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sexta-feira, 3 de outubro de 2025

COISAS DE PEIXES - Ego talis sum, ergo patior


1. Viver uma paixão platônica
O pisciano tem a capacidade de se apegar ao sentimento idealizado durante anos - sem o crush saber disso. Ele entende bem o que é se apaixonar por alguém, sem nenhuma perspectiva de relacionamento.

2. Ajudar alguém que não conhece
Com uma capacidade gigante de doação, o pisciano está sempre disponível para auxiliar todo mundo ao seu redor. Fazer o bem, sem importar a quem, é algo que aquece seu coração.

3. Perdoar um colega traíra
Há quem diga que Peixes é "bobo" por relevar determinadas situações que acontecem com ele. Muita gente, aliás, não consegue entender sua capacidade de perdoar. Só não se engane: ele perdoa, mas faz com que o outro se sinta culpado pelo que fez.

4. Sumir e deixar a turma preocupada
Chá de sumiço é com ele mesmo! O nativo de Peixes evapora e aparece com bastante facilidade. Esta é a forma que ele encontra de se proteger, quando necessário, e resgatar suas energias.

5. Ser confidente de todos os amigos
A habilidade de escuta do pisciano o torna extremamente acolhedor. Isso porque ele sempre faz o exercício de se colocar no lugar do outro, num ato de humanidade e compreensão.

6. Sofrer sem motivo
O nativo de Peixes adora sofrer sem ter um porquê. Detalhe: ele acredita tanto na dor momentânea que é capaz de vivê-la intensamente naquela ocasião e, depois, nem lembrar porque estava se martirizando.

7. Ficar mal pela energia ruim de outra pessoa
Tem a capacidade de absorver não só a energia de um ambiente como a de qualquer indivíduo à sua volta, já que é extremamente sensível. Por isso, é importante criar mecanismos de defesa para se proteger.

8. Sentir-se incompreendido
É muito comum o pisciano achar que ninguém o entende. Isso ocorre porque os outros realmente têm dificuldade de acessar a profundidade característica do signo.

9. Fazer a egípcia para evitar treta
O signo mais "paz e amor" não gosta de arrumar briga. Para não ter que discutir com alguém, muda de assunto ou finge que não entendeu. Ou, ainda, some por um tempo e depois reaparece como se nada tivesse acontecido.

10. Confundir sal com açúcar
Se não aconteceu exatamente isso, com certeza foi algo parecido. Quem é de Peixes se confunde com uma frequência bem elevada, unicamente por falta de atenção. Além da facilidade de desviar o foco, sua imaginação está sempre ativa, permitindo com que se mantenha distante da realidade.

11. Mudar de opinião 300 vezes
Como Peixes se mistura facilmente, absorvendo a energia de quem está à volta, acaba mudando de opinião muitas e muitas vezes. Também se permite ser influenciado. Detalhe: tem consciência de ambas situações.

12. Procurar algo que não sabe o que é
Isso porque o nativo vive com o sentimento constante de que falta alguma coisa em sua vida. Por isso está sempre à procura de algo que lhe traga a sensação de plenitude - mesmo que não saiba o que seja isso.

13. Inventar algo para fugir da responsabilidade
Verdade seja dita, o nascido em Peixes elabora desculpas infinitas para fugir da realidade, sobretudo quando ela se mostra desafiadora. Pode se isolar, desenvolver dependência e até um sentimento de vitimismo. É capaz de viver num mundo de ilusões pela facilidade que tem de mergulhar na sua imaginação fértil. Mas quando a verdade aparece, aí vem a frustração.

Paraíso da Neve - AABB Pampulha - BH




Tirei essa foto usando um filtro Infravermelho e tratei depois. Fica sensacional, não?

Foto foi tirada na AABB Pampulha Belo Horizonte, com um filtro IR 850nm.

Gosto muito de foto IR. Quanto mais clorofila, mais infravermelho as plantas refletem...

Seios *

Teus seios me encantam
Quantas vezes sonhei em tocá-los
Túrgidos, lindos

Que delícia é abraçar-te e sentir-lhes o volume
Queria eu sentir-lhes a pele
Macia e alva

Rodear os mamilos até que eles
Eretos apontassem para o céu
Demonstrando prazer

Beijaria-os carinhosamente,
Um calor gostoso desceria por teu corpo
Instalar-se-ia ele sabes tu onde

Mordiscaria-os, acariciaria-os
Arrepiando todos os teus pêlos
Deixar-te-ia maluca de prazer

E com as mãos em concha, por trás
Ocultaria do mundo estas belas obras
Abraçando-te e sentindo teu perfume

Sentiria as formas arredondadas
Os mamilos pressionando minhas palmas
Teu coração cada vez mais acelerado
Teus suspiros cada vez mais profundos

E finalmente, consumaria meu amor,
Lentamente, prazerosamente
Levar-te-ia à um mundo de fantasia e prazer
Da mais delicada forma possível

"I like her; I could watch her the rest of my life. She has breasts that smile. Philip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep? "

* Premiada em IV Concurso Livre de Poesia, 1998
 

Vidas (se/em) vão



Era outono, as folhas das árvores, amarronzadas, alheias ao que se passava naquele apartamento continuavam caindo de seus galhos, despedindo-se de suas companhias.

