Other stuff ->

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O Descobrimento do Brasil e os Templários – parte II

 

Tinham passado cem anos sobre a condenação dos Templários nos processos de Paris, e o Vaticano estava preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que aumentara muito no século XIV. Com isso, em 1418, o Infante consegue o aval do papa ao projeto expansionista. Num século, os papas emitiram onze bulas privilegiando a Ordem com monopólios da navegação para a África, posses de terras, isenção de impostos eclesiásticos e autonomia para organizar a ação da Igreja nos locais a descobrir.


Dom Henrique sabia que os lusos não seriam capazes de cruzar o "mar de areia" do deserto do Saara, que só podia ser vencido com o auxílio do camelo. Mas havia indícios de que os marroquinos faziam um tipo de comércio com os habitantes locais, nas proximidades da foz de um grande rio, cujo delta desaguava no Atlântico, ao sul do arquipélago das Canárias. De posse de tais informações, Dom Henrique começou a pensar na hipótese de flanquear os mouros pela retaguarda e dominar a foz do "rio de ouro" – que, como se saberia depois, era o Senegal, tido como um dos braços do Nilo.

Para fazer isso, teria que mergulhar no desconhecido.


No momento em que o Infante, à frente da Ordem de Cristo, resolveu dar a volta ao continente Africano, a idéia parecia uma loucura. Havia pouca tecnologia para navegar em oceano aberto e nenhum conhecimento sobre como se orientar no Hemisfério Sul, porque só o céu do Norte estava cartografado. Mais ainda: acreditava-se que, ao Sul, os mares estavam cheios de monstros terríveis. De onde teria vindo, então, a informação de que era possível encontrar um novo caminho para o Oriente? 


Possivelmente dos Templários, que durante as Cruzadas, além de se especializarem no transporte marítimo de peregrinos para a Terra Santa, mantiveram imensos contatos com viajantes oriundos de toda a Ásia. Quando o navegador da Ordem de Cristo, Gil Eanes passou o Cabo Bojador, um pouco ao sul das Ilhas Canárias, em 1434, mais do que realizar um avanço náutico, estava a desmontar uma mitologia secular. Acreditava-se que, depois do Cabo, localizado no que é hoje o Saara Ocidental, começava o Mar Tenebroso, onde tudo de mal aconteceria aos navegadores. Quando finalmente reuniu coragem e viu que do outro lado não haveria nada de especial, Eanes abriu caminho para o Sul.


Morto em 1460, o Infante Dom Henrique não assistiu o triunfo de sua empreitada, mas sentiu que Portugal estava para se tornar uma das maiores potências marítima. Nas primeiras décadas da existência da Ordem de Cristo, os ex-Templários estabeleceram estaleiros em Lisboa, fizeram contratos de manutenção de navios e dedicaram-se à tecnologia náutica, aproveitando o conhecimento adquirido no transporte de peregrinos entre a Europa e o Médio Oriente durante as Cruzadas. O rei Dom João II, que governou entre 1481 e 1495, estimulou a atividade mercantil e a colonização dos territórios africanos.

Ordem de Cristo controlou o conhecimento das rotas e o acesso às tecnologias de navegação enquanto pode. Mas com o ouro descoberto na Guiné, em 1461, o monopólio da pilotagem passou a ser cada vez mais desafiado. 


A partir de então, multiplicaram-se os contratos com comerciantes e as cessões de domínio ao rei para exploração das regiões descobertas. Aos poucos, a sabedoria secreta guardada em Tomar foi sendo passada para mercadores de Lisboa, da Flandres e da Espanha. Naquela época, Portugal fervilhava de espiões, especialmente espanhóis e italianos, que procuravam os preciosos mapas ocultos pelos Templários. Enquanto o tesouro, de dados marítimos, esteve sob a sua guarda, a estrutura secreta da Ordem garantiu a exclusividade aos portugueses. Em Tomar e em Lagos, os navegadores só progrediam na hierarquia depois de sua lealdade ter sido comprovada, se possível em batalha. Só então podia ler os relatórios reservados de pilotos que já tinham percorrido regiões desconhecidas e ver preciosidades como as tábuas de declinação magnética, que permitiam calcular a diferença entre o Pólo Norte verdadeiro e o magnético. 


E, à medida que as conquistas avançavam no Atlântico, eram feitos novos mapas de navegação astronômica, que forneciam orientação pelas estrelas do Hemisfério Sul, a que também só os iniciados tinham acesso.


