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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A Maçonaria e a independência do Brasil

Pelo Pacto Colonial, as colônias eram instrumentos de geração de
riqueza. As Metrópoles (países possuidores de colônias) competiam
entre si na produção de riqueza, explorando cada vez mais suas
colônias.

As colônias não podiam ter objetivos internos nem projetos de
desenvolvimento próprio. Só podiam produzir o que a Metrópole não
produzia. Assim, a colônia não podia concorrer com a Metrópole.

Portugal é que determinava quem podia ou não vender para o Brasil. O
interessado devia pagar um Imposto de 24% para Portugal para poder
vender no Brasil. Como a exploração metropolitana era excessiva e os
colonos não tinham o direito de protestar, cresceu o descontentamento
dos brasileiros. Iniciam-se então as rebeliões conhecidas pelo nome de

Movimentos Nativistas, quando ainda não se cogitava na separação entre
Portugal e Brasil. Estampava-se em nosso País o ideal da liberdade. A
primeira delas foi a Revolta de Beckman em 1684, no Maranhão. No
início do século XVIII, com o desenvolvimento econômico e intelectual
da colônia, alguns grupos pensaram na Independência Política do
Brasil, de forma que os brasileiros pudessem decidir sobre seu próprio
destino.

Ocorreu, então, a Inconfidência Mineira (1789) que marcou a história
pela têmpera de seus seguidores; depois a Conjuração Baiana (1798) e a
Revolução Pernambucana (1817), todas elas duramente reprimidas pelas
autoridades portuguesas. Em todos estes movimentos a Maçonaria se fez
presente através das Lojas Maçônicas e Sociedades Secretas já
existentes, de caráter maçônico tais como: "Cavaleiros da Luz" na
Bahia e "Areópago de Itambé" na divisa da Paraíba e Pernambuco, bem
como pelas ações individuais ou de grupos de Maçons. A História da
nossa Independência está intimamente ligada com a Fundação do Grande
Oriente do Brasil, Obediência Mater da Maçonaria Brasileira. A
Maçonaria divulgava as ideias liberais visando combater os princípios

absolutistas e mercantilistas. Apesar do farto material documental
existente, pouco se publica sobre o papel importante, decisivo e
histórico que a Maçonaria, como Instituição, teve nos fatos que
precipitaram a proclamação da Independência do Brasil. Em sua obra
"História de Portugal", Oliveira Martins situa, com certa propriedade,
que "quem separou o Brasil foi D. João VI".

Na realidade, ao elevar o Brasil à condição de Reino Unido ao de
Portugal e Algarves, a 16 de dezembro de 1815, D. João VI abria o
caminho da independência. Embora alguns autores o tenham pintado como
um bonachão, que só se preocupava com as futricas da Corte e em comer
meia dúzia de franguinhos por dia - o que já se comprovou ser um falso
retrato - ele tinha um tino político extraordinário, que o habilitara
a prever a marcha dos acontecimentos a partir do estabelecimento da
Corte no Rio de Janeiro e da revolta das colônias espanholas. Sabendo
que o Brasil marcharia para a independência, planejou garantir, para a
Casa de Bragança, ambos os tronos.

E tanto amava ele o Brasil, que, ao deixar de ser regente, tornando-se
rei de Portugal, depois da morte de sua mãe, D. Maria I, chegou a
assinar um decreto nomeando D. Pedro I regente de Portugal,
permanecendo ele mesmo no Brasil. Os acontecimentos em Portugal,
porém, exigiram sua presença, forçando a uma alteração dos planos; ele
retornaria a Lisboa, deixando D. Pedro I no Brasil, com instruções
praticamente explícitas para se colocar à

frente do movimento emancipador, como comprovam suas palavras ao
príncipe, dois dias antes de sua partida: "Pedro, se o Brasil se
separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de

respeitar, do que para alguns desses aventureiros". Por isso, depois
da volta de D. João

VI a Lisboa, ampliou-se a política de reação a tudo quanto se tinha
fundado no Brasil: A abertura dos portos em 1808, a todas as Nações
Amigas (só a Inglaterra era amiga, pois França era inimiga); criação
do Banco do Brasil em 1810; construção da Casa da Moeda; inauguração
da Biblioteca Nacional; instalação da Fábrica de Pólvora; construção
do Jardim