- Não! Não posso me separar de você! - vociferou ela, sua voz entrecortada pelo ruído do trem que passava diante de sua janela naquele bairro do subúrbio.

- Estou grávida!

- Estou perdido - pensou ele - acuado num canto do quarto, percebeu a palavra grávida entre o ensurdecedor barulho do trem - Vou estragar minha vida!

A moça, em prantos, quase histérica, começou a tremer, dizia coisas sem nexo, sem rumo, ambos jovens, pobres, que fariam da vida ???

Ela cada vez mais fora do ar, ele cada vez mais encurralado, e num átimo, ela começou a atirar coisas que estavam a seu alcance - primeiro um cinzeiro parcialmente cheio, que não o atingiu, depois um pato estúpido de porcelana que se espatifou na parede a seu lado.

- Meu Deus - essa mulher está louca! - Tinha de sair dali, mas seus pensamentos eram mais lentos que as coisas que voavam em sua direção.

Começou a caminhar lentamente em direção à porta, mais uma peça de porcelana quase o atingiu - trecos baratos pensou ele - grávida, grávida - aquela palavra lhe martelava a razão, mas tinha de sair dali - não era possível!

A moça gritou para que não fugisse, dizendo que se mataria - ai, essa culpa eu não vou carregar, pensou ele - e num salto final atirou-se pela porta afora.

Desesperado, seu coração quase estava a saltar fora da boca, tremia, como podia ter assim num ínfimo instante de prazer, condenar sua vida ?

Ouvia os gritos ensandecidos da moça pela janela, mas decidido, subiu em sua moto e bateu a partida - nada - outra vez - nada - burro, tenho que ligar a chave!

A moto começou o seu pipocar e engrenando ele se mandou, sem rumo, apenas queria sair dali... A visão da rua cheia de folhas de outono amarronzadas o assustou ainda mais... Parecia um colchão macabro para sua angústia.

De volta ao apartamento, a moça não sabia o que fazer, se mataria, ele não iria voltar, pensou, mas como morrer ?

Sim, pensou num filme que vira uma vez, suicidar numa banheira faz um grande efeito - marca bem a mente dos que ficam - queria se vingar da solidão e de seu namorado.

Na rua a moto cada vez mais acelerava, os pensamentos o impeliam a acelerar mais e mais, os sinais e placas já não eram discerníveis pela sua razão - mas era de madrugada, pensou ele, não vou trombar com ninguém... Apenas uma garoa incomodava.

Lentamente a moça encheu a banheira de água morna, enquanto escovava os cabelos e passava batom - queria estar linda, pensou.

Foi até a cozinha e pegou a sua melhor faca, uma de cabo de madeira, ponta torta, velha, mas que sempre que o velhinho passava gritando para amolar facas ela amolava, O cabo da faca já estava até meio podre, mofado, mas era sua amiga preferida - já fizera várias ameaças de suicídio com ela, mas agora era sério, como viveria com um filho sem pai ?

O rapaz pensava, tenho que chegar em algum lugar, tenho que parar e pensar, mas a moto tremia debaixo de seu corpo e ele cada vez mais se embriagava com o barulho.

A rodovia se aproximava, sim, era escura, não teria de ver nada, só ele e seus pensamentos, só ele e o vento e as folhas, assim poderia dirigir até a cidadezinha mais próxima e tomar um trago num boteco qualquer, e assim esquecer-se da noite.

Seu cabelo estava penteado, o batom reluzia, e ela tirou a roupa e mirou-se no espelho - se achou até sexy, com os cabelos armados, e os seios empinados - ela não era qualquer uma, mas estava decidida.

Ligou o rádio, uma musiquinha agradável a fez sentir-se mais desejada ainda, mais sensual, entrecortada às vezes pelo locutor que dizia alguma notícia ou anunciava o prefixo da rádio.

O rapaz tomou estrada, o vento frio lhe cortava a face, que ruborizava, a garoa o espetava, o atordoando cada vez mais - Tenho que chegar, tenho que chegar lá - no bar eu penso o que fazer.

A moça, toda nua, foi até a banheira, um misto de excitação, tesão e medo tomava conta de seu corpo, mas parecia fora da realidade, só o que sentia era aquele calor úmido no centro de seu corpo e só o que via era a banheira.

Entrou na banheira, e um arrepio de prazer passou pelo seu corpo, deitou-se na água, tomando o cuidado de deixar seus cabelos de fora e de não borrar o batom. Pensou no seu namorado, onde estaria aquele desalmado ? Pegou da faca e decidida, fez dois cortes precisos, um em cada pulso.

O sangue começou escorrer, escuro, lento, sabia ela que era sangue venoso, mas o que importava ?

Devagar, colocou a faca na borda da banheira, e colocou os dois braços dentro da água, enquanto fitava a água tingir-se de vermelho, em espirais que tinham um quê de beleza.