Mas o sucesso atraía a competição. A Espanha, tradicional adversária, também fazia política no Vaticano para minar os monopólios da Ordem, numa ação combinada com seu crescente poderio militar. Em 1480, depois de vencer Portugal numa guerra de fronteiras que durou dois anos, os reis Fernando, de Leão, e Isabel, de Castela, começaram a interessar-se pelas terras de além-mar. Com a viagem de Colombo à América, em 1492, o Papa Alexandre VI, um espanhol de Valência, reconheceu em duas bulas, as Inter Caetera, o direito de posse dos espanhóis sobre o que o navegante genovês tinha descoberto, e rejeitou as reclamações de Dom João II de que as novas terras pertenciam a Portugal. O rei não se conformou e ameaçou com outra guerra. A controvérsia induziu os dois países a negociarem, frente a frente, na Espanha, no ano de 1494, um Tratado para dividir o vasto Novo Mundo que todos pressentiam: o Tratado de Tordesilhas.


Portugal acabou por ser obrigado a enviar os melhores cartógrafos e navegadores da Ordem de Cristo, liderado pelo experiente Duarte Pacheco Pereira, à Tordesilhas, na Espanha, para tentar um tratado definitivo, mediado pelo Vaticano, com os espanhóis.


Apesar de toda contestação, a Santa Sé era o único poder transnacional na Europa do século XV. Só ela podia mediar e legitimar negociações entre países. Portugal saiu-se bem no acordo. Era a vantagem dada pela estrutura secreta da Ordem de Cristo, que devido a sua política de sigilo, os portugueses sabiam da existência das terras onde hoje está o Brasil sete anos antes da viagem de Pedro Álvares Cabral.


Lisboa, 08 de março de 1500, um domingo. Terminada a missa campal, o rei Dom Manuel I sobe ao altar, montado no cais da Torre de Belém, toma a bandeira da Ordem de Cristo e a entrega a Pedro Álvares Cabral. O capitão vai içá-la na principal nave da frota que partirá daí a pouco para a Índia.


Era uma esquadra respeitável, a maior já montada em Portugal, com treze navios e 1500 homens. Além do tamanho, tinha outro detalhe incomum. O comandante não possuía a menor experiência como navegador. Cabral só estava no comando da esquadra porque era Cavaleiro da Ordem de Cristo e, como tal, tinha duas missões: criar uma feitoria na Índia e, no caminho, tomar posse de uma terra já conhecida, o Brasil.


Em 22 de abril de 1500, naus com a cruz da Ordem de Cristo, chegaram onde hoje é a Bahia. Foi o espírito dos cruzados que guiou a aventura das grandes navegações portuguesas.


A presença de Cabral à frente do empreendimento era indispensável, porque só a Ordem de Cristo, uma companhia religiosa-militar autónoma do Estado e herdeira da misteriosa Ordem dos Templários, tinha autorização papal para ocupar – tal como nas Cruzadas – os territórios tomados aos infiéis. No dia 26 de abril de 1500, quatro dias depois de avistar a costa brasileira, o Cavaleiro Pedro Álvares Cabral cumpriu a primeira parte da sua tarefa. Levantou, onde é hoje Porto Seguro, a bandeira da Ordem e mandou rezar a primeira missa no novo território.


O Escrivão Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei sobre a solenidade; "Alí estava com o capitão a bandeira da Ordem de Cristo, com a qual saíra de Belém, e que sempre esteve alta".

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Os Templários e o Descobrimento do Brasil

 

O rei da França, Filipe IV, o Belo, na época do século XIV, estava falido e, entre outros, devia muito dinheiro a Ordem dos Templários, que era uma das Organizações mais ricas e mais poderosas da Europa. Seus membros eram guerreiros, banqueiros e construtores e tinham sede em Paris. Pelo fato de serem guerreiros, e bem organizados, se apoderaram de imensas quantidades de terras e bens materiais dos perdedores aos quais punham o seu jugo. Controlavam feudos e construções em Paris e no interior da França.


Participaram de modo intenso nas Cruzadas. As mesmas eram "patrocinadas" pela Igreja Católica a qual permitia, devido sua portentosa influência juntos aos reis e governantes, que os Templários tivessem muitas regalias e direitos. Entretanto, exigiam que as Cruzadas saíssem vitoriosas em suas contendas. As derrotas das Cruzadas no Médio Oriente, alimentaram uma onda de calúnias, produzida provavelmente por pessoas ou entidades invejosas e sedentas do fracasso dos Cavaleiros da Ordem dos Templários, dizendo que os mesmos teriam se "vendido" aos muçulmanos. Aproveitando o clima favorável, talvez produzido por ele mesmo, em 13 de outubro de 1307, Filipe invadiu, de surpresa, as sedes dos Templários em toda a França, prendendo todos os membros.


