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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A ACÁCIA na Maçonaria

Como um Engenheiro Agrónomo, vou começar falando da Acácia pelo ponto de vista da minha área de formação, sendo sucinto, pois sabemos que o seu significado é muito maior e muito mais amplo do que a sua descrição botânica, mas se entendermos um pouco das suas características morfológicas entenderemos o motivo dela ser um dos maiores símbolos da nossa ordem.

Trata-se de uma planta da família das leguminosas mimosas, uma árvore ou arbusto de folhagem muito leve, elegante, resistente e muito comum nas regiões tropicais e subtropicais e cujo caule e ramos muitas vezes são armados de fortes espinhos ou aguilhões. Fornece madeira de longa duração, e pelo facto de não apodrecer com a humidade, nem mesmo quando mergulhada na água, e não ser sujeita a pragas, adquiriu (no passado oriental) fama de eterna, incorruptível.

O género, com aproximadamente 2.000.000 ha plantados em todo o mundo, apresenta uma relevante importância do ponto de vista social e industrial no reflorestamento. As espécies de maior utilização são Acacia mangium e Acacia auriculiformis, sendo as suas produções direccionadas para polpa de celulose, madeira para movelaria e construção, matéria-prima para compensados, combustível, controle de erosão, quebra-vento e sombreamento.

Também há interesse por ela apresentar significativa capacidade de adaptação às condições edafoclimáticas, sobretudo em solos pobres, ácidos e degradados produzindo elevada quantidade de madeira com baixo acúmulo de nutrientes,.

É uma planta abundante em Jerusalém, apesar de crescer em qualquer parte do mundo, as suas características diferem de região a região. A Acacia oriental ou Acacia diabalta produz a denominada "goma arábica", que entre nós não vinga e esteve presente nos processos de mumificação. No sul do Brasil temos múltiplas espécies de Acácia, entre elas, a denominada "Acácia Negra", de cuja casca é extraído o "tanino".

A palavra Acácia deriva do grego: "Akè" com o significado de "ponta" de um instrumento de metal. Existem variações no nome: AKAKIA, KASIA, KASSIA, AKANTHA (planta que tem espinhos). AKAKIA significa: inocência e ingenuidade. Os Significados de KAKIA significam vícios, desonra, disposição para o mal. Como o prefixo "a" significa negação, o significado de AKAKIA seria há oposição a todas as características ruins existentes.

Para entendermos um pouco do seu simbolismo, vamos recorrer a uma das principais lendas egípcias: a lenda de Osíris.

Seth odiava Osíris, que era tido como sábio e poderoso, então resolveu matá-lo. Ele fez um belo caixão com as exactas medidas de Osíris e convidou as pessoas para um jogo: aquele que se encaixasse perfeitamente no caixão, ganharia o mesmo de presente. Logicamente, quando a vez de Osíris chegou, o caixão era perfeito, e Seth e os seus cúmplices trancaram Osíris dentro do caixão e jogaram-no no rio. A sua mulher, Ísis, procurou-o por muitos dias. O caixão tinha encalhado e sobre ele havia brotado uma acácia. A acácia serviu de indicação para que Ísis encontrasse o corpo de Osíris. Por esta lenda, Osíris é considerado o deus da morte e da imortalidade da alma.

Os antigos egípcios tinham a Acácia como planta sagrada, era adorada pelos árabes. Maomé destruiu o mito da Acácia, que os árabes denominavam de: "Al- uzzá". A aclamação "Huzzé"," pode ter origem no vocábulo "Al-uzzá". "Al-uzzá" que Maomé baniu, por considerá-la idolatria, era venerada pelas tribos de Ghaftanm, de Koreiseh, de Kenânah e de Saken, a quem denominavam de "Pinheiro do Egipto". Se Moisés recomendava que o Tabernáculo, a Arca da Aliança, a Mesa dos Pães da Propiciação e demais Adornos Sagrados, fossem construídos com madeira de Acácia, isto não significa que o seu uso fosse originário daquela época, pois nos mistérios egípcios o seu uso era conhecido. Moisés que estivera no cativeiro, certamente, colheu dos egípcios, o uso da Acácia sagrada nas escrituras.