Na moto, o rapaz pensava em cada minuto daquele namoro, arrependia-se, era para ser apenas uma diversão, era combinado entre ambos que não se envolveriam mais do que o necessário - para ambos era apenas uma maneira de saciar desejos e aplacar a solidão. 

Mas ela lhe golpeara com grilhões de um bebê por vir, atara o nó de sua forca  

- Não quero isso, quero viver!

Caminhões passavam e piscavam-lhe os faróis, mas aturdido ele não sabia que estava com o seu desligado. Via nitidamente a rodovia sob a luz da lua, sem se dar conta que não havia ligado o farol.

Um frio começou a tomar conta da moça, seria a água esfriando - pensou ela, mas não, era o anélito gelado da morte que já se fazia sentir, que lhe dava um sono, um sono gelado, o mesmo frio que sentia o jovem em sua moto na estrada, pensando, que iria fazer, que aconteceria, que ao virar em uma curva, se deparou com um mostro de mais de dezoito rodas cortando a curva pela tangente e que lhe pregou sua vida na grade do motor, iluminando-o com potentes faróis azuis, que o jovem não tivera tempo nem de saber quantos eram...

Na banheira a jovem mergulhava num sono gelado, e ainda teve tempo de escutar no rádio que uma moto havia colidido de frente com uma carreta na rodovia, antes de dar seu último e sensual suspiro, quando uma onda de prazer percorreu seu corpo e ela sentiu que a morte era quase como um gozo, tivera medo de perder seu amor, e nem grávida estava...

Mas não importava perder a vida... Reverberavam em seu corpo arrepios da morte...

A vida nunca teve sentido mesmo...

A VALISE

A VALISE

Abandonado aos meus pensamentos em uma estação de trem, vendo o lento passar e repassar de pessoas e animais, com o pensamento divagando entre os meandros intrincados da mente, sinto sentar-se ao meu lado um senhor de meia idade, com uma sobrecasaca em péssimo estado, mas com uma valise na mão que daria inveja ao mais alto executivo de qualquer lugar do mundo.

O velho agarrava-se à maleta como se ela fosse a sua única conexão com o mundo real, ele alisava-a com um ricto de satisfação em seu rosto, imaginando talvez o deleite de seu conteúdo.

Mais tempo se passou e comecei a reparar no andrajoso senhor grudado em sua valise ao meu lado, e subitamente a estação pareceu desaparecer de minha visão: só o que tinha em mente era o conteúdo daquela valise e o que imaginaria o senhor.

O banco de madeira antigo era desconfortável, ainda mais para um velho daquela idade, mas o mesmo não se mexia, seus olhos brilhavam, como se estivesse em um êxtase inexplicável.

Ouvia eu o pulsar de minhas veias, imaginava-me atirando-me sobre o velho e arrancando-lhe a caixa de pandora das mãos, mas minha razão me impedia de tal fato.

Mas o dia foi baixando, e a noite começou a se fazer sentir - e nós dois ali, parecíamos disputar quanto tempo ficaríamos naquele banco.

Um fiscal da estação passou e resmungou algumas palavras, mas em meu torpor não as reconheci, e o velho, olhos fixos no vazio, mantinha a valise firmemente guardada entre suas calejadas mãos.

Que tesouro encerrar-se-ia dentro daquela maleta linda, nas mãos de tão triste figura ?

Pensei em perguntar-lhe, mas sua alienação parecia tirar-lhe do mundo real e colocar-lhe num estado autista, chegava até a balançar-se no banco como que embalado por uma melodia silenciosa.

A noite finalmente chegou, e os ventos gelados do sul se fizeram sentir - minha pele arrepiava-se, mas o velho parecia nada sentir.

E num dado instante qualquer, o velho se inclinou para a frente e dormiu, ou parecia estar dormindo.

Saí para dar uma volta e esticar as pernas e voltar um pouco à realidade, fui ao imundo banheiro da estação, onde um limpador de banheiro fitava a imundície do mesmo com uma impassível indiferença, apoiado ao cabo da vassoura.

Saltando por entre as poças do alagado chão, após ter usado do fétido local, saí e voltei à mesma cena estranha: a estação parecia desaparecer e só o que via era o velho no banco.

O que mais me intrigava era que ele estava na mesma posição, e comecei a pensar que podia ele não estar apenas dormindo.

Aproximei-me do banco e tocando-lhe um dos ombros ele me fitou com os olhos vazios, perdidos no infinito e me disse apenas algumas palavras referenciando-se à mala e ao seu conteúdo - dizia ele que o conteúdo daquela mala era suficiente para acabar com todos os ímpios do mundo, acabar com toda a malícia e toda a sujeira.

Mas ele confessou-me que morrendo não tinha coragem de abrir a maleta, pois não sabia se poderia ver o que aconteceria, não teria certeza de que seu legado funcionaria.

Foi aí, num átimo, que propus-lhe que eu abrisse a maleta naquele momento e nós dois fitássemos o que continha ela. Imaginava eu que poderia ter explosivos suficientes para acabar com a estação.

O velho pressionou ainda mais a maleta até seus dedos ficarem brancos, mas a pressão foi lentamente sendo aliviada: será que ele me entregaria a valise ?