Botânico; fundação de duas Faculdades de Medicina; fundação da
Imprensa Régia e revogação de uma lei anterior que proibia a
instalação de indústrias no Brasil. A permanência de D. Pedro I no Rio
de Janeiro decepcionou a Assembleia das Cortes, que esperava o retorno
de toda a família real e o consequente abandono da terra brasileira ao
Governo das Juntas Provinciais, cuja formação era ruidosamente
promovida em Lisboa.

Pressentiam os portugueses que o engrandecimento do Brasil ocasionaria
sua inevitável emancipação política, o que seria de resultados
desastrosos para a Metrópole, que tinha nesta opulenta colônia seu
maior sustentáculo econômico. Com essa clara visão do futuro,
resolveram as Cortes empenhar-se em inglória batalha, no sentido de
fazer o Brasil regredir, para enfraquecer- lhe o nacionalismo
crescente. Afinal, em 29 de setembro de 1821, aprovaram-se os Decretos
nº 124 e 125.

O primeiro extinguia os governos provinciais independentes,
restabelecendo as juntas provisórias de governo com toda a autoridade
e jurisdição na parte civil, econômica, administrativa e de polícia,
ficando subordinados às juntas todos os magistrados e autoridades

civis. O segundo, como ponto nevrálgico, determinava o imediato
regresso a Portugal do Príncipe D. Pedro I. Nos redutos maçônicos,
particularmente na Loja "Comércio e Artes",

que se reinstalara em 24 de junho daquele ano (1821), intensificou-se
o trabalho pela organização, no reino ultramarino, de um governo livre
e independente, sob a regência do Príncipe D. Pedro I, que por
influência dos maçons se rebelara contra os Decretos 124 e 125.

Naqueles três meses seguintes, tal era o burburinho da nacionalidade
que o Intendente-Geral da Polícia, João Inácio da Cunha, comunicou-se
com o Ministro do Reino, por ofício de conteúdo sigiloso,
informando-lhe da impossibilidade de agir com as tropas de que
dispunha, pois estavam os seus integrantes, na maioria, filiados à
Maçonaria.

E terminava o ofício com o seguinte enunciado: "... o movimento da
Independência é por demasia generalizado pela obra maldita dos maçons
astuciosos, sob a chefia de Gonçalves Ledo". Núcleo da ideia de
emancipação, a Loja "Comércio e Artes", sob a liderança de Gonçalves
Ledo, trabalhava infatigavelmente. Desponta, no entanto, um ardoroso
patriota e maçom, o Capitão-Mor José Joaquim da Rocha, e planeja o
empreendimento de que resultou "O FICO", definitivo ato de rebeldia de
D. Pedro I contra as Cortes de Lisboa, que insistiam em seu retorno a
Portugal.

Os decretos das Cortes chegam ao Rio de Janeiro, no dia 09 de dezembro
de 1821. Precisamente nesse dia, José Joaquim da Rocha funda em sua
casa o "CLUBE DA RESISTÊNCIA". O Clube visava, precipuamente, projetar
com segurança a adesão de D. Pedro I ao movimento nacionalista. Para
evitar a vigilância da Polícia, reuniam se na residência de José
Joaquim da Rocha, na Rua da Ajuda,e muitas vezes na cela de Frei
Sampaio, no Convento de Santo Antônio, onde se realizavam verdadeiras
Sessões Maçônicas.

