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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A ACÁCIA na Maçonaria

Como um Engenheiro Agrónomo, vou começar falando da Acácia pelo ponto de vista da minha área de formação, sendo sucinto, pois sabemos que o seu significado é muito maior e muito mais amplo do que a sua descrição botânica, mas se entendermos um pouco das suas características morfológicas entenderemos o motivo dela ser um dos maiores símbolos da nossa ordem.

Trata-se de uma planta da família das leguminosas mimosas, uma árvore ou arbusto de folhagem muito leve, elegante, resistente e muito comum nas regiões tropicais e subtropicais e cujo caule e ramos muitas vezes são armados de fortes espinhos ou aguilhões. Fornece madeira de longa duração, e pelo facto de não apodrecer com a humidade, nem mesmo quando mergulhada na água, e não ser sujeita a pragas, adquiriu (no passado oriental) fama de eterna, incorruptível.

O género, com aproximadamente 2.000.000 ha plantados em todo o mundo, apresenta uma relevante importância do ponto de vista social e industrial no reflorestamento. As espécies de maior utilização são Acacia mangium e Acacia auriculiformis, sendo as suas produções direccionadas para polpa de celulose, madeira para movelaria e construção, matéria-prima para compensados, combustível, controle de erosão, quebra-vento e sombreamento.

Também há interesse por ela apresentar significativa capacidade de adaptação às condições edafoclimáticas, sobretudo em solos pobres, ácidos e degradados produzindo elevada quantidade de madeira com baixo acúmulo de nutrientes,.

É uma planta abundante em Jerusalém, apesar de crescer em qualquer parte do mundo, as suas características diferem de região a região. A Acacia oriental ou Acacia diabalta produz a denominada "goma arábica", que entre nós não vinga e esteve presente nos processos de mumificação. No sul do Brasil temos múltiplas espécies de Acácia, entre elas, a denominada "Acácia Negra", de cuja casca é extraído o "tanino".

A palavra Acácia deriva do grego: "Akè" com o significado de "ponta" de um instrumento de metal. Existem variações no nome: AKAKIA, KASIA, KASSIA, AKANTHA (planta que tem espinhos). AKAKIA significa: inocência e ingenuidade. Os Significados de KAKIA significam vícios, desonra, disposição para o mal. Como o prefixo "a" significa negação, o significado de AKAKIA seria há oposição a todas as características ruins existentes.

Para entendermos um pouco do seu simbolismo, vamos recorrer a uma das principais lendas egípcias: a lenda de Osíris.

Seth odiava Osíris, que era tido como sábio e poderoso, então resolveu matá-lo. Ele fez um belo caixão com as exactas medidas de Osíris e convidou as pessoas para um jogo: aquele que se encaixasse perfeitamente no caixão, ganharia o mesmo de presente. Logicamente, quando a vez de Osíris chegou, o caixão era perfeito, e Seth e os seus cúmplices trancaram Osíris dentro do caixão e jogaram-no no rio. A sua mulher, Ísis, procurou-o por muitos dias. O caixão tinha encalhado e sobre ele havia brotado uma acácia. A acácia serviu de indicação para que Ísis encontrasse o corpo de Osíris. Por esta lenda, Osíris é considerado o deus da morte e da imortalidade da alma.

Os antigos egípcios tinham a Acácia como planta sagrada, era adorada pelos árabes. Maomé destruiu o mito da Acácia, que os árabes denominavam de: "Al- uzzá". A aclamação "Huzzé"," pode ter origem no vocábulo "Al-uzzá". "Al-uzzá" que Maomé baniu, por considerá-la idolatria, era venerada pelas tribos de Ghaftanm, de Koreiseh, de Kenânah e de Saken, a quem denominavam de "Pinheiro do Egipto". Se Moisés recomendava que o Tabernáculo, a Arca da Aliança, a Mesa dos Pães da Propiciação e demais Adornos Sagrados, fossem construídos com madeira de Acácia, isto não significa que o seu uso fosse originário daquela época, pois nos mistérios egípcios o seu uso era conhecido. Moisés que estivera no cativeiro, certamente, colheu dos egípcios, o uso da Acácia sagrada nas escrituras.

Na antiguidade, em hebraico, o antigo termo Shittah era usado para Acácia, sendo o plural Shittim (espinho em hebreu). Bete-Sita, no hebraico significa lugar da acácia – e no Atlas Moderno aparece localizada no paralelo 32-30, ao lado do Rio Jordão. Os povos antigos tinham um respeito extremo por ela, chegando a ser considerada como um símbolo solar porque as suas folhas se abrem com a luz do sol ao amanhecer e fecham-se no ocaso. A sua flor imita o disco solar.