Dois processos foram abertos contra a Ordem dos Templários: um dirigido pelo rei contra os presos, o outro conduzido pelo papa Clemente V, que como sabemos, foi forçado pelo rei Felipe, a colocar a sede do Papado em Avignon, França.


Muitos Cavaleiros foram mortos. A maioria degolada. A Ordem era Iniciática e bastante discreta. A própria discrição da Ordem foi usada contra ela, fazendo-se afirmações absurdas. Devido a ramificada rede de informações da Ordem, os sobreviventes trataram de salvar a maior quantidade possível de bens e tesouros.


Todos os seus bens "disponíveis" foram confiscados. Esperava-se uma fortuna, mas, como pouco foi efetivamente recolhido, criou-se a suposição de que os tesouros foram transferidos em segurança para outros países. Para muitos investigadores, um desses países teria sido Portugal. O rei Dom Dinis (1261-1325) decidiu garantir a permanência da Ordem dos Templários em terras portuguesas. Sugeriu uma doação formal dos bens da Ordem à Coroa, mas, talvez, por imposição dos Templários, foi nomeado um administrador, de confiança da Ordem, para cuidar deles.


Dom Dinis, numa atitude corajosa para a época, local e condições, abriu as portas para todos os refugiados da Europa. Nessa ocasião, por volta de 1317, o último Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, Jacques (ou Thiago) de Molay, já havia sido executado na fogueira (1314). Nem o Papa, com toda sua autoridade e com a "Santa Inquisição" a sua disposição, o intimidou: fundou a Ordem de Cristo com, segundo afirmam os historiadores, parte do patrimônio dos Templários.


Todos os perseguidos da Europa, se concentravam, trazendo seus segredos, seus conhecimentos, para o Convento de Tomar, sede da Ordem de Cristo. Uma nova etapa, uma nova era, estava acontecendo para os Cavaleiros Templários. Dois anos depois, em 1319, um novo papa, João XXII, reconheceu a Ordem de Cristo.


No início do século XV, Portugal era um reino pobre. A riqueza estava na Itália, na Alemanha e na Flandres (hoje parte da Bélgica e Holanda). Nesse caso, porque é que foram os portugueses a encabeçar a expansão européia? Sem dúvida, a rica Ordem de Cristo foi o seu trunfo decisivo, com seus tesouros, mas, principalmente, com os seus conhecimentos e experiência adquiridos ao longo dos anos. .


Quando o Infante Dom Henrique, terceiro filho de Dom João I, se tornou Grão-Mestre da Ordem, em 1416, a Organização encontrou apoio para colocar em prática um antigo e ousado projeto: contornar a África e chegar à Índia, ligando o Ocidente ao Oriente sem a intermediação dos muçulmanos, que então controlavam os caminhos por terra. Dom Henrique assumiu o cargo de governador do Algarve. Dividia seu tempo entre a Ordem de Cristo e o Porto (ou Vila) de Lagos.


Ao retornar à Portugal, na primavera de 1419, após combater os mouros na cidade de Ceuta, dom Henrique teria decidido abandonar as "futilidades da corte" e se instalar na ponta de Sagres. Dom Henrique era uma figura imponente, obcecado, teimoso, celibatário e asceta, permanentemente envolto em um manto negro.


O próprio local que o infante supostamente escolheu para viver já era pleno de simbolismo e magia. O antigo "promontório sacro" de gregos e romanos – chamado de Sagres pelos lusos - fora batizado pelo geógrafo grego Ptolomeu. Era a parte final da Europa: um lugar desértico, de beleza trágica, onde a terra se despede num cabo nu e pedregoso, para mergulhar no oceano temível e repleto de mistérios. Não por acaso, Sagres tinha sido ocupado por um templo de druidas, os sacerdotes celtas.


Ainda assim, não foi na ponta de Sagres, mas na Vila de Lagos, acerca de 30 km a leste dali, que Dom Henrique de fato se instalou, quando seu pai, o rei Dom João I, o fez governador daquela região, conhecida como Algarve, ou El-Ghard, a Terra do Poente, outrora o Ocidente árabe.


Foi aí, que em 1420, Dom João I, fez do Infante o administrador da Ordem dos Cavaleiros de Cristo, originária da antiga Ordem dos Templários .