Na antiguidade, em hebraico, o antigo termo Shittah era usado para Acácia, sendo o plural Shittim (espinho em hebreu). Bete-Sita, no hebraico significa lugar da acácia – e no Atlas Moderno aparece localizada no paralelo 32-30, ao lado do Rio Jordão. Os povos antigos tinham um respeito extremo por ela, chegando a ser considerada como um símbolo solar porque as suas folhas se abrem com a luz do sol ao amanhecer e fecham-se no ocaso. A sua flor imita o disco solar.

No Antigo Testamento, no livro do Êxodo, encontramos diversos trechos que mencionam o seu uso:

* Arca da Aliança – farão uma arca de madeira de acácia. (Êxodo 25.10);
* Mesa dos Pães Propiciais – farás uma mesa de madeira de acácia (Êxodo 25.23);
* Altar dos Holocaustos – Farás o altar de madeira de acácia – o seu comprimento será de cinco côvados, a sua largura de cinco côvados e a sua altura será de três côvados. (Êxodo 27.1);
* Altar de Incenso – Farás um altar para nele queimar incenso, de madeira de acácia o farás. (Êxodo 30);

Hiram Abiff na ornamentação do grande templo esculpiu os Querubins e todos os demais ornamentos, em Acácia que, posteriormente cobriu com lâminas de ouro. Considerando o tamanho dessas esculturas, e o revestimento das paredes internas, tipo "lambris", a Acácia não se apresentava como um simples arbusto, mas como árvore de grande porte. Todas as religiões místicas antigas, possuíam uma árvore simbólica para venerar.

Na Maçonaria conhecemos-la na lenda de Hiram Abiff, durante a exaltação.. Rapidamente no contesto do trabalho, uma lenda diz que após enterrado no Monte Mória o túmulo estava marcado por um galho da acácia deixado pelos seus assassinos, que foi desenterrado por um dos exploradores enviados pelo rei Salomão que extenuado da viagem tentou agarrar-se a ele, soltou-o e criou vida própria. Outra lenda diz que quando os M∴ foram procurar Hiram Abiff, encontraram num local terra removida que parecia ocultar um cadáver então plantaram um galho de acácia. E por fim uma terceira lenda, diz que uma acácia teria brotado do corpo do Maçom morto, anunciando a sua ressurreição.

Estima-se que em 1937 a Acácia nasce no nosso simbolismo junto com a Maçonaria especulativa, sendo a consciência da vida eterna.

"Este galho verde no mistério da morte é o emblema do zelo ardente que o M∴ M∴ deve ter pela verdade e a justiça, no meio dos homens corruptos que atraiçoam uns aos outros".

O significado místico da Acácia é a imortalidade, porque significa a indestrutibilidade, e que o Ser é Imperecível, esse é o ponto culminante d filosofia maçónica.

Quando o Venerável Mestre pergunta ao 1º Vig. "Sois M∴ M∴? e o interpelado responde "A A∴ M∴ é C∴" ele estabelece de imediato a sua qualidade de Maç∴, o que, equivale a dizer "tendo estado na tumba, e triunfado levantando-me dentre os mortos e, estando regenerado, tenho direito à vida eterna". A interpretação simbólica e filosófica da planta sagrada é riquíssima e lembra a parte espiritual que existe dentro de nós que, como uma emanação ao GADU, jamais pode morrer. A Acácia é, simplesmente, a representação da alma e nos leva a estudar seriamente o nosso espírito, o nosso eu interior e a parte imaterial da nossa personalidade. Do Maçom, que já conhece a Acácia é esperado uma conduta pura e sem máculas. Para os Maçons, simboliza Inocência, Iniciação, Imortalidade da Alma e Incorruptibilidade.