Por fim ele me fitou novamente com os olhos baços, sua íris já era branca, catarata talvez, e me diz que me sente e que me prepare pois ele abriria a maleta e acabaria com o mundo.

Pensei em correr, em sair dali o mais rápido possível, perguntei-lhe se havia explosivos na mala e ele me disse que não: era magia.

Comecei a duvidar do estranho poder daquela pequena, mas linda valise e indaguei-o quanto tempo a possuía, ele me respondeu que a mais de duzentos anos.

Absurdo, pensei, estou falando com um louco, só era essa explicação que vinha à minha mente.

Eis pois que o velho me diz para prestar atençao, pois duzentos anos para ele já eram um fardo muito longo para se suportar - vinha ele pensando que a humanidade poderia se redimir de seus pecados e se tornar pura novamente, mas ele começou naquele momento a ter certeza de que nunca as coisas mudariam - o ser humano vil seria sempre vil.

Abriu um dos braços e me mostrou a imunda estação, com seus pedintes, bêbados, brigões e meninos sem casa, como cachorros se aliviavam ali mesmo, papéis espalhados, o olhar hipócrita dos transeuntes.

E lentamente se aprumou, e abriu o primeiro trinco da maleta: um trovão se fez soar do lado de fora da estação - chuva, pensei, vou ter que voltar para casa debaixo de chuva, odeio isso.

Destravou o segundo trinco e a chuva fazia um ruído ensurdecedor no teto de zinco da estação - naquele momento comecei a ser tomado de uma apreensão terrível, um mal estar e disse ao velho, que me respondeu que tivesse calma, porque dali alguns minutos tudo teria acabado.

Então ele abriu a valise, e dentro dela não havia nada, mas o que aconteceu foi devastador: uma sombra negra começou a envolver tudo ao nosso redor, tudo parecia estar sendo engolfado pela escuridão, enquanto o velho sorria, feliz, com sua criação.

O mundo estava acabando - nem o ruído da chuva não se escutava mais, só se viam trevas e a face do velho que cada vez mais irradiava felicidade.

Num ímpeto tentei fechar a mala, mas minhas mãos nunca chegaram perto dela, o fim estava se mostrando para o mundo: o velho libertara as trevas que estavam engolindo tudo o que estivesse perto.

Tentei me levantar e correr em direção do que eu achava que era a saída da estação, mas não havia mais nada além de trevas, tudo escuro, tudo igual.

E o velho, com uma luz estranha em seu rosto disse que tinha valido a pena esperar aqueles duzentos anos, para ver toda a criação ser engolfada pelo mata borrão divino, que ele carregara por todo aquele tempo.

Ele era um enviado divino, com o cargo de acabar com o mundo se ele não se mantivesse de uma forma aceitável e limpa.

Mas sempre teve o coração bom e temia estragar todo o mundo, mas seu papel era definido, sua missão era dizimar a raça humana, para que Deus pudesse reiniciar sua criação novamente.

E assim foi que fiquei só na escuridão, eternamente com o velho que nada mais fazia senão balançar-se no que antes era o banco da estação, mas que agora era apenas uma sugestão de forma.

Fui tornado imortal como ele, e juntos iremos vagar pelas trevas.
 
Nunca poderia imaginar um enviado com uma simples maleta de escuridão dando cabo no mundo, mas assim o foi.

E eu, desolado, nada pude, nada posso fazer, preso na escuridão...

Cada um tem a sua Maçonaria

Recebi e repasso citando as fontes, pois achei o texto magnífico!!!

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In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas (Na necessidade una, na liberdade dupla e em tudo caridade)

Cada um de nós chega à Loja com a sua história, o seu ritmo, a sua própria música interior. E embora sigamos a mesma pauta, o Rito, os Landmarks, os símbolos que nos unem, a forma como cada um vive a Maçonaria não será, nem deve ser, igual. E isso, para mim, não é um problema. É uma riqueza.

É esta riqueza que prova que a Maçonaria não é uma linha de montagem de homens iguais, mas uma oficina onde cada um talha a sua pedra com ferramentas próprias, marcando no silêncio o compasso da sua jornada. Essa diversidade de caminhos ilumina as mesmas verdades a partir de ângulos diferentes, revelando detalhes que um olhar único jamais veria. Se todos pensássemos igual, a Loja seria um eco oco.

É no encontro das diferenças que encontramos novas luzes

A minha forma de estar não é mais certa do que a de qualquer outro irmão, mas também não é mais errada. É minha e apenas a minha. Moldada por experiência, erro, persistência e sonho. Pode ser diferente, mas não deixa de caber dentro dos mesmos princípios que nos sustentam.

Vejo a Loja como um templo vivo, onde a palavra circula, se debate e se aprimora. Onde a iniciativa é combustível e a crítica construtiva é maço e cinzel.

E, tal como valorizo o impulso de inovar, reconheço também que há práticas que, justamente por terem resistido ao tempo, são pilares que devemos preservar. O segredo está no equilíbrio, mudar o que precisa de mudança, guardar o que merece ser guardado.

