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terça-feira, 15 de maio de 2012

Entendendo o Hino da Maçonaria

Gostei do texto e ainda por cima, gosto muito dos autores!

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Retirado de: http://www.noesquadro.com.br

Publicado em 7 de fevereiro de 2012

Da luz que de si difunde
Sagrada Filosofia
Surgiu no mundo assombrado
A pura Maçonaria


A Idade Média é considerada a "idade das trevas", os "mil anos de
escuridão", pois a Igreja Católica impedia a evolução da ciência e
controlava a educação, promovendo a submissão da razão em nome da fé. Após o
fim da Idade Média, tem-se a Idade Moderna, na qual surgiram o Iluminismo e
a Maçonaria. A Maçonaria é considerada, junto de outras instituições, a
responsável pela difusão do ideal de livre busca da verdade.

Maçons, alerta!  ]
Tendes firmeza  ]     Refrão
Vingais direitos  ]
Da natureza       ]

Os "direitos da natureza" são os direitos naturais, defendidos pelos
jusnaturalistas. Trata-se dos direitos considerados próprios do ser humano,
independente de época e lugar. Entre esses direitos, destaca-se os direitos
a vida, a liberdade, a resistência à opressão, e a busca da felicidade.
Esses direitos foram, em outras épocas, tomados do homem através da tirania
e do fanatismo. E cada maçom deve defendê-los.

Da razão parto sublime
Sacros cultos merecia
Altos heróis adoraram
A pura Maçonaria

A alegoria da caverna, de Platão, mostra o homem cego e acorrentado pelas
amarras da ignorância, e ensina que a descoberta do mundo deve se dar de
forma gradativa. O homem ao sair da caverna sofre como um recém-nascido
quando do parto, mas ambos ganham um mundo novo. Após os anos de "mundo
assombrado", a humanidade assiste o nascimento da Maçonaria, uma Ordem cujos
ritos cultuam a razão, retirando homens da caverna da ignorância e
dando-lhes a luz de uma nova vida. Talvez por isso da Maçonaria ser berço de
tantos heróis e libertadores.

(Refrão)

Da razão suntuoso Templo
Um grande Rei erigia
Foi então instituída
A pura Maçonaria

O grande Rei erigindo um suntuoso Templo da razão é o Rei Salomão, tido como
possuidor de toda a sabedoria. E é da construção de seu templo que
alegoricamente foi instituída a Maçonaria, visto ter na lenda dessa
construção o terreno fértil para a transmissão de muitos de seus
ensinamentos.

(Refrão)

Nobres inventos não morrem
Vencem do tempo a porfia
Há de séculos afrontar
A pura Maçonaria

"Porfia" significa "disputa". Apenas as ideias nobres vencem a disputa
contra o tempo. A Maçonaria, por sua nobreza de ideais, tem sobrevivido ao
passar dos séculos, ao contrário de muitas outras instituições que
sucumbiram diante do tempo, sempre implacável.

(Refrão)

Humanos sacros direitos
Que calcara a tirania
Vai ufana restaurando
A pura Maçonaria

"Calcar" significa "pisotear", "esmagar", enquanto que "ufana" significa
"orgulhosa", "triunfante". Em outras palavras, a estrofe diz que: a pura
Maçonaria vai triunfante restaurando os sagrados direitos humanos que foram
pisoteados pela tirania.

(Refrão)

Da luz depósito augusto
Recatando a hipocrisia
Guarda em si com o zelo santo
A pura Maçonaria

A Maçonaria guarda em si, com o devido cuidado, a luz da razão. Em seu
interior, a hipocrisia vai sendo "recatada" (envergonhada), enquanto que a
verdade é exaltada. A razão, duas vezes citada no hino, está diretamente
ligada à verdade, esta o oposto da hipocrisia, pois não existe razão sem
verdade, assim como a verdade só é encontrada com a razão.

(Refrão)

Cautelosa esconde e nega
À profana gente ímpia
Seus Mistérios majestosos
A pura Maçonaria

A Maçonaria mantém seu caráter sigiloso e grupo seleto em proteção de seus
augustos mistérios, para que aquelas pessoas ofensivas ao que é digno não
possam alcançá-los.

(Refrão)

Do mundo o Grande Arquiteto
Que o mesmo mundo alumia
Propício, protege e ampara
A pura Maçonaria

E por fim, a Maçonaria é posta como instituição sagrada, da qual o próprio
Grande Arquiteto do Universo é favorável, e por isso a protege.

(Refrão)


COMENTÁRIOS FINAIS:
Questão interessante sobre esse Hino, que recebeu o nome genérico de "Hino
da Maçonaria" por não ter sido originalmente nomeado, é quanto a sua
autoria. Várias fontes maçônicas o colocam como sendo letra e música de D.
Pedro I. Não há documento algum que corrobore com essa teoria. Outras tantas
fontes, inclusive o GOB, apontam o autor como sendo Otaviano Bastos, o que é
impossível. O próprio Otaviano escreveu em sua obra "Pequena Enciclopédia
Maçônica" que a música é de D. Pedro I, mas a letra é de autor desconhecido.
Há ainda outra questão relacionada ao hino e que merece atenção. Alguns
escritores que se propuseram a interpretar o hino, ao se depararem com o
termo "recatando a hipocrisia", não compreendendo seu real significado,
cometeram o gravíssimo erro de modificar a letra do hino para "recatada da
hipocrisia", de forma que o hino pudesse se encaixar devidamente aos seus
entendimentos, em vez do contrário. Ora, imagine modificar a letra de um
hino musicado por D. Pedro I, cujo valor histórico e maçônico é
incalculável, para se alcançar a interpretação desejada… é o que podemos
chamar de "estupro da história".

CONSULTAS:
GUIMARÃES, José Maurício: Dissecando o Hino da Maçonaria. Portal "Formadores
de Opinião" e Portal "Samaúma".
RIBEIRO, João Guilherme da C.: O Livro dos Dias 2012. 16a Edição. Infinity.
RUP, Rodolfo: O Hino Maçônico Brasileiro. Portal Maçônico "Samaúma".

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