Inocência, não dos profanos e dos impuros, mais sim a dos mais justos e nobres. Esta diretamente ligada as maiores virtudes dos Maç∴, igualdade, liberdade, fraternidade, verdade, honra, justiça e as demais características de um homem livre e de bons costumes.

Iniciação, renascimento do homem físico para o homem espiritual, mais evoluído e focado em aprofundar os seus conhecimentos e maneiras de agir e pensar.
Imortalidade, Ressurreição de Osíris, Hiram e Jesus; esta presente na crença do 3 grau, a imortalidade da alma, ou a sua herança moral para a sociedade.
Incorruptibilidade, por a sua madeira não apodrecer, por isso, foram enterrados os membros de Osíris, num caixão de Acácia; Esta característica define bem o Maçom a que não apodrece ou se deixa corromper por influencias externas.

Quando o Maçom diz que a A∴ é M∴ C∴, significa que conhece a imortalidade da alma. 

É o um dos mais importantes e significativos símbolos da Maçonaria, onde temos uma bela percepção dos mistérios da vida e da morte, do tempo e da eternidade, do presente e do futuro. 

Tem por objetivo também ensinar-nos que a vida do homem, norteada de boas e puras ações, será recompensada, na hora final da nossa vida terrena e por toda a eternidade.

Autor desconhecido

Fonte:

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

BAD BUNNY - SuperBowl LX - Lelolai - DeBÍ TiRAR MáS FOToS

O show de Benito Antonio Martinez Ocasio, o Bad Bunny, no intervalo do SUPERBOWL LX foi realmente um "slap in the face"! Um tapa na cara!

Foi um espetáculo de orgulho de ser latino, de ser borícua, de ser Porto Riquenho!

Começou enfatizando o canavial, que levou escravos para a ilha de Porto Rico, bem a cara do Brasil colonial, por conta da plantação de cana-de-açúcar. Ao mesmo tempo sofrimento e orgulho de se constituir como nação.

Os agricultores com seus "pavas", aquele chapéu de palha bem da nossa festa junina, bem típico de nossas infâncias, estão cortando cana, enquanto Bad Bunny começa sua performance, com TITI ME PREGUNTÓ - a música fala de sua tia lhe perguntando porque tantas namoradas e porque não se casa...

E ele vai andando e vai topando com realidades de Porto Rico que também estão em nossas realidades: os tios na rua jogando dominó (aqui em BH tem uma praça bem no centro que é cheio de aposentados que jogam dominós e damas, as manicures (um local onde as mulheres vão se enfeitar e fofocar, um must de todas as cidades), carrinhos de rua, de "Piráguas" (geladinhos), de hambúrguer, de bebidas e de "compro ouro", bem típico também daqui... 

E as mulheres assentando blocos de concreto, que segundo a diretora de cena simbolizavam o alicerce das famílias de PR também foram uma mensagem sutil.

Aliás, todos os 13 minutos de show contiveram mensagens sutis da colonização e exploração de Porto Rico e do passado escravocrata e agrícola da cana-de-açúcar, bem como do orgulho do povo borícua de suas origens e seus hábitos.


E se vai andando e mudando de músicas, até que chega na casita, uma casinha bem típica de PR, que figura no lindíssimo curta metragem " DeBÍ TiRAR MáS FOToS" (nome de seu último disco - está em https://www.youtube.com/watch?v=gLSzEYVDads) - e a folia é completa - dança e vai em direção à uma "vilazinha", com um mercadinho "LA MARQUETA", de Nova York (NUEVAYOL - outra música), do lado a bodega da Toñita, bar típico de NY onde os Portoriquenhos se encontram para tomar um trago e se confraternizar (e a própria Toñita estava lá - figuraça), uma barbearia, e mais... 

E o Ricky Martin, outro borícua, cantando "Que le pasó a Hawai" foi muito bonito, porque a letra é linda - e alerta para que não aconteça com PR o que passou no Hawai - praias sendo privatizadas, rios sujos e gentrificação com a expulsão das "abuelitas" e dos antigos moradores. Foi o que quiseram fazer nas praias do Brasil, que ainda são protegidas pela Constituição - fechar praias para o público é absurdo!