Com o tempo, aprendi que as ideias têm destinos tão diversos como as pedras no leito de um rio. Algumas são acolhidas como chuva que faz florescer o terreno, outras são lapidadas pelo debate, ganhando forma e brilho. Mas há também as que se perdem à margem, não por falta de valor, mas por seguirem um curso diferente do habitual. O desconhecido, por vezes, assusta mais do que o imperfeito.

É natural que nem todos avancem no mesmo passo, cada um vive a Maçonaria na medida da sua entrega e disponibilidade. O que importa é que, quando caminhamos, o façamos na mesma direcção.

Acredito que, em Loja, ser Oficial não é um trono, é um banco de trabalho. O próprio Ritual lembra que "Oficial" é, simplesmente, quem tem a seu cargo um serviço, não um título honorífico ou uma posição de hierarquia militar. Servir a Oficina é facilitar o trabalho de todos, não controlar cada golpe de maço.

A pergunta deve apenas ser: "Isto serve a Loja e a Ordem?".

Se servir, a Loja deve trabalhar em uníssono para lhe dar forma.
Se não servir, ainda assim terá cumprido a sua função: a de nos ensinar algo no processo.

Não defendo uma Maçonaria sem forma nem disciplina, sem elas, o templo cai, mas também não defendo uma Maçonaria que confunda unidade com uniformidade, ou prudência com paralisia. Há quem viva à sombra do que já foi feito, temendo qualquer risco. Eu creio que a tradição não é um cofre onde se guarda o passado, mas uma tocha que se passa para iluminar o caminho adiante.

No fim, cada um talha a sua pedra. Não serão todas iguais, nem precisam ser.

Se a minha Maçonaria não tem de ser a tua, é porque a nossa é suficientemente vasta para acolher visões diferentes que, juntas, se elevam num templo maior do que cada um de nós.

É a aceitação da imperfeição de todas as pedras que torna o Templo justo e perfeito

João B.,  M. M. – R. L. Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)

Fonte

Publicado no Blog "A Partir Pedra" em 13.09.2025

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

ADEUS À PÁTRIA

por Camilo Jurza

Meu pai, Rudolf Jurza, era filho do Cônsul da Tunísia, que nasceu em Marselha, na época de Napoleão e minha mãe, Paula Horvath, era uma iugoslava eslovena.

Eu fui educado falando alemão com minha mãe e pai e falando croata nas ruas e nas escolas de Zagreb, onde cresci. As escolas eram diferentes do que eram hoje, então eu de dia dava aula e de noite estudava em minha própria casa, indo na escola somente para marcar exames de disciplinas e para ir lá realizá-los.

Certo dia, um professor me abordou na escola, perguntando se eu era Camillo Jurza, e eu disse que sim. Então ele se virou para mim e disse que nunca havia me visto na sala de aula dele e queria saber o motivo. 

Eu expliquei-lhe que eu tinha de trabalhar pois já tinha mulher e uma filha, e que eu estudava em casa. 
Ele me disse que tentaria arrumar uma bolsa de estudo para mim, para me facilitar os estudos, e eu  aceitei-a de bom grado. Mas tive de continuar trabalhando.

Era o final da guerra e foi anunciado ao meu pai, Rudolf Jurza, que iria ser confiscada a sua oficina mecânica, em Zagreb, capital da Croácia, na antiga Iugoslávia em prol do governo de Tito. Aquele aviso foi recebido com espanto: tínhamos duas horas para mudar uma vida de trabalho!

Como já vinha alimentando a ideia de fugir do comunismo, eu, Camillo Vladimir Jurza, então com trinta e um anos, providenciei rapidamente a remoção do meu barco (ainda incompleto) para a garagem de um conhecido meu. Eu tinha a ideia de atravessar o mar Adriático até a costa da Itália, onde tentaríamos nos estabelecer. 

Podíamos atravessar a fronteira com a Itália pelas montanhas da Eslovênia, mas tínhamos que esquiar muito na neve e minha mulher não tinha prática de esquiar tanto quanto eu e tínhamos de carregar nossa filha de sete anos nas costas.

Dentro do barco, tinha eu guardado ripas de madeira (que foi difícil de conseguir em tempos de guerra), para o arremate final do barco e a confecção do estrado para o fundo do barco. Aproveitei também para pintar o barco com uma tinta especial que meu pai havia importado da Inglaterra, já que o velho também tinha vontade de possuir seu barco.

Fiquei algum tempo sem ir na garagem, e quando lá cheguei, quase morri de susto: as ripas que estavam soltas dentro do barco, foram utilizadas para tampar as janelas cujos vidros tinham se quebrado! Meu Deus, tive de arrumá-las de novo, desta vez com qualidade inferior.

Após ter eu pintado o barco, o levei de trem para a cidade de Rijeka (em italiano, Fiúme), na costa da Croácia. Com a barco amarrado já dentro da água, um dia mergulhei e olhei para o fundo do barco: dele corriam longos "cabelos" de tinta especial!

Tive de tirar o barco da água, esperá-lo secar e depois tive de pintá-lo novamente, desta vez com uma tinta vagabunda (que me deu melhores resultados do que a especial), sendo atrasada a minha partida.