Algarve era a base naval e uma corte aberta: vinham viajantes de todo o Mundo, com todo tipo de informações, tão importantes naquela época. Foram atraídos para lá, sábios, cartógrafos, astrônomos e astrólogos – especialmente Judeus que, desde meados do século XIV, fugiam das perseguições que se desencadeavam na Espanha. Afirma-se hoje que, o Porto (ou Vila) de Lagos, localizada em uma ampla baía, possível de se zarpar, liderada pelo infante, foi que comandou a expansão marítima do século XV. Ali foi fundada a Escola de Sagres – que, na verdade, existiu apenas no sentido filosófico da palavra, já que nunca houve um espaço físico, um centro de estudos, e muito menos um observatório, na Ponta de Sagres.


Tinham passado cem anos sobre a condenação dos Templários nos processos de Paris, e o Vaticano estava preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que aumentara muito no século XIV. Com isso, em 1418, o Infante consegue o aval do papa ao projeto expansionista. Num século, os papas emitiram onze bulas privilegiando a Ordem com monopólios da navegação para a África, posses de terras, isenção de impostos eclesiásticos e autonomia para organizar a ação da Igreja nos locais a descobrir.

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sólio

 

Como já tivemos, anteriormente, oportunidade de falar, SÓLIO é sinônimo de TRONO, que é o assento solene, pomposo, onde se senta a pessoa a quem se confere extrema autoridade. No caso da Maçonaria é onde se senta a autoridade maior da Loja, que é o Venerável Mestre ou seu substituto numa determinada Sessão.


Desse modo, os Vigilantes quando substituem o Venerável, sentam no Sólio, apesar de muitos pensarem que o mesmo só pode ser ocupado pelo referido, o que não é verdade. Os Vigilantes são substituídos pelos Expertos.


À direita do Sólio, fica a cadeira, ou assento do Grão Mestre ou seu Adjunto (na Constituição de Anderson, é chamado de Deputado). No caso do REAA, são chamados de Soberano e Sapientíssimo, (ver Pílula Maçônica nº46) e tem a autoridade e direito de estarem presentes à sessão de qualquer Loja, como também de presidi-la, tendo o Venerável da Loja á sua esquerda.


Ao fazerem isso, não há a necessidade de sentarem no Sólio..


Deve ficar claro, também que, um dos Vigilantes, ao assumir, eventualmente, o Veneralato, é tratado durante a Sessão, como "Venerável Mestre", recebendo o título inerente ao cargo do Primeiro Malhete da Loja.


Além disso, quando se diz: "o Primeiro Diácono tem assento abaixo do Sólio..."


refere-se que o assento do referido, está num nível abaixo do nível onde está o Sólio. 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Hospitalários e o Reino Latino de Jerusalém

Cavaleiros Hospitalários

 

Os Hospitalários ou Cavaleiros Hospitalários, de São João de Jerusalém, foram originariamente uma Ordem militar-religiosa formada, também, durante as Cruzadas. Seu remanescente existencial atualmente é a Suprema Ordem Militar de Malta.

O grupo foi formado no 11º século em Jerusalém; seus membros foram irmãos vinculados a um hospital dedicado à São João que cuidava de peregrinos doentes ou necessitados. Em 1113 este grupo recebeu a aprovação papal como ordem regular. Seu primeiro superior (Grão Mestre) foi Gerard de Martignes. Seu sucessor foi Raymond du Puy que reconstituiu a Ordem e começou engajar seus membros em operações militares para o Reino Latino de Jerusalém (ver comentários abaixo).


Após 1187, a Ordem moveu seu quartel general para a cidade de Acre.


Os membros continuavam a cuidar de doentes, guardavam as estradas e lutavam. Eles se tornaram rivais dos Templários na arte de guerra cruzada.


Em 1310 mudaram primeiro para Chipre e depois para a ilha de Rhodes, na qual a Ordem governou como um estado independente até a chegada do turco Otto. Em 1530, o Sagrado Imperador Romano, Carlos V, concedeu Malta para os Hospitalários. Eles defenderam a ilha contra os turcos até que Napoleão I expulsou todos eles em 1798. A Ordem estava declinando e, finalmente seu quartel general foi finalmente estabelecida em Roma. E, de 1805 a 1879 não tiveram Grão Mestre.


Reconstituída em 1879, os Hospitalários continuam hoje como uma Ordem onde clericais e membros fiéis, ambos engajados em trabalhos de caridade e assistência médica. Ela é internacional na qualidade de seus membros e de suas atividades. A vestimenta da Ordem é um manto negro com a cruz de malta de oito pontas, na cor branca.


O Reino Latino de Jerusalém

O Reino Latino de Jerusalém foi criado em 1099 pelos líderes da primeira Cruzada; foi conquistado pelos Muslims em 1291. Sua grande extensão incluía a Palestina e outros estados ao norte, principalmente da Antióquia. A história desse reino pode ser contada em duas etapas: de 1099 até 1187 quando Jerusalém foi reconquistada pelo líder dos Mulims, Saladino e de 1189 até 1291, quando foi finalmente conquistado.