Depois do vitorioso episódio do FICO, o "Clube da Resistência", sob a
direção de José Joaquim da Rocha, foi transformado em "Clube da
Independência" e, mais tarde, na Loja "09 de janeiro". Portugal ficou
furioso e mandou tropas para cá, que o Imperador logo tratou de mandar
de volta. Além disso, D. Pedro I formou um novo ministério, que tinha
brasileiros e portugueses, mas a chefia era de um brasileiro: José
Bonifácio de Andrada e Silva. (foto à esquerda) E tratou de convocar
uma Assembleia Constituinte, para elaborar uma Constituição para o
Brasil - que só foi se reunir um ano depois. Prosseguiu
desenvolvendo-se, intensamente, o movimento

da emancipação política, sempre com a iniciativa dos maçons. Mário
Melo, em seu livro "A Maçonaria no Brasil", anota que ninguém era
iniciado nas Lojas Maçônicas sem que fosse conhecida sua opinião sobre
a Independência do Brasil e os candidatos assinavam um termo de
compromisso de defendê-la. No dizer do historiador Assis Cintra, "a
independência

era fatal, era um fruto maduro pendente da árvore, prestes a ser
colhido. Em todos os recantos fervilhava o ardor patriótico. Nas Lojas
Maçônicas, generais, doutores, juízes, almirantes, funcionários
públicos, capitalistas, fazendeiros, artífices e até padres dos mais
ilustres desse tempo, conspiravam".

O papel fundamental exercido pela nascente Maçonaria brasileira -
através do Grande Oriente do Brasil - no movimento emancipador
brasileiro, não pode ser deslustrado. Todavia, não pode, também,
prevalecer na mente dos maçons influenciados por mistificadores da
História, a ideia de que quem fez a independência foi a Maçonaria e
que D. Pedro I limitou-se, simplesmente, a referendá-la, pois, como já
foi esclarecido, o príncipe, seguindo a diretriz traçada por seu pai,
marcharia, de qualquer maneira, ao encontro desse objetivo.

É claro que a ação maçônica contribuiu para acelerar a marcha dos
acontecimentos e que a iniciação de D. Pedro I serviu aos interesses
de ambas as partes, pois os maçons, com o regente entre eles, puderam
influenciá-lo a antecipar a ruptura com Portugal. Domingos Alves
Branco Muniz Barreto, em sessão da loja "Comércio e Artes", propôs que
se desse ao Príncipe

um título conferido pelo povo, de "Protetor e Defensor Perpétuo do
Brasil". A ideia foi aprovada por todos e marcaram a data de 13 de
maio, dia do Aniversário de D. João VI. D. Pedro I disse que aceitava
o título, mas sem o "Protetor", apenas como "Defensor". Era preciso,
ainda, fazer maçom o Príncipe D. Pedro I. José Bonifácio já lhe falara
da Maçonaria, da ação de Gonçalves

Ledo e outros líderes maçônicos. Não seria ele o primeiro Príncipe a
conhecer os preceitos

da Ordem. Reis e Imperadores, na Europa, haviam sido maçons. Assim, a
13 de julho de 1822, foi aprovada sua proposta de admissão, endossada
por José Bonifácio. A 02 de agosto de 1822, D. Pedro I era iniciado na
Loja "Comércio e Artes", "ardendo em curiosidade, e a fantasia
despertada pelo mistério de um rito perfumado de magia oriental" –
como escreve Pedro Calmon, em "A Vida de D. Pedro I". Recebeu o nome
histórico de "Guatimozim". Mas, por

que "Guatimozim" e o que significava isso? Trata-se do último
imperador Asteca morto em 1522, conforme conta nos, parabolicamente, o
historiador Rocha Martins, em sua obra "A Independência do Brasil". Da
ata da nona sessão do Grande Oriente do Brasil - Assembleia Geral -
realizada no 13º dia do 5º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz 5822
, consta ter o Grão-Mestre da Ordem, conselheiro José Bonifácio de
Andrada e Silva, proposto a iniciação de Sua Alteza D. Pedro de
Alcântara.

E que, "aceita a proposta com unânime aplauso, e aprovada por
aclamação geral, foi imediata e convenientemente comunicada ao mesmo
proposto, que se dignando aceitá-la, compareceu logo na mesma sessão e
sendo também logo iniciado no primeiro grau na forma regular e
prescrita na liturgia, prestou o juramento da Ordem e adotou o nome
heroico de Guatimozin".