A letra diz 

Quieren quitarme el río y también la playa
Quieren al barrio mío y que abuelita se vaya
No, no suelte' la bandera ni olvide' el lelolai
Que no quiero que hagan contigo lo que le pasó a Hawái


Querem me levar o rio e também a praia
Querem minha vizinhaça e que minha avozinha se vá
Não, não solte a bandeira e nem esqueça do lelolai*
Que não quero que façam contigo o que passou ao Hawai


* lelolai é uma interjeição das músicas típicas de PR, um legado e típico


Eu escuto Reggaeton desde que fui em Asunción em 2007 e gosto da batida - e Bad Bunny é atualmente o rei do Reggaeton e Dembow - batida latina contagiante. 

E o disco " DeBÍ TiRAR MáS FOToS" ganhou o Grammy de melhor álbum latino de 2026! 

E eu acho um álbum muito bom. Suas letras são românticas e exaltam o amor e Porto Rico. (Conservadores esperavam letras agressivas e de ataque, mas Bad Bunny foi mais esperto)

E o SuperBowl não paga a apresentação, que é financiada pela NFL (Liga de Futebol Americana) - mas a exposição é incrível. Bad Bunny passou para o 1o no Billboard com a música do título do disco e o segundo lugar também é seu, após o SuperBowl. A visibilidade é imensa! Só no SuperBowl nos EUA ele teve mais de 150 milhões de pessoas assistindo - fora o mundo.

E teve até um casamento de verdade - o noivo convidou Bad Bunny para seu casamento, mas Bad Bunny o levou para o show, inclusive assinando como testemunha. 

E teve Lady Gaga, simbolizando os imigrantes italianos, vestida no azul clarinho que é símbolo da ilha - aliás, azul este que Bad Bunny usa na bandeira de PR com azul claro, já que oficialmente leva a cor do colonizador, o azul escuro - e ele porta a azul claro com orgulho e protesto. Essa bandeira já foi proibida e empunhá-la dava cadeia.

E teve postes queimando ( de mentirinha - o estádio até apagou) simbolizando os problemas de energia elétrica que PR enfrenta, e que não têm tratamento igual dos EUA - eles são um limbo jurídico - não são estado, não são independentes, são tratados desigualmente, não votam para presidente dos EUA, enfim, são uma colônia... Oprimida.

E no fim Bad Bunny diz que AMERICA é um continente, citando quase todos os países, acompanhado das suas bandeiras, e enfatiza que somos uma unidade. E deu orgulho de ver vários símbolos de unidade latino americana (incluindo o Brasil), que nos unem como verdadeiros irmãos.

A capa do disco "DeBÍ TiRAR MáS FOToS" é a nossa cara - que casa não tem cadeiras de plástico e que roças não têm bananas?

SOMOS AMERICA SIM - UM CONTINENTE! PARABÉNS BAD BUNNY, PARABÉNS PELA CORAGEM!

(e por falar em coragem, dizem que ele estava vestido com colete à prova de balas - parecia sim - ele estava bem estufado e quando ele cai dentro da casita, dá prá notar nos ombros que ele está vestindo algo por baixo - como ele fez o primeiro show do intervalo da NFL todo em espanhol, muitos americanos conservadores ficaram incomodados com isso e acharam desrespeito)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

SERAPIÃO debutou

Enfim meu livro debutou e está à venda no Clube de Autores!

O Clube de Autores é um site que partiu de uma iniciativa incrível de se fazer livros sob demanda, evitando assim todo aquele custo inicial de impressão e gráfica que muitos autores sonhavam em publicar, mas não tinham dinheiro.

Já recebi meu primeiro volume para testar se a impressão está correta e a capa também e ficou maravilhoso. Já mandei imprimir mais e já tenho amigos comprando.

Publicar no Brasil não é fácil, poucas pessoas leem, livros são caros e tomam bastante tempo para serem feitos e publicados, enfim, viver da escrita no Brasil é muito difícil.