Durante a primeira fase o Reino tinha como capital a cidade de Jerusalém. Os Cruzados escolheram inicialmente Godfrey de Bouillon como administrador (1099 a 1100). Apesar dele ter tomado somente o título de Defensor do Sepulcro Sagrado, seus sucessores, começando por seu irmão Baldwin I (1100 até 1118) usaram o título real. Eles tinham a esperança de expandir e consolidar sua posição na Palestina e, em particular, capturar cidades costeiras, as quais a Primeira Cruzada não havia conquistado. Com o apoio naval de Gênova, Veneza e Pisa, eles tiveram sucesso nessa empreitada.


A oposição árabe dos muslims estava inicialmente fragmentada entre pequenos e insignificantes estados. Após 1128, entretanto, os estados árabes foram gradualmente se unificando, graças ação de novos líderes, entre eles o maior sendo Saladino, que se tornou administrador (governador) do Egito em 1169. Declarando uma guerra santa em 1187, ele derrotou os Cruzados em Hattin, resgatando Jerusalém para os Mulims e sitiando os remanescentes Cruzados em Tiro, Trípoli e Antióquia.


Em 1189 os Cristãos promoveram a Terceira Cruzada intencionada de reconquistar Jerusalém. E assim foi feito. Esta Cruzada e as outras que a sucederam, somente reconquistaram as cidades costeiras e faixa adjacente do território.

De 1191 para frente, a capital do reino era a cidade de Acre.


Infelizmente, o futuro desse Reino foi amargurado pelos conflitos entre os Barões e os Governadores; entre os colonizadores de Veneza, Piza e Gênova; e, principalmente entre as Ordens Militares dos Hospitalários e Templários.


A queda de Acre para os egípcios (Mamelucos) em 1291 marcou o fim do Reino Latino de Jerusalém.

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Constituições de Anderson - Análise do primeiro artigo das “Obrigações”.

Vou fazer algumas considerações, que funcionarão como esclarecimentos finais, sobre o assunto tratado na Pílula Maçônica nº 164 – "Constituições de Anderson". O primeiro artigo das Obrigações de um Maçom Livre, concernente a Deus e a Religião nos relata:


"Um Maçom é obrigado, em virtude de sua posição, a obedecer a lei moral; e se compreende bem a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um irreligioso libertino. Se bem que nos tempos antigos os Maçons estavam obrigados, em cada país, a pertencer à religião do dito país ou da dita nação, qualquer que fosse, atualmente se tem considerado mais conveniente não obrigá-lo senão a esta Religião em que todos os homens estão de acordo, deixando de lado sua opinião particular; que sejam homens bons e verdadeiros, homens de honra e probidade, por qualquer denominação ou crenças que possa distingui-los, donde resulta que a Maçonaria se converte no Centro de União e o meio para conciliar uma verdadeira amizade entre as pessoas que sem ela teriam permanecido em constante distância".


É interessante considerar o fato de Anderson ter mencionado unicamente o ateu e usado termos pesadíssimos chamando-o de "ateu estúpido" e "irreligioso libertino".


Aparentemente, Anderson estava preocupado com algo mais importante, que poderia abalar a imagem da Grande Loja de Londres, recém fundada em 1717, e que havia passado por enormes dissabores provocados pelo Grão Mestre da Ordem, eleito em 1722, chamado Philip, Duque de Wharton.


Retroagindo no tempo, sabemos que naquela época começaram a aparecer em Londres certos clubes, fechados, destinados à prática da libertinagem e eram denominados "Hell Fire Clubs" (clubes das chamas do inferno).


Alguns tinham estatutos, rituais e dignatários. Sabia-se que o ateísmo estava associado à libertinagem. Ali, blasfemar era quase que obrigatório. Normalmente, eram frequentados tanto por homens como por mulheres e seus membros ostentavam nomes de profetas, santos e mártires. A moda dos Hell Fire Clubs se estendeu com rapidez espantosa e haviam tomado a forma de sociedades secretas de "ateus".


O presidente de um desses clubes era o jovem aristocrata, Philip de Wharton, elevado a Duque em 1718, denominando-se Duque de Wharton. Talvez por sua influência na nobreza, talvez por influência política, ou por qualquer outro motivo que desconhecemos, foi eleito Grão Mestre da Grande Loja de Londres. Era um mau caráter, alcoólatra, ateu e tremendamente libertino.

Sua gestão foi escandalosa e o Duque de Wharton acabou sendo expulso da Maçonaria, tendo sido o seu malhete solenemente queimado. Depois de anos de vida crapulosa, foi morrer na Espanha, com a idade de trinta e três anos.