Na décima sessão, realizada a 05 de agosto, Guatimozin recebeu o grau
de Mestre Maçom. Da iniciação ao Grão-Mestrado, o certo é que o
ingresso de D. Pedro I na Maçonaria resultou de sua mais íntima
ligação com a causa da independência. Foram os maçons que o
proclamaram Imperador e, em consequência, a própria libertação
política do Brasil, em sessão do Grande Oriente do Brasil, quando D.
Pedro I se encontrava em viagem para São Paulo. Na verdade, como
afirmam os historiadores, maçônicos e profanos, Gonçalves Ledo propôs
e se aprovou por unanimidade "que fosse inabalavelmente firmada a
proclamação de nossa independência e da realeza constitucional na
pessoa do augusto príncipe".

Aliás, o próprio Gonçalves Ledo, em vibrante artigo no "Revérbero", já
o concitara antes: "Príncipe! Não desprezes a Glória de ser o fundador
de um novo império". Em nota à margem do livro "História da
Independência do Brasil", de Adolfo Varnagem, escreve o Barão do Rio
Branco. " três dias depois, em outra sessão, ainda presidida por
Gonçalves Ledo, continuou-se a discussão. Por proposta sua, foram
nomeados os emissários, que deviam ir tratar a aclamação nas
diferentes províncias, entre eles, Januário Barbosa, designado para ir
a Minas, João Mendes Viana, para Pernambuco, e José Gordilho de
Barbuda, para a

Bahia. Vários maçons ofereceram as somas necessárias para as despesas
de viagem".

No dia 14 de agosto de 1822, D. Pedro I viajou para São Paulo para
resolver um problema político. Deixou que Dona Leopoldina, sua mulher,
ficasse no poder durante sua ausência. Quando as coisas já tinham se
acalmado e ele seguia para Santos, chegaram ao Rio de Janeiro ordens
das Cortes: D. Pedro I deveria voltar para Portugal naquele instante,
José Bonifácio deveria ser julgado, e um novo ministério seria criado
para colocar ordem na sociedade.

Tudo isso destruía todas as medidas de D. Pedro I. Dona Leopoldina e
José Bonifácio mandaram seus mensageiros correrem com essas notícias.
Um mensageiro conseguiu encontrar D. Pedro I às margens do riacho
Ipiranga, em São Paulo.

Era à tarde do dia 07 de setembro de 1822. D. Pedro I leu os decretos
e perguntou ao Padre Belchior: O padre aconselhou D. Pedro I a
proclamar a independência do Brasil. Senão, ele seria feito
prisioneiro das Cortes.

Não tinha jeito! Trinta e oito pessoas assistiram à cena: D. Pedro I
desembainhou a espada, ergueu-a para o alto e gritou: "INDEPENDÊNCIA
OU MORTE!".Segundo Adelino de Figueiredo Lima, em "Nos Bastidores do
Mistério", "INDEPENDÊNCIA OU MORTE" era a denominação de uma das
"palestras" da sociedade secreta "Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa
Cruz", conhecida por "Apostolado" - baseada na Carbonária europeia -
que foi instalada no dia 02 de junho de 1822, quinze dias antes da
fundação do Grande Oriente e dela fazia parte

o próprio Gonçalves Ledo, assim como vários de seus seguidores.
Sabe-se, hoje, que essa sociedade foi fundada por José Bonifácio. D.
Pedro I era, com o título de Archonte- Rei, o presidente, sendo José
Bonifácio, já então Grão- Mestre da Maçonaria, seu lugar-tenente.

O "Apostolado",a que também pertenciam outros maçons ilustres, possuía
rituais próprios, liturgia bastante severa e sinais e palavras de
reconhecimento, exprimindo motivos patrióticos, o que evidenciava os
fins políticos da sociedade. Indiscutível, afinal, é que a
independência política de nossa terra foi, certamente, assinalada com
o FICO, em 09 de janeiro, declarada pela Maçonaria e consagrada em 07
de setembro, com o brado do Maçom D. Pedro I. Disse-o bem Gustavo
Barroso, em sua obra "História Secreta do Brasil":

"A Independência do Brasil foi realizada à sombra da Acácia, cujas
raízes prepararam o terreno para isso".

ps: Recebi sem citação de fonte - se souber qual é a fonte, faça-me
saber através do comentário, que colocarei aqui.

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