No Antigo Testamento, no livro do Êxodo, encontramos diversos trechos que mencionam o seu uso:

* Arca da Aliança – farão uma arca de madeira de acácia. (Êxodo 25.10);
* Mesa dos Pães Propiciais – farás uma mesa de madeira de acácia (Êxodo 25.23);
* Altar dos Holocaustos – Farás o altar de madeira de acácia – o seu comprimento será de cinco côvados, a sua largura de cinco côvados e a sua altura será de três côvados. (Êxodo 27.1);
* Altar de Incenso – Farás um altar para nele queimar incenso, de madeira de acácia o farás. (Êxodo 30);

Hiram Abiff na ornamentação do grande templo esculpiu os Querubins e todos os demais ornamentos, em Acácia que, posteriormente cobriu com lâminas de ouro. Considerando o tamanho dessas esculturas, e o revestimento das paredes internas, tipo "lambris", a Acácia não se apresentava como um simples arbusto, mas como árvore de grande porte. Todas as religiões místicas antigas, possuíam uma árvore simbólica para venerar.

Na Maçonaria conhecemos-la na lenda de Hiram Abiff, durante a exaltação.. Rapidamente no contesto do trabalho, uma lenda diz que após enterrado no Monte Mória o túmulo estava marcado por um galho da acácia deixado pelos seus assassinos, que foi desenterrado por um dos exploradores enviados pelo rei Salomão que extenuado da viagem tentou agarrar-se a ele, soltou-o e criou vida própria. Outra lenda diz que quando os M∴ foram procurar Hiram Abiff, encontraram num local terra removida que parecia ocultar um cadáver então plantaram um galho de acácia. E por fim uma terceira lenda, diz que uma acácia teria brotado do corpo do Maçom morto, anunciando a sua ressurreição.

Estima-se que em 1937 a Acácia nasce no nosso simbolismo junto com a Maçonaria especulativa, sendo a consciência da vida eterna.

"Este galho verde no mistério da morte é o emblema do zelo ardente que o M∴ M∴ deve ter pela verdade e a justiça, no meio dos homens corruptos que atraiçoam uns aos outros".

O significado místico da Acácia é a imortalidade, porque significa a indestrutibilidade, e que o Ser é Imperecível, esse é o ponto culminante d filosofia maçónica.

Quando o Venerável Mestre pergunta ao 1º Vig. "Sois M∴ M∴? e o interpelado responde "A A∴ M∴ é C∴" ele estabelece de imediato a sua qualidade de Maç∴, o que, equivale a dizer "tendo estado na tumba, e triunfado levantando-me dentre os mortos e, estando regenerado, tenho direito à vida eterna". A interpretação simbólica e filosófica da planta sagrada é riquíssima e lembra a parte espiritual que existe dentro de nós que, como uma emanação ao GADU, jamais pode morrer. A Acácia é, simplesmente, a representação da alma e nos leva a estudar seriamente o nosso espírito, o nosso eu interior e a parte imaterial da nossa personalidade. Do Maçom, que já conhece a Acácia é esperado uma conduta pura e sem máculas. Para os Maçons, simboliza Inocência, Iniciação, Imortalidade da Alma e Incorruptibilidade.

Inocência, não dos profanos e dos impuros, mais sim a dos mais justos e nobres. Esta diretamente ligada as maiores virtudes dos Maç∴, igualdade, liberdade, fraternidade, verdade, honra, justiça e as demais características de um homem livre e de bons costumes.

Iniciação, renascimento do homem físico para o homem espiritual, mais evoluído e focado em aprofundar os seus conhecimentos e maneiras de agir e pensar.
Imortalidade, Ressurreição de Osíris, Hiram e Jesus; esta presente na crença do 3 grau, a imortalidade da alma, ou a sua herança moral para a sociedade.
Incorruptibilidade, por a sua madeira não apodrecer, por isso, foram enterrados os membros de Osíris, num caixão de Acácia; Esta característica define bem o Maçom a que não apodrece ou se deixa corromper por influencias externas.

Quando o Maçom diz que a A∴ é M∴ C∴, significa que conhece a imortalidade da alma. 

É o um dos mais importantes e significativos símbolos da Maçonaria, onde temos uma bela percepção dos mistérios da vida e da morte, do tempo e da eternidade, do presente e do futuro. 

Tem por objetivo também ensinar-nos que a vida do homem, norteada de boas e puras ações, será recompensada, na hora final da nossa vida terrena e por toda a eternidade.

Autor desconhecido

Fonte:

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