Para não me complicar com a polícia secreta de Tito, fiz a viagem parecer o mais natural possível: supostamente iríamos passar uns dias numa ilha na costa da Croácia (Pogo), distante uns oitenta quilômetros de Rijeka. Não era fácil se abastecer de gasolina em qualquer lugar, por isso tínhamos a desculpa de estarmos saindo de Rijeka e não de algum porto mais ao sul, mais próximo de Pogo com uns oitenta litros de gasolina em galões.

Nossa filha, Jasna, com sete anos, não sabia que estávamos fugindo, para ela simplesmente era um passeio.

O visto de saída pedi para ser entregue na casa de um amigo, visto não estar eu em casa no dia marcado para a entrega. Mas eu não fui pegar o visto. 

Embarcamos com nossos diplomas e provisões de comida, muito chocolate e água para podermos passar pelo Adriático, mas eu precisava ainda esperar uns dias para receber o meu diploma de engenheiro, que viria já acompanhado do local onde deveria eu trabalhar, fato este que me levou a não pegá-lo, pois não queria ficar atrelado à terra, num emprego onde teria eu uma cama e um prego para pendurar meu paletó, sabe-se Deus onde. E se eu tivesse sido empregado, seria ainda mais fácil para os comunistas notarem minha falta.

Na hora do embarque fomos interpelados pelos milicianos, que queriam nos fazer algumas "perguntinhas".

Pedi a minha filha que ficasse esperando no barco (graças a Deus os milicianos não tiveram a malícia de levá-la também, nem de revistar nossas coisas).

Na delegacia, houve uma complicação envolvendo uma nota de um dólar que eu tinha na minha carteira, num bolso falso (é difícil encontrar alguém que nunca tenha guardado algo diferente na carteira), e naquela época era proibido comprar dólar. Foi difícil mas consegui explicar-lhes que aquilo não valia nada, não dava para comprar nada (mal sabiam eles que eu sabendo desta proibição de se ter dólar, tinha no barco peles de marta, para fazer casaco, ainda não curtidas, para serem vendidas na Itália).

Depois de muitas horas, olhei pela janela e vi minha filha chorando na rua e fiz-lhe gestos para nos esperar no barco e de lá não sair. 

Um miliciano me perguntou onde estava o visto de viagem, que deveria estar comigo, e eu desesperado disse que deveria estar na casa deste meu amigo, mas subitamente eu o vi na mesa e o miliciano ficando sem graça me entregou-o e nos liberou. Graças a Deus!

Uma tempestade se armava em alto-mar, mas eu não tinha conhecimento dela. Rapidamente, entramos no barco e lá fomos embora, em direção a Itália, na altura de Pesaro, onde saindo da península onde fica Rijeka, e paramos numa ilha para comermos algo e para verificar se a costa estava limpa. Era uma noite de lua cheia, uma lua enorme que me apavorava, pois iluminava o mar como milhões de lâmpadas acesas, denunciando-nos.

Mas os comunistas deviam achar que ninguém era tão louco de fugir numa noite de luar dessas, e isto nos ajudou.

Tentamos comer, mas escutávamos o ruído do mar e do vento e aquele murmúrio das águas se transformava em terríveis fantasmas comunistas a nossa espreita fazendo com que a comida não descesse. Ali era o último lugar onde poderiam nos interpelar (ainda era rota possível para Pogo), dali em diante, se o helicóptero visse aquela cauda e água de um barco em movimento, metralhava para
depois perguntar.

Embarcamos novamente e a tempestade começou a se fazer anunciar,  relâmpagos ao longe, trovões e vento. O pequeno barco valentemente se encaminhava para seu destino.

Quando a chuva começou, meu desespero aumentou: ondas de mais de três metros lambiam o casco do meu pequeno barco, como se ele fosse uma pequena noz, jogando água para dentro do barco e nos jogando para o alto. Uma sorte que eu dei foi de o barco era do tipo sem quilha do tipo feito para lagos e águas calmas, o que me possibilitava fazer manobras mais rápidas.

Mais uma coisa me desesperou: no meio daquelas ondas enormes o motor parou, suas velas que ficavam do lado de fora do motor, se molharam, e eu não podia parar para reparar o motor, apesar de ter todas as ferramentas necessárias, mais dois hélices, velas, e tudo mais, porque se eu não controlasse o barco, ele
poderia virar.

Eu via os raios caindo próximo e gritava a Deus que nenhum raio me atingisse, visto estar eu sentado em cima dos oitenta litros de gasolina, e controlava o barco como podia com os remos, evitando que o barco batesse quando descia a onda, porque logo isto racharia o barco, virando o barco cada vez que vinha a onda de onde caiu o raio.

Nessa confusão entrou água salgada na nossa água potável, e tivemos que coletar água da chuva para não ficarmos sem água, com uma lona estendida.

Pensava eu: Meu Deus, o que fui fazer para minha mulher e filha? Vou acabar matando todos nós. O sentimento de arrependimento tomava conta de mim...

