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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Diretor do Denatran sugere restringir circulação de motos para reduzir acidentes

O diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Orlando
Moreira, sugeriu restringir a circulação de motocicletas como forma de
diminuir o número de acidentes e negou que haja problemas de
hierarquia na gestão do trânsito no Brasil.

Segundo a OMS, 20% das mortes no trânsito no país vitimam condutores
ou passageiros de motocicletas, o dobro do registrado entre condutores
ou passageiros de veículos com quatro rodas. O percentual de
motociclistas entre as vítimas no Brasil é oito pontos maior do que a
proporção média mundial, de 12%.

Para Moreira, os índices deveriam estimular restrições à circulação de
motocicletas em vias rápidas, como as já aplicadas em certos pontos de
São Paulo.

O diretor defendeu também a modificação do código de trânsito
brasileiro, para que motocicletas sejam impedidas de se deslocar entre
os carros.

Aprovado em 1998, o código continha um artigo que proibia a circulação
de motocicletas entre as faixas de rolamento dos demais veículos, mas
o item foi vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Agora, afirma Moreira, estuda-se a reincorporação do artigo.

Segundo o ministério da Saúde, os gastos com acidentes de moto
dobraram entre 2007 e 2010, ano em que houve 150 mil internações
relacionadas à ocorrência. Os dados fizeram com que o ministro da
Saúde, Alexandre Padilha, dissesse no início do mês que o Brasil vive
uma "epidemia de acidentes de motocicleta."

Hierarquia

Em resposta às críticas de analistas ouvidos pela BBC Brasil, que
citam a "fragilidade institucional" dos órgãos que gerem o trânsito no
país entre as causas para o alto número de mortes, Moreira diz que o
Contran (Conselho Nacional de Trânsito), responsável por coordenar o
Sistema Nacional de Trânsito, é integrado por vários ministros.

"O trânsito não é tarefa para um único ministério", diz.

Ainda assim, afirma que a transformação do Denatran numa autarquia,
prevista em projeto que tramita no Congresso, seria bem-vinda, pois
garantiria ao órgão autonomia financeira.

Embora considere os atuais índices brasileiros de mortalidade no
tráfego "inadmissíveis e preocupantes", Moreira diz confiar num
programa recém-lançado pelo órgão para melhorar as estatísticas.

O Pacto Nacional pela Redução de Acidentes no Trânsito, afirma ele, se
assentará nos cinco pilares seguintes, em ordem de importância:
fiscalização, educação, saúde, infraestrutura viária e segurança
veicular.

Segundo o diretor, a ênfase em fiscalização e educação se justifica
porque 80% dos acidentes no Brasil são causados por falhas humanas,
como excesso de velocidade, imprudência e a recusa a usar capacete e
cinto de segurança.

Fonte:
sobremotos.com.br

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