Mas não quero viver da escrita - quero divertir meus leitores com a estória que criei e que fiquei fã.

Espero que comprem e que comentem comigo o que acharam da estória e do livro em si.

Colocarei a versão digital somente ano que vem, porque quero ver a obra materializada em um bocado de lares.

O site para adquirir o livro com um frete amigável  é o do Clube de Autores, no endereço:


Entrem lá, adquiram o livro, ajudem a divulgar a cultura e me ajudem também!


ARTEMIS

Talvez hoje saia a missão tripulada ARTEMIS II que dará a volta na Lua.

Ela é pioneira pois levará para mais longe do planeta Terra que a humanidade já esteve uma mulher e um negro, juntamente com outros dois astronautas.

A missão não pousará na Lua, mas passará por detrás do satélite natural da Terra, momento em que ficarão na "sombra" das comunicações de rádio, e servirá para que os astronautas treinem para um futuro pouso lunar da ARTEMIS III.

Vão em direção ao nosso satélite natural pela primeira vez em mais de 50 anos, a fim de treinar aprimorando técnicas e procedimentos no espaço profundo.

Eu aguardo ansiosamente essa missão, já que com as câmeras de hoje, poderemos ter imagens estonteantes da Lua.

O ímpeto de explorar do ser humano o leva para distâncias cada vez maiores: as vezes pessoas perguntam por que ir tão longe, mas se esse ímpeto não fosse realizado, a América não teria sido colonizada pelos habitantes do velho mundo, pois se se mantivessem no "prá quê", essas terras ao oeste estariam para sempre habitadas esparsamente.

Eu torço para que dê certo e acompanho várias missões da Nasa.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Meu livro Serapião


E tá quase - já tem ISBN, já tem capa e tô esperando para colocar a ficha catalográfica e vender na Amazon!

Segue a sinopse:

Serapião e Hermóge são dois vaqueiros da Caatinga brasileira, e depois de uma série de infortúnios, decidem partir em uma epopeia para descobrir o mar no oeste em que o Sol se põe. Nesse caminho enfrentarão seres sobrenaturais, cansaço, fome, seus próprios corpos e pessoas reais. E o que fazer quando se perde tudo de mais valioso na vida? Quando as paisagens familiares perdem a cor, talvez não haja muitas alternativas, além de seguir em frente - e é isso o que fazem nossos viajores favoritos, mesmo quando não têm ideia do que vão encontrar nas próximas paragens. E, chegar ao mar, depois de tanta secura, chão rachado, desorientação e falta de perspectivas passa a ser, também, nosso sonho e nossa sina. Demonstrar nossas vulnerabilidades é um tremendo sinal de força - e esta é mais uma lição deixada pelos companheiros que protagonizam as páginas deste livro. Quando um demonstra o medo, o outro oferece a fé – seja em Deus, nalguma outra entidade, no destino ou no próprio irmão de vida. E momentos mágicos transcorrerão nessa aventura, em que viajaremos juntos aos dois, sensíveis, simples, sábios e parvos ao mesmo tempo, mas simplesmente maravilhosos. E verdadeiramente humanos.

E eu concebi esse livro a partir de uma foto licenciada que eu vi na Wikicommons e toda uma epopeia de fatos e assuntos em volta dela.

Quando o livro for publicado, postarei aqui no blog o link!

https://clubedeautores.com.br/livro/serapiao-2

Estou louco para pegar o produto físico nas mãos e ver a obra materializada!


Férias

E acabaram-se minhas férias. Durante uma semana, eu e o Tomislav, marido croata da minha prima que vive lá, derrubamos 137 cervejas.

Dava 10 da manhã e ele dizia que estávamos já atrasados, e que já podíamos abrir uma latinha. E descobri que em croata também tem a palavra saideira - e que dura igual a nossa (nunca acaba).

Conversávamos de tudo: da Guerra da Croácia, da Guerra na Síria, da Segunda Guerra, de carro velho, de moto, de Maçonaria na Croácia (que muitos lá acreditam não existir), de cerveja (óbvio) e do Brasil, capivaras, vacas e praias.

