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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Antimaçonaria – Leo Taxil

Gabriel Jogang Pagés, francês nascido em 1854, com o pseudônimo de Leo
Taxil, tornou-se origem das acusações de luciferismo e cultos
satânicos contra a Maçonaria, acentuando a discordância entre esta
última e o Clero.

Leo Taxil teve uma juventude turbulenta, estudando em diversos
colégios católicos dos Jesuítas, sendo expulso de alguns deles e sai
da casa paterna antes dos 16 anos.

Dedicado inteiramente ao jornalismo, em 1871 já com o
pseudônimo de Leo Taxil, para ludibriar seu severo pai, ingressa no "A
Igualdade"; funda posteriormente o "La Marote", a "Jovem República" e
em 1874 dirige "O Furacão".

Em todas essas ocasiões, seus artigos eram uma seqüência de
folhetins anticlericais, dos mais violentos, sofrendo diversos
processos por excesso de linguagem. Em 1876, foge para a Suiça,
voltando posteriormente a Paris. Tinha 24 anos e começa uma carreira
vertiginosa uma vez que os republicanos e anticlericais triunfavam. Em
1879 funda a Biblioteca Anticlerical e alimenta a França com uma
enxurrada de panfletos sensacionalistas. Ganhou, com o passar dos
anos, muito dinheiro e diversos processos movidos pelo Clero.

Em 1881, Taxil havia sido Iniciado na Loja Maçônica "Os Amigos da
Honra Francesa", da qual foi expulso após dez meses, ainda na fase de
Aprendiz.

O interesse pela sua literatura sensacionalista decai, as
vendas sofreram brusca queda, o que fez que, em 1885, após intensa
atividade anticlerical, Leo Taxil declara-se "convertido",
repentinamente, sem transição alguma. Confessa-se e passa a viver com
os clericais freqüentando bibliotecas religiosas e aplica um novo
golpe: começa a escrever contra a Maçonaria.

Assim, na condição de "católico penitente", dedica-se, a
partir de 1885 à publicações antimaçônicas. Seus livros descreviam
rituais maçônicos entremeados de fantasias mirabolantes, passando
posteriormente, a inventar e descrever rituais fantásticos, cultos
luciferinos, satânicos. Esses livros eram devorados pelos leitores
ávidos de sensacionalismo, tornando-se um grande e lucrativo negócio.

O negócio floresceu e chegou ao ponto culminante com a
invenção de "Miss Diana Vaughan" no seu livro "As Irmãs Maçons", onde
tal personagem era a sacerdotisa de um culto demoníaco feminino a que
chamou de Palladismo. Tal personagem queria livrar-se das garras do
satanismo e voltar à Santa Igreja Católica mas era impedida pelos
Maçons.

As autoridades eclesiásticas apoiavam de público e através de
cartas as "revelações" do autor, chegando algumas delas a oferecer
auxílio à fictícia Diana Vaughan. Em visita ao Vaticano, Leo Taxil foi
cordialmente recebido por Cardeais e teve uma entrevista pessoal com o
próprio Leão XIII.

As obras de Taxil foram traduzidas em diversos idiomas e seus
artigos publicados em revistas e jornais católicos. Outros autores,
influenciado pelo sucesso de Taxil, e tomando-o como referência,
começaram também a explorar o mesmo tema. Durante doze anos toda essa
miscelânea de imbecilidades forjadas por Leo Taxil foi devorada por um
público cativo.

Apesar da desconfiança de algumas autoridades de tudo não
passar de um embuste, os livros de Taxil continuavam a ser vendidos.
Sua influência crescia também em outras nações, a ponto de na Espanha
e Bélgica serem formadas comissões especiais para investigação da
Maçonaria.

Até que finalmente, na Itália, em setembro de 1896,
realizou-se um Congresso Antimaçônico em Trento, incentivado pelo Papa
Leão XIII. Lá, algumas manifestações de descrédito dos exageros de
Taxil começavam a aparecer. O monsenhor alemão Gratzfeld, provou que
Miss Diana Vaughan era um embuste, mas não foi levado a sério.

Comissões foram criadas e aí começaram a aparecer dúvidas
sobre a veracidade dos escritos e das personagens. Começava, assim, o
fim de uma mistificação.

Depois de muito relutar, na Sociedade Geográfica de Paris,
Taxil denunciou sua própria fraude, gabando-se de ter conseguido
iludir as autoridades eclesiásticas por doze anos. A reação às
declarações de Taxil foi de tal ordem que ele teve de deixar o local
sob proteção policial. Não mais se ouviu falar sobre Taxil que veio a
falecer em 1907.

Eleutério N. Conceição esclarece: "todavia, aplica-se a este
caso a conhecida figura do travesseiro de penas sacudido ao vento: é
impossível recolher todas as penas". De tempos em tempos, aparecem
livros antimaçônicos, inspirados nas idiotices de Leo Taxil, ou de
outro autor inspirado por ele.

E, assim, os Maçons norte americanos, que periodicamente
sofrem campanhas movidas por igrejas fundamentalistas, repisando
sempre as mesmas teclas de Leo Taxil, referem-se à fraude como "The
lie that will never die" – a mentira que nunca morrerá.





Ir.'. Alfério Di Giaimo Neto.

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