No meio dessa agonia eu via a costa da Itália, não sei de que lugarejo, e gritamos a todos pulmões, nós três por Ayuto, mas nossa voz não os atingia. Outras vezes vi a costa do lado errado, quando o barco estava virado para o outro lado, e pensava meu Deus, será que voltamos para a Iugoslávia? Me  preocupava estarmos chegando perto daquela ponta que parece uma espora da Itália (perto da província
de Molise) , de onde sai uma corrente que vai até as costas da Iugoslávia, e me ver empurrado de volta.

Enquanto isso minha mulher e minha filha jogavam água para fora do barco com latas de biscoito que tínhamos levado, mas estavam perdendo terreno rapidamente e eu escutei a única reclamação de minha filha: porque estávamos indo para aquela ilha naquele barco tão pequeno e não naquele grande que tínhamos costume de ir?

No final de três noites de agonia, onde o barco passou quase cheio de água o tempo todo, as águas se acalmaram e pedi a minha mulher que segurasse um pouco os remos, para que eu pudesse dormitar nem que fosse por dez minutos, pois eu já estava tendo alucinações: no meio da chuva eu tentava me agarrar a um mastro no meio do mar com medo da "corrente da espora" estar me empurrando de volta para o comunismo (eu realmente via a estaca em alto-mar).

Caindo desmaiado, só voltei a mim quando fomos vistos por um navio de pesca norueguês (graças a Deus), nas costas da cidade de Ancona, na Itália, que nos içaram, e ao barco e nos deram comida e roupas secas para podermos dormir. 

Só acordamos quando estávamos em Fano, uma cidadezinha próxima a Pesaro, onde era o nosso destino original, por ser mais perto da costa Iugoslava (tínhamos sido encontrados quase a cem quilômetros de Pesaro). Os pescadores queriam ficar com o motor do barco e eu ali, naquela situação aceitei sem pensar.

Logo no cais estavam os carabinieri, aguardando para nos interrogar, e logo eles sabendo que éramos fugitivos perguntaram pelo motor que teve de ser devolvido pelos pescadores.

Estávamos lá, como animais molhados, as peles para casaco fediam a quilômetros, pois tinham molhado, as mochilas era toda a nossa vida, quando alguns banhistas fizeram entra si uma coleta, e entregaram para minha mulher dizendo que era para ajudar, para comprar chocolate para a menina (aquilo me encheu os olhos de lágrimas e enche até hoje, visto que não tínhamos nenhum tostão no bolso, e estávamos num país estranho).

Nos mostraram uma notícia do jornal local, onde os dizeres apontavam uma fuga num bote, há alguns dias. Não haviam nomes, mas podíamos nos ver ali, estampados por entre aquelas letras miúdas em papel pardo, como que gritassem pela nossa angústia.

O procedimento normal seria de nos colocar todos na cadeia até esclarecer a situação, mas os italianos são antes humanos do que qualquer outra coisa, e como eu tinha dito que minha filha não iria para a cadeia, nos levaram para Pesaro, num hotel pago pela prefeitura (o mais engraçado e que era pago pelos comunistas da região que tinham ganho nas eleições). 

Eu tinha um terno nas minhas coisas (eu o levei pensando em procurar emprego com ele) e quis vesti-lo para estar mais apresentável no interrogatório, mas quando o vi, tive de rir, ele tinha um sapato impresso nas costas pela água do mar.

Eu fiquei sob interrogatório por oito dias, tendo descanso apenas a noite, sendo interrogado quanto a questões sobre o porquê da minha fuga, sendo rastreada toda a minha história e meus antecedentes, enquanto minha mulher e minha filha tinham livre trânsito (devidamente escoltadas pelos carabinieri).

Ao cabo desses oito dias, após se certificarem que éramos refugiados políticos, me liberaram com a seguinte condição: como a Itália vinha enfrentando um grave problema de desemprego por causa da guerra, eu não podia trabalhar lá, mas se eu tivesse dinheiro, poderia ficar o quanto quisesse. Logo fiz o oficial saber que eu não tinha nada e que não sabia o que fazer. 

Tudo menos voltar para o comunismo. Eles deviam estar me odiando lá, pois eu tinha aquela dívida  com relação àquela bolsa de estudos para com o Estado Comunista.

O oficial então me sugeriu que eu fosse para um campo de refugiados, e ele frisou bem que não era campo de concentração, e lá fomos. O campo ficava numa cidade perto de Roma, uns cinquenta quilômetros mais ou menos, que se chamava Farfa Sabina.

Enquanto isso, meu barco permanecia sob a guarda do governo italiano, preso no cais de Pesaro. Foi aí que um dentista que fiquei conhecendo por lá me disse que queria comprar o barco e eu disse que o barco estava sob a guarda do governo. 

Ele ofereceu cinquenta mil liras e me deu dez mil liras dizendo que era amigo do sujeito do governo e que usaria o barco enquanto este não fosse liberado e que me daria o resto quando o barco fosse liberado. 

Quando finalmente o barco foi liberado, recebi do dentista todas as cinquenta mil liras: para ele as dez mil liras iniciais não tinham tanta importância, mas sabia ele que eram vitais para mim.