Por que nessa sociedade aberta a todas as convicções religiosas, Anderson fazia exceção somente aos ateus, que na época, eram raros?


O que se pode concluir, é que quando Anderson escreveu o primeiro artigo das Obrigações, estava pensando num ateu de grande importância, blasfemo e libertino, e quando assinalou "ateu estúpido" e "irreligioso libertino" estava se referindo à uma mesma pessoa.


O desprezo de Anderson por um homem que não acreditava em Deus, era mais moral do que filosófico. Era uma precaução contra determinados tipos de homens, evitando que interferissem no bom desenvolvimento da Grande Loja de Londres, recém fundada. Sem dúvida, as exclusões de "ateu estúpido" e "libertino irreligioso" estavam ligadas ao recente escândalo, provocado pelo Duque de Wharton.


Entretanto, como nos diz Alec Mellor –"O alerta havia sido perigoso. Se um homem tão considerado e influente como Desaguliers não tivesse sido seu Deputado Grão Mestre, podemos perguntar em que teria se convertido a jovem Grande Loja sob a direção de um Wharton que unia seu grau de Grão Mestre com os dos Hell Fire Clubs. Mas não bastava somente haver expulsado a ovelha negra. Era preciso pensar no futuro e deixar bem claro que a qualidade de ateu e libertino era incompatível com a Francomaçonaria. A redação das Constituições chegou oportunamente a esse efeito. Assim se explica a redação do primeiro artigo como também o indignado termo empregado por Anderson. Em outras condições não haveria sido necessário nenhum adjetivo pejorativo. O lº artigo não era uma petição de princípios, senão uma reação de defesa".

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

MURO na HUNGRIA - Hungarian Wall


Nesses tempos de comoções políticas e naturais, falta disso e daquilo, o mundo vem enfrentando diversas ondas migratórias de refugiados políticos ou de catastrofes naturais.

Pelo caráter humanitário claro, sempre pensamos em acudir os imigrantes, refugiados, uma tristeza, mas politicamente, e ainda mais, economicamente, é uma situação muito complicada.

Os países, eles mesmos, enfrentam internamente problemas de desemprego, sistema de saúde, moradia, que, ao acolher grandes ondas de refugiados, acabam por se agravar.

Aí que entra o protecionismo nacional, muros são construídos para evitar que entrem, ou que saiam pessoas que porventura afetariam os delicados equilíbrios dos países envolvidos.

E o que fez a Hungria, em pleno século XXI? Desenrolou quilômetros de arame farpado para tentar deter a onda de imigrantes que vem da Síria e regiões, através de sua fronteira nacional com a Sérvia.


Que pensamos como seres humanos, quando vemos uma barreira à livre movimentação de pessoas em situação de risco, de estresse, de desespero?

E que ponto de vista adotamos?

De qualquer ponto de vista, é triste, muito triste, ver os humanos se matando e corroendo vidas, por algumas questões não tão morais, ou não tão explicáveis...

O Caso William Morgan - antimaçonaria

Movimentos anti maçônicos sempre existiram desde os primórdios da Maçonaria, mesmo durante o período da Maçonaria Operativa.


Um dos maiores, ocorreu nos Estados Unidos, entre os anos de 1826 e 1840. O "Caso Morgan", a ser descrito ao longo deste trabalho, foi o estopim de um sentimento anti maçônico, muito amplo e que estava em estado latente por muitos anos, provocado em parte por livros anti maçônicos vindos da Europa, (ver Pílula Maçônica nº99 sobre Leo Taxil) denunciando a Sociedade Maçônica, e em grande parte pelos "dogmas" praticados por certas Seitas Protestantes.


Em 1820, nos Estados Unidos, havia aproximadamente 400 Oficinas e em torno de 12.000 membros e estava crescendo. Como resultado desse movimento, iniciado pelo "Caso Morgan", a questão sacode a opinião pública e quase destruiu a Instituição. Em 1830 o número de membros caiu para aproximadamente 2.000.


William Morgan, indivíduo de mau caráter, aventureiro, endividado, jornalista de Batávia, New York, decidiu refazer-se economicamente lançando um pequeno livro anti-maçônico, publicado em 1826 com o título "A Maçonaria Apresentada e Explicada" com a intenção de desmascarar a Instituição e ganhar muito dinheiro com a venda do livro.


Torna-se logo um best-seller.


Aparentemente, William Morgan deve ter frequentado Lojas maçônicas, onde adquiriu conhecimento para a redação de seu livro. Entretanto, não foi encontrado seu nome em nenhum registro de Loja. É possível que tenha sido auxiliado por outra pessoa.


