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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Igreja Católica reconhece comunicação com os espíritos

Recentemente foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico
trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído,
justamente, ao Espírito Dom Helder Câmara, bispo católico, arcebispo
emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1999,
em Recife (PE).

O livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita
Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio
espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais
espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge
beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom
Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as
outras religiões.

Marcelo Barros secretariou Dom Helder Câmara no período de 1966 a 1975
e tem 30 livros publicados. Ao prefaciar o livro "Novas Utopias", do
espírito Dom Helder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela
originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a
Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu
muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre
vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé
necessária como o Imprimátur do Vaticano. É importante destacar,
ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes
iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance
Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara, de Recife, o que, aliás, foi
aceito pela instituição católica, sem qualquer constrangimento.

No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo
Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora
Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados à Igreja Católica. Conforme eles
mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada
aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a
codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da
população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a
verdade espiritual, porque "os tempos são chegados", estes
ensinamentos pertencem à natureza e, conseqüentemente, a todos os
filhos de Deus.

A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que
professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o
momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência
espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois
mundos.

Na entrevista com Dom Helder Câmara, realizada pelos editores, o
Espírito comunicante respondeu as seguintes perguntas sobre a vida
espiritual:

Dom Helder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?

Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes
de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico,
continuo como padre porque penso e ajo como padre. Minha convicção à
Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os
ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos
de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível, para o bem da
humanidade.

Do outro lado da vida o senhor tem alguma facilidade a mais para
realizar seu trabalho e exprimir seu pensamento, ou ainda encontra
muitas barreiras com o preconceito religioso?

Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá
reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam
aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de
relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados,
cristalizados em crenças em determinados pontos que não levam a nada.
Resistem à idéia de evolução dos conceitos. Mas, a grande diferença é
que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência
mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de
outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que
vibram na mesma sintonia.

Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?

Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que
passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo
sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na
pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós
juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas
enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade.

Como é sua rotina de trabalho?

A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma... Levanto-me,
porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver
atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que
trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que
precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro
em algumas atividades que faço com muito prazer.

Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua
maior alegria?

Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não
deixaria de existir. Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles
aos quais devotamos o máximo de nosso apreço e consideração e
continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho
para o Nosso Senhor Jesus Cristo.

O senhor, depois de desencarnado, tem estado com freqüência nos
Centros Espíritas?

Não. Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os
hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se
faz presente. Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários,
reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência
mais freqüente não é na casa espírita.

O senhor já era reencarnacionista antes de morrer?

Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este
ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado,
tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus
age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso
grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor.
Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo
natural.

Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?

Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm
da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa
nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.

Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito
interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar
ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação
muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do
médium. É esse o grande de todos nós porque o médium precisa expressar
aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos
poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento,
aí as coisas melhoraram. Outros (médiuns) pelos quais tento me
comunicar enfrentam problemas semelhantes.

Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?

Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade
faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais
detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e
oportunidade. Imaginamos que haja outros padres que também queiram
escrever mediunicamente, relatarem suas impressões da vida espiritual.

Por que Dom Helder é quem está escrevendo?

Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos
da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos
colocam dentro de um caixão e nos dizem "acabou-se". Eu já pensava que
continuaria a existir, sabia que IGREJA CATÓLICA JÁ RECONHECE
COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS haveria algo depois da vida física. Falei
isso muitas vezes. Então, senti a necessidade de me expressar por um
médium quando estivesse em condições e me fossem dadas as
possibilidades. É isto que eu estou fazendo.

Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso País?

Sim. E não poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica
para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem
por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e
resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados
numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a
proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que
acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm
com eles algum tipo de apreço e colaboram nas suas atividades.

Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?

Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à
disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele
por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando acertamos a
forma de atuar, foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele
começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais
fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro.

O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela
mediunidade?

Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia,
inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas
é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da
nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros
mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito.

É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na
vida física?

Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por
si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo, fazermos contato
com o plano físico depois da morte seria uma conseqüência natural.
Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum
tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas,
digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas
espirituais.

Igreja - Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual?

Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram
responsabilidades maiores e que notoriamente tem um grau evolutivo
moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela
sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade. Não quero dizer
que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo
mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade.
Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se
teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral.

Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade?

Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro,
representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma
responsabilidade enorme para qualquer ser humano. Então fica muito
fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali
sentado, algum tipo de consideração. Não é fácil. Quem está ali tem
inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as
espirituais ainda em maior grau. Eu posso ter uma visão ideal.

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