E a gente tinha a vista para uma várzea onde andavam umas capivaras que ele adorava ficar vigiando. Eu disse para ele que ia fazer uma carteira de "Capivara Watcher", já que ele dava notícia sempre que ocorria alguma movimentação dos roedores que ele seguia de "dalekozor" (binóculos)..

Foi uma semana legal, mas intensa, já que meu cérebro precisa de mais processamento para ficar falando em inglês, português e croata durante uma semana, e chavear para as línguas certas na hora certa.

Agora preciso de férias pra descansar das férias... hahahaha

Mas valeu a companhia. Valeu Tommy!

(agora preciso de um regime de detox e emagrecimento para jogar fora todo o resíduo dessa farra)

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Então o ano acabou... Dezembrite pura...

Praticamente o último dia do ano, esse período dá uma dezembrite danada. Coisas que não foram, coisas que não tinham que ser e que foram.

Mais um ano acaba, nessa jornada inexorável que é a vida, mais um ano de perdas e ganhos, de poucas vitórias e muitas derrotas.

Fico bem triste essa época do ano, me dá um saudosismo de outras épocas, e sempre me dá uma sensação de desmoronamento.

Tempo que éramos crianças, de inocência, de vida leve e divertida, com família completa, com companhias. Isso tudo vai diminuindo...

Pessoas vêem e vão, e deixam buracos onde alocamos espaço em nossos corações para elas. Deixam um vazio. E nosso coração vai indo assim, pela vida, ganhando cada vez mais furos.

Talvez, quando não reste mais nada para esburacar em nossos corações, seja a hora de partirmos desse mundo...

É inevitável: a gente acaba por fazer um balanço do que passou e que a gente queria que tivesse feito - e vemos que cronogramas são sempre feitos para serem furados...

Projetos que não saem do imaginário...

E dá uma agonia premente de fim de ciclo, de fim de ano - isso que é a dezembrite

E ainda tem a obrigação das festas de fim de ano, como se fosse legal festejar todas as merdas que aconteceram no ano que passou.

Não sei porque a gente acaba por lembrar dos fracassos e tropeços do ano. Acho que eles nos afetam muito mais do que as coisas boas que passaram. Marcam mais.

Machucam mais.

Mas a vida é assim, uma sucessão de atropelos e desavenças e poucos sucessos, entre dois papéis: a certidão de nascimento e de óbito.

E como dizia um colega meu, a gente vai até onde o curréi güentá...



quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Terima kasih kepada Singapura!

Saya ingin mengucapkan terima kasih kepada para pembaca saya di Singapura! Saya tidak tahu mengapa blog ini begitu popular di sana, tetapi saya rasa ia sangat menarik! Semoga panjang umur untuk anda semua, dan teruskan melayari blog ini! Pelukan erat!

Brasil Profundo

O Sol já ia a pino. Chegamos nessa casa da foto (que tirei lá in situ) lá pelas 10 da manhã, e fomos abordados por uma chusma de crianças ranhentas, espalhadas pelo quintal, parecia uma dúzia, pululavam por todos os cantos, vociferando impropérios uns com os outros que nem eu tenho tanta imaginação de ilustrar os adjetivos e substantivos chulos com que se chamavam. E nem tinham idade ainda para compreender o que significavam.

Um rapazinho um pouquinho maior, mais alimentado e corado, chegou puxando um caminhãozinho amarelo de plástico por um barbante cheio de emendas e soltou de chofre: 

- Cês são do Conselho Tutelar?

Era um vizinho mirim, no alto de seus prováveis 10 anos, provavelmente ávido por uma confusão, que saudou nossa equipe, talvez esperando alguma algaravia ou repressão. 

Nada havendo, retirou-se, puxando o seu caminhãozinho amarelo de rodinhas emperradas que ele mesmo me disse que nunca puxaria pequi.