O movimento anti maçônico cresceu exponencialmente quando Willian Morgan desapareceu da cidade. Inquéritos foram realizados sem sucesso. Jamais se soube o que aconteceu. Porém, começou a correr a notícia que William Morgan havia sido sequestrado pelos Maçons, levado até as Cataratas do Niágara e depois de ter sido assassinado na fronteira canadense, seu corpo teria sido jogado nelas.


Morgan desapareceu em setembro de 1826 e no mês seguinte, o Reverendo David C. Bernard, pastor da Igreja Batista em N.Y., acompanhado de um membro que havia renunciado da Loja Maçônica, começou uma carreira de 40 anos devotada largamente para a desmoralização da Ordem.

Diversos encontros e convenções foram liderados por ele e, ao mesmo tempo, publicou um livro chamado "Luz na Maçonaria" totalmente anti maçonaria. Todos os maçons foram excomungados e não podiam ser candidatos em cargos públicos.


Obviamente, assunto naturalmente atrativo para leitores e escritores românticos e sensacionalistas, produziu uma circulação avantajada de livros anti maçônicos.

Até um Partido Político anti maçônico foi fundado em New York e a excitação invadiu, gradualmente, os outros estados. A maçonaria é condenada pela Igreja Batista. Os Maçons são, sistematicamente, recusados quando da formação de Juri Criminal e os pastores lhes negam a comunhão. A dissidência na Maçonaria foi enorme. Intrometendo-se a inevitável política, viram-se candidatos se apresentarem às eleições alegando seu anti maçonismo.


A Maçonaria levou anos para se reerguer. Quando da Guerra da Secessão, a Ordem se manteve, numa certa medida, fora do conflito, e exemplos não faltaram de atos de generosidade para com os feridos e os prisioneiros, entre Maçons. Estabelecida a paz, para muitos a reconciliação foi definitiva.


Em 1838, o Partido Anti maçom apresenta um candidato à presidência dos Estados Unidos. Os dois outros candidatos, pelos dois grandes partidos e antigos Grão Mestres, Andrew Jackson e Henry Clay.


Jackson foi eleito pela maioria esmagadora: era a Ordem que se reerguia, depois da debandada quase geral provocada pelo "escândalo Morgan". Retoma, então, enfim, sua caminhada progressiva.


Existem hoje, Potências Maçônicas nos EUA, em todos os Estados, Territórios e Distrito Federal com aproximadamente 1.500.000 membros. 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Constituições de Anderson


Vou fazer algumas considerações, que funcionarão como esclarecimentos, sobre o assunto tratado na Pílula Maçônica nº 164 – "Constituições de Anderson". Neste caso, as considerações foram baseadas na tradução das "Constituições" para o português, do original, feita pelo Mestre João Nery Guimarães – Edit. Fraternidade – 1982.


- As duas principais Potências da Inglaterra no sec. XVIII, apelidadas de "Modernos" fundada em 1717 e a dos "Antigos", fundada em 1751, fundiram-se em 1813, dando origem a atual Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI.


- A Grande Loja dos "Modernos" teve a Constituição feita por Anderson. A Grande Loja dos "Antigos" também fez uma "Constituição" chamada"Ahiman Rezon" feita pelo irlandês Dermott que é relatada na Pílula Maçônica nº 47.


- Antes das "Constituições" de Anderson, os conhecimentos e informações eram transmitidos, principalmente, por via oral. Muito pouco era escrito, pois esses conhecimentos eram tidos como segredos. Muitos documentos sigilosos foram queimados com medo que caíssem em mãos profanas.

- A primeira parte das "Constituições", ligando a Maçonaria aos tempos de Adão, hoje é considerada como mais uma lenda Maçônica. Até onde se sabe, Anderson copiou e adequou um trabalho já existente sobre esse assunto de um escritor alemão.


- A segunda parte das Constituições contém as "Obrigações" que regem o comportamento dos Obreiros em Loja e fora dela.


- Os "Landmarks" foram mencionados, mas não foram definidos. Isso abriu brecha para que historiadores maçônicos fizessem suas listas de landmarks. Aparentemente, os mais conhecidos são os do escritor americano Albert G. Mackey que relacionou vinte cinco itens.


- Em 1723 ainda não existia o grau de "Mestre", pois nas Constituições há apenas referência a Companheiros e Aprendizes. O Mestre da Loja era um Companheiro, escolhido pelos demais Companheiros, para dirigir a Oficina. Seria, mais ou menos, o equivalente ao Venerável Mestre de hoje. Em 1730 já existia o grau de Mestre, pois o mesmo é mencionado no livro de Samuel Prichard – "A Maçonaria Dissecada".