Mais uma vez no campo de refugiados, fiquei conhecendo o senso humanitário dos italianos: minha filha ficou doente, com uma febre de quarenta graus, mas brincava normalmente, até que foi descoberta a causa: tifo intestinal. Se não fosse tratada, na certa morreria. O médico do campo disse não ter recursos para tratá-la, e ela foi enviada a um hospital próximo.

Eu não podia estar lá com ela todo o dia, tinha de estar no campo, que era de uma organização de ajuda de refugiados, como a cruz vermelha faz hoje, e então consegui visitá-la dia sim, dia não, porque nosso dinheiro era curto para ir lá todos dias de ônibus. E uma vez coincidiu com o domingo a minha visita e eu fui perguntar ao diretor do campo o que deveria eu fazer e ele me disse para ir lá na segunda e eu disse que não, que tinha prometido, e ele acabou me arrumando uma carona para o hospital de motocicleta.

A ida transcorreu sem problemas, mas e a volta? Não havia carona, e eu tive que voltar andando para o campo, não sei quantos quilômetros, tive sorte de ser lua cheia e eu pude ver a estrada. Só me lembro de ter andado mais ou menos umas sete horas.

Já era 1952 e estávamos com os dias dos campos de refugiados contados, a organização fecharia, e os refugiados tinham de se arrumar. Eu tinha diversas opções para me estabelecer, já que na Itália não podia ficar: a Austrália, onde deveria eu trabalhar dois anos para o governo (de graça), sem a família até poder me fixar, o Canadá onde deveria trabalhar seis meses nas mesmas condições, Estados Unidos, onde estava díficil começar a se estabelecer no pós-guerra e Brasil, onde bastava me estabelecer, e onde eu tinha conhecidos de meu pai que poderiam me ajudar. Na Argentina estava o meu cunhado, mas para lá eu não podia ir, porque a Argentina não estava em condições de absorver refugiados.

Então lá fomos para o Brasil, com a esperança de recomeçar e ficamos num campo de refugiados no Rio de Janeiro, até eu arrumar emprego. Quando fui dar minhas qualificações me informaram para falar que eu era desenhista mecânico pois estavam precisando destes, porque engenheiros tinham sobrando.

Com isso tive de começar desde o início, porque fui informado que o Brasil não aceitava minhas qualificações de engenheiro, e que eu teria que estudar desde o primário no Brasil para ter isto reconhecido. 

Foi assim que eu comecei a vida no Brasil: como desenhista.

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N.A. Original digitado por Paulo Jurza, neto de Camilo Vladimir Jurza, em 18 de julho de
1992 - Alguns detalhes podem não estar corretamente ajustados cronologicamente,
mas foi feito o possível para se manter dentro dos relatos de Camilo V. Jurza em seu
sítio em Morretes, Paraná.

Madero Ya no Late...

Un día amanecí en Puerto Madero
Caminando me sentía Borges
Borracho, más allá que acá
Respiraba más Aires y menos Buenos

Ya no estoy contento
Y lo sé por qué
Tus besos tan lejos
Y estoy sin aliento

Tus labios ya me han besado
Y hoy ya no más
Tu cuerpo ya me ha apretado
Y hoy, ya no más

Y por eso sigo llorando
Por una sonrisa perdida
Mi corazón ya no late
Por esta vida jodida

O BOI...

Diz a lenda que um fazendeiro branco português tinha um touro preferido em sua fazenda. No local, havia ainda um vaqueiro negro cuja mulher, Catilina, estava grávida.

 A mulher manifesta ao marido o desejo de comer a língua do touro preferido do fazendeiro. Ela convence o marido a matar o boi e tirar sua língua. 

O vaqueiro satisfaz o desejo da mulher, mas quando o patrão começa a procurar seu boi de estimação, o vaqueiro se desespera, vai para a floresta e conta o que aconteceu ao pajé. 

O indígena vai para a fazenda, faz uma pajelança e o boi ressuscita. Com isso, uma grande festa é realizada na fazenda.

No Piauí tem a lenda do "Cabeça de Cuia", trata-se da história de Crispim, um jovem garoto que morava nas margens do rio Parnaíba e de família muito pobre. 

Conta a lenda que certo dia, chegando para almoço, sua mãe lhe serviu, como de costume, uma sopa rala, com ossos, já que faltava carne na sua casa frequentemente. Nesse dia ele se revoltou, e no meio da discussão com sua mãe, atirou o osso contra ela, atingindo sua cabeça e a matando. 

Antes de morrer sua mãe lhe amaldiçoou a ficar vagando no rio e com a cabeça enorme no formato de uma cuia, que vagaria dia e noite e só se libertaria da maldição após devorar sete virgens, de nome Maria. 

Com a maldição, Crispim enlouquecera, numa mistura de medo e ódio, e correu ao rio Parnaíba, onde se afogou. Seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa ou se banharem nas épocas de cheia do rio. 

Alguns moradores da região afirmam que o Cabeça de Cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do rio e tenta virar embarcações que passam pelo rio. 

Outros também asseguram que Crispim ou, o Cabeça de Cuia, procura as mulheres por achar que elas, na verdade, são sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar. Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e acaba por matar as mulheres. 

O Cabeça de Cuia, até hoje, não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria.

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