Chamada a matriarca, ela revelou ser mãe solteira, mas não daquela miríade de crianças que trançavam por entre nossas pernas, comendo com as mãos imundas em pratos esmaltados um macarrão esmaecido, pálido e grudento, mas sim mãe de duas maiores, que de má vontade respondiam mal qualquer pergunta feita pela solteira-mãe-de-mães-solteiras-matriarca que tentava dar conta de toda aquela barafunda de gente pequena, indômita e incontrolável.

Os moleques desgrenhados brigavam entre si e contra os cachorros esquálidos, que sem razão lógica, os orbitavam abanando suas caudas em busca de aprovação ou de um pouco do macarrão. 

Um pequeno até deu uma paulada de graça com um cabo de vassoura à guisa de brinquedo na cabeça do cãozinho, que saiu ganindo de dor. Do nada. Sem razão. Por pura torpeza.

A matriarca solteira-mãe-de-mães-solteiras, era a mãe das duas respondonas, essas sim, mães daquele punhado de crianças desgrenhadas, desorganizadas, deseducadas e famélicas.

Não tinham horta, não comiam bem, o solo do terreno, morto por fogueiras itinerantes e maus tratos, se apresentava negro, contaminado com carvão, que sufocava até mesmo o pequizeiro gigante, que segundo a matriarca, insistia em não dar frutos. 
A terra tinha se exaurido.

Me espantei com a quantidade de crianças e a sempre ausência de pais - os homens, irresponsáveis, povoam o mundo com seus filhos e sumindo, delegam a criação para as mulheres. Sexo é bom, responsabilidade não...

Brasil profundo...

Sempre as mulheres - as fortalezas, as rochas que sustentam as famílias, constantemente elas se fazem como as Pelicanas, que nada tendo para alimentar seus filhotes acabam por bicar seus peitos para que o sangue os alimente.

E vendo aquela terra arrasada, aquela miríade de rebentos, me lembrei quando estagiei, em Enfermagem, em uma cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, quando fiz 3 prés-natais de uma menina de 12 anos e no dia do quarto pré-natal ela apareceu com a barriga vazia e me explicou:

- Meu namorado não queria e me chutou até o nenê sair. 

Horrorizado, lembrei que ela já devia andar pelo quarto mês de gestação e fiquei imaginando a cena do aborto, eivada de sangue e violência, bem como o provável tamanho do feto. Que horror! Sexo é bom, já a responsabilidade...

Brasil profundo...

Lembrei também, no interior de Pernambuco, durante meu curso de Psicologia, quando visitei uma casa e uma menina de 12 anos também chegou com uma criança pequena sentada em seu quadril do lado esquerdo (como fazia a Lady Di) e do lado direito no chão estava outro rapazinho remelento, agarrado à camiseta cheia de furos da menina maior. Pedi que chamasse a dona da casa, a mãe de todos. Ela me respondeu:

- Eu sou a dona da casa. Tenho 12 anos e esse filho no chão tem 2 e esse no meu colo tem um. O que vocês querem? - horrorizados, a gente nem sabia o que dizer, nem como continuar a abordagem.

Brasil profundo...

Brasil de terras arrasadas por maus cultivos, de regiões inóspitas e ignotas, de barbáries que se fazem como se fossem da idade média, de cenas de terror e alienação, pobreza e sujeira. De infâncias e adolescências perdidas, de violência contra mulheres, contra pais, contra crianças...

E assim, viajando e conhecendo o Brasil vejo que vossas vãs filosofias, encasteladas em apartamentos urbanos com água corrente, energia, internet e Netflix, alimentadas por videozinhos em iPhones de último modelo, nada sabem, nada conhecem. Somos néscios.

E são Quilombolas, Indígenas, Povos Tradicionais, Assentados, toda gama desses vulneráveis que precisam de nossas ajudas, de conhecimento, de mudança de vidas, e que anseiam com as mãos estendidas, por algum alento.

Desconhecemos até onde vai a pobreza e falta de informação do Brasil profundo...

E isso me abala.

Sempre.

Brasil profundo...

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