- A eleição da Administração da Primeira Grande Loja (o nome, na época, era Grande Loja de Londres e Westminster) se deu no dia 24 de junho de 1717, dia de São João Batista. Depois de um ano, em 24 de junho de 1718, houve a primeira Assembleia, seguida de requintado jantar, conforme itens 23 a 30 dos Regulamentos Gerais.


- Em 29 de setembro de 1720 a administração da Grande Loja (nessa época já composta de dezesseis Lojas) resolveu incumbir o pastor presbiteriano James Anderson, de redigir o livro "Constituições" baseado nos manuscritos existentes.


- Foi em 24 de junho de 1723, na saída do Grão Mestre, duque de Montagu, e entrada do novo Grão Mestre, Felipe, duque de Wharton, que Anderson apresentou, orgulhosamente, as "Constituições", dedicada ao GM, duque de Montagu. 

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ferramentas de Trabalho Maçonaria

 Uma pergunta interessante na Maçonaria, caso se queira faze-la sobre as "ferramentas de trabalho", seriaquando essas ferramentas foram introduzidas no Ritual das Lojas Simbólicas?


Nós sabemos que temos diversos Ritos em todo o mundo e os Rituais, apesar de semelhantes tem pequenas diferenças. Vamos tomar por base o "Emulation Ritual".


Para responder essa pergunta temos que considerar o passado histórico do Ritual e da Ordem Maçônica, em geral.


A Maçonaria nos tempos operativos (vide Maçonaria Operativa – Pílula Maçônica nº13) pode ser acompanhada na Inglaterra, através dos registros de seis séculos passados, voltando-nos ao Manuscrito Régius de 1390 e ao Manuscrito Cooke de aproximadamente 1420 (videPoema Regius - Pílula Maçônica nº 81).


Não há nenhuma evidência que os Maçons Operativos aplicavam "lições de moral e ética" baseadas ou relacionadas com seus instrumentos de trabalho.

Apesar de que há diversos registros das ferramentas de trabalho dos Maçons, porém, como ferramentas propriamente ditas, não há nenhum registro de que fossem usadas nos Cerimoniais das Lojas, como Símbolos ou algo semelhante.


Até 1650, as Cerimônias de Admissão (nossa atual Iniciação) parecem ter sido constituídas somente de uma leitura dos "Deveres" e um "Juramento de Fidelidade" à Loja.


Aparentemente, a mais antiga evidencia que nós temos, vem de um manuscrito de 1696 denominado "Registro da Loja de Edinburgh". Contém uma passagem que menciona ferramentas: "... eu juro por Deus, por São João, pelo Esquadro e pelo Compasso, e ...".


De 1730 a 1813 o aparecimento das "ferramentas" nas Instruções Maçônicas, cresceu paulatinamente, com influência da Maçonaria francesa que sempre foi tremendamente esotérica. É importante que se diga, que a moderna divisão das ferramentas de trabalho dentro dos três Graus das Lojas Simbólicas foi puramente arbitraria.


O Simbolismo se tornou proeminente dentro da Maçonaria em tempos comparativamente recentes, e muitos dos Símbolos foram adquiridos em locais externos.


Enquanto a Maçonaria Operativa pode ser traçada dentro de até 600 anos atrás, aproximadamente, o Simbolismo Maçônico está entre 200 a 250 anos somente. Os ensinamentos utilizando as "ferramentas de trabalho" também estão dentro desse período.

 

M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

Mar de Minas

Gente, sempre perguntam, Minas tem mar? E a resposta é sempre não!

Não até agora (ou recentemente agora, de novo, mais uma vez), já que o Governo de Minas comprou uma faixa de 12 quilômetros de terra em volta da ferrovia Minas-Bahia, que saía de Araçuaí e chegava em Caravelas, na Bahia, pagos com Títulos de Dívida Pública, 300 contos de réis, e que fazem, por direito, o mineiro ter uma praia pra chamar de sua.

Mas a polêmica vem de muito tempo atrás, desde 1910, quando as terras foram adquiridas (e pagas) do Governo Baiano, mas acabaram não sendo exploradas - típico dos governos do Brasil...

E nos anos 40, Minas indagou ao Governo Baiano sobre essa compra, fato que não teve resposta desde então.

E agora, a polêmica volta, e sai em todos os jornais!

Agora, uma força tarefa está a investigar a celeuma, e quem sabe o que vai dar...


Vai acabar com o lema: Minas não tem mar, vai pro bar!!!

Translate it!