoteiro-Chefe-Mundial.

Quando suas forças afinal começaram a declinar, depois de completar 80
anos de idade, regressou à sua amada África com a sua espôsa, Lady
Baden-Powell, que fôra uma entusiástica colaboradora em todos os seus
esforços, e que era a Chefe-Mundial das "Girl Guides" (bandeirantes),
movimento também iniciado por Baden-Powell.

Fixaram residência no Quênia em um lugar tranquilo e com um panorama
maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo
montanhas de picos cobertos de neve. Foi lá que morreu Robert
Stephenson Smyth Baden-Powell, em 8 de janeiro de 1941 faltando um
pouco mais de um mês para completar 84 anos de idade.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Grande Capítulo do Rito de York

Em torno do ano de 1910, Maçons de origem inglesa não estavam
satisfeitos com a Maçonaria praticada aqui no Brasil, pois pretendiam,
se possível, ter Lojas do Rito inglês, que trabalhassem segundo a
orientação litúrgica da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Alguns Obreiros desta última, foram enviados ao Brasil para negociarem
com o Grande Oriente do Brasil, com o intuito de obter do GOB, a
autorização para estabelecer uma Grande Loja Distrital, sob a
Constituição Inglesa, em nosso território.

Isso não foi concretizado nessa época, porém, foi assinado um Tratado,
em 21/12/1912, pelo Grão Mestre Lauro Sodré, do GOB, e pelos
representantes da GLUI, que relatava, resumidamente e com outras
palavras, o que segue abaixo:

- o GOB em consideração à inabalável e fraternal amizade que sempre
uniu a GLUI e o GOB, e pretendendo atender aos anseios dos maçons
ingleses residentes no Brasil, resolveu permitir que fosse criado um
Grande Capítulo do Rito de York, com patente e sob a obediência do
Grande Oriente do Brasil (NOTA: sobre o termo "Rito de York" faremos
uma explicação na próxima Pílula).

- desde logo ficarão subordinadas a esse Capítulo as seguintes sete
Lojas do GOB:

"Eduardo VII", ao Oriente do Pará;

"Saint George", ao Oriente de Recife;

"Duke of Clarence". Ao Oriente da Bahia;

"Eureka Nº 3", ao Oriente do Poder Central;

"Wanderers", ao Oriente de São Paulo;

"Unity", ao Oriente de São Paulo;

"Morro Velho", ao Oriente de Minas Gerais

- esse Grande Capítulo será autoridade suprema, em matéria litúrgica e
autorização de funcionamento, para todas as Lojas do Rito de York,
atualmente e para aquelas que no futuro forem criadas no Brasil.

Como fruto desse Acordo, foi feito o Decreto Nº 478, de 01/12/1913,
resumidamente mencionado abaixo (caso alguém se interessar tenho o
Decreto na íntegra):

- Fica criado, no Oriente do Poder Central, o Grande Capítulo do Rito
de York, ao qual se subordinarão, liturgicamente, todas as lojas desse
rito atualmente existente no Brasil.
- O Grande Capítulo mencionado terá as mesmas atribuições da
Constituição das Grandes Oficinas chefes de Rito, além das do acordo
entre GOB e a GLUI.

- esse Grande Capítulo será composto por 33 membros efetivos, etc.

Esse Decreto durou até 1935, quando em 06 de maio desse ano, é
assinado um outro Tratado, denominado "Tratado Convênio de Aliança
Fraternal" entre o Grande Oriente do Brasil e a Grande Loja Unida da
Inglaterra, reconhecendo, naquela época, o GOB como única Potência
Maçônica regularmente estabelecida no Brasil e o GOB, por sua vez,
autorizava o estabelecimento, no Brasil, de uma Grande Loja Distrital,
sob Carta Patente da Grande Loja Unida da Inglaterra.
Por esse Tratado, convencionou-se, também, que "em virtude de não mais
ser necessária a existência do Grande Capítulo do Rito de York no
Brasil, este, uma vez formada e estabelecida a Grande Loja Distrital,
cessará suas atividades" (Castellani).

Com isso, todas as Lojas do Rito de York, então existentes, passaram,
sob a direção da Grande Loja Distrital, para a Jurisdição da Grande
Loja Unida da Inglaterra.

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

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