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Li um artigo que me deixou muito impressionado - dizia que a maior ameaça à Maçonaria não é o desaparecimento de suas lojas, mas elas funcionando depois de perder o que justificava usa existência.
Isso acontece quando a instituição pode sobreviver à sua finalidade: a loja continua a iniciar aprendizes, elevar companheiros e exaltar mestres. Continua fazendo ágapes, continua reunindo toda semana - mas não estuda. Práticas vão perdendo a razão de ser porque ninguém mais justifica seu uso, ninguém mais estuda o porque daquela ritualística. E cada vez a fazem de maneira pior.
E a loja vai se corroendo, porque o ritual se transforma em rotina, e a rotina se tranforma em vácuo, vazio de estudos. Não se sabe porque se repete, e a rotina toma conta da loja - o aprendiz vira companheiro e o companheiro, mestre apenas por cumprir seu interstício, apenas por passar o tempo que precisa - mas não tem conhecimento maçônico, não tem conteúdo para ensinar e ser um professor, um magister - mestre.
E o conhecimento de toda a loja vai murchando, porque a cada turma de instrutores que se forma, os atos se tornam desleixados, e cada vez mais distorcidos, e a conhecimento vai secando na loja como um todo, levando ao desinteresse e geracionalmente a loja vai definhando.
Administrativamente as lojas continuam a existir, mas o descuido com as atas, com a história, com os rituais, com as posições corporais, com os estudos, vai fazendo uma loja sobreviver, mas os irmãos que lá estão já não se lembram daquilo que estão a fazer ali - levantar templos a virtude e cavar masmorras ao vício...
Uma tradição iniciática é preservada repassando o conteúdo e significado e porque se faz determinado ritual, e não somente repetindo o que aprendeu sem saber porquê.
Cabe à nós sermos fiscais da tradição e do conhecimento e repassá-lo corretamente, cobrando a assimilação dos graus iniciais para se formar bons instrutores, bons magisters!
Não podemos propagar o modelo de aumentos de graus apenas por dó do irmão que está ali por muito tempo na mesma coluna sem saber o que significa a trajetória e conhecimento maçônicos.
É sermos vigilantes para preservar não só a forma da Maçonaria, mas seu conteúdo!!

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